Cinquenta tons de amor
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Christian:
Hoje mal tive tempo de respirar, fui entrando de uma reunião em outra, minha agenda estava lotada. Mas em parte isso foi ótimo, o dia passou voando e isso era o que eu mais queria. As 18 horas vou me encontrar com o detetive Clark para o interrogatório dos dois filhos da puta.
Pedi para Welch descobrir tudo sobre a vida deles. Eles são gêmeos, de 29 anos. Rick não tem passagem nenhuma pela polícia, nem sequer uma multa de trânsito. Trabalha na mesma empresa a 3 anos, é casado e tem um filho. Alex, já é outra história. Tem a ficha suja por roubo e porte de drogas. Nada de emprego fixo ou dependentes familiares.
Faltam poucos minutos para as 18:00 horas, pego minhas coisas e vou para delegacia. Encontro os dois irmãos aguardando o interrogatório, ambos morenos, com os olhos escuros. Pude identificar claramente pelas roupas e o cabelo desgrenhado quem era Alex.
Entro na sala de Clark.
— Grey. Estava apenas te esperando para começarmos.
— Vamos lá então. — Digo apertando sua mão.
Saímos da sala e entramos em um corredor que nos leva a uma porta de vidros escuros, lá dentro há uma parede quase toda de vidro, suspeito que há pessoas lá nos vigiando e gravando o interrogatório. O primeiro a entrar na sala é Rick.
— Boa noite, Sr. Spark. O senhor sabe porque está aqui? — Clark começa, ele me orienta a ficar calado em um canto da sala.
— Sou suspeito de ter provocado o acidente de Anastásia Grey. — Ele diz sem perder a calma, pelo seu modo de falar sei que teve uma boa educação.
— Temos vídeos que mostram você ou seu irmão espionando a mansão dos Grey e o trabalho de Anastásia. Nós chamamos vocês dois aqui por serem gêmeos, por vídeo não conseguimos identificar quem é quem. Pelo seu histórico, acho pouco provável que você tenha envolvimento com esse caso. — Clark também fez seu trabalho de casa, sabe que é pouco provável Rick estar envolvido.
— Eu nunca me aproximei dessa senhora. No meu trabalho temos ponto digital, caso seja necessário posso solicitar uma via para o senhor, para provar que eu não estava em nenhum desses lugares. — Eu realmente acredito nele.
— Nós já fizemos isso, Sr. Spark. E realmente em alguns horários que o sujeito estava espionando, o senhor estava no trabalho. Apenas tenho que chama-lo aqui para gravarmos o interrogatório.
— Entendo, senhor. Alex sempre foi o gêmeo difícil, se envolvia frequentemente em encrencas e não duvido que ele esteja metido nisso. Ele faz qualquer coisa baixa por dinheiro.
— Agradeço sua colaboração, Sr. Spark. Esta liberado.
O rapaz sai tranquilamente da sala.
— Ele não tem um fio de cabelo tão mal para aprontar uma coisa dessas. — Digo e Clark concorda.
Poucos minutos depois Alex entra na sala e se senta todo largado na cadeira.
— Alex Spark. — Clark diz. — Preso por roubo e porte de drogas. Porque eu não tenho dúvidas que você cortaria o freio do carro de uma mãe de família?
— Eu posso ter feito muita coisa ruim, mas não sou assassino.
— Então por que estava seguindo Anastásia Grey? — Clark coloca as duas mãos espalmadas sobre a mesa, inclinando seu corpo para frente.
— Não tem nem como suspeitar do meu irmãozinho né? — Ele ri. Seu jeito de falar não é tão bom quanto o do irmão.
— Responda a minha pergunta.
— Eu estava seguindo sim Anastásia Grey, mas não foi eu que tentei mata-la. — Ele da um sorriso de lado.
— Porque você estava atrás dela? — O que eu mais quero saber.
— Porque me pagaram para isso. Para descobrir sua rotina, seus compromissos de trabalho e encontros com amantes.
