Notas iniciais
Vamos dar logo um fim ao mistério do rapaz que viu a Haruno soltar a voz, né? kkkkkkkk Bom, vocês já sabem do passado da Sakura e da história que ela teve com abuso de substâncias e afins, mas, até agora, ela não tinha sido tentada. Espero que gostem e tenham uma ótima leitura ♥

Os rapazes estavam todos na garagem, preparados para partir. Sasuke já havia ligado o carro e Naruto já sumia pelo portão indo de encontro ao ponto de ônibus. Sabiam onde se encontrar depois das aulas e não tinham nada o que conversar. Gaara esperou Sasuke sair e, quando ia tirar o carro, suspirou derrotado e freou, batendo com a mão no volante. Havia se esquecido de pegar seu relatório para a aula da Srta. Bouvier.

Deu uma olhada no relógio de pulso. Não estava atrasado, ainda tinha uns vinte minutos. No entanto, gostava da ideia de chegar adiantado.

— Inferno! — Praguejou alto e, se dando por vencido, pulou do carro.

Abriu a porta e subiu as escadas sem fazer barulho e o mais rápido possivel. Entrou em seu quarto e começou a procurar o relatório em meio a muitos outros papéis, teses e trabalhos.

— Onde eu enfiei essa porcaria? — Abriu uma das gavetas do lado direito e encontrou o que procurava.

Segurou os papéis grampeados com cuidado para não amassá-los e, quando se abaixou para pegar uma pasta de documentos, estancou no lugar.

Um som bonito chamou sua atenção. Não era complexo, bem pelo contrário. Era simples e encantador. Parou de mexer com a papelada para prestar mais atenção. Gaara nunca fora um grande fã de música clássica, ainda mais depois de ter sido obrigado a fazer aulas de piano na infância. De acordo com o pai, era bom que fosse entendido em todos os assuntos e saber tocar algum instrumento de porte elegante seria bom para o status social. Depois de três anos sem quase nenhum aprendizado nas aulas de piano, acabou convencendo seu pai de que aulas de violão seriam bem melhores.

O estranho era que Gaara jamais pensou que acharia um som tão bonito daquela forma. E ainda vinha do quarto menos provável, o de Sakura.

De início, pensou ser uma gravação. Não seria surpresa se Sakura curtisse música clássica. Mas, ao chegar mais perto da porta mal fechada, sentia aquela vibração que denunciava o som ao vivo.

Em total e absoluto silêncio, Gaara afastou a porta o suficiente para que conseguisse passar para dentro e quase não pôde acreditar no que viu.

Próximos da cama, dois violões e um case que desconfiava ser de um violino estavam encostados na parede. Do outro lado do quarto, posto em diagonal, um piano negro muito bem posicionado. E, pousando carinhosamente os dedos nas teclas de marfim, estava quem ele menos esperava.

Gaara jamais imaginaria que ela poderia tocar tão majestosamente qualquer instrumento que fosse. Sequer ouvira qualquer tipo de música sair do quarto da garota e nunca haviam conversado sobre qualquer banda ou cantor. De fato, não só ele, como todos os outros garotos, pensavam que Sakura tinha como som preferido o silêncio, já que nunca fora a ensaio algum da banda e nem fazia questão de fazer qualquer comentário sobre a música deles.

Gaara estava incrédulo.

Ela estava de costas pra ele. O corpo dela parecia reagir a cada nota, a cada toque. Ele enfiou a mão livre no bolso da calça jeans negra que usava e continuou prestando atenção. Quando Sakura finalizou a melodia, Gaara pensou em sair dali antes que ela percebesse, mas logo se deu início a outra canção e, definitivamente, para aquilo Gaara estava totalmente despreparado.

Ela começou a cantar. E cantar uma música que Gaara conhecia. Ele não soube como reagir quando Sakura abriu a boca. Quase entregou que estava ali de penetra. Levou instintivamente a mão à testa, arregalando os olhos e franzindo as sobrancelhas.

Por Deus, como aquela voz era linda. Combinava tão bem com a música que Gaara sentia os pelos do braço se eriçarem. Ela não vacilava na sonoridade. Quando ele pensava que desafinaria, ela o impressionava com uma técnica vocal quase impecável.

Sakura já estava quase terminando a música e Gaara não havia parado de prestar atenção um segundo. Quando tocou a última nota, ele percebeu que ela tinha terminado, visto que abaixara a cabeça.

