Cinquenta tons de amor
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Christian:
Acabo de desligar o telefone, era do hospital. Ana recebeu alta, como seus pais foram embora ontem a tarde eu mesmo terei que ir busca-lá. Não sei como vai ser esse reencontro, hoje é quarta-feira, 4 dias após o acidente. Ela ainda não quis me ver, fui ao hospital todos os dias e ela dizia sempre a mesma coisa "ainda não estou pronta". Cada rejeição me destruía um pouco por dentro e o pior de tudo era chegar em casa e uma das crianças perguntarem se poderiam falar com a mamãe.
Respirei fundo e liguei para Ross.
— Christian? — Ela atende no segundo toque.
— Ross, estou indo embora. Sei que ainda não são nem 16:00, mas Ana recebeu alta.
— Vá tranquilo, qualquer coisa que eu não possa resolver te ligo.
Pego meu paletó e alguns papéis, vou em direção ao carro, onde Taylor está me esperando.
— Para o hospital, Taylor. E por favor, peça para Gail mandar uma empregada para o Escala, acho que Ana vai preferir ficar lá por enquanto. Ah, também vou precisar de seguranças lá.
— Ok, Senhor.
Taylor entra no tráfego de Seattle, estou arrasado. Não sei como lidar com Ana, não sei como ela vai reagir. Terei que seguir as instruções de Flynn. Ele disse para oferecer que Ana fique em outro lugar, para ela se sentir mais a vontade e principalmente por causa dos nossos filhos.
Chegamos ao hospital depois de alguns minutos. Bato na porta do quarto de Ana.
— Pode entrar. — Ela está em pé, de costas para a porta, colocando seus pertences dentro da mala.
— Olá, Anastásia. — Estou nervoso, mas tento manter minha voz tranquila.
Ela se vira lentamente para descobrir de quem é aquela voz. Quando me vê ela fica paralisada, me olha de cima a baixo. Acho que gosta do que vê. Por alguns segundos ficamos olhando no fundo dos olhos um do outro, e para minha ruína ela morde o lábio inferior. Sinto meu pau contrair. Ela desvia o olhar.
— Sou Christian Grey, seu marido. — Digo estendendo a mão para ela.
— Olá, Christian. — Ela aperta minha mão.
— Vamos para casa?
— S-sim. — Está nervosa na minha presença, Sra. Grey? Parece que voltamos ao começo do nosso relacionamento.
Pego sua mala e dou meu braço para que ela possa se apoiar, vejo que ela ainda sente um pouco de dor. Caminhamos vagarosamente do elevador até o carro. Onde Taylor nos espera com a porta aberta.
— Sra. Grey. — Ele acena com a cabeça.
— Hum...
— Taylor. — Sussurro no ouvido dela.
— Oi, Taylor. — Sorri docemente.
Entramos no carro e meu chefe de segurança segue para o Escala. Ana está olhando para fora do vidro do carro e então resolve puxar assunto.
— Estamos indo para sua casa?
— Não, não estamos indo para a nossa casa. — Dou enfase no "nossa". — Estamos indo para o apartamento onde moramos antes do nascimento de Theodore.
— Nós temos filhos? — Ela parece chocada.
— Sim, ninguém te contou? — Estranho.— Theodore de 6 anos e Phoebe de 4 anos.
— Vou conhece-los hoje? — Vejo um brilho nos seus olhos.
— Não, Ana. Flynn acha melhor não por enquanto, ele tem medo que uma possível rejeição possa traumatizar as crianças. Então vamos para esse apartamento até Flynn dar sinal verde e você se sentir a vontade de ir para casa.
Ela não diz nada, mas a conheço bem, esta chateada com a situação.
Mais alguns minutos e estamos em casa. Pego suas coisas e levo para o nosso antigo quarto. Quando volto para sala de estar ela está analisando toda a casa.
— Esse lugar não é totalmente estranho. — Ela se senta no sofá. — Podemos conversar, Christian?
— Claro. Sobre o que quer falar? — Me sento ao seu lado.
— Eu não quis ver você enquanto eu estava no hospital porque isso tudo está me assustando. Kate disse que você é um homem muito rico, que tenho um ótimo trabalho e uma vida maravilhosa. Só que eu não me lembro de nada disso! — Ela diz com um certo desespero. — Pra mim, sou uma recém formada que ainda trabalha na Clayton's e que acredita que um homem como você jamais olharia para mim. — Ela fica vermelha depois de dizer a última frase.
— Um homem como eu? — Pergunto um pouco confuso.
— Sim, como você. Lindo, inteligente e importante.
— Anastásia, você é uma mulher incrível. Não vejo porque acha tão estranho que eu tenha me interessado por você. Quando nosso relacionamento começou você tinha essas mesmas dúvidas e inseguranças, não traga isso para o nosso presente. Eu te acho linda, com um corpo perfeito, inteligente, dedicada a família e ao trabalho. Eu acharia estranho se não me interessasse por você.
Quando acabo de falar vejo apenas seu rosto todo vermelho de vergonha. Ela está mordendo o lábio. Fecho os olhos e respiro fundo, estou a muitos dias sem ela e não posso agarra-la.
Ana muda completamente de assunto.
— Quantos anos você tem?
— Tenho 34 anos. Quando nos conhecemos eu tinha 27.
— Como nos conhecemos? — Abro um sorriso ao lembrar da cena.
— Kate teve um resfriado e você foi me entrevistar no lugar dela. — Começo a rir.
— Ei! O que há de tão engraçado? — Da um leve empurrão no meu ombro.
