Collateral Beauty

6 Capítulo 6. Penicilina


— percy jackson

No meio do silêncio ensurdecedor, surgiu do escuro que me cercava uma luz forte e pequena vinda da porta de metal compactada. Uma mistura de alívio e desespero dominaram meu peito e senti meu coração bater mais forte, fazendo com que os seus batimentos ecoassem em meus ouvidos. Continuei de olhos fechados e sentado contra a parede fria.

Frio. Fome. Tontura. Ansiedade. Dor.

Dor. Dor. Dor.

Mal posso esperar para tomar um banho e comer.

Mal posso esperar para dormir e me sentir vivo de novo.

— Já está na hora, Jackson – eu senti o amargor na voz de Ares enquanto este destrancava a porta, fazendo com que eu tivesse contato com o mundo novamente. Levantei-me levemente, fraco, tonto, mas sem demonstrar como em todas as vezes que eu saía da solitária.

Ou melhor, todas as vezes que eu saí do inferno e voltei à vida.

O peso que carrego pelos meus pecados é grande. Mas eu consigo carregar.

— Até que pegou leve dessa vez, senhor – caminhando com passos curtos e gentis aos meus pés machucados e descalços, passei pela porta e imediatamente dois homens entraram com produtos de limpeza, baldes e esfregões. As luzes foram acessas e eu não tive coragem de olhar para trás. Nunca tive coragem de olhar para o resultado do que eu passei dentro daquela caixa infernal de concreto e metal. – Senti sua falta desde ontem, você costuma marcar presença até o último segundo.

— Estive ocupado com um projeto de seu pai – Ares fechou a porta de metal pesada, e meus olhos começam a se ajustar à claridade do corredor frio. Cada célula do meu corpo berrava por calor, alimento e descanso. – Já sabe o protocolo, Jackson. Andando.

E como sempre, desde os meus 16 anos, fui em direção ao céu, subindo as escadas no final do corredor que parece não ter fim, e ser recebido por dois anjos: Apollo e Arec.

— Estou mais bonito que a última vez, né doutor – e com as últimas forças que consegui reunir de meu corpo, segurei firme no corrimão e antes mesmo de meu corpo despencar ao chão, meus dois anjos me seguraram.

— Vamos cuidar de você, Percy – e antes de me perder em uma escuridão calorosa e acolhedora, ouvi Apollo pedindo para que Arec preparasse a mesa de cirurgia.

[...]

— thalia grace

O despertador tocou às dez horas da manhã e eu fingi não ter ouvido. E é óbvio que depois do que parecia ter sido dois segundos, o filho da puta começou a tocar mais alto. Inferno.

Levantei e após clicar fortemente no botão de “PARE” no relógio digital, bocejei e segui em direção ao banheiro que era só meu. SÓ MEU. Eu nunca tive um banheiro só meu. Nunca. Desde que me conheço por gente eu nunca tive nada meu, sempre foi tudo partilhado tirando as roupas, toalha e barra de sabonete. Tudo sempre foi de todas na Deadly Force Academy, pelo menos éramos unidas nesse sentido.

E que dó delas porque o shampoo, condicionador e sabonete são mil vezes mais macios e cheirosos. E pasma, vi que na pia tinha a linha completa de skin care e produtinhos de cuidados corporais, além de absorventes e papel higiênico.

Após um merecido banho, vi que havia uma mensagem em meu comunicador:

3º andar. Reunião. Poseidon. 20''.

Após abrir meu guarda-roupa, vi que na porta direita havia uma telinha digital com os dias da semana, tarefas e roupas a serem utilizadas. E infelizmente, estava em branco para ser preenchido. Engraçado que vi que havia classificação de roupas brancas, azuis, cinzas e pretas. E à minha frente, havia somente roupas azuis. Talvez a Angelíc havia esquecido de preencher ou ainda não haviam definido minha grade. Espero que Poseidon, meu amado tio, possa me esclarecer porque diabos estou fazendo na academia dele, e não em minha casa.

Eu ri pelo nariz. Enquanto me vestia com um conjunto de lingerie azul básico (mais sexy que qualquer outra lingerie da Deadly), calça moletom grossa para o frio e depois da blusa de manga comprida azul, uma blusa de lã e o moletom, para no fim calçar as alpargatas pretas fofinhas com minhas meias grossas e aquecidas, eu pensei na Deadly. Jogada lá com apenas 12 anos, depois de ter tocado o terror em quase todas as escolas que meu querido pai havia tentado me colocar, ele finalmente me colocou onde eu mais queria: a sua academia.

Pode achar clichê, mas, o motivo que eu queria estar na Deadly era porque em todos os meus aniversários, Natais e exatamente todos os dias do ano, ele estava lá. E apesar de nunca termos tido um relacionamento de pai e filha amoroso e cheio de afeto, pelo menos eu via-o todos os dias. E acredite ou não, eu amava ver o brilho nos olhos dele quando me via ganhar os campeonatos e deixar alunos na enfermaria. Essa era a forma que ele me mostrava amor e carinho. Linguagem de amor fodida, eu sei, mas era o que eu conseguia ter. Ainda mais depois que minha mãe faleceu.

