Cobaias - A Luta Pelo Amanhã
6 Capítulo 5
BASE (40) DA CORÉIA DO SUL
Ainda parecia ser cedo, talvez tivéssemos acordado mais cedo que o comum, mas ainda assim a demora dos guardas para nos buscar me dava esperança de um dia de "folga", Maya estava escrevendo já há algum tempo e eu já estava no limite do meu incômodo, o silêncio e o tédio me chateando sem parar, bufei pelo que pareceu a terceira vez em minutos e deixei de balançar as pernas fora da cama para ir até o vidro que nos separava
— Linda, esquece esse caderno um pouco, me dá atenção — Minha voz saiu um tanto dengosa e a vi sorrir um pouco, terminando de escrever algo e fechando o caderninho
— Tudo bem. O que você quer fazer? — Ela guardou os objetos que usava e se aproximou da superfície transparente
—Que tal um jogo? — Comecei a pensar em algo para jogar, porém não me vinha nada a mente
— Verdade ou desafio? — Sugeriu
— Ãn, certo, mas esse jogo é perigoso, viu? Vai que ocorrem declarações aqui — Sorri, mexendo as sobrancelhas sugestivo e ela riu, extremamente corada
— V-Você come-meça.
Dei de ombros
— Verdade ou desafio?
— Desafio — Ela respondeu tão rápido, que era como se tivesse fugindo da 'verdade'
Pensei no que a desafiar a fazer
— Dance como uma louca — A Maya corou e arregalou um pouco os olhos
— Q-Que música? Eu não conheço sobre música
— Também não, mas vou fazer a batida -Sorri e puxei um pote ao meu lado para as minhas pernas
A morena se levantou e eu comecei a batucar, ela mal se mexia com vergonha, mas depois foi se soltando. Eu ria, queria vê-la fazer algo assim desde muito tempo. Todavia, não durou muito e logo ela se sentou, o rosto em 50 tons de vermelho
— Tudo bem, minha vez... Verdade ou desafio?
— Desafio, também.
— Hum... Eu quero que você fale em voz alta tudo o que passar pela sua mente até o fim desse jogo
Me surpreendi com o desafio, mas assenti
— Estou surpreso pela sua criatividade. Verdade ou desafio?
EM UMA CASA ABANDONADA
Senti uma luz incômoda em meu rosto e depois de tentar cobri-la com os braços desisti, me sentei frustrada e notei que a luz invadia de uma brecha na parede. Essas casas caindo aos pedaços e seus defeitos! Revirei os olhos e me levantei, saindo da casa notei que o dia mal havia amanhecido, o laranja disputava espaço com o rosa e cores pastéis que se misturavam bela e suavemente no céu.
Em um canto em frente à casa vi o Ian e me aproximei dele...
— Então? Seu turno de vigia? — Ele assentiu — Não está cansado? Quer que eu assuma? — Ele me olhou e sorriu tentando ser gentil, o que me arrancou um sorriso
— Na verdade eu assumi o posto há pouco tempo, Eric tava aqui antes de mim. Mas o novato está vigiando atrás da casa no telhado desde ontem e ainda não parece querer trocar com alguém
Sorri quando uma ideia passou por minha mente e me perdi em meio ao meu "plano", sendo tirada de meu transe pela voz do meu amigo
— Seja o que for que você vá armar, Raquel, só não cause muita confusão, lembre que sou eu quem estou de guarda, não quero problemas que podem ser evitados
Eu assenti sorrindo
— Não se preocupe, pode confiar na sua irmã aqui — Sorri orgulhosa apontando para o meu peito e ele sorriu
Sabia que ele queria poder sentir muito mais, rir de bobagens como os outros e sentia sua necessidade disto
— Ah! Ian, eu já disse o quanto você é fofo hoje? — Ele negou, sorrindo — Você é MUITO fofo e eu te amo!
Deixei um beijo estalado na bochecha dele e me levantei
— Não sei porquê você sempre faz isso, nunca acontece nada diferente, você não ganha nada por isso — Ele estava confuso e eu ri
— Não é questão de ganhar nada, Nenêm, é só demonstração de afeto
— Sim, eu entendo. As pessoas buscam por meio de demonstrações de afeto criar ou intensificar um laço de parceria e cumplicidade com outras pessoas, já pesquisei sobre isso, mas ainda não acho muito lógico
— Não é para ser lógico, Nenêm! Eu já te disse? Você tem sorte, entender as emoções é um saco e olha que eu sei do que estou falando, hein?! — Sorri com minha "piada", piscando para ele, que sorriu por simpatia
Saí e subi no telhado daquela casa, um garoto lindo estava sentado na beirada de trás e quanto mais me aproximava, mais sentia suas emoções que estavam tão negativas e tão fortes, como não senti antes?!
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