— Você caiu no meu escritório, eu te ajudei a levantar. Foi cômico.
— Não acredito! Que vergonha. — Ela começa a rir mas para em seguida, acho que sua barriga ainda dói. — Posso continuar minhas perguntas?
— Claro, baby. — Depois que eu falei percebi que poderia assusta-la, mas se aconteceu ela não demonstrou.
— Onde foi nosso primeiro beijo?
Agora sim as perguntas estão ficando interessantes.
— No elevador do hotel Heathman em Portland, eu estava hospedado lá.
— Eu dormi com você? Nós...? — Seus olhos se arregalam
— Dormiu, apenas dormiu. — Tento segurar meu sorriso com as lembranças.
— Eu não sei se deveria perguntar isso, mas... é... — Respirando fundo continua dizendo. — Quando nós fizemos amor, eu não era mais virgem?
Raiva explode dentro de mim. Claro que você era virgem! Você é toda minha. Se controle, Grey...
— Você ainda era virgem. Você pertence a mim em todos os sentidos, Baby. — Digo possessivamente, aproximando meu rosto do dela.
Pensei que ela iria se afastar, mas não o fez. Ficou olhando para minha boca, como se ela quisesse ser beijada.
Infelizmente não a beijei, temos que andar antes de correr.
— Vou ao meu escritório ver se tem algum e-mail importante. Se quiser explorar o apartamento fique a vontade. — Saio de perto dela rapidamente, por pouco consegui resistir.
Fui até o escritório, mal conseguia respirar.
Abri alguns e-mails, nada de muito importante, apenas um do detetive Clark.
De: Maycon Clark
Assunto: Investigação
Para: Christian Grey
Hora: 17:54
Boa tarde, Sr. Grey.
Após analisar o material enviado por sua equipe pude encontrar dois suspeitos, estavam rondando sua casa e o escritório de sua esposa. São dois irmãos Rick e Alex Spark. Marquei um interrogatório com os dois amanhã, separadamente, as 18:00.
Clark.
Respondo rapidamente seu e-mail.
De: Christian Grey
Assunto: Investigações
Para: Maycon Clark
Hora: 18:11
Obrigada por avisar, Clark.
Estarei presente.
Christian Grey,
CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.
Pra quem será que esses filhos da puta estão trabalhando? Vou matar os dois amanhã por fazerem mal a minha mulher.
Saio do escritório e vou procurar Ana, passo em frente ao nosso quarto e ouço alguns gemidos, a porta está entre aberta.
— Ana? Esta tudo bem?
— Preciso de ajuda. — Sinto meu rosto perder a cor, entro no quarto.
— O que houve?
— Eu queria tomar um banho, mas não consigo tirar esse vestido sem morrer de dor. Será que tem alguma funcionária para me ajudar? — Pergunta envergonhada.
— A Sra. Mendes foi até o supermercado comprar algumas coisas. Talvez eu possa te ajudar a tirar. — Prendo a respiração esperando sua resposta.
— Não sei... — Ruboriza.
— Ana, você é minha esposa, conheço o seu corpo melhor que qualquer pessoa. — Se ela pudesse cavar um buraco e pular dentro, ela faria. — Aliás, estou morrendo de saudade do seu corpo, mas eu jamais te forçaria a fazer nada.
Me aproximo dela e com o olhar peço permissão para puxar o vestido, ela assente. Pego a parte inferior e o puxo, deixando ela apenas de calcinha e sutiã. Meu pau fica duro instantaneamente, mas tento me controlar.
— Quando terminar seu banho, me chame que te ajudo a se vestir.
Saio do quarto e vou direto para o antigo quarto das submissas, tomo um banho extremamente frio. Anastásia vai me matar. Após o banho coloco a troca de roupa que Taylor trouxe e desço rapidamente. Espero próximo ao quarto. Poucos minutos Ana me chama.
— Christian?
Entro no quarto rapidamente e sem dizer nada pego a calça de moletom e uma camiseta e a ajudo a colocar.
— Vejo que você tomou banho também. — Ela diz sorrindo.
— Sim, vou passar essa noite aqui no Escala, para você não se sentir tão sozinha.
— Mas e as crianças? — Fico feliz que esteja preocupada com elas.
— Vão dormir na casa de Elliot. E amanhã bem cedo vou leva-los para escola.
— Ele é seu irmão... Kate o mencionou.
— Está com fome? — Pergunto.
— Na verdade não, apenas gostaria de ir para cama.
— E eu gostaria que você comesse um pouco. — Digo firme.
Ela ri.
— Prometo que amanhã comerei um pouco. Boa noite, Christian.
Já na porta do quarto me inclino e dou um beijo demorado em sua bochecha.
— Boa noite. Se precisar de mim estarei no andar de cima.
Subi as escadas, assim como Ana eu também não estava com fome. Desde o acidente não tenho comido direito, sem ela comigo parece que perco a vontade de viver. Mas acho que nosso reencontro foi muito bom, sinto que ela esta mais a vontade na minha presença. Se ela não se lembrar dos últimos seis anos eu a reconquistarei.
Anastásia:
Deitada nessa cama enorme e confortável começo a refletir sobre como foi meu dia. Foi melhor que o esperado. Christian é um homem totalmente diferente do que imaginei.
Ele foi muito atencioso comigo, e parece que me ama profundamente. Queria poder retribuir todo esse amor... queria me lembrar de tudo. Vou me esforçar para isso.
Aos poucos vou caindo no sono, pensando em lindos olhos escuros e naquele beijo na bochecha que fez meu corpo todo se acender...
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