Notas iniciais
Hey gente é isso ai epílogo! Estou com lágrimas nos olhos e vocês? Obrigado a todos (as) que leram, acompanharam, favoritaram, e recomendaram! Boa leitura.

Pov. Lia

Passo os dedos em meus cabelos novamente e olho para a janela lá fora.

O dia está amanhecendo, porém eu já amanheci há muito tempo, acordei de madrugada passando mal e há menos de dez minutos descobri o motivo: Menstruei, e isso é uma droga, mas faz parte da vida.

Não consegui dormir novamente e não tenho certeza se quero mesmo fechar os olhos, tenho medo de que isso seja apenas um sonho, e que acabe a qualquer momento. Todos eles mortos... Talvez realmente tenha acabado, talvez Nik esteja certo, talvez esse seja o momento em que poderei viver a minha vida em paz.

Hoje vou começar a colocar esse plano em prática. Tentar ser uma adolescente normal.... Ir à escola todos os dias, me formar, entrar para a faculdade, conseguir um emprego, conhecer o amor da minha vida.... Tom irá se divertir quando contar meus planos a ele.

E de repente me lembro que Tom não poderá rir pois ele levou um tiro, caiu, bateu a cabeça, perdeu muito sangue e está em coma. Ontem à noite quando cheguei e obriguei Lian a me contar fiquei arrasada pois se tudo isso aconteceu com Tom foi por minha causa. Ele se colocou em risco por mim, e acabou mal, e isso faz com que eu fique mal pois agora tenho notícias boas a dar para ele e ele apenas não pode me responder, ou dizer que não se importa ou que tanto faz, quando na verdade está curioso e feliz por mim.

Me levanto da cama e vou até o banheiro. Encaro o meu reflexo no espelho e sorrio para mesma, incrível como posso estar tão mal, tão rum, tão podre por dentro e a minha aparência não mudar. Continuo do mesmo jeito em que estava quando me encarei no hospital há alguns meses atrás, talvez um tanto mais gordinha, mas não é para menos pois Christian sempre implica comigo me obrigando a comer.

Passo a mão em meus cabelos e me lembro de Tom dizendo que eles eram grandes e cheios, me lembro dele me comparar a uma leoa com juba, e sorrio ao mesmo tempo em que meus olhos ficam marejados, nesse momento apenas desejo que ele fique bem.

Saio de frente do espelho e tiro o meu pijama. Entro embaixo do chuveiro sentindo a agua cair sobre o meu corpo e relaxar meus músculos.

Saio do chuveiro e escovo meus cabelos até eles ficarem lisos de modo que passam um pouco do quadril, reparo que estão um pouco mais claros que o normal e franzo o cenho, mas não me importo, deve ser o sol mais forte de hoje.

Coloco um short jeans, uma camiseta preta, uma jaqueta jeans, all star preto, deixo os cabelos soltos e coloco um laço vermelho no mesmo, coloco um par de argolas nas orelhas.

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Depois que estou vestida passo batom vermelho na boca, delineador e rímel nos olhos. Volto para o quarto e pego uma mochila e nela coloco a garrafa de Uísque que Tom me deu de aniversário.

Coloco meus óculos Ray Ban e saio do quarto, desço as escadas e saio da Mansão Grey sem ninguém me ver.

**********

Passei pela recepção do hospital sem dificuldade e paro em frente ao quarto, respiro fundo e entro no mesmo.

Uma enfermeira está próxima a cama o examinando. Encaro Tom e me apoio na porta pois sinto uma tontura ao ver seu estado. Ele está deitado inconsciente ligado a várias maquinas. Seu rosto está pálido e seus cabelos negros levemente grisalhos na altura dos ombros que normalmente servem de charme agora deixa a sua aparência mais velha, e para mim mais frágil.

– Bom dia. – A enfermeira se pronuncia fazendo com que eu perceba que não estou sozinha ali.

– Bom dia, você sabe quando ele vai acordar? – Eu pergunto ansiosa.

