Close Your Eyes
14 Happy Christmas and Birthday! - Part 2
Notas iniciais
Silver acordou em seu quarto como de costume. Ao fitar para o pequeno relógio de pulso na prateleira, despertara no mesmo horário de sempre. 7 h em ponto. Bocejou. Era raro acordar com tanto cansaço assim. Esfregou seus olhos com lágrimas de fadiga no canto de suas orbes, ainda sonolento.
Após alguns minutos em profundos pensamentos, o motivo daquela canseira que tanto sofria era por causa de certo garoto que o fazia tirar do sério e também o único que sentia sentimentos estranhos quando por perto. Corou. Meu deus...! Gold havia o beijado ontem.
Tampou seu rosto com as mãos, balançando sua cabeça bruscamente. Aquela cena não saía de sua mente. Os lábios de Gold selados nos seus. Podia sentir suas orelhas ficar vermelhas e febris. Ainda conseguia sentir os toques de Gold em corpo, assim como a sensação de estar-lhe beijando. O olhar felino de Gold, com o desejo em tê-lo somente para si... Seu coração acelerou.
Cansado. Sim! Somente estava pensando naquilo porque estava cansado! Talvez se distraísse com algo, não se lembraria de mais nada daquilo, por isso, foi ao banheiro. Estava enganado. Terminou de fazer sua higiene pessoal, porém nada mudou em sua mente. Não parava de pensar em Gold sobre aquilo. Todos os lugares que o moreno havia lhe tocado pareciam se esquentar pouco a pouco. Kuso! Estava pensando naquilo de novo!
Silver caminhou até a cozinha, pegando qualquer coisa para tomar café da manhã. Um pouco de café para acordar não seria tão ruim. Capturou algumas torradas assim como um pote de manteiga para comer junto com o café que preparava. Levou-os para a pequena mesa que tinha, arrumando-os de maneira apropriada.
O lugar em que tomava café fora onde Gold havia-o pego de jeito. Engasgou com o liquido. A mesa que apoiava seu café, o mesmo lugar em que sentava era o mesmo recinto que Gold havia-o beijado. Fechou suas mãos com força. Já podia sentir seu rosto esquentar somente em pensar naquilo novamente. Gold mais uma vez tomava seus pensamentos por completo. Já estava ficando perturbador.
Silver terminou seu café da manhã com pressa, deixando a louça suja na pia mesmo. Mais tarde arrumaria a bagunça. Caminhou até seu quarto com a face da mesma cor de seus cabelos. Não queria admitir, mas havia algo dentro de Silver dizendo que desejava Gold a cada momento que passava. Reprimiu esse desejo suplicante.
— “Eu... Devo estar doente. Só isso. Não há como eu desejar Gold ‘dessa maneira’. Não devo... Estar me apaixonando por Gold, não é?”.
Balançou a cabeça, avistando sua prateleira com alguns livros que havia pegado na biblioteca. Talvez ler um pouco o faria distrair um pouco. Pegou um livro de capa dura vermelha. Fazia tempo desde que não o lia apropriadamente. Deitou em sua cama, lendo-o atenciosamente como sempre fazia.
XxXx
Silver sentia seus olhos arderem um pouco enquanto terminava de ler as ultimas páginas daquele interessante livro. Seus ombros doíam pelas horas em ficar na mesma posição. Após poucas páginas folheadas, terminou finalmente o livro. Espreguiçou seus braços, aliviado por descobrir o final da história. Podia admitir, estava cansado.
Olhou para seu relógio com preguiça. 13 h. Nossa! Devia de trocar logo! Levantou imediatamente de sua cama preocupado, começando a colocar suas roupas matinais o mais rápido. Entretanto, depois terminar de colocar sua blusa preta, perguntou-se por que estava se trocando? Não era por causa de ser seu aniversário que alguém iria visita-lo ou algo parecido.
Aborrecido por ter se assustado por nada, deitou em sua cama sem cerimônias. Mesmo sendo tão tarde, não sentia ânimo para fazer seu almoço ou mesmo sentir fome. Fitava o teto em meio de vários pensamentos. Gold estava nelas. Apenas havia se arrumado, porque pensara que o moreno iria visita-lo para pelo menos parabeniza-lo. Talvez estivesse enganado.
— “Eu estou realmente estranho... Quando penso no Gold, meu corpo age sozinho sem que eu mesmo perceba”.
