Notas iniciais
Mais um capítulo fresquinho para vocês.

Christian:

Ana está a horas na sala de cirurgia, esporadicamente minha mãe vem me dar notícias. Durante o meu mantra comecei a ficar pensativo.

Não houve nenhum outro carro envolvido no acidente, Anastásia sempre foi cuidadosa no volante, como isso pode ter acontecido? Pego meu telefone e ligo para Taylor, lhe conto toda a história.

— Ela vai ficar bem, Senhor Grey.

— Espero que sim. Preciso de você, Taylor. Quero que verifique as câmeras de segurança da cafeteria onde ela foi com o escritor, as internas e externas. Também quero que descubra onde exatamente foi o acidente e acesse essas câmeras também. Há alguma coisa que não está certo... E peça pra alguém fazer uma perícia completa no carro dela. Ainda hoje se possível, não importa o valor.

— Pode deixar comigo, Senhor Grey.

Desligo o telefone. Não vou poupar esforços ou verbas para saber se foi falha mecânica, ação humana ou uma distração de Anastásia.

Mais 45 minutos de espera e minha mãe aparece com a roupa azul do centro cirúrgico.

— A cirurgia acabou, Christian.

— Posso vê-la? — Pergunto me levantando.

— Ainda não. Ela está sendo transferida para o quarto e ainda está sedada.

— Como foi lá dentro, mãe?

— Conseguimos conter a hemorragia, agora precisamos esperar ela acordar para sabermos se houve algum dano cerebral por conta do traumatismo craniano. — Não sei o que dizer, estou em meio a lágrimas. — Você já avisou os pais dela, filho ?

Porra, esqueci totalmente de Carla e Ray.

— Não, mãe... Vou ligar.

Entro em contato primeiro com Carla. Ela fica desesperada e começa a gritar ordens para Bob, como "Arrume as malas" e "Vá comprar passagens para o próximo vôo".

Ray parece nervoso pelo telefone, mas ainda assim foi de poucas palavras. "Estou indo para o aeroporto".

Ligo também para a minha cunhada, Kate. Ela disse que ia chamar a baba de Eva e Jason e já iria para o hospital.

Após essas ligações volto para a minha cadeira de espera. Quando minha mãe aparece novamente Kate já está ao meu lado, está muito quieta, imagino que esteja rezando.

— Christian, Kate... — Ela parece preocupada. — Ana acordou.

— Ótimo, posso vê-la? — Me levanto.

— Antes disso vamos conversar. — Ela se senta ao lado de Kate, que segura sua mão. — Primeiramente, não sei se você sabia filho, mas Ana estava grávida.

Meu mundo caiu. Isso porque eu não sabia que minha mulher estava grávida e outra porque minha mãe disse a frase no passado.

— Não, não, não... — Afundo o rosto em minhas mãos e choro.

Meus filhos são minha alegria e agora perdi um deles. Espere! A comemoração que Ana estava falando... ela ia me dizer que estava grávida!

— A criança não resistiu as pancadas que Ana sofreu no abdômen, não havia mais batimentos cardíacos. — Minha mãe está com os olhos cheios de lágrimas, ela também está sofrendo. — E tem mais uma coisa.

— Fale logo, Grace! — Diz Kate exasperada.

— Ana não se lembra de tudo da sua vida. — O que!? — Não sabemos o quanto ela lembra, hoje não tem nenhum psiquiatra de plantão.

Me levanto sem dizer nada e ligo para Flynn.

— A que devo ao prazer de sua ligação, Christian?

— Flynn, preciso de você no hospital que minha mãe trabalha. Não há nenhum psiquiatra de plantão. É para Anastásia.

— Estou indo.

Ele desliga rapidamente o telefone. Quando volto para minha cadeira as duas mulheres ao meu lado me perguntam o que fui fazer. Após uma breve explicação, Grace diz que vai fazer uma ronda pela pediatria.

Cerca de 20 minutos depois, Flynn chega e nos cumprimenta, logo lhe conto toda a história. Conversamos com a enfermeira, que permite nossa entrada no quarto de Ana.

Quando a vejo fico totalmente sem chão. Ela está muito pálida, com hematomas no rosto e nos braços, seu olhar azul está perdido, não vejo mais a segurança que via hoje cedo. Minha vontade era de me sentar em sua cama e abraça-la, para que nada mais pudesse feri-la, mas Flynn me orientou a não fazer nenhum movimento brusco, pois não sabemos do quanto ela lembra.

