Closer
22 Piercings
Notas iniciais

Era raro ver Sakura em pé tão cedo nas manhãs de sábado. Normalmente, ela aproveitava para pôr seu sono em dia. Ainda mais num dia nublado como aquele. A noite havia sido regada por uma forte chuva e o dia amanhecera cinzento e frio.
Um dia perfeito para se ficar na cama.
Mas, por algum motivo, ela já estava acordada quando o relógio marcava seis e meia da manhã. Despertou e foi direto para o banheiro, mas qual não foi sua surpresa ao ligar o chuveiro e ouvir um estalo alto acompanhado por faíscas e um cheiro de queimado?
— Ah, não… — ela fungou e colocou a mão sob a água geladíssima que pingava. — Que inferno! Não acredito que queimei o chuveiro — olhou para cima e avaliou o estrago.
Teria que chamar o eletricista.
Respirou fundo, o máximo que pôde, na tentativa de se acalmar. Pegou suas toalhas e marchou para o banheiro dos rapazes.
— Aquela merda de chuveiro da época da minha avó… — praguejava enquanto percebia que havia se esquecido completamente de pegar seu shampoo. — Quase um fóssil… — passou os olhos pelo banheiro e encontrou um frasco.
Era um shampoo infantil num frasco amarelado. Tinha um desenho de traços gozados de um pequeno garotinho soltando pipa ao lado de seu cachorro, enquanto um enorme sol sorria para eles do alto da embalagem. No cantinho, escrito em uma fonte vermelha, “não arde nos olhos”.
Ao lado, um frasco negro e robusto exibia um rótulo bruto, onde as palavras “For Men” chamavam bastante atenção. Aquele era o condicionador.
Sakura riu. Como se toda a virilidade daquele condicionador pudesse salvá-los da inocência e doçura do shampoo infantil.
Quando terminou o banho gostoso e quentinho, enrolou uma toalha na cintura, jogou a outra sobre os ombros e saiu do banheiro secando os cabelos com ela. Lembrou-se de que Naruto e Sasuke haviam comprado um jogo novo — lançamento — e tinham virado a noite jogando. Inclusive, ainda sentia que podia ouvir os sons do videogame ecoando do andar de baixo. Mordeu os lábios e avaliou o caminho até seu quarto. Não tinha levado roupa alguma, mas não teria que dar mais de sete passos para alcançar o sua porta.
— Eles estão entretidos demais com o jogo, sua tonta… — riu, porém, assim que ousou se mexer, a porta do quarto de Gaara abriu violentamente e ele passou por ela.
Sakura arregalou os olhos e puxou a toalha dos ombros com pressa, tentando tapar os seios nus. No momento do desespero, a toalha acabou caindo e ela demorou mais tempo que o esperado para se cobrir.
— Ah, Sakura! Que bom te encontrar acordada — ele tinha o celular em uma das mãos. — Preciso te pedir uma coisa.
— O-o quê? — Sakura estava extremamente rubra. Queria chorar de vergonha.
Já Gaara parecia nem ao menos se tocar de que havia visto a garota sem roupas de cima há segundos.
— Recebi uma ligação e fomos convidados pra uma Jam Session ao vivo na rádio local e eles querem a dona da voz que abalou as estruturas do The Rock. Vai ser bem bacana, uma conversa, algumas músicas de improviso. Vai ser transmitido ao vivo. E então? Podemos contar com você? — Sakura mal conseguia respirar, quem dera falar!
Mantinha os olhos estatelados e a mão apertava firmemente a toalha. Diabos, será que Gaara não notaria como aquilo estava sendo terrivelmente embaraçoso?
Ela franziu o cenho, indignada com a cara lavada que Gaara mantinha mesmo após ter visto claramente o que ela tentava esconder com o braço cruzado sobre o tórax.
Ignorando totalmente o que havia lhe sido pedido, ela se virou e tentou alcançar seu quarto o mais rápido que pôde, no entanto, a mão de Gaara envolveu seu pulso rapidamente.
— Gaara... — ela soltou num fio de voz, mas, ainda sim, ele conseguiu capturar o ódio contido.
— Que foi? Vamos, por favor — ela ainda o olhava abismada. — O quê? É por causa disso? — apontou os seios cobertos. — Tá, sim, eu vi. Eles são uma graça. Vai cantar ou não? — ele realmente não estava nenhum pouco constrangido.
— E-eu não sei, eu… — ouviu um ranger da escada.
“E se eles vierem aqui?”, pensou.
— Eu vou, eu vou! — puxou o braço preso com força e correu pro quarto, batendo a porta em seguida.
