Closer
11 The Clit's Pub
Notas iniciais

Sabe o que é muito interessante quando alguém descobre um segredo?
Esse alguém tem a chance de fingir que não sabe desse segredo.
Assim, a pessoa que queria guardar o segredo não sabe que outra pessoa sabe sobre o que ela queria que ninguém soubesse.
Saber disso dá uma sensação miúda e única, como quando se sabe que lhe darão uma festa surpresa, porém, ninguém presume que você sabe e, no fim, a surpresa acaba sendo para eles.
Sakura nem desconfiava que todos na casa já sabiam de seu “segredo”.
E os garotos, sendo os bons atores que eram, sequer tocavam no assunto ou demonstravam qualquer sinal de que já tinham conhecimento. Resolveram fazer a vontade da garota. Para ela, ninguém sabia e ninguém percebia. Não custava nada.
Já fazia três semanas desde que haviam descoberto sobre Sakura e ficavam cada vez mais intrigados com isso.
Quer dizer, ela era boa quando o assunto era música, mas e daí? Pra que essa fachada? As teorias eram cada vez mais elaboradas. Só não se prendiam na mais simples: aquela que era verdade.
Sakura, em sua doce inocência, continuava pensando estar escondendo todo o jogo e agia com a maior cautela. Sempre que ia dedicar o mínimo que fosse de seu tempo para a música, tomava todo o cuidado do mundo. Andava tocando pouco e cantando menos ainda. Seu mês estava bastante agitado e mal podia relaxar um pouco.
Estava sentada na cama com um grosso livro nas mãos e vários outros espalhados ao seu redor, junto a tarefas e relatórios. O cenho jazia franzido e os óculos já escorregavam para a ponta do nariz. Seus olhos quase se fechando.
— Meu Deus... — largou o livro entre as pernas e passou as mãos pelo rosto cansado. As olheiras bem visíveis.
Era sexta e tinha acabado de chegar da aula. Não havia dormido bem naquela noite e havia pegado no sono durante a aula do professor Trumann.
Quis chorar quando acordou já no fim da palestra do professor cujo assunto seria conteúdo de um baita simulado na terça. Precisava urgentemente entender a matéria.
— Mas por qual merda de motivo fui inventar de sair com a Ino ontem? — lembrou-se da farra e sorriu.
Tinham ido comemorar a aposentadoria de um dos professores mais odiados pelas turmas da universidade e do preparatório. Ela, Ino e mais vários estudantes. Uma festa regada a muita bebida.
Sakura estava um caco. Tinha bebido o suficiente para, no mínimo, três pessoas. Pra completar, ainda tivera que cuidar de Ino quando a encontrou vomitada no banheiro feminino. Não havia dormido nem duas horas direito. Seria mentira dizer que havia sonhado.
Mas tinha sido bom, não podia negar. Achou que nunca mais se divertiria daquela forma depois de aposentar as drogas. Mas Ino e aquele bar lotado tinham provado o contrário.
Espreguiçou-se e deixou que o corpo caísse no colchão. Com o conteúdo pela metade, Sakura resolveu deixar o estudo para depois. Estava exausta e não conseguiria aprender nada com todo aquele cansaço sobre os ombros.
Fechou o livro com um marcador e o colocou no criado mudo ao seu lado. Juntou todos os outros livros e a papelada. Afofou seu travesseiro e sorriu ao olhar para ele. Queria dormir e só acordar segunda. Ainda era cedo, teria muito tempo até os garotos acordarem.
— Ah, tem bastante coisa na geladeira. Eles que se virem.
Logo adormeceu.
Todos dormiam profundamente na casa. A mais perfeita paz.
Pouco depois das cinco, os garotos acordaram.
Sasuke, ainda sonolento, levantou e alcançou o celular. Suspirou pesado e, se dando por vencido, levantou da cama.