– Não sabemos, esperamos que ele acorde até o final do dia, mas não se preocupe não aconteceu nada com ele, eu apenas vim checar. – Ela diz e eu assinto. – Com licença. – Ela diz e sai do quarto.

Continuo parada perto da porta e respiro fundo buscando coragem dentro de mim para que pela primeira vez na minha vida eu não fuja dos meus sentimentos. Começo a andar em direção a cama, e a cada passo que dou sinto mais vontade de chorar e o nó em minha garganta crescer.

Puxo a cadeira que está próxima a cama e sento sobre a mesma sentindo o material frio entrar em contato com as minhas coxas. Passo a mãos próxima ao rosto de Tom esperando que ele vá abrir os olhos e me expulsar do quarto dizendo que estou atrapalhando o seu sono, mas isso não acontece. Ele continua ali parado, em minha frente sem fazer absolutamente nada.

Deixo algumas lágrimas escaparem e choro silenciosamente enquanto observo o seu rosto, o rosto que desejava ter quando criança. Eu sempre o admirei, a forma como ele faz as coisas por mais brutas que sejam sempre me parecerão certas.

Pego a sua mão com delicadeza e aperto contra a minha enquanto deixo as lágrimas mais desesperadas saírem de mim e seguro as que não devem sair, seguro as que prendo há mais de um ano, e seguro as que prendi dentro de mim a vida inteira.

– Tom... – Eu o chamo com um fio de voz, mas é inútil, ele não se mexe, apenas continua parado sem se mexer, sem fazer nada. – Tom, eu acho que acabou. – Eu digo.

Me ajeito na cadeira e tiro a mochila das minhas costas e coloco a garrafa de Uísque em meu colo.

– Olha eu não sei o que dizer Tom.... Eu... Eu sou tão boa com as palavras quanto você então.... – Eu começo e tento segurar as lágrimas, mas é em vão. – Eles me pegaram Tom, eles me tiraram daqui, do hospital, e eu pensei que nunca estaria a salvo pois você não estava bem.... Mas eu consegui, todos me ajudaram, todos aprenderam algo com você. Eu aprendi tudo o que ei com você Tom. Me lembro de quando implicava comigo, de quando me ensinou a lutar, de ter me ajudado a lidar com as garotas no balé, de ter convencido a mamãe a me dar um cachorro e muitas outras coisas que tem significado imenso em minha vida, é uma vida curta, mas é uma história longa Tom, ouvi alguém me dizer isso... – Eu digo pensativa com a cabeça encostada na cadeira. – Acho que foi você, e agora eu já tenho dezenove anos, e você Tom? Quantos anos você tem? – Eu pergunto com a esperança de que ele possa estar me ouvindo.

– Você tem que acordar Tom, pra me dizer a verdade, eu sei que você já tem sessenta anos. – Eu digo o provocando. – E você me deu uma garrafa de Uísque... Quem vai beber comigo? – Eu pergunto novamente sabendo que não irei ter resposta, mas dessa vez o silêncio me incomoda. – Eu não vou ter ninguém Tom, ninguém para me divertir, nenhum dos meus amigos é como você.... – Eu digo e limpo o meu rosto. – Então trate de voltar.... – Eu digo e aperto a sua mão.

*********

Passo o resto da manhã com Tom, recontando história que me lembro, coisas engraçadas que o obriguei a me ensinar e não consegui praticar nenhuma delas.

Saio do hospital depois de passar na lanchonete e comer um pouco pois já estava com muita fome.

Pego um táxi e dou o endereço da casa da mamãe, pois ela me pediu para ir visita-la hoje.

**********

A casa da mamãe está vazia, ela combinou comigo no começo da tarde e ainda está na hora do almoço.

Subo as escadas e entro no meu antigo quarto sentindo falta daquele espaço que combina comigo, que se liga a mim, e que eu amo. Passo a mão sobre a cama e me sento sobre a mesma. Olho os objetos que deixei aqui e que irei deixar, entro no meu antigo banheiro e sorrio ao ver todos aqueles batons vermelhos ali presentes, saio do banheiro e em seguida do quarto fechando a porta atrás de mim.