— Ótimo… — Gaara discou um número em seu telefone. — No próximo sábado! Não se esqueça! Passo todas as informações depois — gritou para que ela pudesse ouvir.
Sakura apoiou-se contra a porta e esperou os batimentos normalizarem para, então, rir alto. Aqueles moleques ordinários não fariam bem ao seu coração.
Trocou-se depressa, visto que não podia perder tempo. Enfiou-se em roupas confortáveis para passar o sábado. Bateu a mão nos bolsos e não encontrou a chave de seu carro.
— É hoje, viu... — resmungou e começou a procurar pelo criado-mudo e escrivaninha.
Nada.
Desceu as escadas ouvindo os sons do jogo que prendia a atenção dos rapazes desde as 23h da noite anterior. Provavelmente nem tinham visto o sol pela janela. Estavam enfurnados naquela sala com as cortinas fechadas há horas!
— Ainda estão presos nessa porcaria? — Sakura passou pela sala ao ir para a cozinha.
— Aa... — Sasuke não desgrudava os olhos da tela.
— Vou te contar, hein? — voltou com uma tangerina nas mãos. — Estão aí desde as 23h de ontem — enfiou um gomo na boca.
— Para de reclamar, ainda tá cedo! — Sasuke rebateu tão absorto no jogo quanto Naruto. Gaara estava sentado ao seu lado, concentrado em seu celular. Tratava de assuntos sérios.
— Realmente. São sete da manhã!
— É jogo novo, Sakura! Não dá pra parar de jogar — o amigo loiro estava animado além da conta. Manuseava o controle com um sorriso enorme no rosto.
— Que seja, alguém viu a chave do meu carro? — começou a procurar pela estante e consequentemente, acabava ficando na frente da TV uma vez ou outra.
— Ei! Ow! Sakura, da licença! — ralhou Sasuke, pausando o jogo tão precioso.
— Uh, me desculpe. Atrapalhei o jogo das princesinhas? — revirou os olhos e continuou sua busca.
— Pra que quer tanto a chave do carro? — Gaara suspirou com toda aquela agitação do colega ao lado e Sakura o olhou, indignada.
— Pra dirigir? Tenho um compromisso e já estou atrasada! — ergueu-se até ficar na ponta dos pés e conseguiu ver o brilho metálico na prateleira mais alta. — Quem escondeu aqui? — agarrou as chaves e olhou para os rapazes.
Os três se entreolharam e riram baixinho.
— Há, há, estou me cagando de rir — era evidente seu mau humor.
— Aonde vai tão cedo? É sábado e caiu um dilúvio ontem. Achei que dormiria até amanhã.
— Meu pai está na cidade. Ele precisa resolver uns assuntos — passou os olhos pela sala em busca de alguma coisa. — Ele vai embora depois do almoço. Preciso passar o máximo de tempo possível com ele — a última parte foi quase um sussurro. Apenas para si.
— Entendi... — não, Naruto não tinha entendido. Nem mesmo havia tirado os olhos do jogo.
— Mas que droga! — Sakura ainda não havia achado o que tanto procurava.
— Sua jaqueta está na cozinha. Pendurada na cadeira — Sasuke disse. — Mas que merda, Naruto! Tira a cabeça da bunda pra jogar!
— Vai cagar, Sasuke — resmungou ainda preso à tela.
Sakura pôs as mãos na cintura. Teria que aguentar aqueles dois viciados no jogo imbecil deles pelas próximas duas semanas, no mínimo.
Felizmente, acabou encontrando a jaqueta jeans que tanto procurava exatamente onde Sasuke dissera.
— Olha só, eu não volto pro almoço. Caso saiam pra comer, não precisam me esperar. Se forem cozinhar, pelo amor de Deus, limpem a bagunça — repuxava os cabelos para prendê-los em um rabo de cavalo no alto da cabeça. — Tudo bem? — Sasuke e Naruto só faltavam babar.
— Eu cuido para que não morram de fome, Sakura — Gaara não desviou os olhos de seu smartphone.
— Ótimo, até mais — e, mesmo quando já havia batido a porta atrás de si, pôde ouvir um som de explosão e o grito enfurecido do Uchiha que xingava o amigo ao lado.
Do lado de dentro, Sasuke e Naruto não desgrudavam os olhos da televisão e, não muito diferente deles, Gaara continuava a conversa com seus contatos.
Sabe-se lá Deus o que ele tanto digitava naquele celular.
Na TV, um novo personagem apareceu. Era um homem grande e forte, extremamente musculoso. Chegava a ser exagero. Era o novo inimigo dos rapazes e eles teriam que derrotá-lo. Ostentava um colar de ossos e crânios e, no mamilo direito uma argola prateada fez Naruto soltar um risinho.