Silver deitou de lado, abraçando com força seu travesseiro como se fosse algo precioso. Escondeu seu rosto por entre o objeto, confuso de seus sentimentos. Pensar em Gold fazia seu coração palpitar e o deixar nervoso. Apenas Gold fazia o ruivo ficar mais confuso com o que sentia. Silver, hesitante, tocou seus lábios mais uma vez, lembrando-se novamente de tudo que havia passado.
— “Meus lábios estavam entreabertos e um pouco molhados...” — fechou seus olhos mais uma vez.
Por um tempo, pensou que se não tivesse impedido Gold ontem, eles continuariam com o que estavam fazendo? Nossa...! Seu rosto ardeu em chamas e apertou mais aquele pequeno travesseiro. Seu coração acelerava tanto que poderia ter um ataque cardíaco. Negava que aquele sentimento poderia ser amor, porém rejeitar isso era opressor do que sentia de verdade.
Podia admitir, era muito doloroso. Queria estar perto daquele que evitava ficar perto, como algo tão contraditório que Silver não poderia explicar em palavras. Não podia ama-lo. Não podia querê-lo. Gold tinha sua própria vida, amigos... Tudo que Gold sentia era pura curiosidade sobre um amor entre dois homens, somente isso. Esse sentimento que sentia pelo ruivo era momentâneo, logo acabaria em instantes se tornando o Gold de sempre. Porém o rival ficaria bem com isso? Pensava que sim, mas estava enganado.
Não conseguiu segurar algumas lágrimas que escorriam no canto de seus olhos. Desta vez não eram de fadiga, e sim pelo sentimento de rejeição. Seu corpo tremia ao lembrar-se daquelas palavras que carregavam fortes significados e anseios.
“- Silver... Eu te amo.”
Droga! Suas mãos apertavam com fervor o pequeno objeto macio, descontando todas suas frustrações e receios. Não queria lembrar daquilo novamente. Aquelas palavras tão simples traziam intensas emoções para Silver. Como ele conseguia dizer aquilo tão facilmente? Perguntava-se sem ter uma resposta clara.
Amar... O que é realmente amar alguém? Silver nunca teve um amor claro, como de seus pais ou de alguém que o amava. Claro, Blue lhe ajudou muitas vezes e lhe deu muito amor, porém aquilo era a mesma coisa? No fundo, sabia que não era. Afinal, quando Gold se aproximava, sentia-se estranho. Não agia igual como era. Algo contraditório.
Fechou mais uma vez as orbes prateadas e refletiu sobre tudo que havia feito. Em meio a tantos pensamentos, Gold sempre estava neles. Imaginava, quando tudo começou para que Gold amasse Silver? O ruivo não entendia. Por que se sentia tão perturbado com aquilo? Aquele Gold que o amava era o mesmo Gold ingênuo que sempre encontrava durante suas aventuras? Por que seu coração acelerava tanto por ele?
— Talvez... Eu o ame... — murmurou tais palavras que o assustara na hora.
O quê?! Silver sentou na beirada da cama, com as mãos apoiadas em sua cabeça. Esfregava seus fios ruivos com força, numa tentativa de reorganizar os pensamentos novamente. Por que falou aquilo?! Não estava falando sério, não é? Era do Gold que estava pensando, onde sua cabeça estava naquela hora?! Não tinha uma resposta clara e por isso deixava-o aflito.
*Ding dong*
— Hm? – a campainha tocou novamente. Quem poderia ser na véspera de Natal?
Silver levantou de sua cama, receoso com quem poderia ser. Bateu em seu rosto levemente numa tentativa de que o vermelho em sua face não demonstrasse tanto. Caminhou até a porta, com passos apressados e ansiosos. Estava nervoso, precisava se acalmar! Antes de pegar a maçaneta, respirou fundo e abriu a porta.
Era ele. Mesmo que esperasse a visita do moreno, continuava com aquela expressão de surpresa em sua face. Sentiu seu rosto esquentar e já podia sentir nervoso com apenas a visita do garoto. Desviou suas orbes, envergonhado. Não sabia o que dizer, porém tinha que falar algo.
— O-O que foi? – sem perceber, Silver foi atropelado por suas próprias palavras. Por que havia gaguejado?! Meu deus, tudo parecia desmoronar.
— Ewr... Desculpe-me se eu o interrompi em algo Silver. Você tem tempo livre agora? – podia não parecer, mais o moreno estava muito mais nervoso que o próprio rival. O ruivo encarou Gold, que igual a ele, tentava não encarar sua face.