Sem aviso prévio, Gaara resolveu se pronunciar. Precisava, ao menos, tentar entender.

— Eu não sabia que você tocava — Gaara percebeu o quanto Sakura havia ficado espantada ao ouvir sua voz assim que viu os ombros da garota ficarem tensos. — E muito menos que cantava.

Sakura ficou aterrorizada. Não só por saberem de seu segredo, mas porque nunca havia se apresentado antes. Nunca ninguém — além de sua professora de música — tinha a ouvido cantar. Tocar, sim, mas nunca cantar. Não que ela soubesse.

E agora tinha certeza que Gaara havia a ouvido. Seu coração foi até a boca e voltou. O que diria para ele?

Virou todo o corpo devagar até ficar de frente para o rapaz. Colocou uma mecha atrás da orelha, juntou as mãos em cima das coxas e sorriu nervosa.

— Gaara, oi — Soltou uma risadinha que não combinava com a situação. — Achei que tinha ido para a faculdade.

— Por que não contou que era tão chegada a música?

— Ora, não, não... Não tem nada a ver com... — Sakura se enrolava toda — Eu pensei que vocês não precisavam saber... É coisinha boba, só...

— E por que nunca tocou e nem cantou enquanto eu e os rapazes estávamos aqui? — Gaara chegou mais perto, ainda perguntando tudo em um tom extremamente profissional. — Se é tão bobo assim, imagino qu-

— Foi para não... Atrapalhar vocês. Quando eu chego, estão sempre dormindo e cansados, não queria acordá-los — nem mesmo ela conseguia acreditar na própria mentira.

— Eu vi o jeito que você tocou, Sakura — Gaara se aproximou dela e a encarou. — Quem é você, garota? Alguma musicista famosa se escondendo da fama e tentando viver uma vida normal?

Sakura revirou os olhos e soltou um riso debochado pelo nariz, cruzando os braços logo em seguida e ficando em pé para sair de perto de Gaara.

Estava nervosa.

— Quem acha que eu sou? Hannah Montana? Olha, quer a verdade? Não quis contar porque eu não gosto que as pessoas saibam sobre minha música. É uma coisa importante pra mim. É pessoal. E eu nem sou tudo isso, só...

— Como assim “eu não sou tudo isso”? — Gaara riu no mesmo tom de deboche usado por ela há pouco. — Sakura, você já se ouviu?

— Ah, Gaara... — Sakura correu até ele e segurou seus ombros. — Você vai ter que me prometer que não vai contar que eu sei algumas coisinhas de música para os meninos, entendeu?

— Algumas coisinhas? Sakura você... — ele foi chocado até o piano, pegou o livro de partituras que ela estava usando e o folheou, se perdendo na complexidade de todos aqueles exercícios.

Gaara estava indignado e nem ele mesmo sabia exatamente o motivo. Era intangível, de seu ponto de vista, que alguém com tanto talento o escondesse. E por quê? Por medo? Medo de quê?

— Gaara, você vai prometer! — Sakura tinha um olhar suplicante e desesperado. Não podia deixar a música lhe subir à cabeça. Tinha planos. Um futuro que seu pai havia construído para ela.

A verdade era que Sakura tinha sim medo. Medo de não conseguir voltar atrás com a música. Medo de decepcionar o pai que a decepcionara tantas e tantas vezes. Medo de não conseguir deixar a música fora de suas prioridades e ela sabia que não resistiria se fosse adiante com isso.

Tinha medo de retornar ao passado.

Gaara, ainda confuso com tudo aquilo, mirou novamente os instrumentos e pousou os olhos em um em especial.

— Você toca mesmo isso aí? — fitava o case do violino.

— Alguns eu toco melhores que outros. Gaara, promete ou não? — já implorava. — Hein?

Ele suspirou pesadamente.

— Tudo bem, Sakura...

Ela sorriu e o abraçou.

— Obrigada, Gaara. De verdade. Não sabe como isso é importante pra mim — Separaram-se — Não quero mesmo que ninguém mais saiba sobre isso. — Ela olhou para os papéis em uma das mãos dele. — Espero que isso não seja pra hoje, hm?

— Droga! — Estalou a língua, checando de novo que horas eram.

Ele a olhou e, derrotado pelo horário, desceu rápido as escadas, dirigindo feito um louco para a universidade. Estava começando a achar que tomaria bomba naquela matéria e precisava assistir às aulas. Porém, por mais que quisesse prestar atenção, as únicas coisas nas quais conseguia pensar eram no quanto Sakura se adequaria à banda e em como Srta. Bouvier parecia bonita naquela noite.

