Cinquenta tons de amor
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Anastásia:
Minha madrugada foi péssima. Acordei algumas vezes com dor e outras com as enfermeiras vindo me verificar. Mas o que me alegrou foi que acordei essa manhã na presença dos meus pais. Kate já não estava mais no quarto, minha mãe havia pegado seu lugar na poltrona e meu pai estava em pé ao lado da janela, lendo um jornal.
— Faz tempo que vocês chegaram? — Pergunto um pouco sonolenta.
—Oi filha. — Carla se senta ao meu lado e começa a analisar os danos do acidente. — Que susto que você nos deu, querida.
— É verdade, Annie. Quando Christian ligou quase infartei. — Christian! Quase me esqueci dessa história que não me lembro do meu suposto marido.
— Agora está tudo bem, papai. Que horas são?
— Passa um pouco das oito. — Diz Ray.
Eles me contam que já conversaram com o Dr. Flynn e que ficaram aliviados em saber que meu quadro pode ser reversível. Conversamos um pouco sobre como foi a viagem dos dois e como está a vida deles, afinal, não me lembro dos últimos 6 anos. Minha mãe ainda está casada com Bob, o que me deixa surpresa. E Ray, está morando com Susan, sua noiva, meu coração se enche de alegria de saber que ele finalmente encontrou outra pessoa.
Ouvimos uma batida na porta e em seguida Dr. Flynn coloca a cabeça para dentro do quarto.
— Bom dia, Ana. Posso conversar com você?
— Claro. — Sorrio para ele.
— Vamos deixar vocês a vontade, até já querida. — Minhas mãe diz e puxa o ex marido para fora do quarto.
John pega uma cadeira próxima e coloca ao lado de minha cama.
— Algum progresso na memória? Lembrou de algo?
— Nada. É como se eu tivesse dormido todos esses anos.
— Hoje que você esta mais calma vamos conversar um pouco sobre seu quadro. Você tem grandes chances de recuperar sua memória, Ana. Mas para isso vamos ter que trabalha-lá. Como pedindo para o seu marido contar sobre a lua de mel de vocês, Kate contar como você ficou ao lado dela no nascimento de sua filha, — O que? Kate é mãe? — coisas desse tipo. Também vamos trabalhar sua memória no geral, como lendo livros, fazendo palavras cruzadas e jogos.
— Farei o meu melhor. — Não tenho muito o que dizer, quero apenas chorar, por que isso tinha que acontecer comigo?
— Ana, Christian está ai fora. — Ele me olha esperando alguma reação, mas apenas o encaro. — Ele quer vê-la.
Meu coração dispara e sinto um frio na barriga. Será que estou preparada para conhecer esse homem? Todos falaram bem dele, Kate inclusive disse que eu o amo. Eu não me lembro do nosso primeiro beijo ou primeiro encontro, nem se foi com ele que perdi minha virgindade... não, eu não estou pronta para conhece-lo.
— Eu não quero vê-lo, não estou pronta.
— Tudo bem, sem pressa, Ana. Vou avisa-lo. Volto já.
Ele sai do quarto e fico pensando se tomei a decisão certa, como devo agir na presença dele? Como ele é?
Poucos minutos depois Flynn retorna.
— Ele trouxe alguns itens pessoais para você e algumas coisas que eu pedi.
De dentro de uma sacola marrom ele começa a tirar alguns livros, romances britânicos. E revistas de palavras cruzadas. Há também uma pequena mala de viagens, ele deixa em cima da cadeira.
— Vou ter que ir agora, Ana. Você pode me ligar a qualquer momento. Leia bastante e faça as palavras cruzadas.
— Certo.
Fico sozinha novamente. Não sei como será minha vida daqui pra frente. Vou ser obrigada a morar com um homem que atualmente é desconhecido pra mim? Vou poder ir trabalhar? Quem são meus amigos? Minha cabeça parece que vai explodir! Não consigo parar de pensar nas incertezas.
Christian:
Acordo com a camiseta encharcada de suor e com a respiração acelerada. Fazia anos que eu não tinha pesadelos, graças a Anastásia, minha apanhadora de sonhos. Já sinto saudade dela. Como será que ela passou a noite? Será que lembrou algo? Será que lembrou de mim?
Olho para o relógio, 5:57. Sua vida é uma merda sem essa mulher, Grey.
Fico mais um pouco deitado na cama, refletindo sobre tudo o que Taylor me contou quando cheguei. Marquei um encontro com o detetive Clark, hoje ao meio dia. Ele foi um pouco relutante por ser seu domingo de folga, mas insisti que era urgente.
Me levanto e malho um pouco, em seguida tomo um banho. Saio de casa sem tomar café da manhã, enquanto eu não ver o meu amor não conseguirei comer nada. Mandei uma mensagem para Mia e pedi para ela pegar as crianças por volta das 10. Os meus domingos sempre são com eles, mas hoje preciso agir, saber quem fez mal para a mãe deles.