Ao sair do quarto, a porta trancou-se automaticamente e pensei comigo mesma “caralho, como que eu volto pra dentro”. Mas essa seria outra resposta que Poseidon deveria responder.

Os corredores eram frios, muito frios. Vazios e bem iluminados, mas não do tipo que machuca a visão. Eu sei que a Annie deve estar pirando por respostas porque eu estou. Sem câmeras? Não, muito easy. Certeza que havia balança de peso debaixo do piso, visualizador de termômetro corporal e microcâmaras hiper mega fodas porque não era possível não ter.

Quando cheguei no refeitório vazio para pegar as escadas e subir até o terceiro andar, meu comunicador vibrou e ao olhar, vi a seguinte frase: Espere-me aí. Café da manhã.. Não faço ideia se foi Poseidon, mas agradeci imensamente porque o cheiro vindo do bufe estava di-vi-no. Sentei-me em uma mesa, a mesma mesa do jantar dessa madrugada, e respirei fundo o cheiro de ovos, bacon, torradas e suco de laranja.

Quando ouvi o elevador tocar com seu suave “plin”, levantei-me de forma hábil e silenciosa, posicionei-me com as pernas levemente abertas, braços para trás e olhando para o chão. Em silêncio, ouvi os passos pesados chegarem cada vez mais perto até ouvir a voz sexy de meu tio. Que nojo.

— À vontade, minha sobrinha – e assim, passou por mim e com uma olhada de canto, vi que estava vestindo um terno bege, lindo, que realçava seus cabelos pretos cortados na régua.

— Bom dia, senhor.

— Bom dia – respondeu e ao pegar o prato de vidro do lado do bufe, ouvi uma leve comemoração de “uhhh, bem mexidos”. – Pode vir, se quiser comer seu café da manhã.

E ao aproximar-me da mesa, salivei tanto com o cheiro quanto a visão de comida gostosa e bem-feita. Dez mil vezes melhor que na Deadly. Um senhor alto e forte, careca (muito parecido com o Jef, cozinheiro da Deadly até) cheio de tatuagens debaixo da manga levantada da blusa branca, com avental sem uma macha sequer, trazer em um prato executivo o café da manhã do diretor.

— A não, Antony, pode deixar que hoje irei me deliciar com o bufe, obrigado – e assim que Poseidon voltou sua atenção para o bufe, o cozinheiro retornou para a porta de vidro esfumaçada e não se ouviu mais nenhum barulho.

Eu estava doida para comer tudo e muito, mas infelizmente, já tinha burlado a regra da nutrição ontem no delicioso macarrão de Rinna. Esperei Poseidon terminar de servir-se silenciosamente, e quando ele saiu, pedi licença e servi nada mais e nada menos que duas fatias de pão torradas, uma laranja com casca e duas colheres de ovos mexidos e fatias de bacon.

Pouco? A nutricionista da Deadly teria descartado na hora as fatias de bacon falando que era um absurdo. Mas eu pensei em me agradar. Lá em casa, éramos tão bem cuidados em alimentação e cuidados médicos que chegava a ser enjoativo.

Uma vez por semana éramos encaminhados individualmente para exames rotineiros com médico, sendo desde à exame de sangue quanto à consulta ginecológica. E quatro vezes na semana, os alunos eram submetidos à avaliação de peso e massa corporal. Sem mencionar as idas semanais até o psicólogo. Ainda mais que havia de forma variada, os testes de jejum que simulavam fome excessiva. Em uma semana na Deadly, era capaz de você engordar saudavelmente até 8kg, e no mesmo tempo durante a semana seguinte, perde-los.

Quando me sentei de frente para Poseidon, este estava tomando seu suco de melancia e lançou um olhar curioso ao meu prato.

— Achava que você era boa de garfo, sobrinha.

— Ainda seguindo a dieta restritiva da Deadly, senhor – respondi e peguei meus talheres, olhando para baixo.

— Bom, muito bom — Poseidon nada mais disse e voltou a comer de seu prato cheio de ovos, bacon, salsichas e torradas de queijo e presunto. Quando terminamos, Jef falso apareceu para recolher os pratos e esperou o diretor terminar de tomar seu suco para retirar-se de volta ao interior da cozinha. – Nada como um bom café da manhã para começar o dia.

Permaneci em silêncio enquanto Poseidon terminava de retirar os vestígios do café da manhã de seus dentes, estralando a língua ocasionalmente. Finalmente, depois de um silêncio bem esquisito, meu tio colocou os braços cruzados em cima da mesa e me olhou profundamente com seus olhos intensos, e eu não pude deixar de sentir minha buceta dar uma leve piscada. Caralho. Que merda.

