Cinquenta Tons de Tristeza
15 November Raim
Notas iniciais
Pov. Lia
Estaciono o carro, e entro em casa com aquela montanha de sacolas. Olho em volta e vejo que todos os meus primos estão aqui. Menos um, o único que eu realmente queria ver.
Depois de cumprimentar a todos eles vou até Beatriz, ela tem nove anos, é uma garota doce e esperta, só que na família as coisas para ela são complicadas, pois dos adolescentes o mais novo tem quatorze anos. E das crianças depois dela o mais velho tem dois anos, então ela sempre fica mais afastada.
Me abaixo ficando da altura dela que está sentada no sofá.
– Oi, como você está? – Pergunto e ela se assusta um pouco, pois não tinha reparado que eu estava ali.
– Bem. E você? – Ela pergunta, mas vejo que ela parece estar triste.
– Estou bem. – Digo e dou um sorriso para ela. – Por que você está triste?
– Eu pensei que o meu irmão já estaria aqui. Ultimamente ele só trabalha. – Ela diz e dá de ombros. E é exatamente o irmão dela que eu queria ver, ele não veio me visitar depois que eu voltei. E antes de viajar nós tínhamos brigado.
– É, eu também queria falar com ele. Você viu minha mãe? – Pergunto, enquanto passo o olho na sala e não a vejo.
– Ela está com o tom, na verdade ela disse para você descer para falar com eles assim que você chegasse. – Ela responde.
– Então tá bom. Eu vou lá falar com a minha mãe e já volto, está bem? – Pergunto e ela assente.
Subo as escadas e coloco as sacolas no meu quarto. Desço as escadas e vou para a biblioteca. Depois que eu passo por dentro da estante eu desço as escadas do porão e vou em direção a sala de Tom.
Bato na porta duas vezes e Tom a abre para min.
A sala está do mesmo jeito que estava da última vez em que eu vim aqui.
– A Beatriz disse que era para eu vir para cá. – Digo ainda olhando para as paredes. E então meus olhos pousam sobre um homem que está no canto da sala em pé. Ele é alto, loiro, olhos azuis, cabelos curtos, cavanhaque baixo, e tem uma cara de psicopata que dá um tesão que só. Olho para as suas roupas e vejo que está com uma blusa de manga comprida cinza, uma calça preta e botas de couro. Uau, ele é quente.
– Sim, esse é Nik, meio irmão mais novo de Tom. E vocês vão se ajudar.
– Tom, você tem um irmão mais novo? – Pergunto surpresa.
– Tenho, e como Eline ia dizendo vocês dois irão se ajudar a partir de hoje.
– Como assim “se ajudar”? — Pergunta Nik, e Deus que voz rouca é essa, ele é muito tesudo. Acho que vou enlouquecer.
– Bom, Nik esteve no exército e ocorreu um acidente de percurso no meio do deserto, e todos os companheiros dele morreram. Ele ficou muito tempo perdido com poucos suprimentos, e tem dificuldade para se misturar com as pessoas. E a Lia foi traficada, o namorado dela a abandonou e não deu sequer um telefonema, a namorada dela foi assassinada, e ela passou muito tempo lá até decidir fugir, e levar consigo outras garotas, e agora eles estão perseguindo-a. – Resume Tom. – Então a partir de agora vocês são um time, Nik vai te ajudar com a sua segurança pessoal, e você vai fazer companhia a ele e levar ele para sair. Vocês entenderam? – ele pergunta, e eu tenho até medo de recusar, apenas pelo tom de voz dele e a expressão de minha mãe.
– Claro. – Eu digo.
– Tudo bem. – Diz Nik com aquela voz deliciosamente rouca.
– Então, eu já posso subir? – Pergunto.
– Seus primos vão cantar uma música é par você ir para o piando. – diz mamãe.
– Claro. – Respondo sem vontade alguma de tocar piado.
Saio da sala de Tom, e começo a subir as escadas, entro na biblioteca pela estante, vejo Lully deitado em um tapete não muito longe de min, vou até ele e lhe faço um pouco de carinho na orelha, mas só um pouco pois eu ainda acho que foi culpa dele o fato de eu ir ter parado dentro daquela caverna e ter alucinações.
Saio da biblioteca e vou para o meu quarto. Entro no banheiro e tomo um banho completo, lavo meus cabelos e me depilo.
Saio do banho passo um pouco de creme no cabelo já que eu vou ter que usar ele cacheado agora. Vou até o Closet e coloco uma saia justa preta que fica na metade da minha coxa, uma camisa preta com uma espécie de frufru na região dos seios e sapatos pretos de boneca.
