BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


Já era tarde da noite e não conseguia dormir, puxei o travesseiro e o cobertor e me aproximei do vidro

—Maya? — Chamei

Desviando os olhos do caderninho em que escrevia, a morena me olhou como quem já sabia o que eu queria, mas como ela poderia conter essa meiguice no olhar a todo momento eu não entendia, tão serena

—Insônia? — A voz suave e baixa, cuidadosa para não irritar o guarda que nos vigiava de noite, afinal, ele não era o mais amigável

Assenti e ela se aproximou também

—Por que não me conta o resto da história do Peter Pan, da última vez você não terminou? — Pedi, já me deitando ali

—Quer mesmo ouvir? — Seu olhar inseguro e eu sorri

—Você realmente não precisa me perguntar isso, Linda

—Tudo bem — Ela suspirou — Onde eu parei?

—Hum... — Pensei um pouco — Acredito que o Peter tinha acabado de pedir ajuda à Wendy para resgatar a Sininho, que foi sequestrada pelo Capitão Gancho

Maya sorriu pelo fato de que eu lembrava, ela duvidava tanto do meu interesse por suas histórias

—Certo... Peter Pan e Wendy voavam pelas ruas noturnas da bela cidade, determinados a salvar sua amiga pequenina...

EM UMA CASA ABANDONADA


Eric estava em frente à casa, de vigia, pensava sobre como tinha corrido toda a missão e a conversa que teria com Bia, a garota nem sempre facilitava para ele...

—O que faz acordado? — Uma voz falou por trás dele, mas o mesmo já havia percebido a aproximação da garota

—Precisamos de vigilância, afinal, não é como se estivéssemos seguros aqui

Sara se sentou ao seu lado, as pernas cruzando-se uma na outra, a garota riu leve

—Você fala como se estivéssemos no meio de um campo de guerra. Você precisa relaxar mais, Eric, não estamos nem dormindo sob o relento

—Você não consegue entender, acabou de ser livre — Seu olhar se mantinha focado em buscar possíveis sinais de perigo nas redondezas

—Realmente, esta é a primeira vez que estou passando a noite fora daquela base, longe de uma cela... Mas meu treinamento era para que eu estivesse preparada para tudo, uma perfeita espiã deles

—Espiã? — Ele a olhou desconfiado

—Não se preocupe, saímos de lá antes que eu recebesse qualquer missão oficial ou que fosse realmente entitulada espiã, ganhando sua confiança

O rapaz não respondeu, voltando a mirar os arredores, a garota se virou para encarar o céu noturno encantada

—Isso é lindo — Ele a olhou — São tão brilhantes, e este céu é tão escuro que quase não o reconheço como o grande clarão que é de dia

—Clarão? Essa não é a mais precisa descrição do céu a luz do dia

—É a mais precisa aos meus olhos — Ela sussurrou e Eric sentiu que havia logo a mais por trás daquela frase

Pouco tempo de silêncio se estabeleceu entre os dois, até ser rompido novamente

—Se quiser posso tomar o seu turno, garanto que sou a pessoa perfeita para o trabalho de vigia — Sorriu e ele viu de novo, havia algo a mais dentro daquela insinuação

—O que você quer dizer? — Seu olhar analisando-a como se fosse uma ameaça

—Você vai descobrir — Piscou para ele e se levantou, o olhar do rapaz a seguindo — E então? Quer que eu tome seu turno?

Ele também se levantou, ficando frente a frente com a moça

—Está tarde — Eric passou por ela e acordou Ian — Ei, acha que pode tomar meu turno?

Com a leve concordância do moreno recém acordado, Eric se voltou para encarar os olhos de Sara, que revirou seus próprios olhos e riu, seguindo o líder para dormir

BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


—Enquanto Peter lutava com o Capitão Gancho, Wendy libertava Sininho. As duas correram até a luta e viram quando Peter caiu, Gancho acertaria uma espada nele, se Wendy não tivesse empurrado Gancho, Peter voou e jogou Gancho no mar, com Sininho resgatada eles foram embora. Logo Peter, Wendy e Sininho estavam conversando no telhado de uma casa, Peter tentava convencer Wendy a ir com eles, mesmo pensando em sua mãe Wendy pediu para quê ele a visitasse mais, porém, que não poderia ir com eles. Naquela noite, Wendy voltou a assistir o amigo voador voltando para a sua terra e a desejar ir com ele algum dia.

Terminei de contar e vi Lucca dormindo como um anjo, sorri e puxei o meu travesseiro me deitando de frente a ele, foi o observando dormir que adormeci