Closer

29 A imprevisibilidade de Sakura


Notas iniciais
BOA NOITE, SHINOBIS E KUNOICHIS Boa noite pra quem estiver lendo agora à noite, né. Pros outros, bom dia. Bom, pra quem estava curioso sobre a história de Sasuke, é nesse capítulo que as coisas começam a clarear. SOBRE A PLAYLIST: Alguns leitores pediram nos comentários que eu disponibilizasse também no Youtube. Outros mandaram até MP pedindo pra que eu fizesse e, bem, eu fiz. INCLUSIVE FIZ NO MESMO DIA LOGO QUE POSTEI O ÚLTIMO CAPÍTULO KKKKKKKK SOS Então, pra quem quiser o link da playlist no youtube, vou deixar nas notas finais. Lembrando que, conforme as músicas vão aparecendo aqui, vou adicionando-as nas playlists. Chega de enrolar. Fiquem com mais um capítulo de Closer que escrevi com muito carinho. Espero que tenham uma boa leitura!

Se a indústria musical pudesse ser dividida em reinos, o maior de todos os impérios já teria o nome marcado pelo mundo inteiro.

Senju Records. A maior e mais influente gravadora e produtora de músicas dos últimos tempos. Com franquias espalhadas não só pelo território nacional, como por boa parte do mundo, conquistava, a cada dia, mais e mais espaço no cenário fonográfico.

Melhor dizendo, era o próprio cenário fonográfico.

Os melhores artistas, contratos, hits e singles saíam de seus estúdios. E, obviamente, para a melhor gravadora, somente os melhores profissionais eram aceitos. Especialmente na divisão A&R — Artistas & Repertório —, onde os olheiros especialistas escolhiam a dedo os artistas que ascenderiam naquele lugar.

E, dentre todo o pessoal que trabalhava nessa parte específica da gravadora mais prestigiada do país, no topo estava ele. Shikamaru Nara.

Crescera rápido demais dentro da gravadora para a qual começara a trabalhar ainda bastante jovem, com seus 21 anos. Apenas seis anos depois, já era o jornalista musical e produtor de maior crédito dentro daquela divisão. Com os melhores contatos, melhor equipe, melhor desempenho e olhar mais crítico. De todos os artistas escolhidos, eram os dele que mais vingavam e traziam frutos espetaculares para Senju Records.

Em outras palavras, quem passava por Shikamaru, estava fadado ao sucesso eminente.

Contudo, mesmo não sendo fácil conseguir que Shikamaru notasse uma bandinha qualquer, era ainda mais difícil conseguir que fossem selecionados por ele.

E Gaara sabia disso.

Claro, pra quem está por fora dos bastidores do mundo da música, nomes de empresários, diretores musicais e jornalistas artísticos não são conhecidos.

Mas Gaara era quem cuidava dessa parte quando se tratava da banda que tinha com os garotos. Era ele quem corria atrás, quem fechava apresentações, quem recebia e fazia ligações. Era ele quem estava atento às chances e oportunidades e, com toda certeza, fazia pesquisas sobre tudo o que lhe interessava desse mundo.

Sabia o quanto havia tirado a sorte grande com aquela apresentação. E, por mais que todos os garotos estivessem pilhados com o show dentro de três semanas, Gaara com toda certeza era o mais nervoso com tudo aquilo.

Já estavam ensaiando há sete dias e tudo indicava que se sairiam muito bem. A qualidade do som estava perfeita. Não fosse por um Sasuke ainda mais mal humorado nos últimos dias e um Naruto que só faltava dormir na bateria, estavam beirando a perfeição.

— Uau! — Tenten os aplaudia eufórica após terminarem a última música do ensaio naquela noite de sexta. — Se esse tal de Shikamaru não fechar contrato com vocês, podem mandá-lo pro manicômio mais próximo!

— Não exagere, vai — Neji tentava disfarçar o sorriso enorme que carregava na cara.

Estava tão animado com tudo aquilo que mal podia se conter. Ah, se seu pai e tio pudessem vê-lo…

— Só nos perdemos um pouco no tempo da segunda estrofe. Alguém estava desmaiado em cima da bateria, não é? — Gaara disse alto e todos se viraram para Naruto, pegando-o no flagra de uma piscada suspeitosamente longa.

Ele quase babava nos pratos.

— Ah, sim. Desculpe, pessoal… Eu… — os olhos nem estavam abertos.

