Cinquenta Tons de Tristeza
16 Novas Decisões.
Notas iniciais
Capítulo Passado
– Você tem sido muito ameaçada ultimamente, e para a sua própria segurança você vai morar com o Sr. e a Sra. Grey. – Ela diz. Mas o que?! Mamãe pirou de vez!
Mamãe enlouqueceu de vez! Ela só pode estar se drogando. Eu vou ter que manda-la para a reabilitação! Ela quer que eu vá morar na casa do meu suposto pai, se é que é meu pai mesmo.
Dou uma boa olhada nele e percebo que é a primeira vez que eu realmente o olho. Jesus! Eu sou idêntica ao homem, nem Teddy é assim e olha que todos dizem que ele é a cópia.
E jesus, eu a filha “bastarda” ir morar na casa deles? Mamãe só pode estar fazendo chantagem!
– Lia é para a sua segurança. – Minh mãe diz. De certo modo mamãe está certa.
– E vocês concordam com isso? – Pergunto a Sra. Grey.
– Sim, concordamos, e pode me chamar de Ana. – Ela diz e me dá um sorriso. É, dela eu gostei.
– Está bem eu vou. – Digo. – Que dia eu tenho que ir? – Pergunto a minha mãe.
– O Sr. e a Sra. Grey que decidem isso. – Ela diz e eu me viro para os dois.
– No domingo à tarde nós podemos vir te buscar, está bem? – Ela pergunta.
– Está bem. – Digo e me levanto. – Com licença. – Digo e saio da sala.
Vou andando pela casa e vou até a biblioteca, e eu sinto uma vontade forte de chorar, mas eu não devo, não agora! Paro em frente a estante entro, desço as escadas e entro na sala de Tom sem bater.
– Eu sei quem é meu pai. – Eu digo e ele se vira para min.
– Você sabe, mas ainda não digeriu não é? – Ele pergunta.
– Eu estou confusa, eu sempre quis saber e agora eu não sei o que fazer com essa informação Tom. – Eu digo e bato um pé no chão.
– Fique algum tempo sozinha. Converse consigo mesma. Pode ajudar. – Ele diz e dá de ombros, então se vira e começa a mexer nas gavetas de sua mesa. – Tome — Ele diz e se vira, com uma barra de chocolate nas mãos. – Pode te ajudar.
Pego a barra de chocolate das mãos dele e volto para a parte de cima da casa. Sento-me no sofá e envio uma mensagem para Kelly.
* Daqui cinco minutos saio de casa. *
Levanto do sofá e vou para o lado de fora pegar meu carro. Vejo Nik ao lado de um Cadillac preto em perfeitas condições. Sinto uma vontade enorme de mostra-lo para Kelly. Me aproximo dele e lhe lanço um sorriso.
– Então, está pronto para o nosso primeiro passeio? – Pergunto.
– Então para onde nós vamos? – Ele responde com outra pergunta.
– Buscar uma amiga minha... – Digo fazendo um suspense. Ele espera que eu fale mais, mas eu apenas fico calada.
– E depois de buscar sua amiga vamos... – Ele me pressiona.
– Nós vamos aonde os céus nos levarem. – Eu digo e sorrio.
– Está bem. – Ele diz dá a volta no Cadillac e abre a porta do banco de carona para min. E eu apenas o encaro.
– Se nós vamos no seu carro eu quero dirigir. – Digo mexendo nos cabelos.
– Não, meu carro, eu dirijo. Entra logo Lia. – Ele diz e fica esperando eu entrar no carro, mas eu continuo parada. – Vamos sua amiga está esperando não é? – Ele pergunta e me lembrando que Kelly já está esperando a bastante tempo entro no carro, ele fecha a porta e vai para o lado do motorista.
Ele sai de dentro da casa e eu sinto como se um peso fosse tirado dos meus ombros. Eu odeio essa casa, desde o dia em que eu cheguei não gostei dela, tudo o que eu queria em relação a casa era ir embora.
Bom, ir morara com os Greys não era exatamente o que eu tinha em mente. Eu me sinto como se estivesse invadindo o espaço pessoal deles. Eu não gosto quando as pessoas invadem o meu espaço, então eu também não quero invadir o deles.
Tento relaxar um pouco, vou ter até domingo para pensar no que eu vou fazer, dizer para mamãe que eu ria foi apenas uma forma de sair de casa.
Olho para o lado e vejo Nik concentrado na estrada a sua frente.