Depois das muitas horas de tortura, o fim das aulas daquela noite finalmente veio e ele Gaara estava muito tenso. Saiu da sala disfarçando os passos rápidos com um caminhar despojado.

— Opa — uma menina que saía apressada esbarrou o braço em Gaara, deixando que seu caderno e mais dois livros fossem ao chão. — Deus, me desculpe. Que atrapa… Lhada… — viu os olhos claros de Gaara a esquadrinharem e, por uns segundos, perdeu o ar.

Abaixou a cabeça e se agachou para juntar suas coisas. Gaara viu quando ela tentou disfarçar o pescoço e orelhas ficando vermelhos com o volumoso cabelo negro.

— Deixe-me te ajudar — ele prontamente se ajoelhou, sendo rápido em pegar praticamente tudo o que caíra.

Ela se levantou e o viu subir em sua direção. Era claro como o dia quando Gaara assumia sua postura de Don Juan. Estendeu a ela os materiais e ela desviou novamente o olhar, fazendo com que ele deixasse propositalmente um riso gutural escapar junto de um leve arquear dos lábios.

Ela usava um grande agasalho mostarda que praticamente lhe escorregava por um dos ombros. O rosto redondinho de bochechas gorduchas encarava qualquer lugar, menos o rapaz a sua frente. Estava tímida diante dele.

Gaara achou aquilo particularmente encantador.

— Obrigada, Gaara. Eu-

— Sabe meu nome? — quase pôde ouvi-la engolir em seco.

— Eu sei, sim. Digo…

— Espero que não de más línguas — outro riso daqueles e, finalmente, conseguiu capturar os olhos da menina para si.

Eram enormes orbes cor de caramelo de cílios longos e grossos.

— Não, imagine — ela sorriu e mordeu o lábio inferior, nervosa.

— Você parecia com pressa. Tem algum compromisso?

— Ah, Deus, meu ônibus! — Ela balançou a cabeça, fechando os olhos. — A aula acabou tão tarde hoje e não posso perd-

— Quer uma carona?

— Oi?

Gaara olhou para trás e viu Neji chegando perto dele com um discreto sorriso. Deu-lhe um amigável tapinha nas costas e disse:

— Vamos? Daqui a pouco Sasuke e Naruto chegam lá e nem sinal de Neji — apontou-se.

— Neji, vocês se importam se eu chegar um pouco atrasado? Não vai ser grande coisa, uns vinte, trinta minutos. Só o tempo de deixar uma amiga em casa.

— Não precisa, é sério. Não quero atrapalhar.

— O que é isso — a olhou com toda sua atenção. — Eu faço questão — Neji só faltava revirar os olhos.

— Não se preocupe. Vamos fazendo passagem de som até você chegar. Tô indo — Neji lhe deu outro tapinha nas costas e foi-se embora, acenando para a moça corada que Gaara ainda cantava na maior cara de pau.

No fim, Gaara acabou se equecendo bem rápido do episódio com Sakura. Ele só precisava de um bom colo macio e umas arranhadas nas costas.

Apareceu para o ensaio uma hora e meia depois sorrindo de orelha a orelha e sem jaqueta.

Naquele dia, graças aos céus, Karin havia chegado na hora marcada. O que era ótimo para o ensaio, mas uma pedra no sapato e tanto para Tenten. Ela também não ia com a cara de Karin e sequer sabia explicar o motivo. Os santos não batiam.

— Garota entojada — Tenten disse baixinho, apenas pensando um pouco alto enquanto observava a garota cantar. Cruzou os braços e olhou para seu aparelho celular.

Tenten não era do tipo que fazia cerimônia. Ela era direta e franca, coisa muito admirável. Era uma garota simpática sem papas na língua e com um grande carisma. Tinha várias colegas e amigas não só da faculdade, mas de outros lugares também, no entanto, naquele momento, ela queria uma companhia diferente. Queria conhecer mais a garota de cabelos rosados e aprofundar sua amizade.

Não tinha o número dela, mas imaginou quem tivesse.

— Gaara, posso pegar um número rapidinho da sua agenda de contatos? — Praticamente gritou para que pudesse ser ouvida.

O rapaz a olhou e fez um sinal positivo com a mão direita, logo voltando a tocar.