Ele sorri e olha pra mim no canto da sala. Quando vejo já o levantei pela camisa.
— Nunca mais ouse insinuar nada sobre a minha esposa ou eu mato você.
— Solte o rapaz e volte para o seu lugar Grey. — Clark coloca a mão no meu ombro.
Volto para o meu cantinho, fervendo de raiva, quem esse desgraçado pensa que é para falara assim da minha Ana?
— Quem te pagou para isso?
— Ah detetive, pensei que o senhor fosse mais esperto que isso. Lógico que não vou revelar.
— Vamos negociar, Alex. Você me diz quem é o desgraçado e eu alivio sua pena dizendo que você foi muito colaborativo. Imagina só, 2 anos apenas por ser cúmplice numa tentativa de homicídio, você estaria no paraíso. — Spark parece considerar.
— Como vou saber que você esta falando a verdade?
— Você vai ter que confiar em mim. — Alex ri como se estivesse em um circo.
— Não vou abrir a boca.
— Policiais, entrem e o levem. Ele está sendo acusado de ser cúmplice em uma tentativa de homicídio, por passar informações sobre a vida da Sra. Grey. Também quero que ele responda por desacato a autoridade, por pensar que tem algum palhaço aqui. Exijo que ele fique na solitária do presidio por tempo indeterminado.
Eu poderia aplaudir Clark ali mesmo.
Dois policiais algemam Alex e começam a leva-lo para fora, quando ele começa a gritar.
— Me desculpe detetive. Me desculpe. Logan Fields. Logan Fields — Ele vira de frente para nós novamente enquanto diz isso, ele está em pânico.
— Você teve sua chance a um minuto atrás. Levem ele, com as mesmas ordens de antes.
Estou impressionado. Clark é o melhor detetive que eu poderia ter pedido para assumir o caso. Mas ainda temos muito trabalho pela frente, um dos cúmplices foi preso, agora precisamos pegar esse Logan Fields e descobrir porque ele faria isso com a minha Ana.
Clark parece pensativo.
— O que foi, Clark?
— Christian... E se o cara que cortou os freios tiver ido de carro? Com certeza ele foi. — Ele continua pensativo. — Mas não seria burro suficiente para parar tão próximo a cafeteria. Temos que vasculhar todas as câmeras possíveis das quadras próximas a cafeteria. Precisaremos de mais provas do que a palavra de um criminoso, as imagens vão ajudar.
— Vou pedir para a minha equipe te ajudar na busca das imagens. — Olho para o relógio, já são quase 20:00. — Preciso ir, Clark. Obrigada e me mantenha informado.
Fizemos um bom avanço hoje, nos resta apenas descobrir por que Esse Logan mandou perseguirem Ana e quem sujou as mãos para cortar os freios.
Após sair da delegacia me dirijo para o consultório de Flynn, onde Sawyer já deve ter deixado Anastásia, hoje nós dois temos uma consulta. Quando chego, ela já está lá dentro falando com ele. Aguardo a minha vez.
Anastásia:
Quando acordo essa manhã me dirijo a cozinha, estou morrendo de fome. Digo a Sra. Mendes o que quero comer, granola e iogurte e ela me traz. Após me alimentar vou para a sala de estar, onde encontro na mesa de centro um computador portátil e um blackbarry, há um bilhete em cima deles.
"Para você poder se comunicar comigo a qualquer hora.
Tenha um bom dia, Ana.
Ps: não se esqueça da consulta com o Flynn
Seu,
Christian."
Pego o celular e vejo que já deve ser meu a algum tempo, há várias ligações, e-mails e mensagens não respondidas. Uma dessas mensagens é de José.
"Oi Ana, fiquei sabendo do acidente e da sua perca de memória. Posso ir até sua casa te ver?
Christian não vai gostar nada disso! O que? De onde veio esse pensamento? Tenho certeza que como meu marido, Christian não vai se importar se eu ver um amigo, ele sabe que José e eu somos apenas amigos. Certo?
Respondo a mensagem de José.