— Deve estar se perguntando porque está aqui com sua coleguinha, minha sobrinha preferida. E saiba que infelizmente, você não gostará das respostas que eu vou te dar.

— annabeth chase

Quando cheguei ao refeitório, vestida com um blusão preto, calça moletom preto e a alpargata preta do uniforme, vi sentado à uma mesa o maior homem que já tinha visto em minha vida. De costas, vi seu cabelo cortado em estilo militar, e pesados músculos debaixo de uma jaqueta de couro e calças de combate preta. Não senti que isso daria bem. E segundo minha mensagem no comunicador, esse seria o Ares.

Antes mesmo de poder dar um passo à frente, o gigante se virou ainda sentado na cadeira e senti seu olhar queimar mesmo longe. – Postura, Chase. Acordou toda torta ou tem problema de coluna?

Senti uma ardência em meu estômago e mordi minha língua. Estufei meu peito, coloquei meus braços para trás e fechei minhas pernas. – Senhor. – Vi um vestígio de sorriso nos lábios finos do gigante e pensei comigo mesma que não seria nada amigável a nossa relação. Maravilha.

— Descansar, Chase. – Ares se levantou da mesa e eu me posicionei somente com as pernas levemente abertas, e o rosto inclinado para baixo. Assim que o gigante começou a andar, o barulho de suas pesadas botas no chão ecoava no refeitório. – Venha comigo.

E assim, em silêncio, e sem saber quem diabos era o homem à minha frente, o segui em direção ao ginásio que Poseidon tinha nos mostrado ontem à noite. Ao chegarmos, ele ligou as luzes e o ginásio inteiro se acendeu, revelando o maior e mais completo ginásio que já estive. O gigante foi aos armários na lateral da quadra e após abrir um, retirou pelo que parecia ser mudas de roupas e veio em minha direção.

Enquanto o gigante vinha, vi que seus olhos eram castanhos escuros, pequenos demais para o rosto enorme que o gigante tinha. Realmente, deveria ter 2 metros e pouco de altura e ainda assim, pesar uns 140kg de tanta massa muscular que ele tinha debaixo da jaqueta. Havia tanto em sua cabeça quanto na bochecha cicatrizes pequenas e velhas. Aquele homem seria problema e o pior: ele seria meu problema.

— Tenho certeza que Rinna não deixou as roupas apropriadas para você vestir debaixo do uniforme padrão hoje, a pedido de Poseidon – e assim me entregou o que parecia ser uma regata preta bem como um short justo de malha preto. – Vista-se e me encontre no meio do tatame. O banheiro é após os armários.

Era um dia frio, mas por incrível que pareça, a quadra estava agradável o suficiente para retirar as roupas grossas que vestia. O vestiário, mais propriamente dito, era um simples espaço com bancos de madeira, e alguns conjuntos de pias com espelhos e poucos vasos sanitários no canto. Despi-me e senti-me levemente desconfortável enquanto me via no espelho.

Branca como um fantasma, corpo pequeno mas com músculos fortes, porém... Mas agora eu estava muito magra. A nutricionista da Deadly sempre odiou que nunca consegui acompanhar devidamente o programa que ela passava como treinamento, mas ficava extremamente feliz em saber que mesmo em jejum extremo, não havia severas alterações em meu sistema. Eu só nunca consegui ganhar muito peso. Vestida somente com a calcinha de renda e o top firme de malha fino, coloquei a roupa entregue por Ares, sendo realmente uma regata preta e um short de malha preto justo. Deixei minhas roupas no banco de madeira e calcei minha alpargata.

Ao sair do banheiro, Ares estava no meio do tatame, sentado, descalço e vestido com regata vermelha e shorts de malha leves preto, escrevendo em uma prancheta preta alguns papéis. Vi que havia em seu braço esquerdo uma tatuagem grande cobra, e no braço direito um símbolo da marinha. Retirei a alpargata e medi permissão para entrar no tatame. Ares resmungou um “Venha cá, Chase” e eu fui em sua direção. Sentando à sua frente, distante de três passos, eu esperei Ares terminar de rabiscar algo em um tablet minúsculo em suas mãos enromes.

— Poseidon entregou os contratos na chegada essa madrugada?

— Não, senhor.

O gigante fez murmurou com certa raiva, e continuou a digitar rapidamente. Estávamos somente nós dois, mas as luzes da enfermaria estavam ligadas. Espiei pelo canto do olho ao redor do ginásio e consegui ver uma câmera pequena, virada em nossa direção, bem perto do teto colada à rede de segurança. Era do mesmo modelo da Deadly pelo jeito, ótima para gravar os movimentos em alta qualidade, desde a posição do dedo do pé à sua feição do rosto. Mas a luz vermelha no canto direito dela estava desligada.

— O contrato dele com Zeus é o suficiente para te vincular a academia, e eu estou com o cronograma atrasado – o gigante à minha frente entregou o tablet e a tela era de um contrato.

