Closer

28 Estranhezas


Notas iniciais
INHAÍÍÍÍÍÍ Será que eu demorei? rs Pessoal, eu nem ia postar hoje. Pra ser bem sincera, eu tava extremamente travada, especialmente pelo famoso nervosismo pré-enem (não aguento mais aaaaa) e pensei em me dedicar a esse capítulo e aos próximos só quando acabasse tudo isso. PORÉM, como não sou eu que mando na inspiração e ela vem quando bem entende, ontem não me segurei e finalizei esse capítulo. Pra me redimir pela demora, fiz bem grandinho ♥ SÓ RECAPITULANDO O CAPÍTULO ANTERIOR: A banda tocou no festival, Karin se redimiu e Gaara e Ino entraram numa briguinha pessoal que ainda vai dar dor de cabeça pra esses dois. Ah, é! Antes que eu me esqueça: vi que gostaram bastante da ideia da playlist e criei uma PLAYLIST OFICIAL DE CLOSER com todas as músicas que já apareceram por aqui. Estão por ordem de aparição. De agora em diante, atualizarei a playlist sempre que uma música nova surgir, sim? E, em caso de shows com setlist elaborada, podem ficar tranquilos que farei uma playlist separada, assim como fiz no capítulo passado. Deixarei o link disponível lá nas notas finais, certo? CHEGA DE ENROLAR! Fiquem com mais um capítulo de Closer Espero que gostem. Tenham uma boa leitura ♥

O dia havia amanhecido perfeito. O sol estava na medida, o clima, agradável e não havia nuvens no céu.

Entretanto, para qualquer bebum levantando de ressaca, aquele seria o pior dia de todos.

Gaara acordou com o sol batendo em seus olhos e o barulho de um chuveiro sendo usado. A luz invadia o quarto pelas frestas da persiana e machucavam sem dó sua visão ainda turva. O som das gotas caindo no piso ecoava tão alto em sua mente que pareciam estar tomando banho ali, ao seu lado.

Notou de novo as persianas e estranhou. Ele não tinha persianas em seu quarto. Onde estava?

Esfregou os olhos e grunhiu, virando-se na cama macia e apertando o nariz contra o travesseiro cheiroso.

Inalou aquele cheiro. Cheiro de mulher. Foi impossível segurar o sorriso. Não se lembrava de muita coisa, só de apostar com Ino que conseguiria passar a noite com uma garota lindíssima que vira no festival. Nathalie, se não lhe falhava a memória. Também se recordava de ir com Ino e a garota para o bar principal do local. Acabou se engalfinhando em outra apostinha ridícula com a amiga loira e beberam além da conta.

Aquilo explicava a dor de cabeça e a mente ainda meio nublada.

Certo, havia ficado bêbado, mas não o suficiente para se esquecer da noite maravilhosa com a tal garota. Não se recordava dos detalhes, mas sabia que havia gozado ao menos duas vezes. Ino morreria de inveja. Estava louco para esfregar na cara dela que ele tinha se embrenhado nos lençóis enquanto ela era quem ficava em casa e chupava o dedo.

Conseguiu puxar a imagem de Nathalie o convidando para sua casa. Porém, tinha quase certeza de que não estavam só os dois. Podia jurar que tinha uma terceira pessoa.

Ouviu o chuveiro fechar e abriu os olhos. E qual não foi sua surpresa ao ver outra beldade deitada ao seu lado?

Ah, sim! Suas lembranças vinham cada vez com mais força. Sorriu ainda mais. Era um desgraçado sortudo. Uma saía do banho e outra estava ali, provavelmente também nua e ainda ressonando tranquilamente.

A moça ao seu lado estava de costas, mas pôde apreciar o longo cabelo dourado caindo sobre suas costas.

Aproximou-se da dona dos fios louros e passou o nariz sobre a pele nua de seu ombro exposto. Conseguia enxergar a cintura fina e a curva do seio à mostra. Ouviu um abafado gemido seguido de um risinho. Aproveitando sua ereção matinal, fez menção de roçar o quadril contra ela, mas parou no momento em que ela resolveu falar.