Pegou uma toalha e foi até o banheiro, mas, daquela vez, quem se viu barrado por uma porta trancada foi ele.
— Tem gente... — A voz de Gaara preencheu todo o corredor, soando zombeteira.
Sasuke segurou a raiva em uma careta e se apoiou na parede. Aquela cabeça de fósforo ia pagar.
Dois minutos depois, Gaara saiu sorridente com uma toalha presa na cintura e outra pendurada no ombro.
— Todo seu — disse debochado e deu um tapinha no ombro do amigo que se lançou para dentro do banheiro com as sobrancelhas encrespadas.
Naruto nem ligava pra essas graças. Preferia dormir mais quinze minutos e ser o último a tomar banho.
Já devidamente arrumados, desceram as escadas, todos esperando pelo que Sakura teria feito. Encontraram exatamente o que ela havia deixado. Nada.
— Ué... — Naruto pensou alto enquanto ia até a geladeira.
— Ela devia estar cansada. Saiu com aquela loira maluca ontem — Sasuke disse, escondendo bem seu desapontamento por não ter nenhuma travessa com tomates.
— Dá pra passar em algum lugar antes de ir — Gaara sugeriu olhando para os garotos que assentiram.
Mas todos sabiam que, no fundo, preferiam algo feito por ela.
Sakura tinha razão. Estava mimando demais aqueles três.
Saíram apressados e em silêncio para não acordar a menina que dormiu até às oito.
Quando despertou, suas bochechas estavam bem mais coradinhas e os olhos, descansados. Acordou sorrindo. Depois de um banho refrescante, um jantarzinho pra um e um pouco de TV, fez as contas de quanto tempo ainda teria para tocar e cantar.
Assim que começou a subir para seu quarto, seu celular tocou.
Sakura revirou os olhos e o atendeu sem nem mesmo olhar quem era.
— Alô?
— Sakura, oi! É a Tenten — a voz soou animada do outro lado.
— Ah, oi! O que aconteceu?
— Então, queria saber se não quer ver os meninos tocarem hoje de novo. Aquele dia foi ótimo, não foi? Sinto muito se ficou desconfortável quando… Bom... Prometo que hoje não vamos fazer nada. Eu realmente adoraria que você fosse — Tenten despejou tudo bem depressa.
— Ah, eu… — Sakura mordeu os lábios e ponderou. Tenten era muito bacana e não tinha culpa alguma sobre seu passado. Ela sequer sabia e estava se monstrando bastante compreensiva já no convite. Uma outra noite com ela onde pudesse até mesmo se explicar seria ótima. — Bom, amanhã não tenho aula mesmo. Por mim tudo bem. Quando?
No fundo, Sakura tinha adorado ver os rapazes tocando. Na companhia de Tenten, então, tinha sido maravilhoso.
— Daqui uma hora. Arrume-se e eu passo te pegar, ok? Não é no mesmo endereço.
— Ok, então! Fico te esperando. Até — ouviu um “até” em resposta e desligou.
Desistiu do piano e foi para o guarda-roupa. De qualquer forma, o fim de semana estava só começando e os rapazes quase nunca ficavam em casa.
Pegou uma saia jeans escura com lavagem clara e uma regata azul royal. Como o clima estava um pouco frio, colocou uma jaqueta negra.
Os cabelos cheirosos ficaram soltos, do jeito que estavam. Passou um teco do seu perfume tão gostoso e, se lembrando da belíssima vocalista completamente montada, decidiu que ao menos um delineador e rímel poderiam ser usados na ocasião. Desceu as escadas, esperando ansiosamente a nova amiga. Havia gostado demais de ver o ensaio dos garotos, mesmo que tivesse fugido no fim. Já que não usariam nada fora do comum, estava mais que empolgada para ouvir mais um pouco da música deles.
Tenten não demorou. Dentro do carro, iam conversando animadas, até que Sakura percebeu que estava demorando um pouco.
— É muito longe?