— Ele está em temporada de prova e não vai muito bem nessa matéria — Hina aproximou-se dele e embrenhou seus dedos nos fios dourados. — Ele não pegou nenhuma DP no último semestre e os pais ficaram muito orgulhosos e felizes. Está se esforçando pra não regredir — abaixou-se devagar e, carinhosamente, pôs-se a falar no ouvido dele. — Naruto, vamos subir. Você pode dormir aqui hoje.

— Hã? Ah, tá — levantou o corpo mole e Hinata o acompanhou pra dentro da casa.

— Eu nem sabia que o Naruto estudava de verdade — Ino debochou e todos a acompanharam numa risada. — Ainda está cedo. O que acham de dar uma saidinha?

— Nossa, eu topo. Essa semana foi um tédio — Tenten revirou os olhos e fitou o namorado. — Neji também vai.

— Eu vou? — Arqueou uma sobrancelha e Tenten franziu as dela. — É, eu vou.

— Com toda certeza! Eu mereço uma escapada ao menos hoje.

— Você escapa todo dia, Gaara — a loira jogou o rabo de cavalo para trás com um sorriso e encarou Sakura.

— Uma saidinha? Com você? Dispenso — Sakura fez uma careta cômica e Ino reclamou. — Eu prefiro ir pra casa. Você me dá essa carona esperta, Ino?

— Beleza. Pessoal, me esperem aqui. Eu só vou pegar minha bolsa e…

— Não precisa. Eu também vou pra casa, já te dou a carona — Sakura até ficou surpresa quando ouviu, talvez pela primeira vez na noite, Sasuke se pronunciar.

— Ah, tudo bem.

Sakura despediu-se de Ino com um sorriso ainda meio vacilante no rosto.

Ficaria sozinha com Sasuke dentro de um carro durante um bom período de tempo. Só torcia para que nada ficasse muito estranho.

Ainda tinha lá suas reservas quando o assunto era o cara bonitão e imprevisível, porém, que podia fazer? Dividiam um teto. Por mais que tentasse se esquivar, não seria rude ou grosseira.

O caminho até o carro pareceu uma tortura. Sasuke ia à frente com passos calmos. Quase como se apenas Sakura sentisse aquela tensão horrorosa.

“É coisa da minha cabeça”, ela pensava. “Sasuke está tão tranquilo… Eu devia fazer o mesmo”.

Tentou se ajeitar no assento de forma que ficasse confortável, mas estava sendo uma missão impossível.

Quando puxou o cinto para prendê-lo, sentiu a resistência. Estava travado. De novo.

Respirou fundo e tentou uma segunda vez. Continuou travado. Bufou e encostou a cabeça no encosto do banco antes de tentar uma terceira vez, puxando com toda sua força.

Nada.

— É brincadeira, viu… — resmungou e ouviu o risinho de Sasuke. — Que foi?

— Você é muito bruta.

— Ah, tenha paciência! Esse cinto tá achando que vou esfaquear ele! — puxou de novo e quase gritou quando foi impedida pela trava.

Estava nervosa e descontava tudo no pobre cinto.

Sasuke riu novamente e, assim como da primeira vez em que transportara Sakura em seu carro, ele se curvou sobre ela e passou o cinto com a habilidade que, aparentemente, faltava na garota.

Sakura achou graça na cena. Era cômico como os papéis haviam se invertido, sendo ela a mal-humorada daquela vez e Sasuke sendo quem carregava um risinho na cara. Mesmo sendo o mesmo cinto do mesmo carro no mesmo lugar.

Muita coisa havia mudado.

— Obrigada… — sussurrou incerta.

— Disponha — Sasuke voltou a respondê-la como vinha respondendo nos últimos dias: indiferente. Não queria passar a imagem de um cara que estava tão cabreiro com a situação.

Só torcia para que Karin não tivesse aberto a enorme boca para falar a Sakura sobre a conversa no café.

Sakura recostou a cabeça no vidro da janela e mirou a paisagem. O silêncio seria menos constrangedor se ela fingisse fazer alguma coisa.

Estavam sendo os piores 15 minutos de sua vida.

Sakura praticamente pulou do carro quando Sasuke estacionou.

Ele soltou um suspiro cansado quando já via Sakura destrancando a porta do sobrado. Bateu contra o volante antes de sair do carro com certa brutalidade. Estava sendo cada dia mais difícil fingir que não notava o quanto Sakura se esquivava.

Passou pela porta da frente meio bravo, meio querendo disfarçar. Sakura estava sentada no sofá, tirando seus sapatos com toda a calma do mundo.