Da agenda de contatos, chamou pelo número ainda desconhecido e esperou que ela atendesse do outro lado. O telefone chamou umas cinco vezes e então uma voz num leve tom de desespero atendeu.

— Alô? Gaara? Meu Deus, aconteceu alguma coisa? Por que tá me ligando a essa hora? — Sakura foi dizendo tudo rápido e quase se atropelando na própria fala.

— Calma, calma! — Tenten riu. — Sou eu, Tenten. Lembra-se de mim?

— Ah, que susto. Achei que tivesse acontecido alguma coisa com os rapazes — ela pôde ouvir uma risada sonolenta. — É claro que me lembro de você.

— Então, Sakura, eu tô aqui na casa do Neji e os rapazes estão ensaiando, mas tá um tédio sem ninguém pra conversar. Não tá a fim de dar um pulinho aqui, não?

— Mas já passou da meia-noite...

— Claro, garota. Agora é que a diversão começa!

— Tenten, eu tenho aula de manhã cedo e... — foi drasticamente cortada.

— E daí? Eu também tenho. E então? Vai vir ou eu preciso ir te buscar? — A voz da morena sugeria que ela não largaria do pé da amiga.

— Ai... — Sakura suspirou e passou a mão pelos cabelos.

Tinha se deitado cedo naquela noite. Provavelmente, depois de ter sido acordada àquela hora, perambularia pela casa até três da manhã para que o sono voltasse. Até que conversar um pouco com Tenten tomando umas cervejas não lhe parecia má ideia.

— Qual é o endereço?

— ὡѼὠ —

Uns quinze minutos depois de ter saído de casa, Sakura finalmente encontrou a casa de Neji. Tenten a esperava em frente ao portão com um sorriso nos lábios e um molho de chaves nas mãos.

— Bom... — Sakura dizia enquanto saia do carro. — Parece que eu fui arrancada da cama, não?

Tenten riu e a convidou para entrar.

— Olha só, Sakura, não precisa se sentir desconfortável, ok? — Ela falava e ia guiando a amiga — Os garotos estão ensaiando e nem vão ligar pra gente. O negócio é ficar de boa no sofá. Daqui a pouco a Hina chega, você vai adorar ela. É prima do Neji, mora aqui. Um doce de pessoa — Tenten abriu uma última porta e lá estavam os meninos.

Sakura achou que nunca os veria tocar. Enquanto Sasuke e Gaara afinavam seus instrumentos, Neji e Naruto iam pegando algum tipo de batida. Porém, o que lhe chamou mais atenção foi uma cabeleira vermelho sangue no meio dos meninos. De costas, uma garota que Sakura não conhecia falava alguma coisa com Sasuke.

— Sakura! Resolveu aceitar o meu convite? — Naruto se pronunciou ao avistar de longe os tufos cor-de-rosa.

Todos os olhos se viraram para ela.

— Ah, oi, Naruto... — Embora não quisesse demonstrar seu desconforto, Sakura foi atingida por ele assim que viu que não seria somente ela, Tenten e os rapazes — Garotos...

Foram ouvidos dois “Oi, Sakura!” e um “E aí, Sakura”, mas houve apenas impacto quando a dona dos fios avermelhados se virou.

Karin usava shorts extremamente curtos, uma camiseta roxa cortada até a altura dos seios e uma jaqueta negra. Em seu pulso direito, pulseiras douradas, vermelhas e pretas disputavam um espaço livre e, nos pés, saltos meia pata num vermelho aveludado fechavam o visual com chave de ouro. O cabelo bagunçado de uma forma provocante combinava com a boca carnuda e pintada num batom forte e os olhos eram marcados por grossas e bem feitas camadas de rímel, sombra e delineador, todos negros. Estava provocativamente linda.

Sakura sentiu-se inegavelmente diminuída perante a presença e beleza marcantes daquela moça. Era impossível não se comparar. De cima do mini-palco, ela parecia uma visão. E ainda pensava estar toda desleixada com uma jeans escura, camiseta dois números maiores cortada na gola e tênis convencionais nos pés.

Karin andou até ela, fazendo um barulho alto com seus saltos. Parou em frente a Sakura e a olhou de cima a baixo.

— Oi, sou Sakura, prazer — estendeu a mão.

— Karin. O prazer é meu. Deve ser a nova colega de quarto, não é? — Karin não esperou pela resposta. Disse apenas e apertou a mão da menina com um leve sorriso nos lábios, logo voltando para onde devia estar.