Passo um batom vermelho e desço, fico conversando com Beatriz de dez a quinze minutos, até que meus primos começam a colocar instrumentos próximos ao meu piano de cauda preto.
Depois que eles terminar de arrumar eles se colocam em pé com os seus instrumentos na mão. Vejo Beatriz se levantar e ir até o seu violino.
– Lia, piano. – Diz Jorge.
Me levanto demonstrando toda a minha falta de vontade de tocar, eu nem sei que música é para tocar.
– O que nós vamos tocar? – Pergunto assim que me sento em frente ao piano.
– November Raim. – Me responde Jorge.
Vejo que mamãe, Tom e Nik entram na sala. Olho para Nik e vejo que ele está olhando para min divertido como se estivesse curtindo alguma piada interna.
– Lia, nós já vamos começar. – Avisa Jorge.
– Esperem um minuto estão tocando a campainha. – Diz tia Rose a mãe de Beatriz.
Ela abre a porta e vejo Teddy e seus país seguidos de uma senhora que provavelmente deve ser avó de Teddy.
Merda, eles vão me dedurar para mamãe, eu não devia ter batido em Gabriel na frente deles.
– Lia, agora. – Grita Jorge me tirando de meu transe.
Coloco a mão sobre o piano e começo a tocar as primeiras notas da música.
Tudo estava correndo bem até que um dos meus primos que estavam tocando guitarra resolve subir em cima do meu piano na hora do solo. Nossa ele quer arranjar briga, fico olhando para ele enquanto ele toca como se não estivesse fazendo nada de errado. Quando o solo da música acaba, ele sai de cima do piano e eu me acalmo um pouco, mas isso não quer dizer que eu não vou reclamar muito com ele. Vejo Beatriz dá um passo à frente com seu violino e Matheus vai para frente com a sua guitarra.
Me levanto do banco a frente do piano e toco todas as notas perfeitamente. Quando a música acaba me levanto e vou até a janela que da visão para a parte da frente da casa.
– Você vai ao psicólogo? – Sinto um arrepio passar pelo meu corpo ao ouvir aquela voz. Viro o rosto e vejo Nik olhando para a paisagem lá fora.
– Não, e você? – Pergunto.
– Não gosto muito de conversar. – Ele diz ainda sem me encarar.
– Então por que veio falar comigo? – Pergunto.
– Tom pediu para eu vim falar com você, e eu vim já que agora aparentemente vamos passar muito tempo juntos. – Ele diz me olha de lado e dá um meio-sorriso encantador.
– Olha, eu não estou querendo ser grossa, mas o Tom e a minha mãe são malucos. Eu não posso dizer não para a minha mãe e também não tenho nada contra esse arranjo que eles inventaram. Mas não se sinta obrigado a participar disso, você não precisa fazer isso... – digo torcendo para ele dizer que também não tem nada contra min.
– Tom está certo, eu preciso voltar a ter contato com as pessoas. – Ele diz. Bom, tomara que ele volte a tem contato físico e logo.
Sinto meu celular vibrar em minha mão. É uma mensagem de Kelly.
Kelly: Vamos sair? ;)
Lia: Vamos. Adivinha quem apareceu aqui em casa....
Kelly: O Cam?
Lia: Não, Teddy, o Senhor e a Senhora Grey e uma senhora loira mais velha. Acho que vão me dedurar sobre Gabriel.
Kelly: Sai daí agora, me pega aqui em casa. Provavelmente quando saírem daí vão vir aqui em casa. Eles já falaram alguma coisa para a sua mãe?
Lia: Não, mas nós estávamos tocando November Raim. E agora eu estou em um canto afastado da sala. Sabia que eu vou ficar perto de um gato agora?
Kelly: Quem? E como assim perto?
Lia: É uma longa história. Quando a gente se encontrar te conto. Até mais!
Kelly: Até mais. :*)
Olho para Nik e o vejo mexendo em seu celular e fones-de-ouvido. Ele olha para min e me oferece um fone. Pego com um pouco de receio, e me aproximo dele um pouco por que o fio não é tão grande.
Ele mexe um pouco no celular e eu ouço Misunderstood do Bom Jovi. Uau, ele é lindo, voz linda, visual lindo, sexy, e ouve Bom Jovi. Que vontade de suspirar, colocar a mão na testa e me jogar para trás.
Quando a música chega no refrão ele canta baixinho refrão e eu canto junto. Quando a música vai para a segunda parte dou um pulinho e ele começa a pular junto comigo. Sorrio enquanto canto a música, ele faz uma carinha safada parecia com a do Jon Bom Jovi e u dou um risinho.