Chego ao hospital com a mala que Gail providenciou para Ana e com alguns itens que John pediu. Peguei os livros preferidos dela.
Vejo Flynn sentado, tomando café e me aproximo.
— Como ela está hoje, John?
— Bom dia, Christian. — Ele me olha com a cabeça inclinada. — Ainda não a vi, os pais dela chegaram. Estou dando um tempo para eles antes de entrar.
— Posso vê-la hoje? — Pergunto ansioso.
— Se ela quiser vê-lo, sim. Vou até lá.
Estou quase infartando de ansiedade, quero vê-la, segurar sua mão, beijar sua boca...
Carla e Ray estão vindo em minha direção. Eles tentam me acalmar, dizendo que tudo vai dar certo, que ela vai se lembrar. Mas nada disso me acalma, ficarei tranquilo apenas quando sair daquela boca inteligente o quanto ela me ama.
Sempre inseguro em, Grey.
Os pais de Ana resolvem ir até a lanchonete comer alguma coisa. Fico sozinho novamente com a minha ansiedade, John está demorando. Mais 10 minutos de espera e ele aparece.
— Christian, Anastásia disse que ainda não está pronta para te ver. — Suas palavras são como facadas no meu peito.
— Como ela vai lembrar de mim sem me ver? — Sinto as lágrimas chegando.
— Amanhã podemos tentar novamente.
— Entregue essas coisas para ela. Até amanhã, Flynn. — Digo entregando a sacola e a mala.
— Quero que Andrea marque uma consulta para você essa semana. Sem falta. — Ele me diz preocupado.
Aceno com a cabeça e vou embora. Assim que entro no carro começo a chorar e a socar o volante de raiva.
— Porque ela não se lembra de mim!? Porque!? — Grito no meio do choro.
Minha crise de choro para lentamente. Começo a dirigir para casa.
Quando chego em casa passa um pouco das dez, resolvo ir para o escritório trabalhar um pouco. Não há nada que Ross não possa resolver, ela já está a par de toda a minha situação. Fecho todas as guias do navegador e vejo minha foto com Ana. Tiramos a algumas semanas atrás, estávamos no Escala, brincando no quarto de jogos, depois que terminamos ela resolve pegar o celular e tirar essa foto e eu amei. Ana está com o cabelo desgrenhado, com o rosto brilhante de suor e um sorriso enorme após nossa foda maravilhosa, me lembro como se fosse ontem.
Flash back on
Anastásia está de joelhos, com os punhos amarrados nas costas e vendada. Ela está maravilhosa, dei algumas chicotadas em sua bunda e barriga, que apresentam um tom rosado divino.
Me livro do chicote e abro o botão de minha calça, tiro meu pau duro para fora e começo a me dar prazer.
— Abra a boca, Anastásia.
Sem hesitar ela me obedece e meu pau está em sua boca. Ela me chupa firme, girando sua língua em volta da cabeça, enfiando até o fundo de sua garganta. Estou quase gozando, então tiro meu pau de sua boca.
Vou atrás dela e me ajoelho, peço para ela abrir as pernas e inclinar o corpo para frente. Eu a seguro com uma mão e encontro sua entrada com a outra.
— Sempre pronta, Sra. Grey. — Sorrio maliciosamente e beijo sua nuca.
Enfio meu membro dentro dela e começo a me mexer. Não demora muito para ela gozar, mais algumas bombadas e também encontro minha libertação.
Desamarro sua mãos e a levo para cama.
— Oi. — Digo tirando sua venda e beijando seu nariz.
— Oi — Ela tem uma luz própria, está magnífica.
— Você é incrível, sabia? — Lhe dou um beijo longo e demorado.
— Eu te amo, Christian.
— Eu também te amo.
Ficamos um tempo deitados, conversando sobre tudo. Ela pede meu telefone emprestado e entrar na câmera.
— Diga X.
Flash Back off
Estou de pau duro e chorando. Apenas a minha Ana para me deixar desse jeito.
Depois do meu devaneio procuro algo para comer, está quase na hora do detetive Clark chegar.
***
Meio dia em ponto uma das empregadas traz o detetive até meu escritório, ele pode ser uma pessoa difícil as vezes, mas é pontual e o melhor de sua área.
— Sr. Grey. — Ele estende a mão para me cumprimentar.
— Clark. — Indico a cadeira a minha frente para ele se sentar.
— Posso saber o que você precisa com tanta urgência?
— Minha esposa sofreu um acidente de carro ontem, por voltas das 10 da manhã. Mas nenhum outro carro se envolveu, e Anastásia sempre foi muito atenta no volante. — Faço uma pausa para ver se ele está me acompanhando. — Então pedi para o meu chefe de segurança verificar as câmeras do local onde ela fez uma reunião e do local do acidente. E também pedi uma perícia completa do carro.