— Depende. É algo importante? – desta vez, conseguiu pronunciar suas palavras sem parecer inquieto. Mas achava que seu rosto ainda continuava rubro.
— Sim... O Pr. Elm quer falar algo conosco, então ele me pediu para te buscar... – inventou qualquer desculpa na hora. O moreno pelo menos devia levar Silver para o laboratório sem que este desconfiasse.
— ... Tudo bem. – Silver sabia que havia algo estranho naquela conversa, pois se fosse realmente o caso, Pr. Elm lhe teria ligado pela Poké-gear sem pedir ajuda ao moreno. Porém não contestou.
Antes de sair do apartamento, voltou para pegar seu casaco preto que sempre vestia. Conferiu se havia trancado a porta e caminhou acompanhado por Gold que estava há poucos metros em sua frente. Por um momento, sentia-se estranho perto de Gold após tudo que havia passado. Para sua surpresa, Gold parecia mais calmo do que se esperava.
Ele estava agindo estranho, muito estranho. Ele caminhava calmamente com as mãos escondidas em seu casaco vermelho e certamente, estava agindo frio com o ruivo. O que há de errado com ele? Por que ele não está conversando comigo como sempre fazia? Sentiu seu estômago embrulhar pela frieza do moreno. Pensou em começar uma conversa, porém não conseguia nem mesmo pronunciar uma palavra em mente.
Silver decidiu então ficar calado durante a caminhada e fitar os enfeites natalinos de todas as casas, que sinceramente, estavam muito bem feitos. Podia ser impressão sua, mas enquanto vislumbrava cada decoração natalina, sentiu que Gold estivesse o observando atentamente pelos ombros. Quando voltou seu olhar ao moreno, este caminhava normalmente sem mesmo deixar pistas que estava observando o ruivo. Perturbador.
Respirou fundo. Estava muito tenso, mas não podia evitar. A presença de Gold era um dos grandes motivos para isso. Além de que por ele estar agindo estranho já não ajudava muito. Mais uma vez encarou os fios negros de sua nuca, tentando adivinhar o que o garoto estava pensando. Por que estava daquele jeito? Por que parecia tão distante? Por se sentia tão incomodado com aquilo?
Por acaso, Gold havia desistido dele? Cerrou os punhos com força. Raiva e medo subiram de sua cabeça, mas não podia fazer mais do que aquilo. Por que Gold sempre ocupava grande espaço de seus pensamentos e ainda fazia-o sentir todas aquelas emoções? Era tão frustrante e tão assustador. Nem mesmo os enfeites de Natal poderiam distrair o ruivo novamente.
— Chegamos.
Silver parou de caminhar no momento em que Gold pronunciou as primeiras palavras após caminhada. Já estava em frente à porta do laboratório e nem mesmo percebera isso. Fitou a porta por alguns momentos e depois para Gold. Apesar de que estivesse ao seu lado, o moreno tentava não encarar as orbes prateadas que estavam tão fixadas em si. Aquilo foi uma pontada para que Silver começasse a se sentir deprimido.
Respirou fundo. Devia estar apresentável para o professor, pois sabia que ficar depressivo não ajudaria em nada. Observou por mais alguns segundos a porta de metal e finalmente a abriu. A luz vinda dentro do laboratório o cegara por alguns instantes até conseguir ler as primeiras palavras em um cartaz pendurado na parede.
PARABÉNS SILVER!!!
Após isso, ouviu várias vozes cantarem em uníssono “Parabéns” para o ruivo. Maravilhado, levou suas orbes a cada canto daquela sala, avistando milhares de Pokedéx Holders cantando e sorrindo para o menor. Uma lágrima caiu de seus olhos. Estava totalmente emocionado. Blue foi ao seu encontro, dando-lhe um abraço bem forte e murmurando em seu ouvido “Parabéns Silver e Feliz Natal”.
Silver retribuiu o abraço, desmanchando de lágrimas em seu ombro. Confessava, não esperava por tudo aquilo, especialmente pela presença de milhares de Pokedéx Holders em plena véspera de Natal. Gold observava toda a cena no canto da sala e não disfarçou um sorriso satisfeito. Havia conseguido o que planejava.
Os outros convidados também vieram ao encontro do ruivo, cumprimentando-o devidamente e lhe dando parabéns. Silver agradeceu todos eles, especialmente aos que haviam arrumado a festa. Gold também lhe deu os parabéns, mas continuava agindo estranho. Ele parecia normal para todos os convidados, mas quando se dirigia a Silver, ele simplesmente tentava evita-lo.