"Claro. Estou no Escala. As 18:00 esta bom para você?
Ele responde que sim, nosso encontro esta marcado então.
O resto do meu dia foi bem banal, fiz as atividades que Flynn passou, li alguns livros, vi TV e até tirei um cochilo. Preciso falar com o Christian quando eu posso voltar a trabalhar, essa vida atoa esta acabando comigo.
Quando chega a hora Sawyer me leva para o consultório de Flynn, Christian ainda não esta lá, achei estranho, ele é sempre tão pontual. O que será que ele esta fazendo?
— Boa noite, Ana. Vamos lá? — Flynn diz aparecendo na porta da sala.
Me levanto e entro, fico sentada imaginando como vai ser essa conversa.
— Como passou da última vez que nos vimos?
— Muito bem. Christian foi muito atencioso comigo.
Ele solta um leve sorriso.
— É mesmo? Porque?
— Ah John, pensei que ele fosse ser aqueles homens ricos, que tem uma esposa mais nova para usa-la como um troféu. Mas ele parece ser apaixonado por mim, verdadeiramente. — Não sei porque, mas eu preciso colocar tudo para fora.— Ontem eu precisei da ajuda dele para tirar meu vestido, ele não me tocou! Eu nunca tive contatos com homens, a não ser ele, mas não me lembro. Pensei que ele fosse ter alguma reação, mas ele simplesmente tirou meu vestido e saiu do quarto.
— Porque eu ouço um tom de desespero em sua voz, Ana? Você queria que ele a tocasse? Como um marido toca sua mulher? — Sinto meu rosto queimar de vergonha.
— Bom... creio que nós tínhamos uma vida sexual ativa, certo?
— Você terá que perguntar a ele. — Ruborizo novamente.
— Ok. Continuando, se tínhamos uma vida sexual ativa seria normal ele ter uma atração por mim, então por que ele fugiu?
— Anastásia. Christian te ama, ele jamais faria algo com você sem ter a certeza que você quer também. — Ele tem razão... Christian é um cavalheiro. — Bom, nesse tempo no Escala você conseguiu se lembrar de algo?
— De nada... eu sei que já estive lá, mas não sei quando ou com quem.
— Vamos trabalhar mais o seu passado com Christian. Nosso tempo acabou, mas vamos ver se seu marido chegou e vou explicar para vocês como vamos trabalhar isso.
Saio da sala e vejo Christian sentado, ele está no telefone. Com quem ele esta falando?
— Papai também te ama, querida. Obedeça a Gail. — Ele esta sorrindo de um jeito que eu ainda não tinha visto, um sorriso leve e sincero.
Ele desliga e levanta a cabeça.
— Olá, Christian. — Diz John. — Antes de começarmos sua sessão eu gostaria de conversar com vocês dois. — Ele abre um armário e pega uma caixinha preta. — Dentro desta caixa eu tenho várias situações, como "Nossa primeira viagem juntos", cada noite vocês irão pegar três dos vários papéis que tem aqui dentro. Christian irá contar a situação para Ana, deixando espaço para ela tentar completar a situação ou se lembrar.
Interessante esse método de Flynn. Acho que vai ser muito bom para nós.
— Os dois concordam com essa técnica?
— Sim. — Respondemos juntos.
Então vou para o sofá enquanto Christian vai se consultar. Ele está estranho, parece tenso. A Sessão dele dura um pouco menos que a minha, quando ele sai vamos direto para o Escala.
— Vamos jantar?
— Vamos. — Sorrio para ele.
O nosso jantar foi a situação mais estranha que já passamos juntos desde quando cheguei na casa. Christian está muito calado.
— O que houve, Christian?
— Nada, está tudo bem.
— Não minta para mim. — Olho no fundo dos olhos dele.
Ele me olha surpreso pela resposta.
— Estou preocupado com as crianças. Todo santo dia elas me perguntam de você. Eu disse que você esta em uma viagem de negócios, mas sempre que você viaja há chamadas de vídeos, mas dessa vez... — Ele passa a mão nos cabelos.