Instrumento Particular de Prestação de Serviços e Treinamentos Acadêmicos Sigilosos

Mordi o interior de minha bochecha. Levante os olhos e encontrei duas boletas pequenas e castanhas, que não combinavam nada com o homem gigante à minha frente. Senti em minha barriga o medo das palavras que sairiam de sua boca. E como fui treinada pelo melhor, tudo o que Ares via à sua frente era disciplina, seriedade, um olhar frio e silêncio.

— Poseidon te tirou daquele fim de mundo à muito custo, Chase. Zeus não abriu mão de você por todos esses anos, até dois dias atrás. – E isso me deixou intrigada demais. Todos esses anos, Poseidon teve interesse em mim como patrocinador? — Não me importa o motivo, mas é meu trabalho te treinar para o que Poseidon quer de você.

Engoli levemente, enquanto Ares se levantava e ia em direção à uma estante de madeira firmada no chão, atrás da rede de segurança, saindo do tatame. Ele puxou faixas compridas, duas brancas, duas vermelhas e outras azuis, e voltou em direção ao tatame, com passos firmes e determinados. — Tenho exatos três meses para a sua missão, e não será fácil, Chase.

Agora, sentado à minha frente, e olhando profundamente em seus olhos, vi certo pesar. – Sei que nunca saiu em uma missão, mas isso não será problema. Acho estúpido Zeus ter te escondido tantos anos sendo que você tem todo esse potencial dentro de você, preso.

Ares me entregou a faixa branca e começa e enrolar em suas próprias mãos a vermelha. – Coloque, punhos e calcanhares.

— Sei que é inteligente, rápida, até forte em consideração à sua magreza e muito estratégica. Eu analisei seus treinos e campeonatos Chase, e Quíron me garantiu que você é boa. – Enrolando firmemente a faixa, eu já sabia o que eu iria enfrentar em seguida. E não seria fácil.

— Eu já estudei você, sua ficha. Tenho seu histórico, desde o seu primeiro prontuário quando entrou na Deadly aos 7 anos até dois dias atrás – Ares parou de enrolar a faixa e eu senti um leve arrepio pegar minha coluna, assim como senti minha vagina se contrair levemente. Não desviei o olhar. Mantive o contato visual com o gigante à minha frente que buscava qualquer sinal de fraqueza referente ao estupro quando tinha 11 anos. O trauma fora tratado com a Dra. Demetry até hoje por meio de terapia e remédios, mas tem vestígios em minha alma que não há nada suficiente no mundo que consiga consertar.

— Chase. – Sua voz era suave agora, e eu abaixei os olhos para poder terminar a minha outra faixa. Terminei de amarrar minhas faixas e deitei minhas mãos em meu colo, permitindo relaxar um pouco a postura. Ares retirou de seu bolso esquerdo do short, um pequeno controle com dois botões. – Irá ter o seu acompanhamento psicológico e uso de seus remédios. Eu sei treinar e cuidar do físico dos meus alunos, mas a mente e alma eu deixo para quem sabe cuidar — Clicou em um, e a luz vermelha da câmera ligou imediatamente. Clicou em outro e eu ouvi o estralo de a porta de metal do ginásio clicar, trancou-a. Senti meu coração acelerar e minha garganta se fechou levemente.

— À sua frente está o nosso acordo de treinamento, pegue-o. – Ares apontou para o tablet – Aí estará a sua rotina, sua dieta, seu horário de sono e cada detalhe que preciso que acate perfeitamente nos próximos dois meses. No último mês vamos mudar. É importante seguir tudo, Chase.

Olhei para Ares e ele estava à frente de uma prateleira de vidro, pegando facas, adagas e depois, duas estacas compridas de madeira marrom escura. – Terá tempo para ler e eu vou repassar com você todo dia se precisar. Mas agora, preciso que foque sua mente aqui. Sei que tinha seu treinamento pesado na Deadly, mas preciso ver em qual nível você está hoje. — ele riu debochado agora — Especialmente depois do torneio de ontem.

Não mordi a isca, mas vi pelo canto do meu campo de visão que Ares colocou as adagas e facas na borda do tatame e pegou as duas estacas de madeira, voltando para mim. Engoli levemente em seco enquanto corria meus olhos pelas páginas com letras minúsculas, itens destacados.

A princípio eu teria uma agenda para cada semana, mais de três treinamentos (que incluía combate, armas, corpo a corpo e lutas livres...) por dia, simulações, além de uma dieta rigorosa, treinamento de aeróbico e academia. E uma solitária, para ser feita 30 dias antes do prazo final do acordo.

— Permissão para perguntar, senhor.

— Concedida, cadete.

— Qual a minha missão, senhor?

Ares, agora sentado à minha frente com as duas estacas entre nós dois, jogou uma caneta preta do tablet para o meu colo e com um leve sorriso malicioso, e um olhar frio.