— O chá de boceta de ontem não foi o suficiente, meu anjo? Ainda quer mais, é? — A malícia na voz era palpável e, com toda certeza, Gaara investiria naquela foda matutina com vontade.

Só tinha um problema.

Ele reconheceria aquela voz sacana em qualquer lugar.

— Ino? — Afastou-se imediatamente, levando a mão à boca.

A loira se virou de repente. Os olhos azuis o encaravam tão incrédulos quanto os dele. Ino prontamente puxou o lençol que descansava em seu quadril, tampando sua nudez.

— Gaara? — Quase berrou. — Que porra...? — Ela olhou para baixo. — Sai com essa sua rola fedida daqui — Usou o pé para chutá-lo pela coxa e Gaara, ainda aturdido, apenas rolou feito uma jaca para o chão.

Caiu totalmente nu perto do criado-mudo. A cabeça girava cada vez mais.

Ajoelhou-se apressado e apoiou os cotovelos na cama, olhando Ino com a mesma cara estupefata que era encarado. Puxou um travesseiro e se cobriu. Ino era sua parceira de caça, jamais faria aquilo com ela!

— Eu não sabia que era você, isso não foi por sua causa eu… — tentava se explicar e apontava para baixo, porém, se embananava todo. — O que diabos você está fazendo aqui?

— Eu? Eu estou acordando depois de uma foda maravilhosa com uma garota gostosa e um provável estranho depois de um threesome bi. E você, seu puto? O que pensa que está fazendo aqui? — Ino pouco se importava se aquilo era um apartamento ou se tinha vizinhos. Berrava como louca com Gaara que também estava tão confuso quanto ela.

— Ah, vejo que já acordaram — os dois pararam na hora com a briguinha e encararam a garota enrolada em uma toalha que entrava no quarto. — Estou tão feliz que finalmente estão em pé — ela olhou para o estado de Gaara. — Em todos os sentidos… — riu maldosa. — O que acham de repetirmos a dose?

— O quê? — Ino se encolheu ainda mais. — Ele… Nós… — apontava para si e, depois, para Gaara.

— Ah, não! Ino, por Deus! — Ajoelhou-se no colchão e foi caminhando até ela. — Ele não fez nada com você. Não se tocaram uma só vez. Mas podemos fazer como ontem…

— Como… Ontem? — Gaara tentava se lembrar como exatamente havia sido o “ontem”.

— É… — ela levantou o corpo e arrancou a toalha, revelando sem vergonha alguma seu corpo ainda úmido. — Gostei de ficar no meio. Você me fode e eu fodo ela.

Ino engoliu em seco. Já sentia o fogo subindo.

— O que acha, hm? — Ela enrolou uma mecha loura nos dedos e Ino sorriu.

— Se me prometer um momento a sós depois… — mordeu os lábios enquanto ela ria e confirmava. — Não ouse encostar em mim, ouviu? — Apontou para Gaara e ele acenou positivamente.

— Jura não contar pra ninguém? — Gaara perguntou.

— Juro — Ino confirmou.

— Chega de diplomacia, vamos ao que interessa — a garota estava sedenta.

E não demorou para que estivessem no 2ª round.

— ὡѼὠ —

Sakura estava estranha. Não um estranha na aparência ou no jeito de andar ou falar. Estava simplesmente estranha. Porém, parecia que o único capaz de notar aquilo era Sasuke.

Oh, mas é claro! Afinal ela só estava estranha com ele.

Desde o show ela andava o evitando. No começo da semana, Sasuke pensou ser coisa da sua cabeça. No meio, logo relacionou aquele afastamento com as provas que Sakura provavelmente estava enfrentando. Mas a realidade o acertou em cheio naquele sábado.

Naquele fatídico sábado, quando Sakura pediu a opinião de todos os rapazes da casa sobre o que fazer para o almoço.

