Notas iniciais
É agora, hein? É hoje que a casa dessa Haruno cai Quero agradecer a todos que estão acompanhando a fic e espero que estejam gostando. Cada novo leitor é uma aquecida no coração. MUITO OBRIGADA ♥ Espero que tenham uma ótima leitura

Sakura amava ouvir.

Amava músicas, canções, melodias. Ela amava sons. Mas, naquela sexta-feira, se pudesse enfiar os dedos nos ouvidos e acabar com a agonia de ter que aturar o despertador berrando incessantemente, ela o faria. não naquela sexta-feira.

Faltavam cinco para às seis da manhã e Sakura queria morrer.

Não havia conseguido dormir direito depois do episódio da outra noite. Seu cabelo cheirava a suor e cachorro molhado.

As mãos úmidas e geladas capturaram o aparelho e o desligaram com tanta raiva que por pouco não o quebrou. Adoraria faltar e matar um dia de aula, mas uma falta não ficaria bem para si.

Se bem que a cama parecia tão convidativa...

Não! Não estava doente, muito menos debilitada. Não iria perder aula para dormir. Bagunçou os cabelos com vontade de jogar fora toda aquela confusão em sua mente e correu para o chuveiro. Lavou-se umas três vezes, até aquela sensação de sujeira ser substituída por um delicioso cheiro de limpeza.

Meio apressada depois de checar o horário, tratou de conferir uma última vez sua bolsa e desceu as escadas pulando vários degraus e correndo o risco de se estatelar no chão.

Chegou à sala e lá estavam Naruto e Sasuke discutindo alguma coisa que Sakura não fazia questão de saber.

— Não, Naruto. Não é bem assim que funciona — Sasuke falava paciente.

— Bom dia, Sakura — Naruto interrompeu Sasuke ao cumprimentá-la simpático.

— Bom dia, Naruto, Sasuke... — Olhou em volta. — Cadê o Gaara?

— Se enroscando com alguma garota por aí. Bom dia — Sasuke disse sem medir palavras e disfarçando bem quando deu uma fungada apenas para conferir o cheiro gostoso que Sakura tinha naquela manhã.

— Ok. Já vou indo. Cuido do almoço quando voltar. Então não se encham de porcarias. Tchau!

E foi-se uma Sakura falsamente animada.

Dentro da casa, Naruto ainda olhava para a porta. Sorriu e mirou Sasuke.

— A Sakura é cheirosa, né? — disse com inocência e viu o amigo resmungar alguma coisa inaudível. — O que será que ela vai cozinhar hoje? Que boba, acha que eu não tenho espaço pra me entupir de miojo e ainda bater uma pratada do almoço dela!

E Naruto começou a se divertir tentando imaginar que delícia Sakura faria enquanto Sasuke apenas o observava e pensava no quanto Naruto tinha razão.

Ela era mesmo cheirosa.

Na sala, Sakura perdia o foco de vez em quando e até acabou cedendo ao sono na última aula. Só acordou quando ouviu uma voz distante lhe chamar e ficar cada vez mais próxima.

— Sakura! — Ela ouviu quase um grito e despertou num pulo. — Sakura, tudo bem? Anotou a placa do caminhão que te atropelou? — Ino a chacoalhava levemente pelo braço.

— Ai, Ino... — suspirou. — Quase não dormi essa noite.

— Credo, você tá horrível. Vem, eu te levo pra casa. Deixa seu carro aqui no estacionamento e amanhã você pega.

— E como venho segunda?

— Relaxa, eu passo na sua casa antes da aula, a gente vem e, quando formos embora, você pega seu carro de volta, ok? Não tem problema nenhum deixar os possantes no campus. Pelo menos uns 50 vão ficar esse fim de semana. Sempre ficam.

Sakura pensou um pouco. Realmente não se sentia disposta para dirigir. Sua visão estava até turva.

— Tudo bem, Ino.

— Ok, vamos — Ino a arrastou para seu carro e praticamente jogou a amiga no banco de carona. — Olha só, vou deixar a matéria de hoje com você, mas nem pense em copiar agora. Suba direto pra cama. Está um caco!