Durante a festa inteira, Gold certificava de estar a 2 metros de distância do rival. Infelizmente, Silver não tinha coragem de se aproximar dele e tentar esclarecer as coisas entre ele o maior. Tudo o que podia fazer era ficar longe do garoto, por isso havia ficado ao lado de Blue, Yellow e Red. E merald e Crystal conversavam com os professores, enquanto Green, Gold, Ruby e Sapphire conversavam entre si.
A festa decorria bem, exceto pela inquietação por parte do ruivo. Sempre que podia, fitava o moreno que na maioria do tempo, sorria para os treinadores enquanto conversava sobre algo divertido. Ele parecia feliz, isso já estava bom. Seu coração disparou. Se estava tudo bem, então por que Gold o evitava? Por que sentia que não estava totalmente “bem”?
Irritado por tantas perguntas que não conseguia responder, pediu licença aos amigos e dirigiu-se ao banheiro. Lavou o rosto algumas vezes, e ao fitar-se no espelho, percebeu que a expressão inquieta ainda não havia sumido. O ruivo se sentia tão estranho, que não conseguia acreditar que agia desse jeito por culpa do moreno.
Respirou fundo mais uma vez. Era seu aniversário, pelo menos este devia aproveitar a festa que todos haviam organizado. Mais calmo e com a cabeça mais leve, saiu do banheiro e caminhou até a sala de seu aniversário. Entretanto, para sua surpresa, Gold não estava mais lá. Analisou ao redor do local, porém nenhum sinal do garoto.
— Blue... Você viu o Gold? – perguntou para a jovem, demonstrando não parecer incomodado sem a presença do moreno. A mais velha entendeu a preocupação de seu “irmão” e por isso, não conseguiu deixar de sorrir pela situação.
— Eu não sei onde ele está, mas eu o vi pela última vez conversando algo com o Pr. Oak e saiu logo após isso.
— Ok. Obrigado Blue. – o garoto nem pensou duas vezes e dirigiu-se ao professor que conversava com Elm.
Ao refazer a mesma pergunta, porém para o professor, o mais velho respondeu que não sabia. Mas disse que Gold saíra do laboratório para respirar um pouco. Talvez porque precisava reorganizar os pensamentos em mente. Silver agradeceu novamente e saiu em disparada à saída. Não sabia o porquê estava procurando por Gold, mas precisava vê-lo urgentemente. Havia algo de errado nele e necessitava confirma-lo.
Silver analisou as ruas de New Bark e tentava encontrar o garoto de fios negros. Para sua decepção, não o avistou. Respirou fundo. Não havia outra opção se não procurar pela cidade. E assim o fez no mesmo instante, com o coração um pouco mais acelerado que o normal. Por sorte, os convidados da festa não haviam percebido a não presença dos garotos (tirando Blue e Oak), então Silver poderia procurar Gold com mais calma.
Foram vários minutos gastos pela procura do moreno. Não o encontrou em lugar algum e já pensava na escolha de desistir. Entretanto, nos últimos instantes em que caminhava por uma ponte acima de um pequeno riacho, avistou o garoto dormindo profundamente em baixo de uma arvore. Que descuidado... Silver sorriu breve, dirigindo ao corpo.
Estavam bem próximo à praça principal da cidade de New Bark, se é que não era exatamente o lugar de onde estavam. O chafariz no centro da cidade era a prova disso. Silver não deixou de encarar o rosto sonolento do moreno, analisando cada expressão que o garoto fazia. Sua face estava tão calma e serena... O ruivo sentiu seu coração palpitar. O que poderia estar sonhando?
Tenso, numa mistura de vergonha e timidez, Silver ajoelhou-se perante o treinador e precipitado, levou uma de suas mãos ao rosto do maior, acariciando a pele com cuidado para que este não acordasse. Gold parecia gostar das carícias, por isso não afastou sua mão com muita pressa. Afinal, no que diabos Gold via em Silver para gostar dele tão repentinamente? Quanto tempo será que ele o amava? Por quanto tempo havia reprimido aqueles sentimentos?
Infelizmente, ele não podia perguntar tais perguntas para o garoto. Simplesmente porque seu orgulho não permitiria dizê-las tão livremente. Durante as carícias, o ruivo não resistiu de passar seu polegar nos lábios de Gold, aqueles que haviam lhe roubado um beijo no dia anterior. Seu rosto pálido tomou uma cor levemente rosada. Felizmente, Gold parecia não acordar tão cedo.