— Olha lá, ele tem um brinquinho na teta! — Naruto ria sozinho de algo que só ele via graça. — Machão pra caralho, hein, Sasuke? — cutucou o amigo que o olhou com a mesma cara de sempre.
— Não enche, Naruto. Presta atenção no jogo — bufou, mas Naruto o ignorou.
— Será que dói furar o peito? — inconscientemente, levou a mão direita até o tórax e procurou sentir a protuberância do próprio mamilo. Fez um som ardido ao imaginar a dor de furar aquela região tão sensível.
— Hm, se quer mesmo saber, pergunte à Sakura — Gaara soltou do nada. Os dedos ainda passando pela tela tátil do celular.
Foi instantâneo. Sasuke e Naruto pararam de jogar imediatamente e o fitaram. Sasuke nem mesmo havia pausado o jogo. O som de seus personagens sendo massacrados podia ser ouvido como uma música de fundo.
— O quê? Por que eu… — Naruto começou, mas foi interrompido.
— Ela tem piercings nos mamilos — suspirou para o celular.
— Ela o quê? — o ar surpreso vinha de Sasuke.
— Ela tem piercings nos mamilos. Imagino que ela possa responder a sua pergunta, Naruto. Se bem que não são argolas, mas, mesmo assim... — franziu o cenho — Como se escreve “desassossego”? — olhou-os pela primeira vez desde o início daquela conversa e não poderia ter escolhido momento melhor.
Naruto ainda parecia confuso, é verdade, mas não era ele que o fazia prender o riso em sua garganta.
Era Sasuke.
Estava incrivelmente surpreso com aquela nova informação. Não, surpreso ainda não era a palavra certa. Incrédulo se encaixaria melhor. Os olhos arregalados, a boca entreaberta e as sobrancelhas unidas numa clara expressão de quem não estava acreditando naquilo.
Quando Gaara fez menção de abrir a boca para dizer algo, seu celular tocou. Olhou o nome na tela e sorriu malicioso.
— Ah, sexo matinal. Vocês não amam isso? — atendeu com um sorriso enorme nos lábios. — Alô? Ah, oi, meu anjo — levantou-se foi subindo as escadas.
Ora, aquilo era uma afronta. Como Gaara havia tido coragem de dizer sobre os piercings de Sakura — como quem diz que numa padaria se vende pão — e sair logo em seguida sem dar explicação alguma?
Não, não. Provavelmente era ele quem estava exagerando. Não tinha nada a ver com os seios de Sakura e seus possíveis piercings.
Mas, se não eram argolinhas, o que eram? Seriam duas bolinhas? Ou seriam aqueles que parecem pequenas flechas? Oh, sim. As flechas combinariam bem com Sakura. Talvez fossem até daqueles com pequenos brilhantes nas pontas. Com certeza, se fossem os de brilhantes, as pedrinhas seriam cor-de-rosa. Ou vermelhas. Sakura ficava bem de vermelho. Um brilho rubro em volta de seu mamilo seria...
— Ow, Sasuke, reinicia logo essa partida aí! — Naruto esparramou-se no sofá e chutou o joelho do amigo, tentando chamar sua atenção.
— Aa… — anuiu e voltou a se concentrar em seu jogo.
Porém, não teve muito sucesso. Assim que reiniciou a partida, sentiu como se um baque surdo o atingisse. Em sua mente, uma única pergunta:
Como diabos Gaara havia visto os peitos de Sakura?
— ὡѼὠ —
Pouco antes das duas da tarde, uma Sakura toda encharcada e suja de lama entrou pela porta, assustando os rapazes ainda presos no maldito videogame. Para ajudar, Neji havia se juntando a eles, Gaara também estava aproveitando o jogo e a sala parecia um lixão. O cheiro de erva ainda podia ser sentido. Era só ela dar uma saidinha que aqueles filhos de uma mãe faziam a festa.
— Mas o quê? Eu disse para arrumarem a bagunça que fizessem — pôs as mãos na cintura.
— Se fossemos cozinhar. Não cozinhamos — Naruto soltou um sorrisinho que a irritou ainda mais.
— Pedimos pizza — Gaara apontou a caixa jogada de qualquer jeito na mesinha de centro. — E beliscamos uns salgadinhos.
— Jesus Cristo, vocês comeram o mercado todo — a quantidade de embalagens espalhadas pelo chão era absurda.
— Ah, Sakura. Cê sabe como é, né? Quando a larica bate… — Naruto se distraiu e levou um cutucão de Neji.