Riu de Naruto quando ele sugeriu macarrão instantâneo e fez a maior cara de satisfação do mundo quando Gaara disse “escondidinho de frango”. Contudo, quando Sasuke disse que adoraria uma salada de tomates para acompanhar, ela desviou o olhar e desmanchou o sorriso que ostentava em seu rosto e apenas falou:

— É, pode ser…

Mas que porra estava acontecendo?

Tá certo que Sasuke nunca fora um exemplo vivo de animação como Naruto com sua sugestão e também não havia dito com a mesma vontade que Gaara. Mas receber uma resposta daquelas da garota que lhe sorria desde o momento em que pusera os pés naquela casa? Não. Absolutamente não.

Algo estava errado. Sakura estava claramente tentando afastá-lo e, não que ele ligasse — é óbvio que não ligaria caso aquela garota irritantemente maravilhosa estivesse o evitando —, mas daria um jeito de descobrir o motivo.

Estava lá, sentadinho no sofá, fingindo que nada se passava pela sua cabeça, enquanto maquinava mil e uma formas de descobrir o que estava acontecendo com Sakura.

De canto de olho, Sasuke tinha a visão das costas da garota que, distraidamente, espetava com o garfo algumas batatas que cozinhavam numa panela no fogão. Soube no mesmo momento que ela cantarolava alguma música em sua mente, visto que os quadris balançavam suavemente e os braços estavam mais agitados que o normal.

Então algo passou pela cabeça dele. Será que Sakura estava daquele jeito pelo tapinha na bunda antes do show?

— Sakura, está difícil — Sasuke ouviu a voz de Naruto reclamando.

O loiro havia resolvido que ajudar Sakura com o escondidinho seria ótimo. Na teoria, tudo ficaria lindo. Porém, na prática...

— Você mais atrapalha que ajuda, Naruto! — Sakura ralhou. — Se não consegue desfiar o frango, dá aqui que eu desfio! Vai cortando a cebola.

— Cebola me faz chorar — fez uma careta.

— Tsc, deixa que eu corto — Sakura se assustou com a repentina aparição de Sasuke na cozinha.

Até mesmo Sasuke havia estranhado. Quando mesmo tinha deixado o sofá para entrar ali?

— Como quer? Em rodelas? — ajustava a cebola em cima da tábua de madeira na pia, bastante próxima de Sakura.

— Em cubinhos — respondeu baixinho, evitando se virar.

Sasuke apertou os olhos enquanto ia até a bancada pegar tudo o que seria necessário.

— Cubos grandes? — Abriu a gaveta ao lado de Sakura, procurando por uma faca. Percebeu como a proximidade fazia com que ela encolhesse os ombros.

Estava tensa.

— Pequenos — disse rápido, quase como se quisesse se livrar daquela conversa.

Sasuke fechou a gaveta e, apenas para torrar mais a paciência de Sakura, tocou-lhe nas costas, espalmando a mão desocupada contra o meio de suas omoplatas.

— Pode deixar — falou tão baixo que Sakura não ouviria se a voz de Sasuke não tivesse saído tão profundamente grave.

E saiu, sentando-se ao lado de Naruto e cuidando do seu trabalho.

Sakura fechou os olhos com força quando Sasuke se afastou e conseguiu relaxar os músculos que havia retesado. Até a respiração estava presa, por Deus!

A realidade era que Sakura não estava brava. Não estava irritada.

Estava mexida.

As palavras de Karin ainda martelavam em sua mente. Pelas palavras da nova amiga, ela havia fantasiado um relacionamento com Sasuke e o idealizado, mesmo sabendo e sendo avisada desde o início que não tinham nada sério. Então não seria exatamente um problema ficar tão próxima do Uchiha turrão, certo?

Errado.

E se acabasse rendida aos feitiços daquele cara chato com as covinhas mais lindas que já havia visto? Seria bom que usasse a experiência de Karin como aviso. Caso acabasse criando sentimentos mais fortes, Sasuke não os corresponderia e Sakura definitivamente não tinha espaço em sua agenda para um coração partido.