Por saber disso, a ansiedade lhe domava cada vez mais. Era como ter Gold somente para si por algum tempo, livre de problemas que sua mente lhe causava. As orbes prateadas estavam fissuradas nos lábios entreabertos do moreno, que respirava levemente por eles. Uma tentação lhe tomou a cabeça: selá-los sem mais delongas.
Engoliu em seco. Era lógico que Silver não faria isso de maneira alguma, mas por que não conseguia se afastar do maior? Por que Gold fazia o ruivo sentir tudo aquilo? Com a mesma mão que acariciava a face do moreno, Silver segurou com cuidado o queixo do garoto para ter uma visão melhor do rosto adormecido. Por que Gold nasceu tão atraente?
Instintivamente, os rostos que estavam em uma calculada distância já se aproximavam lentamente. Silver não tinha mais controle total de sua mente e corpo, tudo aquilo acontecia por culpa de seu inconsciente. Conseguia sentir a respiração do garoto próxima de si, tanto que tirou um arrepio por parte do ruivo. As narinas se colidiram durante a aproximação, porém aquilo não foi obstáculo suficiente para que os lábios pudessem se encontrar.
Prestes a encaixa-los e finalmente senti-los, o ruivo foi interrompido pelo maior que gemia cansativamente, despertando de seu sono temporário. No mesmo instante, Silver afastou de perto do moreno constrangido de todas as formas possíveis. Gold espreguiçou, bocejando algumas vezes até conseguir compreender que não estava em seu quarto e que não estava sozinho.
Fora uma grande surpresa deparar com Silver sentado no chão à sua frente, tão vermelho assim como suas orelhas da mesma cor de seu cabelo. Após ver seu rosto, lembrou-se da festa de aniversário e que havia pegado no sono enquanto caminhava pela cidade. Seu rosto devia estar rubro também e infelizmente seu boné não pôde disfarçar isso.
Encarou Silver por alguns segundos, curioso. Estranhamente, o ruivo se recusava de fitar seu rosto, totalmente envergonhado. Gold não entendia a situação em que estava, porém sabia que devia acabar com aquele silêncio perturbador. Pensou no que podia dizer e como devia expressar o que pensava em palavras, apesar de que o nervosismo não o auxiliava no momento.
— Ehr... Bom dia. – não conseguiu dizer as palavras num tom muito alto, mas Silver conseguiu compreende-las muito bem, mesmo que em sua mente passasse por milhões de pensamentos de como agir naquela situação.
— B-Bom dia...
...
Assim como Silver, o moreno não sabia como agir naquela situação. Silver agia estranho e curiosamente evitava fitar o garoto. Isso o afetara profundamente. Muito. Nenhum dos dois arriscava dizer algo com medo do que cada um podia pensar. O clima também não ajudava muito já que as nuvens pareciam mais escuras do que o normal.
Gold arriscava olhar nas orbes prateadas, porém logo se arrependia. Silver parecia tão frágil que era uma situação de se ver, principalmente para o moreno. Sentia seu coração palpitar e engoliu em seco. Não podiam ficar calados o tempo todo, devia dizer algo. Qualquer coisa servia, desde que ele não fosse embora.
— Silver... – o ruivo arrepiou-se por inteiro ao ouvir a voz do garoto, mas não se afastou ou tentou fita-lo nos olhos.
— O-O quê...?
— O que faz aqui? Eu quero dizer... Você não devia estar na sua festa? –mesmo embaraçado não deixou de analisar cada expressão que o rival fazia. Silver parecia atormentado e mais sem jeito, porém sua franja escondia muito bem o vermelho em seu rosto.
O que dizer? Pra falar a verdade, nem mesmo o ruivo sabia a resposta. Havia saído para procurar o moreno sem ter um motivo, pelo menos não havia pensado em um. As orbes castanhos-mel encaravam os prateados curiosos pela resposta. Silver pensou na tentativa de fugir daquela situação, mas preferiu continuar sentado em frente do garoto, formulando algo como desculpa.
— Eu... Não sei. – no fim, escolheu falar a verdade. Por que raios estava pensando em uma desculpa? O ruivo amaldiçoou-se por estar tão confuso.
...
Gold não disfarçou certa decepção pela resposta e era bem provável que Silver havia percebido. Ajeitou sua cabeça no tronco seco atrás de si, como se estivesse prestes a tirar mais um cochilo novamente. Entretanto não o fez. Silver continuou sentado na grama, preocupado se havia falado algo estranho, porém nada disse.