Quando a música volta para o refrão nós dois pulamos alto ali em frente à janela e começamos a cantar. Ele passa um braço em volta do meu ombro, e eu adorei isso, me arrependo imediatamente de ter colocado uma camisa de manga comprida, pois eu adoraria sentir a pele dele contra a minha.
– Lia... – Ouço a minha mãe chamar e me viro fazendo com que o fone saísse do meu ouvido.
– Sim? – Digo e pelo canto do olho vejo Nik se virar também.
– Eu gostaria que você viesse conversar comigo e com a família Grey. – Ela diz. Meu Deus fodeu!
– Mãe é que eu estava de saída. Eu combinei de encontrar com a Kelly... – Eu começo a dizer, mas ela me interrompe.
– A Kelly não vai se importar se você se atrasar quinze ou vinte minutos. – Mamãe diz e me puxa em direção a seu escritório. Merda, merda, merda!
Mamãe abra a porta, me puxa para dentro e fecha a porta atrás de si. Vejo o Sr. E Sra. Grey, Teddy, e a senhora loira sentados em um sofá dentro do escritório. Assim que entro todos olham para min, menos o pai de Teddy.
Mamãe se senta no sofá branco de frente para eles, ela dá dois tapinhas as seu lado pedindo para eu me sentar lá. Mas ao invés de ir sento-me em na poltrona.
– Bom, essa é a Senhora Grey, mãe do Senhor Grey. – Mamãe diz.
– Prazer. – Digo apertando a mão da senhora loira. – Pode me chamar de Lia.
– O prazer é todo meu. – Ela diz e me dá um sorriso. – Pode me chamar de Grace.
Depois dessa apresentação o escritório fica em silencio. Bom, eu que não vou falar, não chamei ninguém aqui mesmo. E o silêncio continua. Meu celular vibra e vejo que é uma mensagem de Kelly.
* Vai demorar? *
– Então... Não é querendo ser mal educada mamãe, mas eu tenho um compromisso lembra? – Pergunto.
– É, e Nik vai com você. – Ela dz. Sério Deus, ela só queria falar isso para min? Nada contra a minha mãe, mas as vezes ela é um pé no saco e....
– Na verdade era eu que queria falar com você. – Diz o Sr. Grey interrompendo o meu falatório mental. Olho para ele esperando a lição de moral sobre agressão física.
– Você, é minha filha. – Ele diz como se estivesse fazendo uma grande explicação. Espera, mas o que ele disse? Tipo filha, que ele é meu genitor, e ele e mamãe transaram no passado. Oh Deus, era ele que tanto iria me renegar? Espera de novo, ele falou assim como se fosse uma explicação? E ele não tem nada a ver com isso, tinha que ser mamãe a me contar! Eu e ela estamos envolvidas nisso! Não ele. Bom, o que eu posso fazer? Foi eu que perguntei isso por anos agora que eu tenho a resposta acabou! Eu vou seguir a minha vida como se nada tivesse acontecido. Será que vou mesmo? Meu Deus eu e Teddy quase namoramos! Ainda bem que nunca chegamos nem a nos beijarmos! Será que ele vai falar pra Kelly parar de ser minha amiga? Será que ele e Phoebe vão parar de falar comigo?
Olho para Teddy e vejo que ele não parece nada surpreso, Grace e a Sra. Grey também não, e mamãe, eu nem preciso comentar. Ela sempre soube. Ela é a raposa desta história! Eu odeio o fato de nunca terem me contado, eu odeio o fato de terem me contado, e eu odeio mais ainda que eles souberam da minha vida antes de min. É a minha vida merda!
Penso tudo isso sem nem sequer modificar a minha expressão. De todas essas perguntas uma delas me deixa mais curiosa. E eu resolvo perguntar.
– Quem mais sabe? – Pergunto ao Sr. Grey.
– Toda a minha família. – Ele responde.
– A senhora disse para mais alguém? – Pergunto para mamãe.
– Toda a nossa família, menos Lian, Jorge, Jessica, Beatriz e para o Guto. – Ela diz.
– É óbvio que a senhora não contou, eles são leais e teriam me contado. – Respondo e viro a cara e começo a contemplar os vários quadros abstratos que tem na parede. – Senhor Grey, tem mais alguma coisa para me dizer? – Pergunto sem olhar para ninguém em especial.
– Sua mãe diz essa parte. E pode me chamar de Christian, se quiser. – Ele diz, e eu quase respondo tanto faz, a uma altura dessas do campeonato... Só não digo por que mamãe e a verdadeira culpada.
– Você tem sido muito ameaçada ultimamente, e para a sua própria segurança você vai morar com o Sr. e a Sra. Grey. – Ela diz. Mas o que?! Mamãe pirou de vez!
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