— Presta atenção, porra — o loiro resmungou.
— Quando não é o merda do Sasuke, é você… — levou uma joelhada como protesto.
— Falando nisso, cadê ele? — prestava atenção onde pisava.
— Tá lá em cima. Acabou de subir. — Neji respondeu rápido e olhou para a garota já subindo a escadaria — Ué, o que aconteceu?
— Um acidente com uma poça de lama e um motorista atrasado pra pegar a esposa na cama com outro, aquele corno… — fechou a cara enquanto amaldiçoava o dono do carro que havia feito aquilo consigo. — Tenten vem? — ela tentava retirar um pouco da sujeira que estava presa em seus cabelos enquanto subia devagar.
— Não. Tem prova segunda.
— Certo — disse mais para si mesma e foi para seu quarto.
Sua manhã tinha sido uma bela porcaria. Claro, havia começado muito bem. Um café da manhã com o pai, uma conversa divertida e descontraída e um pouco da atenção que ela tanto merecia. Porém, não durou muito. O pai realmente só estava ali para resolver algumas coisas e pediu que ela fosse cuidar de suas atividades e o esperasse em um restaurante onde havia feito reserva no centro da cidade.
Feliz feito pinto no lixo, Sakura foi para tal restaurante uma hora antes do combinado.
Esperou, esperou e esperou mais um pouco. E, quando o relógio avisou que era uma da tarde, ela recebeu uma mensagem do pai explicando que não poderia encontrá-la e que a recompensaria em outra oportunidade.
Era sempre assim. Sakura nem mesmo sabia o motivo de por tantas expectativas em cima do pai. No fundo nem mesmo estava surpresa. Almoçou sozinha no restaurante. A comida era realmente maravilhosa, mas tudo em seu prato parecia apenas uma massa sem sabor ou cor alguma.
E, como se não fosse o suficiente, quando estava indo para o estacionamento para pegar seu carro, uns moleques ridículos passaram a toda velocidade perto de si, esguichando a água suja de uma enorme poça d’água que estava por perto.
Havia terminado sua manhã cansada, frustrada e ensopada.
Agarrou sua toalha e foi para o banheiro. Quando seus dedos tocaram o registro, apertou os olhos com força, lembrando-se do chuveiro queimado. Quis berrar.
— Que. Droga. — pegou seus frascos de shampoo e rumou para o banheiro dos rapazes.
Porém, já dizia o ditado: nada está tão ruim que não possa piorar.
Forçou o trinco e se viu barrada por uma porta trancada.
— Tem gente — ouviu a voz de Sasuke de lá de dentro.
— Ô, saco! Vai demorar? — encostou-se à soleira da porta.
— Tô mijando, Sakura. O que você quer?
— Tomar banho — ouviu a descarga e a torneira sendo aberta para, logo em seguida, Sasuke deixar o cômodo.
— Cedemos o quarto com banheiro para você justamente pra isso não acontecer — Sakura não estava com humor para as provocações do dele.
— Meu chuveiro queimou hoje cedo. Será que posso? — o sarcasmo em sua voz era quase palpável.
Sasuke, debochado que só, deu passagem para a garota em uma reverência. Assim que ela fechou a porta, pegou-se imaginando de novo como eram os tais piercings.
— Tome vergonha — sussurrou para si mesmo e desceu as escadas.
Contudo, não foi reto para o sofá aproveitar o jogo e a falta de habilidade de Naruto. Rumou para a área de trabalho da casa. Tinha uma caixa de ferramentas por lá em algum lugar e ele tinha certeza de que era bom o suficiente com eletricidade para consertar o chuveiro de Sakura.
Daria seu jeito.
— Sasuke, aonde vai? — Naruto perguntou ao vê-lo passando com a caixa de metal vermelha e um banquinho de madeira.
— O chuveiro da Sakura queimou e eu já faço demais dividindo o banheiro com vocês dois — apontou Gaara com os olhos.
— Aproveita que tá em pé e me traz uma cerveja, amorzinho — fez uma voz manhosa, ainda sem parar de jogar.
— Vai se foder, Naruto. Levanta e pega — começou a subir as escadas.
— Nossa, grosso. Não custa nada pegar uma cerveja pro seu amigo do peito.
Ignorando o falatório, continuou seu caminho. Sakura havia entrado no banheiro com mala e cuia. Conseguiu identificar até um creme hidratante que ele tinha certeza absoluta que já havia visto a mãe usar. Com certeza ela demoraria uns bons minutos no banho.