— Sabe... Você não precisa ficar tão preocupado sobre no outro dia... Afinal, foi tudo culpa minha na verdade...
— Hm? – no mesmo momento, Silver finalmente fitou o moreno como de certo não entendia o que o maior estava falando. Gold entendeu logo sua confusão e pretendeu apressar o que queria dizer.
— O que eu quero dizer... – parou para respirar fundo, decerto do que iria dizer. – É que eu sinto muito pelo o que eu fiz ontem e... Que eu entendo que deve ser nojento ser beijado por um homem, principalmente por alguém que você não gosta...
— ...
Silver sentiu aquelas palavras como balas em seu peito. Queria dizer que Gold estava errado e que somente estava lá porque queria vê-lo o mais depressa possível. Entretanto, não argumentou em nada. Simplesmente fitou a grama seca acompanhada com o marrom escuro da terra.
— Eu... Sei que não tenho o direito para pedir que você não se incomode com aquilo. – sua voz saía fraca, melancólica, prestes a poder se quebrar a qualquer momento. Este precisou de alguns momentos em silêncio para poder pensar com cuidado no que poderia dizer. — Mas eu quero que você leve em conta dos meus sentimentos.
Neste mesmo instante, o moreno receoso, porém decidido, segurou as frágeis mãos do rival e entrelaçou os dedos em cada uma delas. Silver no mesmo instante assustou com a ação repentina do garoto e encarou os olhos penetrantes do maior que fitavam os mesmos. Ambos não deixaram de corar no momento ao fitar dos olhos.
— Eu ainda gosto de você, e isso não vai mudar.
Aquelas palavras foram o suficiente para Silver ficar mais vermelho em suas bochechas. Seu corpo tremeu por alguns instantes e seus lábios institivamente entreabriram precipitadamente como numa espécie de “convite” para que o moreno selasse seus lábios com as do rival em um profundo e apaixonante beijo. Entretanto, Gold não o fez. Por pouco.
— G-Gold... Eu-
— Por isso, não se esqueça sobre o que aconteceu naquele dia. – o garoto cortou o menor no mesmo instante. Parecia que não queria ouvir o que o ruivo tinha a dizer, na verdade, tinha medo do que responderia. — Eu ainda quero que se lembre dos momentos em que eu confessei. – sorriu fracamente, com a expressão decepcionada que já continha um pouco antes.
Silver engoliu em seco. Não deixaria as coisas continuarem em um profundo engano, deixaria? Gold parecia tão sério em suas palavras que algo dizia ao ruivo para que pudesse segurá-lo e não soltá-lo em quaisquer circunstâncias. Deixou o orgulho de lado e sem demoras, Silver abraçou o maior em terno e envolvente abraço.
Assustado e surpreso pela a inesperada situação que se encontrava, Gold retribuiu o abraço, pousando levemente seu rosto no peitoral do menor. O moreno não deixou de escapar algumas lágrimas que caíram parte no casaco do rival. Podia ouvir o acelerar dos batimentos do menor, o que fazia seu coração palpitar em sincronia.
Ao separar o abraço a uma pequena distância, Gold manteve a intensa tentação de querer roubar aqueles lábios que estavam a poucos centímetros de si. Silver estava extremamente sexy ou pelo menos era o que pensava. Sua face misturava um intenso vermelho, talvez pela vergonha de estar “em cima” do treinador. As orbes ônix sempre desviavam de seu olhar, mas logo encaravam os castanhos num olhar tentador.
Se a intenção era seduzir o moreno, Silver estava conseguindo muito bem. Merda... Por que Silver conseguia ser tão fofo? Respirou nervoso, numa tentativa de expulsar os pensamentos pervertidos e desejosos que entravam em sua mente. Aquela aproximação instantânea fazia-o perder o foco em tudo que agia ou pensava.
— S-Silver... Se você continuar perto de mim dessa maneira, eu não sei do que serei capaz de fazer... – foi franco. Jamais se perdoaria caso fizesse algo que o ruivo não gostasse. Não queria fazê-lo chorar novamente...
— ... Baka.
Silver selou os lábios do moreno no mesmo instante. Gold se esqueceu de respirar por alguns segundos e a surpresa em sua face se mantinha durante todo o percurso beijo, mantendo-se calmo e sem muitas prolongas. Ao separar os rostos, Gold necessitava de uma explicação urgentemente. Não deixou de analisar e prestar atenção a cada palavra que o rival tinha a dizer.