John a cumprimenta e se apresenta.

— Anastásia, sou John Flynn, seu psiquiatra. Me disseram que talvez você não se lembre de alguma coisas. — Vejo Ana me olhando por cima do ombro de Flynn, desconfiada.

Por favor, lembre de mim. Por favor.

— Eu me lembro de tudo, Senhor Flynn. — Droga! Isso é um péssimo sinal, Ana conhece ele.

— Então me diga, qual o seu nome?

— Anastásia Rose Steele.

Porra! Sinto como se meu coração tivesse sido arrancado do peito.

— Sua idade?

— Tenho 21 anos. — Meu Deus... Ela tem 28!

— Você é casada? — Você vai me matar, Flynn!

— Não, eu acabo de me formar. — Ela diz ficando vermelha. Ela se aproxima de Flynn para apenas ele ouvir o que ela vai dizer.

Fico intrigado e resolvo sair do quarto, quero vomitar.

Quando John sai do quarto ele vem diretamente até mim. Estou desolado, chorando como uma criança. As crianças! O que vou dizer aos meus filhos?

— Christian, eu acredito que seja uma perda de memória temporária, você fez a vida dela dar uma reviravolta, portanto, creio que seja por isso que ela não se lembra de você. — Isso, chute o cachorro morto.

— O que eu posso fazer, John?

— Primeiro devemos deixar que alguém conhecido se aproxime dela, como Katherine e seus pais. Vamos deixar que eles contem que se passaram 6 anos desde sua formatura, que ela se apaixonou e se casou.

— Porra! Porque eu não posso fazer isso? Ela vai se lembrar de mim se eu...

— Não, Christian. — Flynn me corta. — Você não vai fazer nada por enquanto, você pode acabar assustando ela, aumentando ainda mais o bloqueio. Vamos andar antes de correr.

— Isso vai me matar. O que vou dizer para os meus filhos, John? — Pergunto apavorado.

— Diga que a mãe deles está viajando a trabalho, vai ser menos doloroso do que ter uma rejeição.

Com certeza, disso eu entendo.

— Certo. Mas Anastásia vai para minha casa, como faremos?

— Ela não vai para sua casa, Christian. Entenda, essa não é sua mulher, não é a mãe de seus filhos. Essa é a Anastásia, que você conheceu a 6 anos atrás, a jovem e bela estudante de literatura que te entrevistou. — Passo a mão pelos cabelo, ele faz uma pausa para que eu possa assimilar. — Você pode alugar um pequeno apartamento para ela, até que ela comece a se lembrar. Não estou pedindo para você sair da vida dela, apenas que deixe o tempo agir. Vai ser importante ela ter você por perto, para ajuda-la a lembrar de algumas coisas, mas não como marido, por enquanto.

Minha cabeça está girando, de uma hora pra outra eu perdi minha mulher, o que devo fazer?

— Agora vou chamar Katherine, lhe explicar a situação e pedir pra ela conversar com Ana.

— Tudo bem, só preciso de um tempo para assimilar tudo isso. Você estará sempre presente quando alguém for falar com ela? Vai me dizer quando agir?

— Claro, Christian. Anastásia é minha paciente agora. — Ele se vira para ir chamar Kate.

— John? — Ele se vira. — O que ela disse quando se aproximou de você?

— Ela disse "Quem é o bonitão de olhos escuros?". E eu disse que em breve contarei a ela. — Ele sorri e segue seu caminho.

Pela primeira vez desde o telefonema de minha mãe dou um sorriso.

Logo Flynn chega com Kate, e se vira pra mim.

— Vá ficar com seus filhos, Christian, já está tarde. — Olhei no meu relógio, já passa da meia noite.

— Me ligue a qualquer hora.

Me despeço de minha mãe e vou para casa. Quando chego Taylor diz que as crianças já estão na cama.

— Tenho tudo o que o Senhor me pediu. Você vai querer ver o que encontrei. — Diz Taylor, me deixando intrigado.

Anastásia:

Quando acordo sinto uma dor de cabeça tremenda e fortes dores no abdômen. Uma enfermeira me conta que sofri um acidente de carro, mas que agora está tudo bem. Uma médica muito bondosa veio me ver, Dra. Grace Grey, me chamou de Ana sem eu precisar pedir.

