BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


Era hoje, eu sabia que logo chegaria, todo ano tem um período onde as sessões de testes são frequentes... Só espero que acabe logo. Suspirei

— É hoje, não é, Linda? — Ouvi uma voz de repente

Me virei e encontrei Lucca do outro lado do vidro. Respirei fundo e tentei parecer tranquila

— Sim, mas é apenas um teste não temos certeza de qual vai ser — Dei de ombros, tentando fazê-lo deixar isso de lado

— Mas se for o de regeneração? Você não pode ir! — Ele tocou o vidro

— Não se preocupe, Lucca, talvez não seja, mesmo se for, já passo por ele há anos, não se preocupe

Ouvi os passos do guarda, porém não desviei meu olhar do de Lucca, a cela foi aberta e me senti puxada pelo braço para fora, só então tirei minha atenção dele. Mas pela minha visão periférica pude notá-lo correr para mais próximo possível de nós, barrado pelo vidro

— Espere! Qual o teste dela de hoje? Para onde você está a levando? — Ele parecia desesperado e me senti mal

— Não se preocupe, Totó, dessa vez a gente te deixa vir junto, os doutores te querem lá, um teste em conjunto, que tal? — O sorriso sujo dele me deu arrepios e me senti desesperar

— Não, Lucca — O guarda segurou meus dois braços agora e os apertou, o olhei e seu olhar era mortal, me encolhi

— Eu vou — Ouvi o ruivo dizer e o olhei chocada

Um outro guarda se aproximou e notei que era o mesmo responsável por levar Lucca a seus testes. A cela de Lucca foi aberta com cuidado e o guarda segurando seu instrumento de dominação, uma Ketch-All Animal Restraining, entrou alerta

— Pode ficar despreocupado, eu vou para esse teste, não vou lutar contra você hoje — Meu amigo levantou as mãos em rendição e o guarda estreitou os olhos para ele

Ainda assim o guarda o prendeu pelo pescoço com aquele aparelho desprezível, com um curto choque como se para testar se ele falava a verdade, Lucca rosnou pela dor, todavia surpreendentemente não relutou. Eles nos levaram pelos corredores e no segundo que entramos notei a sala... Sim, era o teste de regeneração, suspirei. Como Lucca seria útil nesse teste? Me perguntei, nunca pensaria no que realmente foi minha resposta...!

ENQUANTO ISSO EM ALGUM LUGAR DO CENTRO-OESTE BRASILEIRO


Sim, já estávamos andando de novo! Já era começo de tarde, quando Eric nos fez arrumar tudo para continuar a viagem. Estamos a um dia apenas de nosso destino. Acho que os novatos não estão tão felizes com esse "anda, anda", bem, não estão acostumados como nós, paramos um pouco para comer e me sentei em uma pedra, que um dia pode ter sido um banco de cimento, pouco longe dos outros...

—Ei, Raquel — Chamou Jess e se sentou ao meu lado também comendo

— Oi, Jess — Sorri — Você anda mais estressada que o comum — Ri — O Adam é o motivo?

Ela suspirou, mas soltou um pequeno sorriso ao pensar no garoto, aposto

— Mais a falta dele... Você sabe, essa é minha segunda missão seguida e sem ele, estou sem vê-lo há quase um mês! — Eu sentia seu desespero, mas sabia que ela preferia demonstrar raiva

— Já estamos quase chegando, logo, logo vocês se vêem e você vai poder ameaçar toda e qualquer garota que se aproximar dele de novo — Ri

— Sim, aquelas garotas — Ela grunhiu e quebrou o copo que segurava contra a pedra, eu sabia que era melhor nem comentar — Aposto que estão aproveitando que não estou por perto para se atirarem nele, mas se ele me trair... Ah, eu mato ele! — A fúria era visível em seus olhos e transbordava dela

— Credo, Jess, você sabe que ele não te trairia, é o Adam lembra?

— Lembro, e por isso mesmo que fico de olho! Aquele garoto ama se sentir o gostoso! Se eu descobrir algo é o fim do legado dele

— Certo, certo. Mas agora vamos pensar positivo, que ele não te traiu e que vocês vão se rever em breve — Coloquei uma mão em seu ombro e a sorri consoladora

— Isso se não me mandarem em outra missão assim que chegarmos ou ele não estiver em uma, você quer dizer! — Ela bradou e eu voltei minha mão para mim, rindo

— Eu desisto! Você realmente quer pensar pessimista — Ri, levantando as mãos em rendição e ela pareceu me ignorar, mas eu sabia que ela estava se sentindo melhor, mais relaxada, agora que estávamos conversando, eu podia sentir

BASE (40) DA CORÉIA DO SUL


Maya entrou e em seguida o guarda me jogou lá dentro, não, não caí, estava acostumado ao modo daquele guarda me tratar...