— Ah, prometi que faria o almoço hoje… — Ino riu.

— Você mora com três marmanjos crescidos. Eles sabem usar um fogão. E, se não souberem, um aplicativo de delivery eu tenho certeza que sim.

Sakura riu baixinho, se recostando no banco e fechando um pouco os olhos. Sua sorte era que Ino não parava de falar um minuto sequer.

Com o GPS avisando quando devia virar, seguir ou parar, Ino aproveitou pra por o papo em dia. Sakura, mesmo cansada, conseguia manter a conversa. Era fácil e gostoso conversar com Ino.

— E esse sono todo é por quê?

— Ah, fui uma tola. Mesmo sabendo que teríamos aula hoje, aceitei o convite de uma amiga pra sair ontem. Voltei muito tarde…

— O quê? Que história é essa? E a Sakura adolescente de quem você me falou? A maluca de pedra que virava noites e ia pros compromissos no outro dia tranquilamente? — Ino ria. Já eram amigas há um tempo e já sabiam bastante uma sobre a outra.

— A você sabe… Ela estava sempre doidona de pó. Era mais fácil — riu alto. Era gostoso conseguir fazer uma piadinha sobre aquilo com alguém.

Sentia que podia, sinceramente, confiar a Ino o tipo de intimidade que se tem entre melhores amigas.

— Seu problema não é esse, Sakura. Seu problema é que fica muito presa nos próprios “e ses”. Devia ter aproveitado, garota! O que passou, passou.

— Tem razão, Ino. O que passou, passou — deu um suspiro. — Eu não sou mais aquela pessoa.

— Claro que não. É melhor — abriu um sorriso encantador que aqueceu Sakura por dentro. — Eu e você vamos sair nesse fim de semana. Vamos na minha balada LGBT favorita. E, antes que diga o contrário, eu prometo que não vou ficar em cima de ninguém. Vai ser uma noite de amigas.

Sakura riu. Amava a energia de Ino.

— Promete? — Ino refletiu um pouco.

— Ah, só se ela for muito gostosa… — mordeu o lábio.

— Ino, você sempre as acha muito gostosas!

— Não posso fazer nada se amo demais as mulheres, meu amor — com uma piscadinha e um beijinho, Ino fez a última curva.

— Deus do céu, você e Gaara precisam se conhecer. São mesmo farinha do mesmo saco — Sakura saiu assim que Ino estacionou e se apoiou na janela para se despedir.

— Logo suponho que ele é o melhor dentre os três ogros que moram aqui!

— Bom, o pior ele não é — riu. — Obrigada, Ino. Até sábado?

— Até sábado, princesa. Beijinhos — colocou seus óculos escuros pendurados acima da cabeça e arrancou depressa.

Parou na cozinha por alguns segundos e cogitou fazer um almoço agradável. Mas, olhando mais uma vez para a casa vazia e sabendo que todos estavam dormindo como pedras e que só levantariam pra comer às cinco da tarde, ela deu de ombros.

Ino tinha razão. Estava mimando demais aqueles três. Eles saberiam se virar. Tinham duas mãos cada, fome não passariam.

Conseguiu tirar uma ótima tarde de sono e ainda acordou antes dos rapazes. Aproveitou o momento para curtir um pouco sozinha a própria companhia enquanto lia um livro na sala. O crime do século já estava em sua lista de leitura há meses. Queria logo terminar com o mistério de quem tinha assassinado realmente Júnior Greenville.

Deu uma olhadinha no relógio quando já estava quase chegando ao fim da trama. Sequer percebera os barulhos do andar de cima. Em poucos minutos os garotos desceriam para as aulas e ela subiria para tocar e cantar um pouco.

Deixou de prestar atenção nas palavras do livro quando sua ânsia pela saída dos meninos a atacou. Estava louca pra voar em seu piano. Era o início do seu fim de semana, merecia poder cantar até altas horas. Onde estariam aqueles três?

— Hm... Preciso fazer xixi — olhou para as escadas e não viu nem rastro. Não queria correr o risco de ser pega novamente.

