Cinquenta Tons de Tristeza
39 Não está errada.
Notas iniciais
Pov. Lia
– Lia? – Ouço minha mãe gritar e saio levemente de meu transe, e a prova disso é o fato de eu soltar o caco de vidro e deixa-lo preso no peito daquele homem, mas não me mexo, apenas continuo ajoelhada olhando seus olhos abertos e sem vida, o sangue escorrendo de seu peito para o chão, e a sua pele pálida.
– Lia.... – Ouço mamãe perto de mim, mas para mim é totalmente impossível que ela esteja aqui, e dizem que depois de matar uma pessoa você vomita, no meu caso estou tendo alucinações.
– Lia. – Ouço a sua voz mais dura, próxima a mim e dessa vez não parece alucinação, ou coisa do tipo. Obrigo-me a levantar a cabeça e deixa-lo de encarar enquanto olho para trás e vejo mamãe olhando a cena um pouco confusa, enquanto olha de mim para o homem.
– Mamãe... – Eu digo baixinho e ela levanta um dedo e me calo. Mamãe pega o celular e o coloca no ouvido.
– Sou eu Eline. – A sua voz está nervosa e não consigo deixar de encara-la. – Venha até o galpão três na área das fabricas, preciso que limpe uma bagunça. – Mamãe diz e deliga o celular.
– Vamos? – Ela diz e segura os meus braços fazendo com que eu me levante e me abraça, olho por cima do ombro de mamãe e vejo Christian parado próximo à entrada do galpão. – Vamos. – Ela diz e começa a andar fazendo com que eu me mexa, mas sinto como se não estivesse realmente em meu corpo.
– Você está bem? – Christian pergunta e não consigo responder, eu não sei porque, mas parece que tem uma trava em minha garganta e eu apenas aceno com a cabeça.
– Você está machucada, ou tonta? – Christian pergunta e eu nego novamente com a cabeça.
– Está tudo bem mesmo? – Ele pergunta e ainda com a cabeça baixa sinto os meus olhos marejarem.
– Eu estou cansada. – Digo baixo, pois sei que se não disser ele não me deixará em paz, e mamãe também não.
– Está bem, eu vou chamar a polícia. – Ele diz para mamãe e mordo meus lábios.
– Não vai chamar não. – Ela diz e eu levanto um pouco a cabeça.
– Como não? Eu não sei se reparou lá dentro mas.... – Ele diz porém é interrompido.
– Você não viu nada lá dentro, ninguém viu e nem vai ver. É o futuro de Lia, e ninguém vai atrapalhar. – Ela diz autoritária.
– Futuro? Você estragou muito da vida dela ao deixa-la viajar sozinha com dezessete anos! Você é uma irresponsável Eline! – Christian diz acusatoriamente.
– Irresponsável? E você que a levou para a empresa quando sabia que era perigoso para ela sair por ai. – Mamãe devolve e me solto dela.
– Não iria ser perigoso sair por ai se ela não tivesse feito aquela viagem, ainda bem que está morando comigo porque assim posso me assegurar de que não está colocando a vida dela em risco. – Christian devolve.
– Não importa, ela não morara contigo por muito tempo, e é a vida da minha filha, se quiser chame a polícia e então terá ela te odiando, provavelmente sairá da tua casa na primeira chance que tiver, imagina se chamar a polícia.... – Mamãe diz de forma ameaçadora e continuo parada sem saber o que pensar. — .... Ela já tem muitos problemas, não lhe dê mais um. – Mamãe diz.
Um carro preto com as janelas escuras para próximo a entrada do galpão e eu olho em volta, vejo Nik andando em minha direção e dou alguns passos para longe de mamãe e Christian.
– Quem é? – Pergunto apontando para o carro.
– Não sei, você está bem? – Ele pergunta e assinto. – Eu não acredito. – Nik completa e eu olho dentro de seus olhos.