— Sasuke, pode trancar a porta? — Pediu de olhos ainda fixos nos cadarços interessantíssimos de seu sapato.

— Não posso. Preciso deixá-la aberta. Assim você tem pra onde fugir, hein? — Soltou ácido.

— O quê? — Sasuke esmurrou-se internamente por não ter segurado a língua na hora.

— Nada. Não foi nada — estalou a língua o céu da boca e Sakura se levantou.

Tinha certeza de que ela iria para o quarto, contudo, o que ela fez o surpreendeu ainda mais.

— Por que procurou Karin?

Era oficial. Mataria Karin.

Como se Sakura adivinhasse o que se passava pela cabeça de Sasuke, respondeu sem pensar duas vezes:

— Amigas conversam, Sasuke. Eu e ela somos amigas agora — cruzou os braços em frente ao peito.

— Você tá toda estranha com o pessoal e, como são tão amigas, pensei que ela pudesse me dizer o motivo — Sasuke pôs uma mão no bolso traseiro da calça e, meio sem jeito, desviou os olhos para qualquer outro lugar do cômodo.

Oh, ele estava sem graça?

— Não estou estranha com o pessoal

— Dá no mesmo.

Sakura passou as mãos pelos cabelos. Não acreditava que estava realmente tendo aquela conversa com Sasuke e que ele estava tão ou mais desconfortável que ela, mas não desistiria enquanto não conseguisse aquela Sakura toda cheia de sorrisos para si novamente.

— Ela te disse alguma coisa? — ele assentiu. — Não sei o que pensar.

— Não pense.

— Certo, tem razão — ela andou alguns poucos passos até ele. — Por que procurou por ela?

— Eu já disse! Você estava… — sua voz morreu na garganta ao sentir Sakura agarrar com tudo a gola de sua jaqueta com ambas as mãos.

— Por quê? — repetiu devagar.

— Porque eu me importo! Não queria que… — mais uma vez, calou-se.

Ora, ora. Pra quem gostava de pagar de bonzão, Sasuke estava bastante vacilante ali.

— Não queria o quê? — Ele não respondeu, então Sakura apertou ainda mais o tecido entre seus dedos.

Sakura falava baixo, mas soava deveras ameaçadora. As sobrancelhas encrespadas denunciavam bem sua confusão e ira. Porém, como o bom observador que era, Sasuke não pôde deixar de notar o cheiro gostoso que dela emanava. Sakura sempre tivera um perfume bom bastante característico. Não sabia se era uma colônia, shampoo, algum creme, o amaciante pra roupas ou qualquer produto do tipo. Podia dizer com exatidão todas as vezes em que notara uma mudança de fragrância. Contudo, mesmo assim, o aroma continuava sendo tão único e distinguível que era assustador.

Ele sabia quando o cheiro era dela.

E, se não estivesse o sentindo tão forte naquele momento, duvidaria de que era Sakura ali, com cara de raiva contida e quase o apertando pelo pescoço.

Ele não respondeu. Continuou em silêncio. Mas não por maldade. Apenas ficara sem fôlego diante daquela atitude.

Puxou-o um pouco mais. Sasuke podia até estar surpreso, mas não deixaria que sua cara transparecesse cada pêlo arrepiado pelo corpo.

— Você tem muita sorte.

— Sorte?

— Fizeram uma ótima publicidade sobre você. Talvez não seja tão ruim assim não pensar.

E, para Sasuke, o que se seguiu foi uma enorme surpresa. Ele não esperava aquilo vindo da garota que se afastara há alguns dias.

Sakura o confundia.

No entanto, ela já estava planejando aquilo há um tempinho. Vinha tentando pesar na balança os prós e contras, pensava se seria egoísmo, se poderia voltar atrás caso desse errado, se pisaria em ovos.

No fim das contas, descobriu a resposta. O melhor era deixar que o curso do rio a levasse. E eram nas águas turbulentas de Sasuke que queria navegar.

Terminou de puxá-lo com tanta força que seus queixos quase se bateram. O encontro dos lábios foi desesperado, ansioso, marcante.

Era o 4º beijo. Ela ainda estava contando. Era como se provassem da intimidade do 3º com a intensidade do 1º.

Ela estava tão faminta e impaciente que pouco se importou quando Sasuke grunhiu ao ser jogado no sofá. Caiu sentado, com as costas apertadas contra o encosto. Só teve tempo de fechar e abrir os olhos por conta do baque. Sakura subiu em seu colo com pressa. Uma perna em cada lado, assim como no dia do karaokê. Ia se perdendo no beijo caótico onde eram osculados lábios, bochechas e pescoço.