É. O melhor era manter distância. Ao menos até todo aquele calor em seu peito baixar e eles poderem conversar apenas como bons amigos.

O problema era que, justamente por estar o evitando, Sakura nem mesmo percebia como sua falta estava deixando Sasuke irritado.

Absorta em pensamentos e ocupada demais desfiando o bendito frango, só se lembrou de que estava na cozinha acompanhada por dois rapazes quando ouviu uma fraca fungada.

Depois dela, mais duas um pouco mais fortes.

— Cara, cê tá bem? — Ouviu a voz de Naruto vacilar e virou-se pros dois.

— Tô. Por quê? — Sasuke respondeu rude, porém, fungou novamente.

— Nada, é que… — Naruto, que ralava um generoso pedaço de queijo, desviou os olhos para Sakura.

— Sasuke, você tá… — ela se aproximou, esquecendo todo e qualquer limite que sua própria mente havia estabelecido. — Você tá chorando? — Secou as mãos no pano de prato jogado em seus ombros e delicadamente tocou-lhe no queixo.

Sasuke ergueu os olhos marejados, fungou mais uma vez e passou grosseiramente as mãos pelas bochechas, estranhando senti-las úmidas. Não estava com a voz embargada, tampouco com cara de choro. Apenas os olhos fartos d’água denunciavam sua situação.

— Acho que também não sirvo pra cortar cebola… — outra fungada e Sakura mirou a cebola parcialmente cortada.

Naruto riu alto. Riu até que sua gargalhada escandalosa contagiasse Sakura e tirasse um riso contido de Sasuke.

— Vocês são dois bundões! — Sakura puxou uma cadeira ao lado e tirou a faca das mãos de Sasuke. — Qual a dificuldade de picar uma cebola à brunoise? — com habilidade, Sakura cortava a cebola em pequeninos cubos.

Bru o quê? — Naruto fez uma careta engraçada.

Brunoise. É quando se corta os vegetais em cubinhos bem pequenininhos — explicou com paciência, finalizando com a cebola.

— Ué, você não chorou — mais uma observação de Naruto que arrancou uma risada de Sakura.

— Eu não choro cortando cebolas — declarou e voltou para perto do fogão carregando a cebola e uns dentes de alho consigo. — Vão ficar na cozinha muito tempo? Não gosto de cozinhar com plateia — reclamou já de costas.

Só não queria que Sasuke continuasse a lançar-lhe aquele olhar estranho.

Com um suspiro resignado, Sasuke se levantou e chamou Naruto. Em poucos minutos, estavam jogados na frente do sofá e Sakura pôde se concentrar única e exclusivamente no almoço.

A cabeça de Sakura estava a mil. Pensou se seria bom conversar com Karin e entender tudo direitinho, mas o que ela pensaria? Que ela já estava de quatro pelo garoto? Não, a melhor solução era fazer o que sempre fazia.

Reprimir.

Na sala, Naruto trocava incansavelmente de canal e, mesmo após rodar todos eles ao menos três vezes, não ouviu um resmungo sequer vindo do amigo.

Sasuke estava bastante distraído. Os olhos continuavam presos à televisão, porém, nem mesmo saberia dizer o que estava passando. Naruto aproveitou a distração e o acertou com uma almofada bem na cara.

— Imbecil! — Sasuke xingou, lançando o pequeno travesseiro de volta.

— Tá viajando aí por quê? Deu um tapa escondido, foi?

— Tsc, não é nada… — olhou de relance para Sakura na cozinha. — Quando a Hinata te dá um gelo, o que você… — não pôde terminar.

— Hina não me dá gelo.

— Ok, e se ela ficasse, sei lá… Estranha com você, o que você faria?

— Por quê?

— Nada — fez-se de desentendido.

— Eu provavelmente nem perceberia e ela esqueceria uma hora ou outra — riu. — Mas esse não é o caso da Sakura.