Entro na sala onde mamãe costuma pintar e vou até a varanda olhando o bosque lá fora. Puxo uma cadeira e me sento ali observando pássaros voarem, o vento batendo contra as árvores, o sol refletido na piscina.

Ouço um barulho acima de mim e levanto a cabeça. Cam está sobre a varanda e então ele pula dali e cai com leveza ao meu lado.

– Lia. – Ele diz apenas isso e eu me levanto.

– Como entrou? – Pergunto curiosa.

– Você sabe. – Ele diz e eu me viro de costas para ele e me encosto no muro da varanda. – Tenho os meus truques. – Ele diz e se coloca ao meu lado na mesma posição em que estou.

– Foi você. – Eu digo acusatoriamente.

– Se foi eu que matei aqueles que vinham te obrigar a sofrer? Sim, foi eu. Está reclamando? – Cam diz de forma irônica e reviro os meus olhos. – Você também matou, e essa não foi a primeira vez. – Ele diz.

– Isso não é da sua conta. – Eu digo e me viro para ele irritada.

– É, mas você está viva por minha causa, e essa não é a primeira vez que eu intervi. – Cam diz de forma arrogante.

– É mesmo? Obrigado, agora se manda. – Eu digo e ele me puxa pela cintura fazendo com que nossos corpos se colem.

– Não peça algo que você não queira Lia. – Ele diz e passa o nariz pelo meu pescoço, e sem que eu queira a minha respiração se torna ofegante e assim que percebe isso Cam me solta.

– E agora você vai voltar pra Seattle? Vai voltar a escola? – Eu pergunto curiosa.

– Eu vou ficar na cidade, mas não vou ter tempo para ficar em escola. – Cam diz.

– Claro.... Porque você é super ocupado. – Eu digo de forma irônica.

– É obvio que vou estar ocupado. Não gosto de transar com a mesma garota duas vezes, a não ser com você.... Então vou estar ocupado seduzindo por ai. – Cam diz e eu dou uma gargalhada.

– Com quantas garotas você transou mais de uma vez? – Eu pergunto.

– Três ou cinco.... Não conto, mas você e Dalila estão entre elas, e a sua prima Jéssica eu transei com ela duas vezes. – Cam diz como se procurasse mais alguém em sua memória.

– Entendi garanhão. – Eu digo e o silêncio se torna presente junto com o vento gelado.

– Será que acabou Cam? – Eu pergunto pensativa.

– Nada tem fim. – Ele diz e sobe sobre o muro da sacada e pula. – Estou louco para te parabenizar. – Ele diz.

– Pelo que? – Eu pergunto.

– Na hora certa você vai saber. – Ele diz e corre em direção ao bosque.

*********

Não demora muito para mamãe chegar em casa com Lian e passar a tarde inteira conversando comigo. Pela primeira vez ela não joga a sua empresa em cima de mim, e tenta a me ajudar a escolher uma futura profissão, não deu muito certo, mas pelo menos tentamos.

Ela diz que eu posso voltar para a casa dela e que não preciso mais ficar com os Greys e eu não digo nada pois sei que isso é uma briga futura na certa.

Mamãe diz que vai passar a noite com Tom, e que Nik está com ele. Não demora muito para eu ir embora com meu carro, eu senti muita falta dele e não posso deixar de sorrir ao sair da casa da mamãe com ele.

Resolvo andar um pouco de carro pela cidade e aproveitar a calmaria que me acompanha, pelo menos por enquanto.

Encaro as primeiras luzes se acenderem e o céu escurecendo e não posso deixar de achar tudo isso lindo.

Viro a esquina e sorrio me direcionando a casa dos Greys.

Notas finais
E ai? Quem gostou? Volto no comecinho de agosto com a segunda temporada! Comentem muito! Bjs!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!