— Não, não! É um pub aqui pertinho. Daqui a pouco chegamos — respondeu sem tirar a atenção do volante.
— Um pub? — Sakura estranhou.
— É! Eles vão fazer o show lá. Estão cada vez mais populares. Fico surpresa que eles ainda não tenham te chamado para alguma apresentação.
— Naruto sempre me chama para “vê-los tocar”, mas eu achava que era sempre na garagem do Neji — riu da própria ingenuidade. — Não sabia que seria em local público. Se eu soubesse teria me arrumado, Tenten — olhou a garota bem vestida e se sentiu uma batata.
— Ah, boba! Você tá linda. Adorei a jaqueta — sorriu simpática e parou o carro. — Chegamos.
Sakura observou o lugar.
— The Clit’s Pub... — leu o nome ofensivo no letreiro bonito e quase pediu para voltar para casa.
Era um lugar muito bem falado, mesmo não tendo muita classe. Era bastante frequentado. Já havia sido convidada para ir até lá várias vezes e não tinha planos de visitá-lo tão cedo. Ino vivia enchendo seu saco e ela sempre adiava. Era famoso pela recepção à universitários amantes de música. A banda dos rapazes fazia um enorme sucesso por lá. “Caloroso e úmido”, diziam, rindo da própria piada ao se referirem ao local. E, naquele momento, se pegou fazendo a mesma piada e dando risada.
Entrou acompanhando Tenten e, assim que as viram, os rapazes acenaram.
— Sakura, que bom que veio! — Naruto falou animado. — Já virou membro oficial do nosso grupo, hm?
— Pois é... — Sakura pôs uma mecha de cabelo atrás da orelha, ainda meio sem jeito por estar ali. — Vim ver a apresentação de vocês.
— Falando nisso, vamos entrar daqui a pouco. Cadê a Karin? — Gaara olhou o relógio em seu pulso e encarou Sasuke.
— Ela disse que já vem... — respondeu com cara de tédio enquanto verificava seu celular.
— Sinceramente... — Neji mal se aguentava.
— Então, Sakura... Vai querer alguma coisa? — Tenten tentou quebrar o clima puxando uma cadeira para a amiga que agradeceu.
— Uma cerveja está ótimo, Tenten!
— Certo. Mais alguém nos acompanha? — recusaram.
Foi Tenten sair que Karin chegou num péssimo humor.
Em seu rosto, um par de óculos.
Sentou-se perto de Sasuke se pendurou em seu pescoço.
Usava uma calça jeans clara, botas de salto e bico fino e uma blusa frente única negra bastante decotada. No pulso, diversas pulseiras e os cabelos propositalmente mal penteados. Os lábios bonitos pintados de vermelho. Tão vermelhos quanto seus cabelos. Estava muito atraente.
— Oi, rapazes. Desculpem a demora — Olhou para a menina de cabelos rosados e soltou um sorrisinho. — hm, oi — Sakura acenou com a cabeça e sorriu simpática. — Não sei se quero apresentar hoje, gente...
— O quê? — Naruto a olhou e todos os outros voltaram o olhar para ela. — Por quê?
— Não achei minhas lentes... Não posso aparecer em público de óculos — apontou para a própria cara.
— Ah, mas você ficou tão linda com eles — Sakura tentou ser gentil.
— Obrigada, é verdade. Esse modelo até que me cai bem. Nem todo mundo tem um rosto que combine com óculos, não é mesmo?
Sakura, de repente, sentiu o peso dos seus próprios. Muito delicados e que, ela sabia, combinavam bastante com ela.
Aquilo havia sido uma alfinetada? De graça?
— Réproba... — Neji disse baixinho olhando para Karin que ouviu o comentário.
— Ah, obrigada, Neji! Você é uma graça — ela viu Tenten chegando com duas bebidas. — Bom, vou beber alguma coisa antes de entrar...