Já estava quase explodindo quando apenas Naruto e Gaara passaram por ela dando um ligeiro tchau e terminando de comer os sanduíches que ela havia preparado ligeiro ao acordar. Nem conseguiu perguntar onde estava Sasuke, mas verificaria depois.

Subiu as escadas o mais rápido que pôde enquanto se contorcia pelo corrimão tentando se segurar. Viu a porta de Sasuke trancada e, quando voltou, parou e respirou fundo. Se queria saber quando ele sairia, teria que perguntar. Torceu para que ele não estivesse ranzinza.

Bateu uma vez e ouviu um “entre” baixinho e sibilante. Se não estivesse tudo em absoluto silêncio, nem o escutaria.

Abriu devagar a porta e seus olhos caíram direto sobre o rapaz deitado na cama com um cobertor, um braço segurando um livro e o outro apoiando a nuca. Mesmo com tudo escuro e apenas uma luminária clareando a visão do garoto, dava pra ver boa parte do quarto.

Sasuke estava absurdamente bonito.

— Sasuke, só passei para ver se... — Seu olhar rodou pelo quarto mais uma vez e parou no instrumento meticulosamente encostado na parede dentro de um case aberto. — Meu Deus! Isso é uma Strandb... — arregalou os olhos se calando no mesmo instante. —... É uma guitarra? — Se fez de boba e Sasuke a olhou estranho.

— Perdão? — Desviou a atenção do livro.

— Quer dizer, é uma guitarra, né? É meio diferente e tal, há, há… — pigarreou, disfarçando a voz. — Enfim, passei pra ver se tá tudo bem. Não te vi descer com os garotos e pensei que estivesse passando mal ou algo do tipo.

— Não, só não preciso ir hoje. Mas obrigada pela preocupação — deixou que um pequeno sorriso se desenhasse em seus lábios.

— Mesmo assim, desça depois pra comer alguma coisa. Eu fiz sanduíches, suco e tem uma travessa de tomates na geladeira — pôde ver o rosto dele se iluminar com a menção dos tomates.

Prontamente ficou de pé e Sakura desviou os olhos por instinto quando o cobertor caiu de seu corpo, mostrando o torso nu e as jeans surradas que ela sempre o via usar pela casa.

Encarou o chão quando ele apanhou uma camiseta preta do chão para vestir. Segurou a vontade de olhar a tatuagem que havia visto tomando parte das costelas e costas. Viu muito de relance um par de asas. Curiosa, ergueu os olhos novamente, bem ligeira.

Foi pega no ato pelo par de olhos negros que a encaravam num pedido silencioso para que saísse da porta.

— Ahn, eu… Eu vou indo — sentiu as orelhas esquentarem.

Sasuke soltou um risinho pelo nariz. Parou por um segundo quando passou ao lado dela.

— Sim, é uma Strandberg.

Sakura permaneceu imóvel. Só soltou a respiração quando ouviu o barulho da geladeira sendo aberta. Recostou-se à parede do corredor e suspirou profundamente.

Sua música teria que esperar mais algumas horas.

— ὡѼὠ —

A meia-noite, Sasuke, que não tinha ido para a faculdade, recebeu um torpedo de Naruto o chamando para a casa de Neji e pedindo que avisasse Karin.

Ainda meio carrancudo, saiu da cama e foi se ajeitar. Estava gostando de ficar ali sem fazer coisa alguma. A casa estava silenciosa como nunca. Cogitou seriamente em furar o ensaio, mas se ele e Karin não fossem, ia ouvir umas boas de Gaara.

Poucos minutos depois, estava pronto para ir. Não faria o esforço de acordar Sakura. Ela, com certeza, já estava dormindo.

Saiu com uma de suas guitarras favoritas numa mão enquanto ajeitava a gola da jaqueta com a outra. Ainda queria passar numa conveniência qualquer pra arrumar um bom gole.

— Aonde vai? — ouviu a voz sonolenta atrás de si e se virou, apático.

Sakura estava encostada no batente da porta de seu quarto segurando um grosso livro de capa vermelha. Embora a porta estivesse escancarada, o quarto estava escuro e nada se revelava. Usava calças largas de pijama e um moletom que deixava um de seus ombros expostos. Os cabelos amarrados em um rabo de cavalo, porém, ainda desarrumados, denunciavam que havia acabado de sair da cama. Quando abriu a porta, estava indo em busca de um copo d’água.