— Você irá assassinar o Primeiro-Ministro do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte em 3 meses.

— strangers in paradise

Annabeth, olhando intensamente nos olhos pequenos do gigante à sua frente. Ares viu o desafio nos olhos cinza escuros da loira e sentiu sua boca salivar. Annabeth esperava muita coisa da sua primeira missão, mas não esperava que seria o assassinato de alguém. Ao contrário de muitos alunos da Deadly, Annabeth nunca havia tirado uma vida antes, por mais que soubesse como fazer.

— Leia, Chase.

Annabeth olhou para o tablet e leu, até a última folha... Lá havia a assinatura de Ares, Poseidon, e por incrível que pareça, ao lado de onde deveria ser assinado seu nome, estava como anuente, Quíron.

Quíron. O homem que a acolheu e fez de si sua filha e família durante todos os anos da academia, não ousou nem falar o motivo da sua transferência. E ele sabia de tudo. A raiva consumiu o peito da loura, e o ar escapou de seus pulmões pesadamente enquanto ela assinou seu nome na linha acima da assinatura do homem que ela mais amou.

Ares ao olhar a sua mais nova aluna assinar o acordo de treinamento, teve em seu peito uma faísca de felicidade. Há anos queria ter a oportunidade de ter Annabeth Chase como sua aluna prodígio. Os imensos planos que o ex-militar tinha para a aluna à sua frente, tanta glória que sentiria ao treiná-la como a máquina mortífera que ele sabe que ela é por dentro. Ares mal podia se conter de ansiedade.

— Muito bem.

E antes mesmo de Annabeth poder colocar o tablet e a caneta no tatame, Ares jogou uma das estacas para a aluna e se posicionou em joelhos, segurando a sua própria estava em posição de combate.

Annabeth não esperava tal ataque do professor, e a estaca bateu com força em sua bochecha esquerda. Sentindo um rastro fino de sangue escorrer do ferimento que agora ardia, Annabeth, ágil e habilidosa, pegou a estava pesada e jogando o tablet e a caneta ao lado, deu uma cambalhota para trás e posicionou-se com uma perna esticada e a outra ajoelhada, com os braços harmônicos segurando a estaca.

— Concentre-se – Annabeth quase riu de nervosa quando viu os olhos do treinador virarem de castanho escuro para vermelhos quase, conforme a luz batia. O tatame era novo o suficiente para ser duro demais. – Quero ver sua harmonia, Chase.

Em um movimento ágil e gracioso, Ares se avançou sobre a aluna que desviou para a lateral esquerda, quase sentindo à estaca de Ares bater em seu pé. No próximo movimento, Ares conseguiu erguer-se e posicionou-se, mas não tão rápido quanto Annabeth que conseguiu deferir uma paulada na mandíbula do treinador. O punho de Annabeth estralou e doeu com a força, mas o gosto de satisfação encheu sua boca com o sorriso singelo maroto ao ver a raiva nos olhos de Ares. O ex-miliar cuspiu no tatame sangue.

Annabeth copiou o movimento seguinte do ex-militar, e ambos ficaram à postos, em posição de defesa. Ares deu o primeiro passo para a esquerda, e Annabeth seguiu para a direita. Ambos lentamente caminhavam em círculos, observando cada movimento um do outro.

— Boa defesa. Boa esquiva – os olhos de Ares passavam pelo corpo da loira, e ela sentiu-se nua. Mas ela não estava indefesa.

Ares estava sedento em descobrir pessoalmente todos os defeitos e qualidades da aluna à sua frente. Analisando cada detalhe do corpo magro à sua frente, ficou satisfeito em ver músculos definidos e fortes debaixo da pele branca de fantasma dela. Conseguia ver nos olhos cinza da aluna que esta estava calculando cada possibilidade, cada movimento, cada instante do que poderia vir para melhor se defender ou atacar. Annabeth não era tola, mas também era receosa por causa de sua inteligência. E por isso, Ares atacou.

Annabeth conseguiu defender-se chocando à estaca contra a de Ares, mas este era forte, muito forte. O impacto doeu seus ombros, mas isso não afetou o contra-ataque. Em uma dança harmônica e bruta, Annabeth conseguia tanto defender quanto atacar, não na mesma força de intensidade que Ares, mas este admirou o empenho da mulher a sua frente em tentar igualar em técnicas o que Ares tinha de força.

— Controle-se, Chase. Está pensando muito em como me atacar e não como seguir com a luta de uma forma que não se canse rapidamente. Foque! Harmonize-se!

Em um movimento, Annabeth deixou a guarda de sua perna esquerda e Ares aproveitou e chutou-a. Annabeth soltou um gemido de dor e Ares deu um sorriso de lado, malicioso em ver que conseguiu acertar a Chase.

