Coffee
6 Kim Taehyung precisava de algo que lhe tirasse do bloqueio
Notas iniciais
K I M T A E H Y U N G
— Aigo! POR QUE NÃO SAI NADA!? — E... Tacou a cabeça em meio aos croquis e canetas.
Suga fitou o amigo com o supercilio erguido "Qual é o problema da vez?" — pensou coçando os fios da cor de ebano. Virou os olhos e bufou antes de cutucar o Tagarela.
— TaeTae, quer falar? — E apoiou o rosto entre as mãos fazendo sua melhor cara de "Sou-Um-Hyung-Fofo-E-Amável-Pode-Falar-Pois-Eu-Não-Vou-Te-Matar".
TaeHyung contorceu o rosto numa careta e abriu o berreiro.
— HYUUUUUUUUUUUUUUNG — Arrasou as letras — EU TÔ FERRADO! — Insira soluços desnecessários, e exageradamente falsos. — E-EU F-F-FUI CONVIDADO PRA FAZER UMA COLEÇÃO PRA UMA LOJA E NÃO SAI NADA! — Tae limpou uma meleca que escorria do nariz (aquilo fez o mais velho fazer uma careta enojada) na ponta da longa manga xadrez e apertou os fios na cabeça voltando a bater a cabeça na mesa. — POR QUE — cabeçada — NÃO — cabeçada — SAI — cabeçada. dessa vez algumas coisas saltaram uns centímetros e o Min ergueu-se indo até o outro — NADA? — Ele ia dar mais uma cabeçada mas o moreno o barrou, empurrando sua cabeleira platinada com mechas coloridas tipicas de um amante de moda. Por que diabos Taehyung tinha que ter uns "ATP" toda santa vez que faltava inspiração? Por Deus...
Min suspirou e virou os olhos, o outro ainda soltava berros desconexos — "POR QUE EU?"; "OH VIDA CRUEL"; "POR QUE AO NO EXORCIST NÃO VOLTA?" "POR QUE A KAORI TINHA QUE MORRER?"essas coisas — o mais velho puxou a cadeira a até bater na parede forrada de desenhos ao fundo, pegou o estojo "Tudo um pouco" — Tae costumava chamar assim por ter tudo de necessário para um desenho descente, nas palavras dele, claro — jogou na mochila do outro junto com o celular, pegou o casaco alheio e, literalmente, o vestiu pôs uma das alças da mochila e bem dizer o empurrou para fora.
— QUE SACO TODO ANO TU É CONVIDADO POR UMA MARCA DIFERENTE, TODO ANO TU DÁ PITACO, EU TE ATURO E TU CONSEGUE! — Esbravejou. A verdade é que o que faltava de altura no Min sobrava de braveza e moral, o clássico "Sou pequeno mas sou ruim" então o outro só podia se encolher como criança que leva bronca dos pais.
— Mas hyung... — começou em tom de manha — eu só consigo por que o hyung me apoia! — Birrou e fez um um bico infantil, beirando o ridículo pra dizer a verdade. O mais velho só virou os olhos e apertou as bochechas alheias, fazendo um "bico de peixe".
— E não é agora que vou deixar. Agora vai dar uma volta busca inspiração, e desenha um pouco e volta. Relaxa! — Dito isto fez o outro virar as costas e andar. — VAI NO CAFÉ EM QUE O DIMINUÍDO TRABALHA, AS MELHORES COISAS ROLAM LÁ! — Berrou quando o outra já estava a certa distancia.
— SÓ POR QUE ENCONTROU A MILADY LÁ NÉ? — O mais alto respondeu fazendo o moreno rir alto. Sua dama lhe fazia bem. — E ELE É SÓ UM CENTÍMETRO MENOR QUE O HYUNG! — Emendou a fala.
— AH VAI SE FERRAR! — Tae o ouviu berrar e bater a porta com força, o fazendo rir.
Talvez uma volta não fosse má ideia.
***
— Que deseja? — Tae ergue a cabeça do nada e levou um susto ao ver que quem o atendia não era o costumeiro Jimin e sim uma garota.
Olhou pros lados antes de tombar a cabeça para um lado, feito filhotinho perdido.
— Ah... É comigo?
Um aviso sobre Taehyung: Ele é 90% burro e 10% gênio — e a porcentagem genial ele usou pra se formar com honras em sua área.
A garota riu. E ele não pode deixar de notar sua excentricidade: orelha com furos de fazer inveja em muito queijo suíço, com os mais variados tipos de brincos, incluindo um Ear Cuff , Batom vermelho e gatinho em plena luz do dia, shorts cintura alta negros, couro sintético pelo que ele notou, Sneakers com salto embutidos. Blusa azul petróleo frouxa e com mangas longas de mais estampada com respingos coloridos, pareciam ter sido feito durante uma longa pintura e Tae achou isso lindo. Os fios tinham mechas aleatórias de varias cores mas ainda possibilitando ver a cor da raiz, um castanho cor de chocolate, e estavam presos a uma bandana com o mesmo tecido da blusa.
Por favor, Taehyung era da moda e amava mais ainda gente autêntica. E se lhe pedissem para defini-la em uma só palavra a primeira coisa que o Kim diria era essa palavra.
Ele nunca se sentiu tão atraído por alguém.