Sasuke a achou especialmente encantadora naquele momento.

— Não é da sua conta — rude, voltou a dar às costas a ela, enfiando a mão livre no bolso.

Sakura, entorpecida, coçou os olhos e bocejou numa tentativa de espantar o sono e prestar atenção no rapaz à sua frente.

— Não precisa ser maldoso... — talvez fosse só o efeito do sono quando Sakura sentiu um calor no fundo da garganta e um incômodo em seu nariz junto aos olhos marejados. — Só te fiz uma pergunta... — ciciou.

Já estava ali há um tempo e, mesmo já tendo se entendido com Sasuke, ele continuava soando grosseiro. Sakura não gostava daquilo.

— Vou ensaiar com os rapazes. Marcamos umas apresentações — quase riu da manha da garota, mas se conteve. — Por quê?

— Hm, por nada. É importante saber onde vocês estão caso aconteça alguma coisa — Sakura pareceu processar e, então, coçou novamente os olhos, bocejando. — Vão demorar? — ela fez uma pausa, mas não esperou realmente pela resposta. — Imagino que chegarão de manhã. Ok, então... Boa noite — se enfiou no quarto novamente.

— Boa noite. — Sasuke resmungou.

Ele, já apressado, desceu até a garagem e se ajeitou em seu carro o mais rápido que pôde. Assim que girou a chave, sentiu o bolso vibrar com a chegada de uma mensagem. Impaciente, pegou o aparelho do bolso e leu o pequeno texto querendo quebrar alguma coisa.

“Sasuke, vê se não se esquece de trazer seu cabo. Traga uma palheta também. E não demora. Se for comprar gole, traz umas cervejas. Aqui a gente racha”

A mensagem vinda de Gaara fez o rapaz bufar e revirar os olhos. Era uma droga mesmo. Havia acabado de descer as porcarias das escadas! Estava puto. Gaara era um folgado.

Puxou um cigarro e o acendeu ali mesmo, no carro. Quando estava na metade, voltou para dentro de casa. Teria que pegar aquela porcaria toda de um jeito ou de outro.

Apagou a bituca no cinzeiro da mesinha de centro da sala e subiu as escadas novamente e em silêncio para não acordar Sakura que, pelo que constava, havia voltado a dormir.

Conseguiu encontrar o cabo jogado embaixo da cama e, quando saiu de seu quarto para ir ao de Gaara em busca de uma palheta, algo lhe chamou a atenção.

Parecia ser exatamente ali, naquele lugarzinho no corredor entre o quarto de Sasuke e o de Gaara, que algo acontecia.

Sakura, depois de ter tido seu encontro com Sasuke no corredor, acabou perdendo o leve sono que tinha e, como ele ia mesmo sair, ela havia optado por tocar um pouco. Aquilo a relaxava e a deixava mais solta.

Porém, como é de se esperar de uma pessoa sonolenta, o descuido acabou por pegá-la novamente naquela noite, visto que a porta não havia sido trancada, apenas encostada.

Pobre Sakura. Não acertava uma. Parecia ser seu carma.

Pegou uma das inúmeras palhetas guardadas na delicada caixinha de madeira, puxou o violão apoiado na parede e se sentou na cama de costas para a porta semiaberta.

Dedilhou dois ou três acordes aleatórios antes de começar a tocar Come As You Are.

Sasuke, parado no corredor, foi chegando perto até conseguir ouvir o começo da música. Ao ouví-la soltou uma rápida e baixíssima risada debochada. Aquela era a música de acordes mais fáceis para alguém tocar. Ouviu Sakura tocar até pouco antes da parte cantada e então ela parou. Imaginou de imediato que ela estava tomando aulas de violão para iniciantes por ali. Com certeza ela queria aprender a tocar por algum motivo que ele já inventava em sua mente, até que seus ouvidos captaram outro som que fez seus olhos darem uma leve saltada.