Annabeth, começou a sentir fúria em seu interior. Fúria que nunca conseguiu ter uma vida normal, fúria que foi traída pelo único homem que confiou na vida, fúria. Annabeth atacou e ágil e rápida, diferia golpes nas regiões laterais do gigante, fazendo com que o mesmo não tivesse tempo o suficiente para defender-se de ambos os lados devido aos braços grandes e musculosos que ocupavam espaços.

— Foque, Chase! Você não tem músculos o suficiente para atacar e receber o impacto! O que fazer, o que fazer?!

Chase estava cansando de atacar e receber em troca o impacto em seus ombros, pernas. Quando suas estacas se chocaram, Ares pegou a estaca de Annabeth, segurou-a e chocou sua cabeça contra a da loira. Annabeth caiu no tatame com um estralo forte de suas costas, e tonta, tentou escapar por rolamento. Ares jogou longe a estaca da aluna e riu. Tentando acertar a aluna com a estaca no tatame, Annabeth conseguiu levantar-se e afastar-se.

Ares, ao alcance de Annabeth, segurou-a pela barra da camisa em suas costas, e puxou-a com força contra si. Prendendo-a em seus braços musculoso e começando a sufoca-la com a estaca em seu pescoço, Annabeth conseguiu deferir uma cotovelada nas costelas de Ares, e conseguiu soltar-se após torcer o braço que ficara frouxo do aperto, deferindo uma cotovelada na lombar do treinador. Este, ainda segurando a barra da regata de Annabeth, rasgou-a, deixando a garota somente com o top. Annabeth chutou-o na parte de trás do joelho e este caíra sobre o tatame ajoelhado por um momento. Annabeth que não era tola, não ousou subir nas costas disponíveis do treinador. Sabia que este iria joga-la contra o tatame e ela cairia de rosto. Por isso, correu.

— Esta é a grande Annabeth Chase que vi nas gravações? Fugindo? – Ares viu a garota correr em direção à saída do tatame e pensou que desperdício. Ela estava quase que conseguindo ganhar vantagem. E antes mesmo de poder sair outra frase da boca do gigante, este surpreendeu-se.

Annabeth agora estava à frente de onde Ares havia pegado as adagas e facas. E quando Annabeth ergue-se e olhou fixamente para o ex-militar, havia uma tempestade de fúria em seus olhos cinzas. Colocou uma adaga de 30cm na barra do short, segurando em sua mão direita outra adaga de mesmo tamanho e outra pequena. Ares viu o desafio e aceitou-o. Correndo em direção à garota, Annabeth não sentiu medo enquanto via os pesados músculos do treinador vindo até si, mas sentiu determinação.

Ares atacou e a garota deferiu para a sua esquerda o choque da estava contra a adaga maior, enquanto que com a outra adaga menor, esta deferiu um leve corte nas costelas do treinador. Surpreso, Ares parou um instante, um mero segundo antes de ir para cima da aluna com maior força. Annabeth e Ares dançavam por cima do tatame harmoniosamente, e o treinador estava contente com o fluxo da aluna.

Havia, claro, momentos em que a estava de Ares conseguia atingir as costelas ou braços da aluna, deixando marcas roxas e doloridas, bem como, a aluna conseguia deferir cortes, por mais que finos, aos braços e pernas do treinador. Annabeth queria que nele sentisse agonia nos finos cortes, que sangravam. Foi só questão de minutos de luta para que o tatame estivesse com sangue do treinador e dela.

Quando um avançava, outra defendia e recuava, passando por todo o tatame até o momento que Annabeth conseguiu fazer com que Ares se abaixasse o suficiente para que a aluna conseguisse deferir um cotovelada em sua mandíbula, e um chute no estômago duro deste, fazendo com que a estaca caísse ao seu lado pela falta de fôlego momentânea. Annabeth, em um rápido movimento, jogou-se para trás com uma estrelinha, caindo atrás da estaca e posou gentilmente sobre o tatame, pegando com a mão esquerda que estava a adaga menor e pegando junto com a estaca, olhando abaixada para Ares com malícia.

Ares tirou de seu short uma faca de combate e com um grito de fúria, chamou Chase para atacar. A ira tomou conta de seu ser e agora não era mais um treinamento, e sim uma luta. Sua regata havia a sujeira de seu sangue em pequenos locais e os cortes estavam ardendo por causa do suor de seu corpo. Annabeth tacou longe a adaga, e apesar de estar cansada e com os músculos doendo, atacou.

Ares não foi misericordioso e assim que teve a chance, bateu com força na mão esquerda de Annabeth, fazendo com que a adaga pequena caísse no chão. Annabeth, por mais experiente e ágil que conseguia ser, ainda assim não era párea para Ares. Este era brutal.

Quando a adaga caiu no chão, Annabeth tentou se esquivar do soco que Ares deferiu contra a loira, mas este ainda assim conseguiu pegar nas costelas. Em um gemido de dor, Annabeth perdeu o fôlego e Ares deferiu uma outra joelhada na boca do estômago da loira, e jogou-a no chão com força. O impacto fez com que Annabeth perdesse o foco e abrisse mão da adaga que possuía ainda.