Sasuke nem mesmo sabia onde pôr a mão. Era a primeira vez que Sakura tomava a iniciativa do beijo e estava saindo melhor que a encomenda. Não imaginava que ela pudesse ser ousada ou atrevida aquele ponto.

Arfou rouco quando Sakura soprou contra seu ouvido e desceu as mãos espalmadas pelos ombros até enfiá-las por baixo da jaqueta.

Sakura não carregava muitas atitudes dos tempos em que se perdia em drogas e orgias. Porém, já havia provado que era impossível mudar seu comportamento sexual.

Sempre fora muito erótica em sua intimidade e sempre seria daquela maneira. Com manias e trejeitos que — e Deus sabia o quanto — estavam deixando Sasuke aturdido e duro.

Duro pra caralho.

E, pelo andar da carruagem, ela estava apenas começando.

Sakura sugou-lhe o lábio inferior de maneira devassa, com direito a uma mordida no final. Os olhos fechados se abriram bem pouco e vagarosamente, para total perdição do rapaz completamente enfeitiçado. Quando ela abriu a boca para dizer algo, a porta foi aberta.

Sakura saltou para fora do colo de Sasuke e passou a mão pelos cabelos, enquanto Gaara entrava totalmente alheio aos últimos acontecimentos.

— Ai, ai. Esqueci minha carteira. Preciso ser rápido. O pessoal está… — ele olhou uma Sakura em pé com um sorrisinho na cara e cabelos despenteados e um Sasuke ainda parado no sofá a encarando. — Tudo bem?

— Devia ter trancado a porta — Sakura sibilou para Sasuke e limpou a garganta. — Beba umas cervejas por mim, Gaara.

E, ainda sorrindo, Sakura subiu para seu quarto como se nada tivesse acontecido.

— Eu não sabia que estavam se pegando — Gaara quebrou o silêncio que se instaurou com a partida dela.

Sasuke ainda estava com certa dificuldade de filtrar tudo aquilo.

— Acho que preciso dar uma saída…

— Vai sair com a gente? Estamos indo num bar que-

— Não. Preciso visitar um lugar específico — Gaara assentiu pacientemente e observou Sasuke ajeitar a jaqueta no corpo e sair com certa pressa da casa.

Só saiu de sua posição quando não ouvia mais o ronco do motor do carro do amigo.

Sorrateiro, subiu as escadas e, em vez de ir para seu quarto pegar a bendita carteira, esgueirou-se até a porta de Sasuke e quase berrou de felicidade ao encontrá-la aberta.

Varreu o local com os olhos. Não precisou de muito esforço para encontrá-lo. O caderno negro de Sasuke estava fechado em cima da escrivaninha.

Agarrou o pequeno tesouro e foi até a porta de Sakura, batendo e esperando ser atendido.

Sakura abriu a porta com um riso maldoso enfeitando a face. Gaara não soube dizer se aquele sorriso era um convite para entrar ou um deboche escancarado. Todavia, de uma coisa tinha certeza. O sorriso não era pra ele.

— Gaara? — Sakura olhou por trás do ombro do amigo, desfazendo o sorriso. — Achei que você já tivesse ido…

— Ah, não. Quem saiu foi o Sasuke. Ele disse que precisava passar em um lugar — viu os cantos da boca de Sakura se erguerem minimamente outra vez.

— Entendo…

— Toma — ele lhe estendeu o caderno de Sasuke.

— O que é isso?

— O caderno de composições do Sasuke. Sabe, não é só Ino que já está farta desse chove e não molha — enfiou as mãos nos bolsos da calça e recostou-se na parede à sua direita. — Leia algumas composições. Quem sabe não entende mais daquela cabeça estranha?

— Puxa, eu…

— Só não deixa ele te pegar lendo isso. Eu vou indo. Só aceitei sair com o pessoal pra encontrar uma pessoa em específico — o sorriso não mentia. Gaara tinha um encontro marcado.

Ele se foi e Sakura ficou lá. Sozinha e com o caderno de Sasuke nas mãos.

Pensou em devolvê-lo. Fez menção de que ia. Andou até a porta do quarto dele, mas, quando estava para entrar, abriu o caderno e começou a lê-lo.

“Só uma musiquinha não faz mal...”.

Um caminho sem volta.

— ὡѼὠ —

Sasuke parou o carro, olhou para fora e respirou fundo três vezes antes de abrir sua porta.