— O quê?

— Poupe-me, Sasuke. Tem que ser muito tonto pra não perceber — continuava trocando de canal. — Sabe que Sakura e Karin estão amigas agora, não sabe?

— Desde quando?

— Desde o festival. Elas se encontraram lá e Karin foi se desculpar por ter sido uma pessoa má no passado — Sasuke assentiu. Sabia que Karin estava fazendo isso e ele fora um dos primeiros a apoiá-la na jornada de autoconhecimento.

Por mais que nunca tivesse dado falsas esperanças a Karin, por mais que tivesse deixado tudo bem explicitado desde o início das ficadas sem compromisso, ainda se sentia um merda e não podia deixar de ver sua parcela de culpa naquilo. Mesmo que ela, depois do início de suas consultas, insistisse em dizer que não, Sasuke sabia que não era isento de responsabilidade. Por isso, decidira que ajudaria a garota no início daquilo.

Apresentá-la ao seu colega de classe, Suigetsu, provavelmente fora a melhor coisa que fizera por Karin na vida. Ele sim retribuiria todo o carinho e amor ofertado.

Porém, se antes já estava confuso, depois de saber que o afastamento de Sakura era culpa de Karin, viu-se ainda mais perdido.

Achou que tivessem encerrado aquilo tudo como bons amigos. Por que Karin diria algo para que Sakura se afastasse?

— Estavam só sorrisos no bar depois da nossa apresentação. Todas as garotas — virou-se para encarar um Sasuke ainda mais pensativo. — Por que não fala com ela?

Naruto estava claramente falando de Sakura, contudo, não era nela que os pensamentos de Sasuke estavam.

— Tem razão. Vou falar com ela — Naruto se levantou e deu dois tapinhas no joelho de Sasuke.

— Eu vou estudar. Temporada de provas — e subiu escada acima.

Sozinho na sala, Sasuke sacou o celular e digitou uma mensagem rápida.

“Está ocupada? Encontre-me naquele café perto da sua casa. Preciso falar com você.”.

Sabia que não receberia uma recusa, então, sem nem se preocupar com a resposta, foi pegando suas chaves e saindo depressa.

Sakura só conseguiu ouvir a porta batendo pouco antes de colocar o tabuleiro com o escondidinho no forno.

Mordeu o lábio inferior. Talvez fosse mesmo bom que Sasuke não almoçasse consigo.

De qualquer forma, deixaria uma travessa de tomates na geladeira. Apenas por consideração.

— ὡѼὠ —

Sasuke estava impaciente. Balançava a perna direita sob a mesa de maneira frenética. O café em sua xícara já havia acabado duas vezes. Varria todo o local com os olhos, apoiava a cabeça sobre as mãos e suspirava.

Karin nunca fora um exemplo de pontualidade.

— Sasuke, desculpe pela demora! — Ergueu os olhos ansiosos para Karin quando ela sentou-se à sua frente sem aviso prévio. — Acabei de ver a mensagem. Estava com uma amiga, eu-

— Por que Sakura está me evitando? — Karin, que ajeitava os cabelos enquanto tagarelava, calou-se diante da pergunta tão direta e estranha.

— Ora, como vou saber?

— Soube que são amigas agora.

— Ah, sim! Já fui até convidada pra sair amanhã com ela e as garotas. Aquela terapia realmente tem sido ótima, Sasuke. Não sabe o quanto lhe agradeço por ter me dado todo o apoio no começo. — disse sincera. Era realmente grata. — Quando contei a Sakura sobre como você tinha me ajudado, ela quase não acreditou — riu.

— Você contou a ela? — Karin assentiu. — O que exatamente disse?

— A verdade — viu-o estreitar os olhos. — Sasuke, se acha que eu falei mal de você apenas para empatar a sua foda, saiba que está muito enganado — falou sem rodeios. — Aliás, por que está tão preocupado com Sakura te evitando?