— Vocês acharam algo? Por que se encontraram, não foi um acidente e sim uma tentativa de homicídio.
— O escritor que ela teve a reunião aparentemente não tem nada a ver com a história. Mas nas imagens no estacionamento da cafeteria podemos ver um sujeito de máscara de esqui e luvas de borracha entrando em baixo do carro de Anastásia. Veja. — Coloco o vídeo.
Ele observa atentamente as imagens.
— O cara parece um profissional, tomou todos os cuidados para não deixar rastros.
— Exatamente. Agora o vídeo do local do acidente. — Coloco o segundo vídeo.
Nesse podemos ver Anastásia na avenida principal, ela da seta para entrar em uma rua menor, as luzes de freio não ascendem... ela perde o controle do carro.
Um sentimento de raiva me invade, quem teria coragem de machucar uma criatura tão pura quanto Ana?
— O desgraçado cortou os freios.
— E temos a prova escrita disso na perícia. Não houve nenhuma falha mecânica, apenas o corte dos freios.
— Ela tem algum inimigo, Grey?
— O único que tínhamos era o Hyde. Ele ainda esta preso, certo? — Pergunto preocupado.
— Esta e vai continuar assim por muitos anos. — Ele parece pensativo. — E se alguém tiver feito isso para tentar atingir você? Em todos os eventos que vocês vão qualquer um pode ver que você venera sua esposa. Então machucaram ela para te atingir. — Conseguiram.
— É possível. Como vamos proceder?
— Preciso ter acesso total as câmeras de segurança externas daqui de sua casa, do seu escritório e do escritório da Sra. Grey. Preciso saber se alguém andou observando vocês. Quero uma lista completa de e-mails e pessoas suspeitas que tenham se aproximado dela. Assim vamos descartando e suspeitando.
— Venha, converse com o meu chefe de segurança, ele vai ser capaz de te ajudar.
Levo Clark até a sala de Taylor e deixo os dois conversando. Minha cabeça está a mil, mas tenho certeza que o detetive vai dar um jeito de descobrir quem é esse filho da puta. Agora preciso esfriar a cabeça, o melhor jeito de fazer isso é passar um tempo com as crianças.
***
Estaciono o carro na frente do apartamento de Mia e Ethan. O porteiro já me conhece, então subo direto. Chegando na porta começo a ouvir a risada de Teddy, ele está aprontando. Logo sua risada vira uma gargalhada. Bato na porta e Ethan vem abrir.
— Oi cara, entra.
Vejo Theodore e Mia sentados no chão, todos sujos de tinta. Vejo algumas mãozinhas no rosto e nos braços de Mia, agora entendo o motivo das gargalhadas. Mia sussurra algo no ouvido dele, seu rosto se ilumina e ele vem até mim.
— Oi papai. — Ele diz escondendo as mãozinhas.
Me abaixo e dou um beijo nele.
— Oi Teddy. — Então, ele aperta minhas bochechas, me deixando um lado azul e o outro vermelho. — Não acredito que você fez isso, vou te pegar!
Eu corro atrás dele, fingindo que não consigo pega-lo e ele ri. Sua risada é como se fosse minha cura.
Após brincar um pouco com ele, pergunto cade Phoebe, ela está dormindo.
Converso com minha irmã e meu cunhado sobre o acidente mas não conto sobre ter ocorrido por ação humana, isso é completamente sigiloso, se vazar a pessoa irá fugir.
— Teddy, vamos embora? — Pergunto sabendo a resposta.
— Não papai, tá cedo. — Rio.
— Vamos.
Pego sua mão e o levo até o carro, Phoebe esta no meu colo, ainda meio sonolenta. Quando chegamos em casa, Gail me ajuda a dar janta e banho neles.
Essa noite não estou muito a fim de ter pesadelos. Mas como Ana não está aqui dormirei com as crianças, elas tem um efeito poderoso sobre os meus sonhos também. Estou lendo O Lorax para eles antes de dormir, Phoebe me interrompe perguntando:
— Cade a mamãe? — Aqueles olhinhos azuis cheios de esperança de que a mamãe vai aparecer de trás das cortinas.
— Verdade, estou com saudade. — Teddy diz.
— A mamãe está viajando a trabalho, ainda não sei quando ela vai voltar.
— Espero que ela não demore. — Diz meu homenzinho.
— Eu também, filho. Vamos dormir.
Apago as luzes, estou com um de cada lado, me sinto um pouco melhor. Essas crianças são a minha vida, eram para ser três... Não, Grey! Não pense nisso. Fecho meus olhos e mergulho em um sono sem pesadelos.
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