– Aonde a sua amiga está? – Nik pergunta.
– Vira a sua direita daqui a um quilometro, e vai ter uma rua com descida, dirija até o final dela e pode para ao lado de um condomínio. – Eu digo.
– Essa sua amiga, como ela é? – Ele pergunta. Olho para ele.
– Nem a conheceu ainda e já está interessado? – Pergunto com uma sobrancelha arqueada.
– Eu não me interesso por adolescentes. – Ele diz sério. Eu acabei de levar um fora, descobri quem é meu pai, vou virar intrusa em uma família feliz e acabei de levar um fora! Meu dia só pode pai... – Pelo menos não costumo me interessar. – Ele diz e dá um sorrisinho de canto.
Bom, agora estou confusa, ele me dá um fora e depois manda uma indireta? Ele e lindo, mas e mais maluco do que eu.
Ele faz o caminho da forma que eu expliquei e para o carro próximo ao portão do condomínio de Kelly. A vejo sentada na calçada mexendo no telefone. Coloco a cabeça para fora do carro e grito alto o nome dela.
– E ai, eles te deduraram? – Ela pergunta parada ao lado do carro.
– Não, mas foi muito sinistro. Entra. – Eu digo e ela entra no banco de trás.
– Kelly, este é Nik está é Kelly. – Digo movimentando as mãos na direção dos dois.
– Oi. – Diz Kelly levantando a mão para cumprimentá-lo.
– Oi. – Ele responde e a cumprimenta.
– Para onde vamos? – Pergunta Nik olhando para min.
– Não sei... – Digo. – Kelly? – Pergunto.
– Vamos tomar sorvete. – Ela responde me olhando bem, ela deve ter percebido que há algo de errado, pois pela primeira vez na vida não me animei com a ideia de comer.
– Vamos tomar sorvete no shopping. – Digo a Nik e encosto a cabeça pensativa na janela do carro.
Eu estranhamente não me sinto bem. Passei toda a minha curta vida tentado descobrir quem era meu pai. Tantas brigas com mamãe para nada. Agora que eu sei eu estranhamente ainda me sinto incompleta, só que agora eu me sinto vazia, mais vazia do que eu já senti qualquer outra vez na vida.
Eu estou em um ponto da minha vida que eu acho que não vou ser feliz. Se eu nunca fui antes por que eu iria ser agora? E em minha vida toda eu me faço essa pergunta, e eu nunca acho uma resposta. E também nunca acho a felicidade. Pelo menos não achei a verdadeira. Às vezes eu fico alegre, contente e até me divirto, mas são coisas, momentos e pessoas que me deixam assim. Eu gostaria de me sentir feliz apenas por existir e por respirar. Mas eu não consigo.
E as vezes eu penso que se eu não posso ser feliz eu posso fazer alguém feliz. E eu tenho esse pensamento em relação a minha mãe desde que sou pequena. E é apenas por isso que eu vou para a casa dos Greys. É por isso que todos os dias eu vou para a maldita escola. E é exatamente por isso que quase todos os dias desde que eu voltei eu olho de madrugada uma porção de sites sobre faculdades, por que eu sei que isso a deixaria feliz.
– Chegamos Lia. – Diz Kelly suavemente enquanto passa a mão pelo meu braço. Balanço a cabeça concordando e saio do carro.
Eu, Kelly e Nik vamos andando devagar pelo shopping. Subimos todas as escadas rolantes em silencio até chegarmos na praça de alimentação. Sentamos em uma mesa próxima as lanchonetes.
– Vocês querem sorvete de que? – Pergunta Nik se levantando.
– Eu quero hambúrguer. – Respondo.
– Eu também. – Diz Kelly.
– É, eu também quero, então são três hambúrgueres e o que para beber? — Ele pergunta.
– Uma Coca-Cola. – Eu digo.
– Duas na verdade. – Responde Kelly, ele assente e vai em direção as filas.
– Onde você arranjou esse bofe? – Ela pergunta.
– Minha mãe e o Tom que inventaram um negócio ai de parceria, e agora nós temos que andar juntos para tudo quanto é canto. – Eu respondo.
– Hum, e você está adorando né? – Ela pergunta.
– Com certeza, principalmente a voz. – Eu respondo e nós rimos.
– E as botas. – Ela diz e se abana. – Mas então, você não me disse o que os pais de Teddy foram fazer na sua casa. – Ela diz.
– Eu sou filha do Sr. Grey. – Eu respondo sem enrolações. Kelly arregala seus olhos verdes a seu queixo cai, ela ficou muda!