— Não estou preocupado. Acontece que dividimos um teto. Não quero ficar me estranhando com ninguém — passou a mexer na asa de sua xícara.

— Não teve problemas em “ficar se entranhando” quando ela se mudou. Vivia fugindo lá pro meu apartamento, a evitava a todo custo — ela riu audivelmente. — Ah, parece que o jogo virou! Sasuke, ela se tornou importante pra você, é?

— Você continua falando demais — decretou e Karin cruzou os braços, ainda com resquícios do riso nos lábios.

— Sabe, não é comigo que deveria estar falando. Mas, se quer saber, acho que você é bem burro se ainda não percebeu o óbvio — seu semblante se tornou sério. — Não está na cara, Sasuke? Ela não quer passar pelo que eu passei.

Sasuke murchou os ombros. Aquela culpa horrorosa o corroendo novamente.

— Karin, eu nunca-

— Larga de ser tonto, Sasuke! Ela não quer criar nenhum tipo de sentimento correndo o risco de não ser correspondida. Olha, eu pouco sei sobre ela, mas, levando em conta tudo o que sei sobre você… — Karin suspirou demoradamente. — Bom, ela não está totalmente errada, não é?

Sasuke ponderou por alguns segundos. Pelo que havia desvendado de Sakura nos meses que dividiram a moradia, pôde perceber que ela estava, em grande parte do tempo, sorridente. Se não, estava bronqueando a ele e aos outros por serem relaxados ou algo do tipo. Podia contar nos dedos as vezes que vira Sakura chateada ou realmente nervosa.

Sakura reprimia. Sakura evitava.

Sakura se afastava daquilo que julgava não lhe fazer bem.

Seria errado se esquivar disso? Mesmo sem nem mesmo ter certeza de que algo realmente pudesse feri-la?

— Entendo…

— Não precisa de muito pra perceber que Sakura não é nenhuma Hanna 2.0 pra você. Se quiser continuar com esse negócio de amizade, continue. Mas sabemos bem que é tudo pelo seu-

— Karin — cortou-a de repente e Karin sentiu as bochechas esquentarem.

— Desculpe. Sei que não devia ficar citando essas coisas — ele concordou com um simples aceno e a carranca imutável. — Conta pra ela.

Sasuke ergueu os olhos para Karin novamente.

— Acredite ou não, Sakura realmente é uma boa amiga. Não quero perder uma amizade certeira por nada incerto. — ele disse baixo, com os braços cruzados sobre o peito. — O que temos é muito bom.

— Pois é, né. Mas pode ficar melhor, não acha, bonitão? — Karin riu e viu seu celular apitar.

Ah, aquele bendito celular… Certas coisas jamais mudariam.

— Merda! É o Sui. Combinamos de passar a tarde com a mãe dele. Merda, merda. Estou atrasada. Preciso mesmo ir, Sasuke — levantou-se apressada com sua bolsa. — Beijos, gatinho — piscou humorada enquanto lançava o antigo apelido que Sasuke tanto abominava e sumiu da cafeteria rápida como um raio. Estava muito atrasada.

Sasuke soergueu o dedo indicador enquanto mirava a garçonete no balcão, sinalizando sua xícara logo em seguida. Passaria um tempinho por lá. Precisava pensar em algumas coisas.

Só esperava que tudo terminasse bem. Muito bem.

— ὡѼὠ —

— Preciso mesmo ir até a farmácia — Gaara pensava alto enquanto vasculhava suas gavetas. — Estou zerado de camisinhas de novo — ele suspirou.

Era a segunda vez só aquele mês. Normalmente tinha lá seu pequeno estoque, porém, com o sucesso que a banda vinha fazendo pela cidade, andava chovendo até demais em sua horta.

E, é claro, ele não seria nem bobo de recusar a chuva abençoada.

Tinha uma farmácia a um quarteirão dali. Passou pela sala e nem mesmo se deu ao trabalho de dizer algo para Naruto que ria abobalhado sem parar encarando a tela do celular. Provavelmente, estava flertando com Hinata.

