Cinquenta Tons de Tristeza
30 Paradise City.
Notas iniciais
Capítulo passado.
– Vai se foder, eu não vou andar mais que isso. – Eu digo e ele para. Se vira devagar e me lança um sorriso convencido e em seguida seus olhos verde-esmeralda me olham com sarcasmo.
Agora.
Cam me encara com sarcasmo e eu o encaro de volta sem expressão alguma apenas nos encaramos por alguns minutos até que ele ergue as sobrancelhas e começa a andar como se estivesse fazendo um círculo em volta de onde estou.
– Sabe, até onde sei você está correndo risco blá blá blá! Enfim sua mãe tem melhorar a sua segurança, foi mais do que simples entrar aqui. – Ele diz e para atrás de mim, e eu me viro para encara-lo.
– E até onde você sabe sabichão? – Eu pergunto com sarcasmo.
– Mais do que imagina, e em alguns quesitos mais que você. – Ele diz balançando os dedos como se estivesse realmente avaliando os nossos níveis de sabedoria.
– Você veio aqui pra isso? Você só sabe as coisas erradas Cam. – Eu digo e o olho intensamente, e ele me encara com um pouco de fúria por conta da indireta.
– Não, eu não vim aqui para isso, e você também sabe muito sobre as coisas erradas. – Ele diz se aproximando.
– Então veio aqui para quê? – Eu pergunto saindo do assunto “Coisas Erradas” — Ver se você viria atrás de mim. – Ele diz e eu reviro os olhos.
– Era só pra isso? Tchau. – Eu digo e me viro. Cam segura o meu braço e eu olho para o mesmo de forma impaciente.
– Vamos dar uma volta. – Ele diz e anda em direção ao bosque. Eu continuo parada e Cam me seguida move a cabeça em direção ao bosque.
Dou um suspiro e seguro a sua mão e sinto a sua pele quente contra a minha, e ao mesmo tempo um calafrio passa pelo meu corpo. O bosque é escuro, e vir aqui a noite me faz lembrar daquele dia, eu nunca soube realmente como Tom e mamãe me encontraram, e eu me lembro de uma caverna, de ter sido atacada na caverna por um homem com asas negras.... Como algo proibido.... Mas Lian disse que me acharam no bosque, e nada sobre cavernas ou lagos subterrâneos.
– Não precisa ter medo. – Diz Cam.
– Claro que não... – Eu ironizo.
– Pelo menos não muito. – Ele diz em meu ouvido e eu não digo nada.
Caminhamos mais um pouco e eu olho para trás e vejo que as árvores iluminadas já acabaram, isso não é bom.
– Nós já demos uma volta, eu vou voltar. – Eu digo e ele para e se vira para mim.
– Sua mãe deve estar te procurando. – Ele diz e sorri para mim. – Seu pai.... Você o conheceu.
– É, eu o conheci. – Eu digo e o olho desconfiada.
– Ele se parece com você, mais do que imagina. – Ele diz e eu franzo a testa.
– Você o conhece? – Eu pergunto.
– Eu conheço a todos. – Ele diz e começa a andar para trás em direção ao bosque.
– Ei! Volte aqui, você tem explicações a me dar. – Eu digo e fecho a cara.
– Eu sinto muito pela Dali, não se preocupe você vai morrer um dia, é o ciclo da vida. – Ele diz e eu reviro os olhos e começo a andar em direção da casa.
– Lia! – Cam me chama e eu olho para trás. – Parabéns!
– Parabéns? – Eu pergunto.
– Não é pelo seu aniversário, eu apenas gosto de ser o primeiro a parabenizar em alguns casos. Não pense muito sobre as coisas, apenas viva! É assim que eu faço para ser feliz! – Ele grita para mim e eu sorrio sem entender.
– Adeus Cam. – Eu digo e me viro.
– Adeus não! Até mais. – Ele diz, mas eu não me viro para tentar entender. Cam é louco, sempre foi, e isso não é discutível.
Sorrio e balanço a cabeça, mamãe realmente deve melhorar a segurança da casa. Se bem que Cam é terrível, ele passa por dois homens gigantes sem dificuldade alguma. Isso é admirável, e um tanto assustador.
Saio do bosque e olho em volta, a maioria das pessoas presentes já falaram comigo e logo terei meu momento vergonhoso da noite, assoprar as velinhas.
Começo a andar em direção a Jéssica e paro no meio do caminho, talvez ela esteja organizando a festa, e isso não vai ser nada bom. Começo a andar na direção contrária mas ela já me viu.
– Lia! – Ela diz e eu vou andando devagar até ela.
– Sim? – Eu pergunto com um sorriso sem dentes.