— Lucca, meu garoto, que bom que você veio, temos uma nova brincadeira para você hoje! — Deixei de olhar para a porta, onde uma vez o guarda estava, e me voltei para dois cientistas, o mesmos que eu já conhecia, eles cuidavam do meu experimento, que no caso sou eu mesmo

— Não estou nem um pouco ansioso, Dr. Dantes — Me dirigi ao que falará comigo e ele riu

Dr. Dantes era um homem com humor sombrio, tinha uma paixão pela violência, ele era filho de um antigo cientista, ele não gosta de mim, o motivo? A Maya, ele tem um interesse sujo nela desde que a conheceu, quando começou a trabalhar aqui na base e ficou responsável pelo meu caso, por causa da morte de seu pai. Ele devia ser uns 20 anos mais velho que a gente, o que era ainda mais nojento, por sorte ele não foi colocado para cuidar do experimento da Maya, nem tinha permissão para vagar próximo às nossas celas, graças a um episódio em que ele tentou se engraçar para cima da Maya e eu me descontrolei ao nível de conseguir fugir da cela e atacá-lo. Ele tem uma enorme cicatriz no lado esquerdo do rosto por isso, quando chegou aos ouvidos do diretor da base, minha cela foi reforçada, Dr. Dantes foi proibido de se aproximar e quase foi tirado da equipe responsável pelo meu caso.

Já a Dra. Camargo também da equipe do meu experimento, é mais racional e por vezes repreende o Dr. Dantes, extremamente profissional ela é como a líder da equipe e não me força mais que o necessário, apesar de que às vezes o necessário para ela é absurdo. Ela também era mais experiente, embora conservada, Dra. Camargo foi uma das cientistas que me viu crescer. Ela era quem estava ao lado do Dr. Dantes

— Bom, pensamos em juntá-los para este teste, pois na verdade foi uma ideia do próprio Dr. Dantes, a qual eu e a Dra. Camargo aprovamos, como já tínhamos seu teste programado, Maya, decidimos por seguir com ele mesmo — Um outro cientista o qual não conheço falou

Maya estava bem próxima dele, que tinha as mãos em seus ombros, ele me parecia muito mais calmo e até confiável, a morena não se afastava dele e até parecia tentar se esconder atrás dele do Dr. Dantes, já mencionei que não gosto da ideia da Maya e do Dr. Dantes no mesmo ambiente? Pois bem, não gosto!

— O que esse homem quer comigo, Dr. Araújo? — Maya se encolheu para perto do cientista, do qual eu acabei de descobrir o nome, deve ser um dos responsáveis pela Maya, ele tinha uma aparência bem velha, então deve ser dos antigos, provavelmente Maya sempre teve ele "cuidando" dela

— Não se preocupe, querida, ele não se aproximará de você, estamos aqui apenas para assistir dessa vez, pelo menos é o que espero que ocorra — Maya parecia confusa, mas ainda temerosa

— Como assim? — Ela questionou

— Assim, minha querida Maya, — Dr. Dantes deu dois passos para se aproximar dela, que se assustou mais

Porém o fiz parar quando me coloquei em sua frente, já rosnando e mostrando as garras, Dra. Camargo segurou Dr. Dantes pelo ombro e ele sorriu azedo para mim

— Não se preocupe comigo, monstrinho — Então ele sorriu tão loucamente insano e feliz que me deu calafrios, mas apenas rosnei mais alto — É com você que eu me preocuparia agora, isso é uma dica para você também, doce Maya

Ele se dirigiu a ela e levantei a garra prestes a arranhá-lo, mas a Dra. Camargo o puxou para trás antes, já conhecendo como sou arrisco

— Já chega! — Dra. Camargo interviu — Vamos começar logo esse teste!

Então os três se afastaram para o canto da sala e ficamos só eu e Maya no centro, nos encarando.

Era incrível, acabei de perceber que é a primeira vez que vejo Maya sem nada nos separando, a primeira vez que posso realmente tocá-la e estou aqui como um idiota brigando com um idiota ainda maior! Quase sorri, mas minha alegria foi tirada de mim com a seguinte frase:

— Hoje quem vai ferir a Maya será você, Lucca — Dra. Camargo foi quem proferiu tamanha ofensa contra mim

— O que?! — Eu e a morena dissemos ao mesmo tempo

Sim, foi apenas isso que eu consegui pensar em dizer, tão próximo dela pela primeira vez e querendo tocá-la, então me jogam uma dessa?!

— Eu não vou machucar ela — Me irritei

— Dr. Araújo — Maya parecia pedir ajuda, mas quem respondeu não foi quem ela queria

— Você vai machucar ela sim, monstrinho, ou quem vai sair machucado é você! — Dr. Dantes respondeu com prazer sobre a situação

— Eu não vou!

Maya me interrompeu

— Tudo bem, Lucca, apenas faça — Ela parecia implorar com os olhos que já transbordavam em lágrimas

— Não, Maya, eu não vou te machucar! — Ela não podia estar falando sério

— Você sabe que meu corpo vai se regenerar

— Mas você ainda vai sentir dor!

— Sim, eu aceito isso, Lucca, agora faça!

— Não! Eu não vou! — Eu já estava no ápice do meu aborrecimento e me afastei de Maya

Minhas garras a mostra e ficando fora de controle, eu estava rosnando e muito alerta, senti a aproximação dos guardas para me segurar, porém fui mais rápido e os ataquei, já tinha derrubado três deles, quando ouvi um grito de Maya, desviei minha atenção para a morena, a vi sendo cortada e queimada por mais dois cientistas assistentes. Em meu momento de distração, dois guardas me jogaram no chão e daí por diante eu estava sendo espancado, meus olhos buscando Maya