Assim que ela saiu, Sakura soltou uma risada contida e olhou para Neji.
— Ela sabe o que é Réproba? — e Neji negou dando risada também.
— Adoro fazer isso. Quando voltar, solto outro apelidinho carinhoso — e Sakura riu, entendendo bem qual era a de Neji.
— Aqui, Sakura — Tenten estendeu uma garrafa para a amiga e se sentou ao lado do namorado.
— Melhor irmos adiantando... — Gaara sugeriu e todos concordaram.
— Karin! — Sasuke disse um pouco alto e a cabeleira vermelho-sangue se virou para sinalizar que estava rindo.
— Boa sorte! — Sakura disse sorridente e Sasuke, o único que ouviu, apenas a olhou de soslaio. Estava contente e animada.
Chegaram lá com a primeira música selecionada. Os instrumentos já estavam todos devidamente plugados e conectados. Apenas esperaram serem anunciados.
Bastou subiram no palco, para que o grito e estardalhaço fosse geral. De seu lugar, Sakura notou todos e percebeu estarem extremamente bonitos. Pra ser sincera, estavam esbanjando sensualidade.
Seus lábios chegaram a umedecer.
Karin tomou sua posição e logo tocavam You Give Love A Bad Name. E, embora Karin estivesse com um pouco de dificuldade no vocal daquela música, o público enlouquecia fácil. Sakura sempre aplaudindo e Tenten rindo da empolgação da amiga.
Apostaria em chamá-la mais vezes.
Tocaram mais umas três e, quando iam começar a quinta, o gerente do local chegou bem perto do palco e chamou Sasuke com um sinal. Ele prontamente abaixou e ouviu com atenção as palavras sussurradas do homem alto de porte atlético e roupas que não faziam jus ao seu cargo.
Quando ele se distanciou, Sasuke puxou os rapazes e a vocalista e passou o mesmo recado. Todos assentiram, menos Karin, que ouvia tudo com a cara amarrada.
Quando Sasuke parou de falar, Karin chegou perto dele e disse baixinho:
— Sasuke, eu não conheço essa! — disse nervosa — vamos tocar outra!
— Não. Foi essa a música pedida. Não entendeu o tipo de pedido que nos fizeram? — Sasuke achou um absurdo que ela realmente cogitara tocar outra música.
— E vai fazer como? Tocar só o instrumental enquanto eu fico aqui parada fazendo papel de palhaça? — estava irritada.
— Se não conhece, desça do palco e espere. Eu conheço! — rebateu meio nervoso e Karin, com a pior das caras, desceu do palco.
Começou o burburinho pelo local quando Sasuke se virou mais uma vez para os rapazes e disse algo que fez Neji sorrir, exibindo todos seus dentes.
— Ok, pessoal, um minuto de atenção, por favor... — disse no microfone e todos pararam para ouvi-lo. — Nós temos um pedido especial — ele olhou para um casal encostado no balcão, um rapaz alto e loiro e uma moça bonita de longos cabelos escuros. — Susan, essa é para você — ela arregalou os olhos e se engasgou com o que bebia.
Quando deram entrada em Far Away, da Nickelback, Karin puxou a cadeira ao lado de Sakura na mesa.
— Palhaçada… — resmungou.
— O que houve? — Sakura perguntou por instinto e Tenten quase a esmurrou.
Karin a olhou por cima dos ombros e bufou.
— Com licença, meninas — pediu e saiu brava, sem esperar pela resposta. Foi direto ao bar.
Sakura se virou para Tenten, sem entender coisa alguma.
— Ela não conhecia a música que pediram. Acontece de vez em quando. Sasuke canta no lugar dela — estava com um sorrisinho na cara.
Então Sasuke iria cantar?
Nesta hora, neste lugar
Desperdícios, erros
Tanto tempo, tão tarde
Quem era eu para te fazer esperar?