Ajeitou o banquinho e subiu nele. O banheiro de Sakura era mil vezes mais limpo, cheiroso e bem cuidado que o banheiro que ele dividia com os rapazes. A única coisa que o impedia de ser perfeito, era o quanto era abafado. A chuva que havia caído durante a madrugada havia deixado o clima úmido e quente e, para ajudar, aquela porcaria de banheiro não tinha nem mesmo uma janelinha sequer.
Analisou a situação do chuveiro e sorriu. Nada que uma boa fita isolante não resolvesse. Era só desligar o registro e a chave do chuveiro queimado para não tomar um belo choque.
Não estava nem na metade do serviço e já sentia o suor escorrer pelas têmporas.
Arrancou a camiseta e secou a testa com ela, jogando-a sobre o ombro logo em seguida.
— Nossa senhora, e ela ainda aguenta tomar um banho quente nesse pedaço de sauna… — ajustou a temperatura do chuveiro e desceu da banqueta.
Pôs as ferramentas e o banquinho de lado e ligou o chuveiro. Estava funcionando perfeitamente bem. Sasuke sorriu convencido. Às vezes ficava até impressionado com o quanto era habilidoso em tudo o que fazia.
— Sasuke? — virou-se para olhar Sakura que vinha secando os cabelos numa toalha. — O que você tá fazendo?
Ele fungou e pôs as mãos na cintura. Sakura olhava dele para o banquinho e para a caixa de ferramentas. Vestia uma roupa confortável e arejada. Pôde logo perceber que ela não tinha planos de sair de casa tão cedo.
— Eu vim dar uma olhada no seu chuveiro — ligou novamente a água e Sakura andou até lá para sentir a temperatura.
— É mal de homem tirar a camisa pra consertar um chuveiro? — perguntou brincalhona e recebeu uma revirada de olhos.
Mesmo que tivessem trocado um beijo de tirar o fôlego e se provocado eroticamente no karaokê umas semanas antes, realmente estavam mais amigos. Sakura não sabia dizer o que era, mas podia sentir como estava mais à vontade ao lado de Sasuke.
O que era, no mínimo, estranho. Principalmente depois de ter se esfregado nele até que o deixasse completamente duro durante aquele tipo estranho de batalha musical.
— Você quer o quê? Tem um banheiro que mais parece uma câmara de bronzeamento. Deus, como é abafado aqui! — reclamou e ela riu. A risada ritmada e gostosa de se ouvir.
Era incrível como tudo em Sakura era harmonioso e sonoro.
Ele se virou para pegar as ferramentas e Sakura conseguiu dar uma boa olhada na parte da tatuagem que se exibia nas costas de Sasuke. Era um pássaro bonito de grandes asas negras. Mordeu os lábios. Quis pedir pra ver o resto, mas sua vergonha na cara a impediu assim que ele se virou de volta.
— De qualquer forma, obrigada. Não queria dividir o banheiro com vocês — mirou os pés, meio incerta do que havia dito. — Quer dizer… Não que eu tenha nojo, nem nada, mas… Ai, hoje o Gaara me viu saindo do banheiro e eu passei a maior vergonha… — abaixou e cobriu o rosto com as mãos, fazendo Sasuke quase gargalhar.
Ah, então fora daquela forma que Gaara havia visto os tais piercings.
Tudo estava explicado.
— Não tem graça, Sasuke — nem mesmo ela conseguia conter o riso — Na hora do desespero, acabei aceitando participar de uma Jam Session com vocês.
— Arrependida? — viu Sakura caminhar vagarosamente até o piano recostado ali ao canto e os dedos deslizando pelas teclas de marfim.
— Não. Até gostei da ideia — sorriu para ele. — Saiba que amo um R&B. Vamos ver se os senhores são bons de improviso.
— Irão mais músicos. Espero que não nos troque — começou a vestir a camiseta de volta.
Era inegável. O rapaz era mesmo um pedaço de pecado.
— Sasuke... — Sakura inalou o ar a sua volta com mais força. — Que cheiro é esse?
Antes que pudesse responder, ouviram um estouro muito alto seguido de um apagão total na casa toda que durou pouco menos de dois segundos, mas foi o suficiente para que percebessem que a habilidade de Sasuke com os fios do chuveiro havia falhado.
— Puta que me pariu! — o berro de Naruto foi tão alto que conseguiram ouvir do andar de cima. — Meu jogo! Eu não salvei! — Naruto gritava.
Ah, é claro. Os rapazes estavam jogando videogame…
E a energia havia caído graças ao estouro no chuveiro de Sakura…
E Naruto não tinha salvado seu progresso no jogo…
Sakura e Sasuke se entreolharam e ela caiu na risada.
Chamaria um eletricista. Definitivamente.
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