– Está aqui. –Diz Nik e eu quase caio da cadeira de susto. Olho para ele que traz uma bandeja com nossa preciosa comida.
Enquanto comemos eu e Nik conversamos um pouco sobre teatro, cinema, música, balé e pintura. Ele ficou impressionado quando lhe contei que adoro praticar esgrima, e que sei tocar piano, mas também danço balé desde criança e agora voltei a dançar e que gosto muito de pintura e que a algum tempo atrás essa era a minha principal distração.
Mas eu também fiquei extremamente impressionada ao saber que ele toca contrabaixo acústico, pratica arco e flechas e como eu também adora esgrima. Diferente de min ele é um excelente nadador e gosta de locais vazios. Ele ama a literatura, e gosta muito de contos de terror, filmes clássicos e o bom e velho Rock’n Roll.
E enquanto ele fala sobre ele eu tenho que tomar cuidado para não babar. Diferente dos outros homens e garotos pelos quase eu senti uma forte atração física, com ele eu tenho paciência para conversar, e eu adorei conversar com ele. Kelly está calada me observando enquanto eu presto atenção em Nik. Ele é tão assim, não sei indescritível, enquanto ele conversa comigo eu me sinto leve. Sorrio para ele e ele me devolve o sorriso e da outra mordida em seu sanduiche.
Terminamos de comer e começamos a andar dentro de uma loja lentamente atrás de Kelly que está andando loucamente atrás de alguma lingerie, bom eu acho que é uma lingerie, pois estamos na seção de roupa intima feminina.
– Gente! – Diz Kelly nos chamando. Olho para ela que está encarando o celular. – Eu vou indo. Teddy está me esperando lá embaixo. – Ela diz e dá um beijo em minha bochecha, acena para Nik e sai. Me viro e vejo ela andando rápido em direção a saída da loja, olho para a sua mão e vejo que ela carrega uma sacola. Meu Deus eu nem se quer vi ela pagar alguma coisa!
Olho para Nik e pego na sua mão. Nós direcionamos para a saída do shopping e eu vejo que ele olha para os lados como se estivesse se sentindo desconfortável. Solto a sua mão me lembrando que Tom disse que ele não estava acostumado a ter contatos.
– Está tudo bem. – Diz Nik pegando a minha mão de volta. – Esse não é o problema, é que tem muita gente. – Ele explica e eu assinto.
Andamos pelo estacionamento e ele abre a porta de carona, diferente da primeira vez em que eu entrei nesse, carro entro sem reclamar. Nik dá a volta e senta no banco de motorista.
– Para casa? – Ele pergunta e eu nego com a cabeça.
– Para onde? – Ele pergunta sorrindo.
– Para onde você quiser. – Respondo o olhando intensamente.
– Claro. – Ele diz, dá partida e o carro começa a andar.
**********
Nik para o carro no acostamento de uma estrada, ele sai do carro, dá a volta e abre a porta para min. Saio do carro e ele pega a minha mão e me conduz sobre a grama e para próximo a grama.
– Você tem medo de altura? – Ele pergunta com um sorrisinho, e nesse momento percebo que ele tem uma adorável covinha no lado direito do rosto.
– Não, mas tenho medo de cair. – Respondo também sorrindo.
– Eu te seguro. – Ele sussurra próximo a minha orelha. Me arrepio inteira. Ele me conduz sobre a grama até pararmos e eu vejo que estamos em um penhasco, e daqui de cima dá para ver a praia.
– Olha o céu. – Ele sussurra novamente com a voz rouca próxima ao meu ouvido, e eu sinto um arrepio tão forte passar pelo meu corpo que quase gemo. Olho para o céu e vejo uma quantidade quase que inacreditável de estrelas e a lua está grande, redonda e prateada como eu nunca vi antes.
– É lindo! – Eu digo quase sem perceber.
– Você que é linda. – Ele diz.
Eu me viro seguro seu rosto com uma mão enquanto passo braço em volta de seus ombros. Nik me abraça e coloca os seus lábios sobre os meus.