Apenas mais uma chance, apenas mais um suspiro
Caso reste apenas um
Porque você sabe, você sabe, você sabe
Sakura, que estava vidrada na apresentação, parou de respirar quando ouviu Sasuke ao microfone. Achou que nunca veria algo daquele tipo.
A pose, a expressão, o jeito com o qual fazia aquilo combinavam de maneira quase celeste com o que saía de seus lábios.
Sakura estatelou os olhos um pouco e esqueceu tudo e todos ali. Só existia ela e os rapazes. Era um som único.
Que eu te amo
Eu te amei o tempo todo
E eu sinto sua falta
Estive tão longe por muito tempo
Eu continuo sonhando que você estará comigo
E você nunca irá embora
Paro de respirar se eu não te ver mais
Tocavam como se a música fosse de autoria deles. A mulher para quem a música era dedicada quase não acreditava. Estava com as mãos sobre a boca, estupefata.
De joelhos, eu pedirei
A última chance para uma última dança
Porque com você, eu resistiria
A todo o inferno para segurar sua mão
Eu daria tudo
Eu daria tudo por nós
Dou qualquer coisa, mas eu não vou desistir
Porque você sabe, você sabe, você sabe
Sasuke entoava a voz de uma forma perfeita para aquela música. Os olhos de Sakura já marejavam e sua garganta estava seca. Conhecia a letra e sabia do significado que carregava. Aquilo só deixava a apresentação mais linda.
Tão longe (tão longe)
Estive tão longe por muito tempo
Tão longe (tão longe)
Estive tão longe por muito tempo
Gaara era quem se prontificava a fazer uma voz de apoio. A sonoridade era inexplicável. Sakura se arrepiava em seu assento.
Mas você sabe
Você sabe
Você sabe
Eu queria
Eu queria que você ficasse
Porque eu precisava
Eu preciso ouvir você dizer
Que eu te amo
Eu te amei o tempo todo
E eu te perdoo
Por ter ficado tão longe por muito tempo
Uma pequena veia já saltava no pescoço de Sasuke. Ele dava tudo de si àquela música. Era apaixonante vê-lo tão envolvido. Sakura mexia seus lábios inconscientemente, acompanhando a letra.
Então continue respirando
Porque eu não vou mais te deixar
Acredite e se segure-se em mim e nunca me deixe ir
Mantenha a respiração
Porque eu não vou mais te deixar
Acredite, se segure em mim e nunca me deixe ir
(Continue respirando) Segure-se em mim e nunca me deixe ir
(Continue respirando) Segure-se em mim e nunca me deixe ir...
A rouquidão sensual daquela voz que soava tão distante para a garota se dissipou em questão de segundos. Quando voltou a si, ouvia gritos e palmas vindos de um dos cantos do pub.
Ao olhar, percebeu o rapaz alto e loiro ajoelhado e pedindo a mão da moça que, pelo que havia entendido, chamava-se Susan.
Os grandes olhos azuis dela cintilavam e o sorriso bobo não deixava o rosto do rapaz.
— É claro que eu me caso com você! — e o homem se levantou e a abraçou com força, fazendo todos os presentes assobiarem, gritarem e baterem ainda mais palmas.
— Tudo bem, Sakura? — ouviu a voz de Tenten extremamente perto e se assustou.
— Ai... Eu... — sentiu os próprios olhos úmidos. — Eu me emociono fácil, só isso... — sorriu e ajeitou-se na cadeira.
Assim que todos se acalmaram, Karin voltou ao palco para continuar o show.
Sakura então se sentiu desgostosa. Adoraria que somente os rapazes cantassem o resto da noite.
Não que não gostasse de Karin, afinal, ela a achava uma excelente cantora. Mas, depois de ver e ouvir o que os rapazes faziam sozinhos, seu queixo fora ao chão.
Mas, afinal, quem ela era para opinar alguma coisa?
Não que ela soubesse, mas ela era muita coisa.
Muita coisa.
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