— G-Gold... Entenda bem que... Esse amor que você sente por mim... Não é não correspondido... E-Eu... – engoliu suas palavras, tão confuso e constrangido por aquela situação que desejava se esconder num buraco. Nunca entrou numa situação como essa e não era atoa que não sabia como agir naquilo. – T-Talvez eu... t-te am-
Os olhos castanhos se arregalaram.
Aquilo foi um basta. Gold imediatamente agarrou Silver e inverteu suas posições, desta vez ficando por cima deste. Havia-o deitado no chão de forma tão brusca que o fizera reclamar como: “Você é pesado!” ou “Tenha mais cuidado!”, mas aquilo não importava. Estava tão feliz que podia morrer.
— Silver! – repetiu incontáveis vezes o nome do rival, enquanto o abraçava com força em seus braços. Silver abraçou-o também, sorrindo aliviado pela felicidade do maior.
Após incontáveis minutos, Gold separou o abraço, deixando os rostos numa distância perigosa para ambos. Somente olhar aquelas orbes felinas desejosas em tomar algo fazia Silver entender o que Gold planejava fazer. E não o impediria.
O moreno aproximou as faces e finalmente selou os lábios, num beijo terno e apaixonante. Os lábios tornam-se mais vorazes e a tentação de um querer mais contato com o outro era maior. As línguas batalhavam ferozmente enquanto a distância entre os corpos já foi quebrada há bom tempo. As respirações tornaram-se cada vez mais pesadas e difíceis, enquanto podiam ouvir e sentir os batimentos cardíacos em uma assustadora sincronia de cada um.
Não demorou muito para que ambos parassem o beijo, pela maldita falta de ar que se manifestava. Um pequeno fio de saliva foi desfeito e Silver e Gold não conseguiam desviar o olhar nem por um segundo. Gold estava nervoso. Beijar Silver novamente, porém sendo correspondido era maravilhoso. Sentia um sentimento diferente dentro de si. Algo que não deixaria o rival fugir nunca mais.
Silver não conseguia esfriar a cabeça. Aquela posição era vergonhosa demais, além de que Gold podia vê-lo completamente. Queria desviar seus olhos, porém não conseguia pelo simples fato de que as orbes castanhas eram hipnotizantes.
— Silver... Eu te amo. – Silver riu constrangido por ouvir aquelas palavras do moreno.
— Você não tem jeito mesmo, Gold... – o maior entendeu como um “Eu também”, então estava tudo bem.
As risadas já haviam perdido o foco e Gold voltou a encarar Silver com seu típico olhar predador. Silver estava totalmente focado nos castanhos, por isso não argumentou. O moreno aproximou os rostos novamente, fazendo Silver entender novamente o que queria. Assim como Gold, Silver entreabriu os lábios e fechou os olhos, esperando o que viria.
Cada segundo que passava parecia uma eternidade e somente sentir a respiração perto de suas faces conseguia ser uma tortura. Entretanto, todo esse processo chegou ao seu objetivo. Gold sentiu mais uma vez os lábios macios de Silver, enquanto uma de suas mãos acariciava a face do rival enquanto a outra sustentava seu corpo para que não colidisse com a do menor. Já as duas mãos de Silver estavam posicionadas uma em cada lado no rosto do moreno, acariciando sua pele levemente durante o beijo.
Prestes a aprofundar o beijo, o casal foram interrompidos por uma voz conhecida, vinda distante de onde estavam.
— Silver! – Blue se aproximava do casal, correndo em sua direção. Ela estava distante, porém conseguia distinguir os cabelos ruivos únicos do garoto.
No mesmo instante, Silver saiu por baixo de Gold com movimentos tão rápidos que nem mesmo Gold percebera. O ruivo se levantou do chão, limpando a grama e terra de seu casaco como se não havia acontecido nada, além de também dar um soco na cabeça de Gold por simplesmente fazer aquilo num lugar público onde haveria pessoas para poder assistir (já que é meio impossível como é véspera de Natal).
— O que foi, Blue ne-san? – a jovem finalmente chegou perto de seu pequeno irmão e parou para descansar pela longa corrida que havia feito.
— Você estava demorando demais para voltar, então saí para procurar você... – disse recuperando o fôlego. A mais velha olhou para o lado direito do ruivo e para sua surpresa, Gold estava sentado no chão, fitando a cena enquanto esfregava a cabeça dolorida pelo soco que Silver havia feito. – Hehe... Por acaso eu vim numa mal hora? – Silver percebeu o sarcasmo na voz da sua “irmã” e sentiu-se constrangido pela situação.