Ele coloca a língua dentro da minha boca e cola o seu corpo no meu sem deixar espaço algum entre nós. Ele me beija com intensidade e eu faço o mesmo com ele. Suas mãos passeiam em minhas costas, eu subo a mão que está em eu rosto para o seu cabelo e desço para sua nuca, trazendo a sua boca mais para min, querendo mais. E ele parece querer o mesmo pois uma das mãos que estava em minhas costas vai para o meu cabelo, eu sinto ele enrolar o meu cabelo em seu pulso e puxar um pouco, e quando ele faz isso eu não controlo, gemo alto contra os seus lábios. Tiro o meu braço que estava em volta de seus ombros e vou descendo passando ele por cima de seu peito e sua barriga. Como eu queria que ele estivesse sem blusa. Coloco a mão por baixo de sua blusa e passo sobre o seu peito e sua barriga sentindo os seus músculos.
Ele nos separa um pouco para procurarmos por ar. Respiro com dificuldade pois não e todo dia que se ganha um beijo quente desses. Olho para Nik e vejo que ele está com aquele sorrisinho sem dentes que deixa a sua covinha a mostra para min.
– Podemos ir para a praia? – Eu pergunto, pois não desejo ir para casa agora.
– Claro que podemos. Você gostou? – Ele pergunta.
– É obvio. Tem como não gostar? – Dessa vez sou eu quem pergunto, e ao invés de responder ele me dá aquele sorrisinho sem dentes com covinha. Quase suspiro olhando para ele.
Vamos andando até a praia de mãos dadas. Quando começamos a andar pela areia eu retiro os meus sapatos voltamos a caminhar. Andamos pela praia apreciando o silêncio, e a companhia um do outro.
Paramos em frente ao mar e espero uma onda vir até a areia e molhar os meus pés. Nik dá um passo para trás e vejo que ele fez isso para as suas botas não molharem.
Rio um pouco dele e solto a sua mão. Vou andando pela areia e mesmo sem olhar para trás sinto Nik andando atrás de min. Olho para o chão e vejo uma concha. Me abaixo e a pego, vou andando pela areia e catando conchas. Vejo uma concha grande, a pego e coloco-a próxima ao ouvido para ouvir o barulho do mar.
– Ouve. – Eu digo e a entrego para Nik. Ele a coloca próxima ao ouvido e da aquele sorriso que eu amo.
– Vem. – Ele diz, pega a minha mão e voltamos para o carro, coloco as conchas dentro do carro e pego o chocolate que o Tom me deu mais cedo.
Nik senta sobre o capô do carro e eu me sento sobre ele colocando minhas costas contra o seu peito. Volto a olhar para o céu enquanto Tom passa os dedos sobre o meu braço. Abro o chocolate, quebro um pedaço e coloco próximo aos lábios de Nik. Ele pega o chocolate dos meus dedos com a boca e dá um beijinho na ponta do meu dedo.
Comemos toda a barra de chocolate e depois voltamos para o carro. Encosto a minha cabeça no vidro da janela ficando triste por estar voltando para casa.
Nik para o carro, sai dá a volta e abre a porta para min. Quando eu saio do carro descaça com meus sapatos em uma das mãos e a outra com uma sacolinha cheia de conchas.
Nik segura a minha cintura e me puxa para mais um beijo. Passo os braços com cuidado sobre os ombros dele e o beijo de volta.
– Lia entre. – Diz mamãe parada ao lado da porta com um robe lilás.
– Tchau Nik. – Eu figo e lhe dou um último selinho.
– Até mais Lia. – Ele diz e dá um sorriso.
– Boa noite Sra. Hertness. – Ele diz para a minha mãe.
– Boa noite. – Ela responde olhando para ele desconfiada.
Entro em casa e subo as escadas sem dar chance de mamãe começar a me fazer perguntas. Entro no quarto e tranco a porta atrás de min.
Vou para o banheiro, tomo um banho e coloco o pijama. Sento na cama e vejo que Lully está deitado no pé da cama dormindo. Ligo a televisão e começo a pintar as minhas unhas dos pés de preto, depois pinto as das mãos, passo o spray secante, apago as luzes e deito na cama.
Amanhã será o aniversário de Lian, e eu vou me divertir beber e aprontar tudo o que eu posso. Vou ter que ir no domingo morar com os Greys e sei que enquanto eu estiver na casa deles vou ter que me comportar perfeitamente. O máximo que eu vou poder fazer é transar, bom pelo menos isso eu vou poder fazer com decência. Me lembro da noite de hoje e percebo que eu gosto de Nik, ele é uma cara legal e acho que esse arranjo maluco que mamãe e Tom fizeram vai dar certo. E eu sinceramente espero que dê.
Acabo adormecendo enquanto faço novos planos para minha vida que a cada dia se torna mais complicada.
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