Os acordes, antes fáceis e calmos, passaram a furiosas e rápidas dedilhadas enquanto davam forma a Operation Ground and Pound, da Dragonforce, tocada acústica. Ouviu-a por um curto período de tempo. Logo o som parou e uma gargalhada gostosa de Sakura preencheu o quarto.

Pelo amor de Deus! Como pôde não ter notado? Será que ela tocava com frequência ali, na mesma casa onde dividiam o teto?

Não era possível.

Chegou mais perto a ponto de poder olhá-la pelo espaço aberto da porta. Estava de costas para si, com a luz acesa e com um violão negro apoiado em seu colo. Escutou-a suspirar e tocar acordes aleatórios. Talvez três ou quatro.

Sakura, que não fazia ideia alguma de que era espiada, estava matando as saudades. Já fazia quase três semanas que não tocava seu violão. Estava se divertindo um pouco antes de escolher uma música decorada para tocar. Com aquela doce letargia de ter acordado há pouco tempo dominando seu corpo, estava preguiça de levantar para escolher uma cifra. Viajando em alguns acordes, acabou formando uma que se lembrava e que também conhecia a letra.

Lana Del Rey, uma de suas cantoras prediletas, era o que iria tocar. E aquele som acústico de violão pedia por Yayo.

Delicada e sensual, assim era a melodia. Sasuke não conhecia aquela música, mas suspeitava que já a havia ouvido em algum lugar. Talvez numa estação de rádio. Mas de uma coisa tinha certeza, o som era envolvente e intrigante. Macio e gostoso de ouvir.

Sakura não demorou a cantar. A introdução era curta. Sasuke se assustou quando ela entrou, olhando para os cantos apenas para ter certeza de que não era um playback, gravação ou algo do tipo.

Eu gosto da serpente em sua tatuagem

Eu gosto da hera e da

Tinta azul

Yayo, sim você

Yayo

Deixe-me apresentar um show para você, papai

Deixe-me apresentar um show

Deixe-me apresentar um show para você, Tigre

Ahhh-ah-ah

Deixe-me apresentar um show...

Deixando o ritmo calmo e entrando em uma melodia um pouco mais frenética ao cantar o refrão e subir uma oitava, a voz de Sakura pendia para uma rouquidão feminina encantadora enquanto sua vocalização lembrava a de uma antiga cantora de blues.

Sasuke, embasbacado apenas com aquele primeiro minuto de música, quase deixou o cabo escapar-lhe das mãos. Por sorte, firmou os dedos assim que percebeu sua postura de pateta.

Você tem que me levar embora agora

Deste sombrio estacionamento para trailers

A vida é agora

Yayo, e agora?

Yayo

Que voz maravilhosa. Sasuke não desgrudava os olhos inexpressivos de Sakura. Sua face era neutra e sua respiração era compassada, mas mal acreditava no que via. Melhor, no que ouvia. Queria sair dali e ir pro compromisso que o esperava, mas, por Deus, era enfeitiçante demais.

Hey, você… Hey, você… (2x)

Whoa…

Ainda incrédulo, Sasuke abriu um pouco mais a porta para ter uma melhor visão daquela cena. Precisava ter certeza absoluta de que era Sakura. Não sabia se estava mais surpreso ou admirado.

Sakura tocava com vontade e mantinha os olhos fechados, mirando, de vez em quando, os dedos trocarem os acordes automaticamente no braço do violão. Sasuke estava total e completamente hipnotizado por aquilo.

Coloque-me em sua moto negra

Vestido de boneca estilo anos 50 para o meu "eu aceito"

Só leva duas horas até Nevada

Eu visto o seu brilho

E você me chama “sua mamãe”

Deixe-me apresentar show para você, papai

Deixe-me apresentar um show

Deixe-me apresentar um show para você, tigre

Ahhh-ah-ah

Deixe-me apresentar um show

Pouco antes da última estrofe, foi acalmando a energia e reduzindo o volume da voz devagar, ainda batendo os acordes com vontade.

Na última frase, desencostou os dedos da corda, respirou fundo e, sem saber, presenteou Sasuke com um arrepio delicioso ao cantar com tanta alma.