– Eu não vou para hospital algum, eu só quero dormir agora. – Eu digo e ele assente.
Duas pessoas descem do carro preto, e eu não posso identificar se são homens ou mulheres pois as duas pessoas estão de terno e mascaras. Eles apenas entram dentro do galpão e fecham as portas atrás de si.
– A cada dia fica mais assustador. – Nik diz e eu pela primeira vez sinto vontade de sorrir.
– E vem mais por ai... – Eu digo com humor, mas a frase deixa o clima pesado.
– Olha Lia, talvez as coisas melhorem, o meu informante está morto, e todos os outros que vieram atrás de você também. Talvez tenha acabado. – Nik diz e eu o encaro séria.
– Como assim acabado? — Eu pergunto para Nik.
– Tinha mais alguma pessoa que estava próxima a você que ainda esteja viva? – Nik pergunta e eu franzo a testa. – Aparentemente os que vieram te buscar mais cedo estão mortos, foram encontrados, não muito longe daqui. – Nik diz.
– Como assim mortos? Pessoas não morrem de uma hora para outra. – Eu digo.
– Sim, pessoas normais, mas essa gente tem inimigos Lia, nada é impossível. – Ele diz e começo a pensar sobre o que Nik me disse.
Talvez tenha acabado, mas isso parece uma coisa impossível de finalmente ter acontecido e algo dentro de mim diz que isso realmente não acabou, mas o que Nik disse realmente tem sentido, um por um foi morrendo enquanto me mantive viva, não sei a que custo e agora com o que fiz... Foi diferente de da última vez.... Dessa vez eu tinha uma escolha, e eu escolhi, só não sei se escolhi certo ou errado.
– Lia você vai ficar bem. – Nik diz e dá um pequeno beijo em meus lábios, mas não deixo ele aprofundá-lo pois sei que mamãe está me olhando e isso é estranho.
– Lia. – Mamãe me chama e eu ando até ela vagarosamente.
– Sim? – Eu pergunto.
– Vá e descanse. – Ela diz e dá um beijo em minha testa. – Me visita amanhã à tarde? – Mamãe pede.
– Claro. – Eu digo.
– Lia, você não está errada. – Mamãe diz e eu apenas a encaro sem saber o que responder, jogo os meus braços em volta dela e a abraço. Sinto o cheiro de seus cabelos e a segurança que ela me passa. A solto e dou um passo para trás.
– Vamos? – Christian pergunta e eu aceno com a cabeça confirmando.
Dou um tchau com a mão para Nik e ele me devolve um sorriso e coloca seu capacete.
Christian abre a porta do carro para mim e entro, sento-me próxima a janela e encosto a minha cabeça na mesma. Christian entra no carro atrás de mim e Taylor vai para o banco de motorista. O carro começa a se mover e pela janela vejo mamãe entrando em outro carro com algum dos seguranças. Olho para o carro preto e para dentro do galpão, e vejo-o se abrir, as duas pessoas que entraram ali de máscara saem carregando algo com um lençol branco em volta.
Eles abrem a porta malas, colocam lá dentro, dão a volta no carro e dão partida passando em frente ao nosso.
O carro sai de nossa vista e não demora muito para ter vários carros a nossa volta. Olho para o trânsito de Seattle e imagino se alguma dessas pessoas já tiveram uma vida perfeita.
– E então, está melhor mesmo? – Christian pergunta.
– Sim estou. – Eu digo.
– Eu fiquei preocupado com você. – Ele diz e eu o olho, essa não é uma frase comum, e ela não é ruim, e de um certo modo isso me acalma, se algo tivesse acontecido ele teria chegado a tempo para me ajudar...
– Obrigado. – Eu digo grata.
– Isso é coisa de pai e filha não é? – Ele pergunta e me sinto um tanto confusa.
– Sim, é. – Eu digo e dou um sorriso pequeno, Christian com o tempo até que pode ser um pai legal.
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