— Desculpe, devia estar esperando Dawon unnie ou Jimin oppa né? — Ele assentiu, ainda preso ao riso alheio. — Unnie está feito louca liderando a cozinha e meu irmão resolveu sair com a namoradinha logo hoje. O "destino dele" — Fez aspas com as mãos. — Pode me chamar de "Shy" — E ela fez o tão famoso "Shy, Shy, Shy" fazendo Tae liberar um risinho
Então era irmã de Jimin... É pecado querer a irmã do amigo? Não né? Ele esperava que não.
— Ah sim... — Murmurou e fitou o desenho. Achando as modelos ridículas e estranhas demais comparadas a garota a sua frente.
— Então... — Ela pôs as mão na costas e gangorreou o corpo. Tae teve vontade de apertar-lhe as bochechas. — Que vai querer?
"Você"
— O que me recomenda? — Ele apoiou os cotovelos na mesa (pro inferno as regras de etiqueta!), e fitou-a morder o lápis antes de lhe recomendar um...
— Já provou um submarino? — Ele ergueu a sobrancelha direita e negou. — Bom sinta-se honrado, vai provar o melhor dos cafés na melhor das cafeterias. — Dito isso lançou-lhe uma piscadela e saiu rumando a cozinha, deixando um certo amante de moda sem rumo.
***
— Seu submarino! — Tae viu uma xícara enorme com metade de leite, outra de espuma e uma barra de chocolate no fundo. — Tá vendo essa colher aê? — Ela indicou um colher negra apoiada no pires e Tae assentiu. — Ela serve pra te ajudar a derreter o chocolate. Tem esse nome por causa do chocolate emerso que derrete devido a temperatura do café com leite pingado.
Tae era um criança em corpo de gente, então começou a cutucar o chocolate se empolgando a cada pedaço que se derretia. Soltou uns berrinhos alegres também, afinal, ela já tinha ido certo?
Ledo engano. Tae só percebeu a garota ali quando ela soltou um sorriso ladino, rodeou a mesa e sentou-se fronte a ele, com cabeça apoiada nas mãos.
— Me desculpe mas, meu sexto sentido anda louco e diz que eu devia falar com você. Precisa conversar?
Nesse momento o Kim quase chorou. Só não sabia se era por ter alguém disposto a ouvi-lo ou por ser tão transparente.
Soltou a colher e um suspiro fadigado. Deus, nunca havia sofrido tanto por uma coleção! Fitou seus desenhos desagradando-se de todos, realocou-os num montinho e virou-os na direção da garota.
— Eu sou designer. Recentemente eu fui convidado pra fazer uma coleção,para a maior marca em toda a minha carreira! Mas por algum motivo não sai nada. — Ele afundou os dígitos no couro cabeludo, apertando em puro nervoso e logo os desceu para as têmporas, as pressionando. — Eu estou para ficar louco.
Ela fitou o desenho achando-os incríveis. Escolheu sete, abriu-os feito leque fronte os dois e sentou-se ao lado do outro, que sentiu uma mistura louca de frio e calor apossar seu corpo. De certo modo era algo gostoso.
— Eu gostei desses. Mas me incomoda um pouco as modelos. — Tae ergueu o rosto e a sobrancelha esquerda virando-se para ela, que fez o mesmo sentando-se em pernas de indio. — São lindos, mas vendo assim... — Ela fez uma pausa fitando a manequim muito esguia. — Parece só servir nesse corpo. Esse inalcançável. Se eu fosse você redesenharia-os em vários formatos de corpo. Sabe se mostrar que todos podem usar, as vendas vão subir pois as pessoas acima, e abaixo, do peso vão poder comprar e se sentir feito capa de revista! Se eu fosse a dona da marca faria isso. E estamparia as camisetas com frases legais. Tipo essa! — Pegou um modelo de Coppred frouxo — Não ficaria incrível com um "No Photos, please" estampado?
Tae se pegou abobado por um minuto. Por Deus ela era um gênio!
— Obrigado. — Sorriu e ela devolveu. — Quanto as cores? Que acha?
E começaram um longo bate boca sobre tonalidades que só foi interrompido pelo soar da porta, avisando que ela teria de atender a clientela.
***
— Eu não devia estar aqui... — A garota vestida num elegante e solto vestido murmurou fitando as pedrinhas nos seus saltos. — Tae, eu não sou uma dama! Eu não sou alta classe! Por que diabos eu estou no desfile da "Céci"?
Tae, agora com os cabelos totalmente lilases, sorriu e pegou a mão dela entre as suas.
— Pois se não fosse você, eu não teria entregado a coleção. Nada mais justo que ser minha acompanhante no desfile, não? — Finalizou e estendeu-lhe o braço esquerdo enquanto usava a destra pra arrumar sua gravata borboleta, degradê de azul-ciano como o vestido dela, que contrastava com o terno cor-de-meia-noite que vestia. Ela enlaçou os braços. — Vamos? — E entraram.
O lugar era lindo, um tom agradável de branco, puxando pro creme, tingia as paredes pontilhadas pelo mais variados tipos de flores negras e amarronzadas, pareciam emersos em um xícara de café.
— Wow, tudo lembra café até o cheiro... Tem submarinos ali! — Ela exclamou, apontando a mini-xícaras sendo distribuídas e causou o riso do outro.
— Por que isso tudo é inspirado em cafés... — Tae falou e apontou um banner que tirou o fôlego da outra. — E em você.
Ali, em letras que formavam os mais diferentes corpos femininos, dizia:
" Coleção SHYne Submarine.
By: KimTaeV "
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