O que eu estou fazendo em Seattle? Deveria estar em Portland ainda, trabalhando na Clayton, não entendo...

Algum tempo depois um psiquiatra vem me ver, junto com um homem bonito, cabelos cor de cobre, olhos escuros e uma aliança dourada enorme na mão esquerda! Esse Flynn diz que não me lembro de algumas coisas, mas eu me lembro de tudo. Antes de terminarmos a conversa o bonitão saiu do quarto, ele estava muito pálido.

Fiquei alguns minutos sozinha, mas logo Flynn voltou e trouxe Kate.

— Ana! — Ela corre e se senta na beirada da cama e me abraça, é bom ter alguém conhecido no meio de tantos estranhos. — Como você está se sentindo?

— Um pouco dolorida, Kate. Mas ficarei bem. Mas agora me diga, o que estou fazendo em Seattle? Já nos mudamos? — Ela olha para o doutor antes de me responder.

— Ana... Nós moramos em Seattle a 6 anos.

— O que!? Como é possível? — Flynn se aproxima.

— Como eu disse, Anastásia, você não se lembra de tudo, mas estamos aqui para te ajudar a lembrar.

— O que eu fiz na minha vida nesses anos? Falem! — Com o médico conversando comigo eu não tinha levado muito a sério, mas agora que Kate está aqui, falando o mesmo que ele...

— Você tem 28 anos, Ana. — Diz Kate. — É a editora chefe das Publicações Grey.

— Uau, editora chefe? — Sorrio diante a ideia. — Grey? É a segunda vez que ouço esse nome hoje, uma de minhas médicas tem esse sobrenome.

Os dois se entreolham.

— O que está acontecendo? — Pergunto.

— Grace é mãe do dono da empresa, Christian Grey. — Elas deixa o nome desse homem no ar.

— E você, Ana, tem uma relação com esse homem. — John diz.

Meu rosto queima, estou dormindo com o meu chefe? Eu não sou mais virgem?

— Uma relação profissional, eu espero? — Pergunto sem querer saber a resposta.

— Bem... — Pela primeira vez vejo Kate sem saber o que falar.

— Meu Deus! — Cubro meu rosto de vergonha.

— Você se envolveu com ele antes de entrar na empresa, Ana. — Flynn diz para me tranquilizar, o que não adiantou muito, foi assim que arrumei um ótimo emprego? — Vocês namoraram e se casaram, Ana. Estão juntos até hoje.

— O que!? Como posso estar casada e não me lembrar, eu não amo esse homem!

— Ama sim, Ana. — Kate aperta minha mão. — Você não tem que dizer isso a ele, nem voltar para a casa de vocês por enquanto, ninguém vai ter forçar a nada, apenas estamos te contando o que aconteceu nesses 6 anos apagados de sua memória.

— É isso mesmo, Anastásia. Vamos trabalhar sua memória, em alguns dias você terá alta e você irá decidir o que fazer com sua vida. Não estamos aqui para te obrigar a nada, fique tranquila. Já está no meio da madrugada, tenho que ir senhoras. Amanhã venho vê-la, Ana.

— Até amanhã, doutor.

Ele sai e me deixa sozinha com Kate.

— Me diz que tudo isso é uma pegadinha, Kate.

— Eu queria que fosse, querida. John esperou até eu estar com você para dizermos a verdade, para você não pirar.

— Deu certo. Se ele tivesse dito acho que talvez eu não fosse acreditar.

— Agora descanse, Ana. Ainda há muita coisa pra você saber, mas vou deixar um pouco dessa responsabilidade para os seus pais. — Ela ri e se direciona para um sofá, onde vai passar a noite comigo.

Deito de barriga para cima, é a única posição que não me sinto totalmente desconfortável. Começo a pensa em tudo o que foi dito. Como será que é meu trabalho? É tudo o que eu sempre sonhei, com certeza devo amar.

Mas o que está me deixando ainda mais intrigada é esse meu marido. Como será que ele é? Loiro ou moreno? Tem olhos verdes ou castanhos? Eu nunca fui de me apaixonar, poucos homens realmente me chamaram atenção. O que esse tem de especial? Algum dia voltarei a me lembrar dele? Será que vou amá-lo?

Em meio a tantas perguntas, entro em um sono profundo.

Notas finais
Me contem se estão gostando hahah