Na drogaria, Gaara foi rápido e preciso. Não tinha nada errado em verem um rapaz saudável no auge de sua juventude enchendo uma pequena cesta de camisinhas de cores, sabores e sensações variadas. Porém, era sempre bom disfarçar.

Viu uma velhota o encarando de esguelha e pigarreou.

— Trabalho comunitário — tentou disfarçar e a velha saiu resmungando que aquela geração estava perdida.

Gaara suspirou e foi ao balcão de remédios. Talvez fosse bom pedir uns analgésicos.

Colocou a pequena cesta em cima do balcão e observou a moça de sorriso bonito e cabelos extremamente claros vindo em sua direção. Era rechonchuda e de longas unhas muito bem pintadas. A camisa branca com o logotipo da farmácia bordado no peito lhe caía muito bem. Antes que ela pudesse começar a passar a compra, ele lhe pediu os analgésicos e deu uma boa secada nos quadris avantajados balançarem numa ginga gostosa enquanto ela ia pegar seu remédio.

Na volta, permitiu-se admirar discretamente os grandes olhos amendoados e aparentemente divertidos.

— Uau, a noite vai ser agitada, hein? — Ela brincou enquanto cobrava e Gaara viu a chance de lançar seu sorriso mais canalha.

— Você não faz ideia.

— Precisa dos azuizinhos? — perguntou baixinho e discretamente.

— O quê? — Gaara riu, todo sedutor. — Ah, minha querida. Eu nunca… — foi interrompido pelo toque de seu celular que berrava no bolso de trás da calça. — Um minuto — Olhou o visor e revirou os olhos.

Com certeza ela só estava ligando pra saber se ele estava bem ou precisando de algo ou comendo direito ou qualquer coisa ridícula que responderia no automático.

Era sempre assim. Ao menos três vezes por semana ela ligava pra saber como andava seu querido irmãozinho caçula.

— Boa tarde, Gaarinha! Como anda meu irmão predileto? — A voz do outro lado da linha soava risonha.

— Deixa Kankuro te pegar dizendo isso — afastou-se um pouco do balcão. — Eu estou ótimo, Temari. Estou meio ocupado agora, então…

Nem pense em desligar. Tenho ótimas notícias.

— Ah é? Quais?

Antes, me responda: quem é sua irmã predileta que consegue tudo o que você pede?

— Temari, você.. — se fosse sobre o que Gaara suspeitava, teria um treco ali mesmo.

Se eu consegui agendar um show pra vocês no Hooligans? Ah, se a pergunta for essa, saiba que a resposta é 100% afirmativa, maninho — Gaara não via, mas podia imaginar que Temari olhava as unhas com desdém naquele momento.

— Porra, Temari — Por um momento, se esqueceu que estava dentro de uma farmácia. — Eu não acredito, meu Deus. Os meninos vão surtar! Mas você especificou que a vocalista feminina não é realmente uma integrante?

Sim, senhor! Eles disseram que não tem problema algum. Adoraram o vocal masculino. Irão amar se forem só você e os garotos. Passei todos os seus dados pro pessoal. A partir de agora, é com você.

— Ah, cara. Eu te amo tanto…

Pra falar a verdade, não fiz quase nada. Tentei falar com aqueles esnobes, mas eles me mandaram deixar o perfil da banda com meu telefone. Acredita que me ligaram cinco minutos depois, praticamente implorando atenção? Eles queriam muito entrar em contato com vocês. Também, depois daquele show que deram no festival aí da cidade, eu também ficaria…

— Como eles sabem do festival? Mandaram algum olheiro?

Gaara, você é idiota? Não sabe usar a internet? Ainda não viu o vídeo que postaram de vocês? — Gaara assustou-se.

— Vídeo? Que vídeo?

Jesus! Sai desse seu mundo do sexo e promiscuidade! É só pesquisar “Nameless” no YouTube — ela bufou. — Vou te mandar o link junto com as informações certinhas, ok? Estou de namorado novo e ele está me esperando. Beijos — se despediu.