Tenten revirou os olhos e puxou Sakura para o sofá.

— Vem cá, não precisa fazer média com esse pessoal, aí — Tenten dizia com humor. — A gente tava falando sobre o dia em que você chegou em casa com o cabelo tingido. E aí, menina?

— Ah, sim — Sakura riu. — Foi um Deus nos acuda...

E a conversa foi fluindo até altas horas. Sakura se soltava perto da nova amiga e aquilo chamava a atenção dos meninos. Eles nunca tinham visto Sakura tão Sakura.

Quando o relógio já marcava mais de duas da manhã, os garotos pararam e, enquanto Naruto e Neji iam apanhar um engradado de cerveja em algum lugar, Karin se despediu. De acordo com ela, tinha outros compromissos.

— Ah, até que enfim — Tenten comemorou quando a cerveja gelada estava em sua mão. — Vou precisar de uma coisinha mais forte se eu quiser ir pra aula amanhã — ela passou uma cerveja para Sakura.

— Quer bolar? — Neji perguntou, estendendo a ela o dichavador já carregado.

Tenten riu e abriu a própria bolsa, tirando dois pinos de pó.

— As mariquinhas podem bolar. Eu vou aproveitar com minha convidada especial — circulou o pescoço de Sakura com a mão que segurava a cocaína e ela ficou completamente pálida.

A erva era uma coisa. Já até tinha dado uns tragos depois de limpa. Sabia seu limite. Mas aquilo?

Gaara sorriu e se aproximou, sacando seu cartão no ato.

— Finalmente, Tenten. Você sempre foi minha garota favorita.

Ela riu e mostrou a língua, abrindo o primeiro pino. Sakura imediatamente se levantou, assustando a todos pela sua atitude brusca.

— Vocês... Vocês vão se drogar? — Perguntou aflita.

— Claro, meu bem! A noite é uma criança! Faz tempo que não fazemos nada realmente bom por aqui. O orçamento estava curto — riu e passou a droga para Gaara que começou a ajeitá-la em uma pequena carreira. — Vai querer?

As palavras ecoaram pela mente de Sakura e a deixaram zonza. Seu corpo inteiro estava gelado.

— Sakura, tudo bem? Você está pálida — Sasuke foi quem a trouxe de volta, perguntando de uma forma estranhamente preocupada.

— Eu não... Não... — Sakura, se enrolando novamente nas próprias palavras, bateu a mão trêmula no celular em seu bolso, procurando por uma desculpa. — Ah, olha a hora. Já está tão tarde… Daqui a pouco meu pai me liga e eu nem em casa estou, há, há... — disfarçou com uma tosse e foi saindo apressada. — Já vou indo, Tenten. Obrigada pelo convite.

— Calma, Sakura, espera — Tenten projetou seu corpo para frente no intuito de ir atrás da garota.

— Não dá! — Sakura gritou já de muito longe.

E sem se despedir dos rapazes, foi embora rápido.

Não podia ceder à drogas como aquela de jeito nenhum. Fora exatamente aquilo que a deixara inconsciente no banheiro. Sentia o sangue correr rápido pelas veias só de pensar na sensação que tinha quando usava aquilo.

Nervosa, balançou a cabeça com força quando entrou no carro. Estava limpa há muito tempo para jogar tudo fora de uma só vez. Há tempos ninguém lhe oferecia nada pesado. Não achou que seria tão impactante quando o fizessem.

Lembrava-se dos pinos dançando nos dedos de Tenten e a respiração acelerava.

— Calma, calma... — ela respirava fundo, buscando se acalmar. — Você sabia que, uma hora ou outra, eles te convidariam pra isso, Sakura... Calma...

Dirigiu desorientada, porém, pelo horário, as ruas estavam quase vazias. Seu estômago embrulhava só de pensar em voltar e participar da onda. Os olhos estavam vermelhos.

Chegou em casa, abriu a porta e subiu rápido para o quarto com destino traçado: o banheiro. Jogou-se para dentro e, com os braços apoiados nas laterais da privada, esperou pelo vômito que não veio. Ainda com ânsias, encostou-se à parede e deu início a uma série de hiperventilação.

Pelo menos ficaria com o jantar na barriga.

Notas finais
Antes de qualquer coisa: ACALMEM O CORAÇÃO. Não vai demorar para que o Sasuke a pegue no pulo. Logo esse segredo vai deixar de ser secreto hihi Beijos e até o próximo ♥