Deixe-me apresentar um show pra você…

Deixe-me apresentar um show pra você…

Deixe-me apresentar um show pra você...

Deixe-me apresentar

Whoa

O último acorde soou baixo e Sakura pendeu a cabeça para trás. Sasuke pode ver um sorriso gostoso se formar na face de olhos fechados. Estava intrigado. Aquela música, aquela voz, aquela apresentação...

Quem era Sakura?

Sentiu o celular vibrar e, como se fosse um aviso, desceu as escadas absurdamente taciturno para que não fosse descoberto. Se ela não havia contado aquilo para ninguém, era porque, provavelmente, queria segredo.

Gaara ficaria sem sua palheta.

Enquanto dirigia, lembrava-se da cena e algo estranho acontecia com seu corpo. Estava com os pelos dos braços eriçados e sentia uma sensação gostosa na raiz do cabelo. Estava completamente fascinado.

Chegou tarde na casa do amigo e, como se já não bastasse o atraso, ficou distante o ensaio inteiro. Quando passava das três da manhã, Karin acabou indo embora, alegando que tinha uma festa incrível a esperando do outro lado da cidade.

Convidou os garotos, mas ninguém quis ir. Especialmente Sasuke, que sequer ouvira o convite direito.

Assim que os rapazes ficaram sozinhos, Neji deu um jeito de ligar para a namorada e, enquanto Gaara bolava um baseado, Naruto se jogou no pequeno sofá.

— Hoje o ensaio foi muito bom! Karin estava com tudo. Agora só precisamos daquela cervejinha esperta, hã, Sasuke? — não houve resposta. — Sasuke?

Ele afinava as cordas da guitarra de volta para o tom original enquanto encarava um ponto fixo no chão.

Estava absurdamente curioso. Nunca quisera tanto antes puxar uma conversa com Sakura e perguntar que diabos era aquilo e como ela podia ser tão boa.

— Ei, Sasuke — Neji chutou uma latinha vazia para perto dele no intuito de chamar sua atenção.

— O que disse?

— Quero saber onde está a cerveja, cabeçudo — Naruto implicou.

— Ah, sim. Coloquei no freezer. Estavam todas quentes — voltou sua atenção às cordas.

Os outros se entreolharam.

— Aconteceu alguma coisa, cara? — Naruto perguntou com todo seu ar amistoso.

— Realmente, Sasuke, — Neji também chamou atenção. — hoje você está muito mais quieto que o normal.

— Quieto, não. Distante. Nunca o vi errar tantos acordes — Gaara comentou com os outros enquanto praticamente ignorava a existência de Sasuke.

— Errei porque tive que subir um tom nas cordas para Karin conseguir acompanhar. Ela tem a voz mais aguda, vocês sabem disso — falou devagar e com calma, fitando seu case aberto. — Eu… Ouvi uma música hoje. Ela era bonita. Era acústica. Talvez pudéssemos tentar no próximo ensaio. Fala yayo várias vezes. Acho que o vocal é feminino… Algum de vocês conhece? — os garotos apenas o olharam com belos pontos de interrogações nas caras. — Ah, esqueçam.

Imediatamente, uma luz se acendeu na mente de Gaara.

— Eu imagino o que aconteceu — surpreendeu a todos depois de alguns segundos de silêncio. — Tem alguma coisa a ver com Sakura? — Sasuke mudou de postura com a simples menção do nome dela.

— O que tem ela? —perguntou um tanto desconfiado.

— Essa música que você disse… Foi por causa dela que ouviu?

— Como sabe? — Sasuke perguntou, fechando o case e se voltando completamente para Gaara. — Já a ouviu cantar?

— E tocar. — Gaara soltou uma gargalhada sarcástica. — Admitamos, Sakura sabe bem o que fazer com suas preciosas cordas vocais e com as de um piano, também. Ela me pediu para não contar para vocês, mas já que Sasuke viu... A culpa não foi minha — cruzou os dedos e os passou sobre o coração de forma teatral.

— Ela toca piano? — Sasuke e Naruto perguntaram ao mesmo tempo.