— Até, mana... — virou-se para a atendente que continuava com o sorriso e já segurava uma sacola com tudo que era de Gaara.

— Aqui está — ela lhe ofertou a sacolinha. — Você era o guitarrista daquela banda que tocou no festival, né? Nameless — Gaara assentiu, ainda sorrindo. — Puxa, vocês tocam muito. Amei o vocal da garota de cabelo cor-de-rosa.

— Ah, é? E do guitarrista? O que achou dele? — Gaara espichou o tronco e o apoiou sobre o balcão, olhando-a de baixo e arrancando um riso encantador da garota.

— Eu achei que ele estava excepcional. Só teve um problema — Gaara franziu as sobrancelhas. — Ele era muito bonito pra ficar tão afastado da borda do palco. Quase não pude apreciar a vista… — o que ela dizia quase não combinava com as bochechas extremamente rubras.

Provavelmente estava tirando coragem de sabe-se lá onde para dizer aquilo.

— Se quiser, pode apreciar a vista ainda mais de perto. O que acha?

E Gaara deixou a drogaria com um estoque de preservativos, um show espetacular agendado e o número de uma garota.

— Eh, até que valeu a pena sair de casa — sentiu o celular vibrar e rapidamente o sacou com a mão desocupada.

Eram mensagens de Temari com números, e-mails, datas e horários. Sua irmã era extremamente eficiente e organizada com essas coisas. Ela ainda estava digitando. Teria mais detalhes para mandar?

Já ia guardar novamente o celular, até estancar no lugar com as mensagens que chegaram logo em seguida.

“Ah, meu namorado novo vai comigo, certo? Então tratem de tocar muito bem. Afinal, não é todo dia que Shikamaru Nara praticamente implora pra ver uma banda amadora só por ter adorado o som que ouviu em um vídeo”.

E, abaixo da mensagem, o link do vídeo tão falado pela irmã.

Gaara abaixou o smartphone. Estava atônito. Ficou bons segundos encarando a rua e seu movimento sem realmente prestar atenção. O nome do namorado da irmã ainda rodava em sua mente. Quase podia ver as letras que formavam o nome flutuando bem diante de seus olhos.

Sua bandinha de garagem tocaria para Shikamaru Nara.

Shikamaru. Nara.

— Puta que pariu…

Notas finais
EITA... Vocês lembram quando eu disse que todos os acontecimentos do Festival teriam consequências? Pois é, já começaram rs E, FINALMENTE, MINHA DEUSA TEMARI APARECEU AAAAAAAAAAAAA Eu não via a hora, sos. E, de brinde, ainda trouxe Shikamaru junto. MEU SHIKATEMA VIVÍSSIMO ♥ Quanto ao impacto do nome de Shikamaru Nara sobre Gaara: FIQUEM TRANQUILOSSSS. Tudo será explicado. Tintim por tintim. Ah, sim! O link da playlist já está disponível no Spotify: https://open.spotify.com/user/22kzyrqbq7ppt445y6v42qiti/playlist/1pyZmqY3wIK9ln6V9HIY4G (caso prefiram pesquisar, o nome da playlist é "Playlist Closer") COMO EU NÃO SABIA SE A PLAYLIST NO YOUTUBE TAMBÉM SERIA NECESSÁRIA, EU NÃO FIZ. Porém, por favor, caso alguém prefira, eu disponibilizo ela lá, também. NÃO HESITEM EM PEDIR. Farei com o maior amor do mundo ♥ Espero que tenham gostado desse capítulo! Prometo que posto o próximo assim que ele ficar pronto. Só mais uma coisinha! O Halloween acabou de passar e, como grande fã da data, postei uma one especial de halloween. Caso se interessem pelo assunto e queiram dar uma olhadinha, vou deixar o link aqui: https://fanfiction.com.br/historia/745687/Glommy_Sunday/ Mil beijos e até o próximo ♥