— Não é isso, Blue! – Silver amava sua irmã, porém ela tinha a péssima mania de adivinhar certas coisas na hora errada. Gold também ficou vermelho, mas antes disso este virou seu rosto para que a jovem não percebesse.
— Nossa... Você é tão fofinho Silver! – esta apertou as bochechas do garoto, sabendo que Silver não conseguia mentir tão descaradamente para ela. Silver se debatia pra sair daquela situação vergonhosa, afinal Gold estava por perto!
— P-Pare... One-san... – a jovem soltou como pedido do mais novo, rindo pela situação que seu irmãozinho se encontrava.
— Gomen gomen... Não era minha intenção perturbá-los nem nada, mas seria bom se vocês comparecessem à festa, pelo menos para cortar o bolo. Principalmente você Silver... – disse para o ruivo. Este respondeu com um aceno positivo, vermelho. – Ehr... Então eu vou indo na frente. — com certa vergonha por estar perto do casal e também apoiando Silver, a jovem se virou para o caminho que havia andado e começou a andar com passos largos, quase como uma corrida.
Finalmente sozinhos. Gold se levantou, limpando-se com leves tapas em suas roupas. Silver observava atentamente suas ações, porém nada dizia.
— Então devemos ir? – o garoto sorriu com seu típico sorriso que costumava dar, retirando outro sorriso por Silver, envergonhado.
— S-Sim... – murmurou.
O casal começou a caminhar por entre as ruas empedradas de forma calma e sem pressa. Silver não sabia como agir naquela situação, digo... Agora que eles assumiram que gostavam um do outro, quer dizer que estavam saindo, não? Imaginar isso fazia seu rosto esquentar.
Sem jeito, olhou de relance o maior ao seu lado. Ele também estava vermelho e parecia pensar a mesma coisa que Silver. Coincidências, não? Analisou o caminho a sua frente. Provavelmente faltariam mais alguns quarteirões para que pudessem chegar ao laboratório. Até lá, teriam gasto em torno de 10 a 15 minutos.
Era muito tempo, sem falar que as nuvens negras no céu pareciam mais ameaçadoras que o normal. Uma corrente fria ventou na sua direção, retirando-lhe um arrepio. Quando levou suas mãos ao seu rosto, lembrou que havia se esquecido de colocar suas luvas antes de sair. Por isso suas mãos estavam tão geladas.
Fitou o moreno no canto dos olhos. Ele não parecia estar sofrendo tanto com o frio e também não estava usando luvas. Os toques de Gold de antes não foram esquecidos. Como suas mãos podiam ser tão quentes e tão amáveis? Silver sentiu um desejo incontrolável de poder segurar as mãos de Gold iguais as de um casal qualquer, mas seu orgulho não permitia. Mesmo que ambos fossem um casal, não queria abusar tanto daquelas vantagens.
Outra corrente fria arrancou-lhe outro arrepio. Vendo que não tinha escolha, Silver esfregou suas duas mãos para esquenta-las, porém foi um fracasso. Percebendo isso, este fez uma “conchinha” em suas mãos perto de seus lábios e as esquentou com seu hálito. Não era muito eficiente, mas ajudaria a deixa-las não muito frias.
Outra brisa retirou-lhe mais um arrepio. Sem mais paciência, Gold se aproximou do ruivo e segurou finalmente uma de suas mãos.
— G-Gold?! – Silver disse surpreso e ao mesmo tempo feliz. O moreno continuou andando pelas ruas de mãos dadas para Silver.
— Não se preocupe. Não há muita gente por perto, então eles não irão desconfiar nada entre nós. – sorriu como justificativa sem precisar completar mais nada.
— ... – era mal. Seu rosto esquentou novamente. Gold percebeu isso e riu.
— Você queria isso, não é?
— ...! – Silver afastou-se um pouco do moreno. Por acaso ele estava aprendendo a ler mentes igual a sua irmã?
— Irei interpretar como um “sim”. – Gold entrelaçou os dedos nos de Silver e nenhum dos dois ousou retirar suas mãos do desenlace.
Após aquilo, continuaram a caminhar o caminho inteiro de mãos dadas até ao laboratório. Não ousaram dizer nada durante a caminhada, mas não era necessário. Sua ligação não precisava ser demonstrada por palavras e sim por ações. Mais 3 horas para o término da festa.
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