Ares riu e guardou a faca no seu short enquanto Annabeth cuspia sangue e tossia. Ares pegou a aluna pelo rabo de cabelo e levantou-a. Surpreendeu-se como a garota não pesava quase nada realmente. Annabeth segurou-se no pulso da mão do treinador que segurava firmemente seus cabelos.

Annabeth, ao aguentar a dor de seus cabelos serem puxados, cuspiu sangue no rosto do treinador, fazendo este ficar cego. Com um grunhido, Ares fechou com força seus olhos e Annabeth puxou-se com força agarrada ao pulso, e conseguiu encaixar suas coxas fortes no pescoço do treinador. Com uma força absurda e aproveitando o momento desnorteado do ex-militar, Annabeth conseguiu fazer com que o treinador caísse no tatame, mas o impacto de seu corpo a fez dar um leve grito de dor.

E assim que conseguiu soltar do cabelo cacheado da loira, esta pegou seu braço e segurou-o contra seu corpo. Ares não conseguia acreditar que a loira tinha feito tal movimento, e que estava realmente imobilizando seu braço direito. O braço esquerdo de Ares conseguiu deferir um soco no lábio de Annabeth, mas esta conseguiu segurar junto com o outro o braço contra seu peito, prensados contra seus dois braços.

As pernas fortes de Annabeth começaram a sufocar o pescoço do treinador, que sentia contra a sua cabeça, algo frio e de metal. Annabeth ainda estava com a adaga em sua cintura. Com gritinhos de dor, Annabeth sentia seu corpo ficar cada vez mais pesado e tremendo, de tamanha força que estava fazendo para manter o treinador sobre sua posse. E assim como fez anos atrás com Nakamura, esta manteve-se firme, e com um movimento ligeiro, torceu as pernas fazendo com que o treinador pendesse o pescoço para a direita, e este perdesse momentaneamente os sentidos.

Com um grito de alívio ao sentir que o gigante não estava mais lutando, Annabeth soltou-o e deitada ao tatame, sentia seu corpo tremer terrivelmente. Sentia gosto de sangue na boca e faltava ar em seus pulmões. Annabeth não conseguia respirar.

Tentou rolar sobre seu corpo e ficar de bruços, mas seus braços estavam cansados e doloridos demais. A loira tentou se puxar para se afastar do corpo do ex-militar, sabendo que ainda estava vivo. Foi nessa hora que vomitou sangue. O pânico tentou tomar conta de seus instintos. Tudo doía, tudo ardia. Annabeth olhou de canto para Ares e sentiu nojo ao ver o seu novo treinador, desmaiado no chão. O que era pra ter sido uma luta de conhecimento virou em uma sessão de espancamento e cortes.

Annabeth começou a respirar mais ofegante. O ar não entrava em seus pulmões.

Sangue. Gosto de sangue. Muito sangue.

Annabeth perdeu toda força quando começou a tossir sem parar. Sua cabeça dilatava e seu corpo tremia muito. Deitada em sua própria poça de sangue e vômito, Annabeth conseguiu virar-se de lado e não conseguia focar sua visão em nada. Conseguiu ouvir gritos distantes, meros ecos. Foi quando sentiu algo tocar seu braço e virá-la.

Não viu rosto, não conseguiu distinguir cores. Percebeu que seu corpo estava sendo levantado, mas ela só sentia dor. A luz do teto cegou-a e ela estava sem respirar agora. Seu coração doía em seu peito. Até que, por fim, tudo ficou escuro e Annabeth pode finalmente sentir paz.

— percy Jackson

Eu estava terminando de tomar meu suco de caixinha, rindo da piada de Arec junto com Apollo, que preenchia alguns papéis na prancheta à frente da minha maca. Rir fazia minha barriga arder, mas eu já estava bem melhor fisicamente. O difícil não era ser remendado e passar por cirurgias, mas sim o que parecia ser a recuperação eterna para ficar bem de novo.

— Agendado para segunda-feira a avaliação psicológica, Percy – Apollo assinou os papéis e guardou sua caneta no jaleco branco. – Continuará sob observação aqui e sob os antibióticos no soro, até que o seu exame de san...

Ouvimos um som distante, fino e abafado. Apollo olhou para o monitor perto da mesa de Arec, e com terror estampado nos olhos, largou a prancheta e correu para a porta gritando “código treze!”.

Eu estava morando na Force havia dez anos e nunca, em todo esse tempo, ouvi Apollo gritar tal código, e ainda mais em tamanho desespero. Olhei para o monitor mas não consegui ver muita coisa, estava longe.