– Eu fiz um vídeo seu, estava te procurando para poder passar. – Ela diz e eu assinto.
Em seguida sai em direção a casa e acho que esse ano terá algo pior do que os parabéns.
– Lia, parabéns. – Olho para o lado e vejo Alex sorrindo para mim.
– Obrigado. – Eu digo educada e sorrio de volta.
– Você não tem ido a escola, e Teddy não me disse o porquê. – Ele diz e eu levanto as minhas sobrancelhas.
– É, eu estou de atestado. – Eu digo.
– Se você quiser pegar a matéria emprestada comigo.... – Ele diz.
– Ah, eu peguei com Teddy. – Eu digo.
– Mesmo assim.... – Ele começa novamente, mas é interrompido por uma voz grave atrás de mim.
– Ela pega a matéria com Teddy. – Diz Christian e eu assinto. Estou começando a gostar do fato que ele está dando um fora nesses homens chatos por mim.
– Ah, desculpa mas o assunto é entre mim e Lia, e você não tem nada a ver com a vida dela. – Eu arregalo meus olhos e começo a imaginar uma briga dos dois. Uma briga deixaria isso daqui divertido...
– Eu sou pai dela, e você? – Diz Christian, ainda bem que eu não estava com nada na boca, pois eu certamente engasgaria.
– O clima está tenso aqui, e as bebidas ótimas, vai dar uma volta moleque, meu irmão não vai ser corno. – Diz Tom que acabou de chegar e tem seu braço sobre as costas de Alex.
– Está bem, eu vou pegar uma bebida. – Diz Alex e sai.
– Garoto esperto, gostei dele. Mas gosto mais de Nik. – Diz Tom, e eu acho que ele já está um tanto alterado, pelo nível de deboche.
– Falando em Nik, e em gostar do Nik, eu quero saber que história é essa sua com o Nik? – Pergunta Tom.
– São bastantes Nik em uma frase só. Depende de que Nik você está falando. – Eu digo começando a enrola-lo.
– Quem é Nik? – Pergunta Christian a Tom e esses dois não podem fazer amizade.
– Meu irmão caçula. – Ele diz respondendo a pergunta de Christian. – Lia não tenta me enrolar, conheço seu jogo.
– Que jogo Tom? – Eu pergunto o enrolando de novo.
– Ta vendo? Ela é esperta, cuidado com essa menina, é perigosa. – Diz Tom para Christian e o mesmo assente.
– Tom, porque não faz a pergunta direta? Você também não me enrola. – Eu digo e cruzo os braços.
– Você está saindo com o Nik? – Ele pergunta e vejo a face de Christian se contrair.
– Estou. – Eu digo e Tom me olha como se eu fosse um E.T.
– Isso é estranho Lia, e nojento. – Ele diz e eu apenas o olho sem expressão enquanto Christian olha em volta, e tenho uma leve impressão de que está procurando por Nik. E onde Nik se meteu? Ouço um barulho e me viro vendo Jéssica sobre uma cadeira e atrás dela uma tela branca, o momento de minha vergonha! Espero que ela não tenha me colocado ai nesse vídeo aos sete anos, com sete anos eu era banguela.
– Boa noite. – Ela diz e todos respondem, menos eu. – Bom, estamos aqui para comemorar o aniversário da Lia, e eu fiz um vídeo, como uma retrospectiva da vida dela! Não é todo dia que se faz dezenove anos, e não é todo dia que a aniversariante some depois de apagar as velinhas! – Ela brinca mas sei que depois irá me perturbar. – Enfim, são quase duas décadas, e elas precisam ser comemoradas! E esse é o meu presente para você! – Ela diz e desce da cadeira.
Os primeiros acordes de Paradise City – Guns N’ Rolses começam a tocar e a tela branca mostra uma imagem minha no berço deitada e gorduchinha dormindo. Tom me pega no colo e me rodopia duas vezes em meu sono enquanto mamãe grava.
Na segunda parte já devo ter nove meses e estou engatinhando atrás de uma bola e quando a pego jogo na cabeça de Jéssica, e a mesma começa a chorar e a câmera é virada para o chão e vejo as mãos de mamãe pegando Jéssica no colo.
Na terceira imagem eu já sei andar e estou com um vestido curto e fraldas perto da piscina. Meu rosto gorduchinho está próximo a câmera e eu falo coisas que não entendo, e depois dito “Tom” enquanto aceno, ele devia estar gravando.... Começo a andar e paro próxima a espreguiçadeira onde mamãe está dormindo e dou um grito fazendo com que ela acorde e derrube seus óculos de sol.