Fechou os olhos e tomou fôlego mais uma vez antes de passar pelo enorme portal de madeira da grande igreja.

Esquadrinhou todo o enorme local e viu alguns fiéis ali. Uns sentados nos bancos de madeira e orando. Outros, ajoelhados. Não passavam de cinco pessoas e ao menos quatro eram doces velhinhas.

Deu de ombros e seguiu caminhando. Não era ali que ficaria.

Seguiu seus pés até que parou diante de uma porta que dava acesso a parte traseira da igreja. Ele sabia que aquela porta sempre ficava destrancada, mas, ainda sim, suspirou de alívio ao conseguir abri-la.

Teve o vislumbre da pequenina capelinha escondida. Era fechada e os poucos assentos nem mesmo chegavam a ser grandes bancos. Eram apenas algumas cadeiras de madeira desgastada pelo tempo. O altar era pequenino e simples, com uma bonita toalha de renda caindo em cascata pelo palanque. Uma bíblia velha aberta em um salmo qualquer e uma vela já pela metade e apagada.

Sasuke jamais fora um rapaz religioso. Nem mesmo acreditava na existência de um deus ou algo do tipo. Mas ele acreditava.

Seu precioso irmão.

E se aquilo o deixaria mais próximo do querido ente que partira cedo demais, o faria sem pensar duas vezes.

Seu falecido irmão havia sido velado e enterrado na cidade natal. Porém, enquanto estava hospitalizado após sofrer um terrível acidente, chamara Sasuke e lhe dissera algumas palavras.

“Posso deixar essa terra, mas nunca deixarei você. Quando eu for e você precisar conversar, acenda uma vela pra mim em qualquer capela velha. Vou correndo pra te ouvir.”

Infelizmente, não resistiu. E Sasuke jamais esqueceria aquelas palavras.

Puxou um isqueiro do bolso traseiro e acendeu a vela que ainda restava ali no altar. Sasuke jamais sentira forças divinas por ali e achava que todo esse tipo de coisa era conto da Carochinha. Contudo, era calmo, tranquilo e, mesmo não sentindo a presença de um deus em específico, ele sentia a presença dele.

Talvez “presença” fosse uma palavra muito forte. Ele sentia que podia ser ouvido pelo irmão.

Puxou uma cadeira para perto, sentou-se e esperou o pavio queimar por pelo menos cinco minutos. Na verdade, nem mesmo queria conversar. Só queria um tempo para pensar.

— Tenho novidades — não sabia como começar, então achou melhor ir contando as boas novas. — Eu e os rapazes conseguimos uma audição com um produtor. O melhor do ramo. Acredita? — Parou por alguns segundos, como se esperasse pela resposta que não viria. — Bom, vamos nos apresentar na formação original. Não seria justo cobrar de Sakura que… — parou no mesmo instante. — Já te falei sobre ela? Se não, tenho certeza que sabe quem ela é — riu baixinho e brevemente. — Porra, sinto saudades, Itachi…

Fechou os olhos e quase pôde vislumbrar o irmão lhe parabenizando e perguntando “Sakura, é? Hm...”.

Pensou que ele felicitaria Sasuke por ter conquistado algo pelo próprio esforço e, talvez, ter conseguido traçar um destino diferente do que lhe havia sido planejado pelos pais. Imaginou Itachi perguntando “E a mamãe?” e então Sasuke responderia “Não tenho falado muito com ela por causa de Fugaku, mas está tudo bem.” e Itachi lhe lançaria um olhar reprovador e ele se arrependeria de estar negligenciando uma mãe maravilhosa por conta das babaquices do pai.

Era sexta. Estava escuro lá fora. Logo a madrugada viria e Sasuke não tinha planos de sair de lá tão cedo.

Só foi embora quando a vela se apagou sozinha.

Notas finais
Playlists: Youtube: https://www.youtube.com/playlist?list=PLBNLzwigP6gO7kH_6kqJ3T5-t5wPSUX_N Spotify: https://open.spotify.com/user/22kzyrqbq7ppt445y6v42qiti/playlist/1pyZmqY3wIK9ln6V9HIY4G (caso prefirem pesquisar pelo nome, a playlist se chama Playlist Closer) Todo mundo sabendo qual é a do Shikamaru, hein? Começamos a entrar na cabecinha do Sasquinho. Não se preocupem, ainda tem mais. O beijo foi um agradinho rs Tentarei postar o próximo o mais rápido possível, ok? Mil beijos e até lá!