Arec, rapidamente, foi-se até a maca e retirou debaixo o monitor de batimentos cardíacos. Ágil como sempre, colocou suas luvas, pegou a bandeja de equipamentos cirúrgicos e limpou jogando neles e na maca o álcool hospitalar. Ouvi Apollo gritar seu nome lá fora no ginásio, e Arec saiu correndo. Não consegui distinguir os gritos de comunicação entre os dois.

Meu coração estava acelerado e meu estômago travou, ardendo. Em questão de segundos, Arec entrou na enfermaria com uma mulher seminua em seus braços.

Fiquei pasmo. Não reconheci a garota magra, porém incrivelmente musculosa. Seus cachos loiros estavam vermelhos e soltos, e seu corpo estava cheio de hematomas e sangue. Seu top e shorts rasgados. Se não fosse pelo horror da situação, acharia a garota gostosa e linda.

Arec colocou-a na maca e puxou o ventilador para perto. Passou uma gaze com um produto que não li o rótulo e limpou o corte horrível em sua bochecha e lábio, para depois colocar a máscara de oxigênio no rosto pálido, imóvel e delicado da mulher. Apollo entrou correndo dizendo “ele vai sobreviver”. Arec tinha colocado o clipezinho no dedo fino da loira e no monitor aparecia seu coração bater irregularmente. Enquanto examinava os olhos dela com uma luz, Arec puxou o scanner de chip e colocou no pescoço.

No monitor do cardio, apareceu a frase “NÃO IDENTIFICADO”. Arec olhou arregalado para Apollo e este permaneceu em silêncio por um segundo. Pegou o estetoscópio e pousou no peito da mulher, que deitada, estava pálida e imóvel.

— Pegue duas bolsas de O+ e me traga a bacia.

Eu, segurando minha caixinha de suco, fiquei imóvel sem conseguir respirar direito e sem entender que porra que estava acontecendo. Apollo e Arec ficaram falando em termos técnicos que eu não conhecia. Eu perdi o fôlego quando o médico cortou o top da loira, deixando-a com os seios expostos. Inclinou-a levemente para a direita, limpou logo abaixo do seio esquerdo da loira e com um bisturi, enfiou precisamente na costela. Sangue jorrou da loira e quando Apollo inseriu um pequeno tubo, a bacia que Arec segurava logo se encheu de sangue. A mulher, inconsciente, respirou e o ritmo cardíaco começou a se estabilizar, com batidas lentas.

Apollo mandou Arec preparar a sala de cirurgia e o ultrassom, dizendo que suspeitava hemorragia interna devido a pressão que aparecia no monitor. Enquanto Arec saiu da sala e Apollo segurava o tubo na costela da mulher, acompanhando fixamente o monitor e escutando os batimentos no estetoscópio, esta abriu finamente os olhos, ainda um pouco inconsciente.

Ela tentou falar mas um leve traço de sangue escorreu de seus lábios, manchando a máscara de oxigênio.

— Meu nome é Dr. Apollo, você sofreu lesões graves – os olhos da loira fechavam e abriam lentamente, e ela balançou a cabeça loira, tentando ver o que estava ao redor – Por favor não tente falar, vamos cuidar de você.

Ela gemeu e se contorceu com expressão de dor no rosto, fechando fortemente seus olhos. O monitor disparou. Apollo berrou o nome de seu filho e segurou o ombro da mulher. Vi lágrimas escorrendo mas não vi a cor de seus olhos semiabertos. Ela se afogou no sangue que saia de sua boca mais uma vez enquanto Apollo tentava confortar a garota com palavras.

O monitor registrava batimentos cardíacos rápidos e irregulares, e quando a loira encarou o monitor por dois segundos, e juro por Deus que fiquei incrédulo quando ela travou o corpo e segurou a respiração. O monitor se estabilizou, mas os batimentos ainda fortes.

— Isso, devagar agora – Apollo soltou o ombro dela na mesma velocidade em que ela ia soltando o ar pelos lábios vermelhos de sangue. Fechando fortemente os olhos, a garota reprimiu o que devia ser um grito de dor. – Arec, cadê a porra da anestesia?!

E assim, a garota com a mão delicada e trêmula, tocou o antebraço de Apollo, e abaixou o rosto, com os olhos quase fechados. Ela devia estar perdendo a consciência, havia muito sangue no chão. Apollo e eu acompanhamos a mão esquerda da mulher coçar o seu próprio antebraço, e com movimentos fracos, sinalizar com os dedos gestos discretos. E com um suspiro forte, seu braço caiu na maca e seus olhos se fecharam. O monitor não registrava movimentos cardíacos.

— AREC, ELA É ALÉRGICA À PENINCELINA.

E chutando a porta, Arec chega e arrasta a maca, com Apollo segurando o tubo saindo das costelas da mulher. Tudo o que vejo quando a porta estava prestes a se fechar era um rastro de sangue e a mulher mais linda e intrigante que eu já tinha visto em minha vida. E depois, eu estava sozinho com o silêncio ensurdecedor, segurando meu suco.

O que diabos tinha acabado de acontecer?!