Na outra imagem devo ter três anos e estou com a roupa rosa de balé em uma sala com espelhos, estou na ponta dos pés e mamãe está ao meu lado com sua roupa de balé, segurando a câmera e fazendo o mesmo exercício que eu.
Na próxima imagem eu sou uma menina magricela dos cabelos bagunçados e bastante afobada para mostrar o seu mais novo irmãozinho. Vejo Stevie me pegar pela mão e me levar para dentro do quarto azul de bebê e eu solto a mão dele e entro pulando no quarto.
Na próxima imagem já estou na pré-adolescência e ando com short, camiseta, all star e óculos na rua, e então eu começo a andar para trás e fazer uma das dancinhas de Michael Jackson. Oh, eu me lembro desse dia!
Em seguida já devo ter quatorze e meu estado não é o dos melhores! Estou um tanto alcoolizada e se me lembro bem fiz coisas um tanto ilegais nesse dia.
Na próxima imagem eu estou abraçada a Cam e ele faz cosquinhas em mim e eu começo a empurrá-lo. A imagem muda rapidamente e eu me vejo com um cigarro na boca pulando do primeiro andar de um prédio abandonado e a imagem pausa e se transforma em três enquanto meu corpo está no ar. O solo da música começa e a imagem volta para Cam me dando cócegas, e então ele me carrega de cabeça para baixo e começa a me fazer de guitarra humana.
Em seguida eu apareço correndo com Dalila e damos um pulo no final. Apareço andando na rua com Kelly, Teddy, Phoebe, Heath, Kaio, Dalila, Cam e Liam. Em seguida eu apareço rodando com Kelly e sorrimos juntas. Estou de costas com Nik ao meu lado enquanto pulamos com fones-de-ouvido, oh gravaram isso.
Me mostram rapidamente aos quinze anos em uma apresentação de balé enquanto eu rodopio de maneira voraz e selvagem no palco. E em seguida eu estou com Lian e nós nos curvamos e começamos a rir e a música acaba.
Ouço palmas a minha volta, e essas são merecidas! Jéssica fez um ótimo vídeo, e ficou divertido por assim dizer.
Olho para o lado e vejo que Tom não está mais perto de mim. Aonde ele se meteu? Olho em volta tentando vê-lo, mas nada.
Pego o celular e ligo para mamãe e ela não atende. Talvez eles tenham ido resolver algo. Olho para a mesa e vejo que o presente de Nik e a garrafa de Uísque ficaram lá em cima, e aqueles eu levarei comigo.
– Nós já podemos ir? – Pergunto para Christian e o mesmo balança a cabeça afirmando.
Olho em volta e vejo Lian, paro atrás dele e fico imitando os seus gestos imaginando quando ele vai perceber que eu estou aqui. Ele olha por cima do ombro e me abraça em seguida.
– Lia, você está bem? – Ele pergunta.
– Estou, porque? – Eu pergunto confusa.
– Eu vi você conversando com o Cam, e então você sumiu... – Ele diz.
– Está tudo bem Lian. Não se preocupe. – Eu digo.
– Ótimo. Então já podemos começar a beber? – Ele pergunta.
– Não, estou cansada. Eu já vou. – Eu digo e o abraço novamente.
– Então tchau baixinha. – Ele diz e eu o olho com ódio.
– Cala a boca pirralho. – Eu digo e saio rindo.
Vou até a mesa e pego a caixa que Nik me deu, a garrafa de Uísque de Tom e o presente que mamãe tinha me dado mais cedo. Dou um suspiro cansado e começo a andar em direção a mesa dos Greys.
– Já vai? – Ouço uma voz rouca atrás de mim e paro no mesmo momento.
– Sim. – Eu digo e me viro. Nik está lá me olhando com seu sorriso de lado e a covinha mais fofa do mundo.
– E eu nem terei uma primeira e uma ultima dança? – Ele pergunta.
– Não, hoje não. – Eu digo e me aproximo dele.
– Que pena. – Ele diz.
– Eu já vou, estou cansada e terça-feira volto a ir para a escola. – Eu digo.
– E eu sinto muito por você. – Ele diz e me dá um selinho e eu fico um tanto surpresa.
– Sente? – Eu pergunto e coloco meus braços sobre os seus ombros.
– Claro que sim. – Ele diz e me dá vários selinhos seguidos. – Até amanhã. – Ele diz e me solta.
– Amanhã? Mas amanhã é domingo. – Eu digo e arqueio a sobrancelha.
– Sim, e eu adoro os domingos. – Ele diz. – Não coloque calça, eu te mandarei uma mensagem. – Ele diz e vai embora.
Sorrio e balanço a cabeça, se eu acordar amanhã eu vou, mas estou tão cansada que só penso em dormir.
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