— Piano, violão e, creio eu, violino. Isso se não tiver mais nenhum instrumento escondido naquele quarto — Gaara jogou-se no sofá, acendendo o que tinha em mão.

— O quê? A menina que mora com vocês? — Neji também se pegou chocado. — Mas pra que guardar segredo?

— Pense, imbecil... — Sasuke voltou à sua guitarra, terminando de guardá-la. — Ela quer cursar medicina, um curso concorrido e bastante difícil.

— E...? — Naruto não havia entendido onde Sasuke queria chegar.

— E ela mora com três caras que têm uma banda que, por mais insossa que seja, ainda sim é uma banda.

— Ainda não entendi aonde quer chegar, Sasuke... — Naruto coçou a nuca e riu nervoso.

— Ah, Naruto... — Gaara balançou a cabeça e franziu o cenho — Por mais que queiramos pensar que não, uma hora ou outra iríamos pedir o envolvimento dela na banda e ela ia acabar ficando fissurada por isso, o que poderia ser um problema principalmente para ela, uma aluna tão dedicada. Por isso ela optou por não contar nada. Além de poder ser algo pessoal que ela prefira manter em segredo — deu de ombros. — Ela só não quer tornar isso de música uma distração que tome mais tempo dela do que o esperado.

— Garota esperta... — Sasuke sussurrou.

— Me dê um motivo para acreditar que poderíamos pedir o envolvimento dela na banda — Neji pediu, cruzando os braços.

— Como se você não fosse ser o primeiro só pra se livrar da vocalista que temos não é? — Naruto riu e Neji não pôde nem desmentir. Sabia que era a mais pura verdade.

— Ainda sim...

— Já a ouviu cantar, manezão? — Gaara perguntou. — Ela deixa uma penca de gurias que acham que cantam no chinelo.

— Aí! — Naruto soltou escandaloso e gargalhou, fazendo com que todos o olhassem. — Aposto que se formos lá agora, ela estará tocando ou cantando ou fazendo alguma coisa do tipo.

— Não seja idiota. Ela deve estar dormindo a essa hora.

— Na verdade, é provável que não... — Sasuke pensou. — Amanhã é sábado e ela não vai precisar levantar cedo. Fora que, quando eu saí, ela tinha acabado de acordar...

Os rapazes se entreolharam.

Um mais curioso que o outro.

Sem dizer uma palavra, saíram apressados da garagem e acabaram indo todos em um só carro, o de Sasuke, que dirigiu rápido o suficiente para ser vítima de uma multa caso algum policial estivesse andando pelas ruas já desertas.

Tiveram o cuidado de estacionarem para fora e entrarem pelo portão de pedestres. Foram correndo e se acotovelando até a porta de entrada. Ao pararem em frente a ela, sossegaram e fizeram silêncio.

Gaara abriu a porta com cuidado e os quatro foram cautelosos ao extremo ao subir as escadas. Sempre com receio de que algo caísse e fizesse barulho.

Foram chegando perto do quarto de Sakura na ponta dos pés. Todos ficaram incrédulos. O som que saía de lá era poderoso e alto o suficiente para ser ouvido por todo o segundo piso.

Dentro do quarto, ela tocava The Unforgiven III, da Metallica.

Ainda era só o começo, mas todos reconheceram de imediato. Aquela introdução no piano era única.

Quando começou a cantar, Neji, abismado, olhou para Naruto, que precisou tapar a boca com as mãos, tamanha surpresa.

Aquela havia sido uma descoberta e tanto.

Notas finais
FINALMENTEEEEEEE Mas, lembrem-se... A Sakura não sabe que eles sabem rçrç Música: YAYO - Lana Del Rey https://www.youtube.com/watch?v=T9xDThvpt8w Amados e amadas... A partir de agora, teremos uma mudança nos dias de postagens. Postarei somente aos sábados, ok? Por favor, não fiquem tristes ♥ Ah, também já vou deixar avisado: comecei a postar essa história no Spirit. Caso vejam por lá, sou eu. MAS SOMENTE LÁ E AQUI. Em qualquer outra plataforma de postagem É PLÁGIO. Mil beijos e até o próximo ♥