— Posso fazer uma chamada com eles amanhã? Poderei deixa-los tranquilos e vê-los pelo menos pelo celular.
— Você faria isso? — Ele parece surpreso. — Obrigado, Ana. — Ele segura minha mão em cima da mesa e a aperta.
Nesse simples toque sinto uma eletricidade passar por nós e um único desejo, beijar esse homem. Percebo que ele tem a mesma reação, pois se remexe na cadeira.
— Vamos pegar a caixinha para tirarmos os papéis? — Ele pergunta se levantando.
Ele não quer me tocar? Fico triste com o pensamento.
Vou para sala de estar e o espero lá. Pouco depois ele aparece com a caixinha.
— Pegue você primeiro. — Ele inclina a caixinha.
— "Onde foi nossa primeira noite de sexo?" — Fico vermelha ao ler a pergunta.
Ele respira fundo, como se precisasse se controlar.
— Vem. — Ele estende a mão e eu aceito.
Vamos em direção ao quarto que eu dormi na noite passada.
— Nossa primeira noite do sexo foi aqui, nesse quarto. — Sinto uma contração nos músculos abaixo do meu umbigo.
Como esse homem pode estar me seduzindo assim?
— Podemos pegar as outras duas aqui? — Sento na cama e ele me acompanha.
— Minha vez. — Christian diz. — "Qual foi o primeiro presente que Anastásia deu para Christian?". — Ele sorri. — Você sabe?
Fecho meus olhos e começo a pensar. Estamos voando...
— Um planador. — Digo chocada.
— Como assim, Ana? — Christian esta com um sorriso enorme no rosto. — Você se lembrou!
— Eu não me lembro o que é um planador, mas sei que foi isso que te dei, assim como sei que já estive aqui no Escala.
— Não importa! Você se lembrou de algo! — Ele me abraça.
Nunca pensei que um abraço poderia ser tão aconchegante ou que um perfume poderia se tornar meu preferido em um segundo.
Infelizmente ele se afastou.
— Próximo papel. — Enfio a mão na caixa.
— "Quantos irmãos Christian tem?" — Começo a pensar. — Acho que apenas um, Elliot, certo?
— Elliot e a caçula da família, Mia.
— Poxa, essa eu não sabia. — Sorrio sem graça.
Caramba... Estamos no nosso antigo quarto, onde fizemos amor pela primeira vez. A primeira pergunta, o abraço... tudo esta me deixando louca para toca-lo.
— Já sei o que mais podemos fazer para trabalharmos a minha memória. — Digo meio tímida.
— O que? — Ele me olha curioso.
— Você poderia me dar um beijo.
Christian me olha surpreso, mas isso não impede que ele segure meu rosto e me beije. Sua língua invade minha boca, é uma dança íntima e extremamente saborosa. Levo minhas mãos ao seu cabelo, onde puxo levemente. Tento puxa-lo para deitar na cama comigo, quero ele dentro de mim! Mas ele se afasta.
— Anastásia... faz quase uma semana que não estou com você, não maltrate um pobre homem.
— Quero você, Christian. — Vejo que ele ficou surpreso.
— Eu também te quero, Baby. Mais que tudo. Mas vamos com calma, quero fazer você se lembra de nós e quero fazer isso aos poucos. Primeiro um beijo, quem sabe amanhã dois, depois de amanhã mais que beijos... — Um sorriso cafajeste aparece em seus lábios.
— Por que esperar? — Lamento.
— Porque eu te amo. — Fico pasma, ele nunca foi tão direto. — E não quero que você se arrependa de nada que fizer comigo, mesmo que já tenha feito milhões de vezes.
Ele se levanta e me da um selinho.
— Boa noite, Ana.
Fico sozinha no quarto. Como esse homem pode ser tão confuso? Achei que fossemos fazer amor, mas ele preferiu esperar... será que é o certo? Talvez amanhã eu me arrependesse, por conta desse meu jeito inseguro... Ele me conhece bem, e eu quero conhece-lo assim também.
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