Cinquenta Tons de Tristeza
25 Goela abaixo.
Notas iniciais
Acordo e olho para o teto.
Ontem quando cheguei subi direto pra o quarto e fiquei aqui até dormir.
Olho para o criado-mudo e vejo as horas no relógio. 07:00.
Levanto da cama devagar e sem querer acabo olhando para o meu braço. Um tiro....
Dou um suspiro alto e caminho até o banheiro. Tiro o pijama e entro embaixo da agua fria me sentindo esgotada.
Encosto a testa na parede do box e fecho os meus olhos. Me lembro de Cam, eu o vi, mas eu não entendo, ele simplesmente foi, e quando eu vi, tinha um muro muito alto.
Que merda... Tudo isso é uma merda, uma grande merda!
Me esfrego afim de tirar não apenas a camada de suor de meu corpo, mas também o cansaço físico e mental em que eu estou.
Saio da agua não me sentindo nem um pouco melhor. Me seco e vou até o closet.
Pego um conjunto de lingerie amarelo, um short preto e um moletom cinza com estrelinhas. Depois de me vestir coloco um tênis branco e vou até o banheiro.
Encaro o meu reflexo e eu pareço tão diferente. Eu me sinto diferente. Estranha seria a palavra exata. Desembaraço os meus cabelos e faço um coque alto. Escovo os dentes e passo um batom rosa beterraba e decido que já está bom até demais.
Desço as escadas e vou até a mesa onde todos já estão sentados tomando café da manhã.
– Bom dia. – Eu digo e me sento. Todos me dão bom dia de forma educada e voltam a comer.
Hoje eu estranhamente não estou com fome. Na verdade não sei se é exatamente isso. Apenas não sinto vontade de comer.
– Não vai comer? — Christian pergunta.
– Vou sim. – Eu digo depois de ver o olhar que ele me lançou. Ok eu vou comer.
Pego uma panqueca e coloco mel sobre a mesma, a como rapidamente e limpo minha boca com o guardanapo.
– Só vai comer isso? – Pergunta Christian.
– Christian.... – Ana diz como se fosse um aviso.
– Só vai comer isso? – Ele pergunta novamente para mim.
– Sim, eu quero ir mais cedo pra escola. – Eu digo baixo.
– Não precisa. Está de atestado. – Ele diz e eu franzo a testa. Legal, aparentemente eu sempre sou a última a ficar sabendo das coisas que dizem respeito a mim. E com esse pensamento volto a comer de forma descente.
*******
Mudo de canal mais uma vez e dou um longo suspiro. Eu não sei o que é pior, ir para a escola ou não ir para a escola.
Olho para TV e presto atenção na mãe cobra que solta a própria pele do corpo para os seus filhotes se alimentarem. Que nojento....
Mudo de canal novamente e vejo o anuncio de uma super escova que retira as pontas duplas do cabelo.
Pego o meu celular e ligo para o número afim de compra-la.
– Senhorita Hertness, o almoço está pronto. – Diz Gail atrás de mim.
– Sim. Eu já estou indo comer. – Eu digo e termino de fazer a ligação.
*******
Depois de comer volto para o quarto e começo a mexer no celular como louca. Olho para a lista de contatos. Penso em ligar para Kelly ela me ligou ontem à noite, mas eu estou louca sem nada para fazer. E então deslizo o dedo para a tela ir para baixo e vejo um nome que me faz prender a respiração. Nik.
Talvez eu deveria ligar para ele. E antes que eu perceba eu coloquei o número para chamar.
Primeiro toque.... Será que ele não vai atender?
Segundo toque.... Ele deve estar muito puto comigo para não atender.
– Sim? – Ouço aquela voz rouca do outro lado da linha e engulo em seco. Não acredito que ele atendeu.
– Há, oi. Sou eu Lia. – Digo sem saber o que dizer. Que merda, pra que eu fui ligar para ele?
– Eu sei que é você. – Ele diz.
– Sabe? – Pergunto curiosa. Talvez ele não esteja mais irritado...
– Sei. Os celulares tem identificador de chamada. – Ele diz. Se ele sabia que era eu por que atendeu?
– Há é. Você está ocupado? – Pergunto.
– Não. – Ele diz simplesmente.
– Você se importaria de me levar até o centro, é que eu gostaria de comprar algumas coisas. – Eu digo e cruzo os dedos.
Diga que sim...
Diga que sim...
Diga que sim...
Diga que sim...
Diga que sim...
– Está bem, passo ai em meia hora. – Ele diz e eu dou um pequeno pulinho sentada na cama.
– Está bem. Até mais... – Eu digo e ele desliga. Encaro o telefone chocada. Como ele teve coragem de praticamente desligar o telefone na minha cara? Ele deveria ser mais educado. Eu iria pedir desculpas para ele, mas agora tenho vontade de enfiar as desculpas goela abaixo nele.
Levanto da cama e vou até o banheiro. Tiro a roupa e entro embaixo d’agua.
Lavo os meus cabelos e me esfrego rapidamente. Saio do banho e me enxugo rapidamente.
Passo reme nos cabelos e começo a penteá-lo de forma que aumento os meus caixos.
Coloco uma saia preta de cintura alta rodada, uma regata branca, um blazer lavanda com pequenas flores rosas e um coturno preto com salto.
Passo delineador, lápis de olho, rímel, blush e batom vermelho. É isso está bom.
Saio do quarto após encarar meu reflexo mais uma vez, mas antes de descer as escadas resolvo falar com alguém que eu já deveria ter falado a muito tempo.
– Sra. Hertness. – Mamãe atende no segundo toque.
– Mãe, eu vou sair. – Eu digo.
– Lia.... – Ela começa, mas eu a interrompo.
– O Nik vai mamãe. – Eu digo e ouço ela suspirar.
– Está bem. – Ela diz. – Lia.... olha cuidado com o que você fala. Homens são muito estranhos e eu sei que você falou algo para Nik que ele não gostou.
– O que você está tentando dizer mamãe? – Eu pergunto confusa.
– Olha Lia, o Nik deve ser um tanto sensível apesar da cara de durão dele. Você deve pensar muito antes de falar algo para ele. – Ela diz.
– Está bem. – Eu digo. – Mãe.
– Sim? – Ela diz.
– Me desculpe por eu ter saído. E obrigado pelo conselho. – Eu digo sem graça.
– Está bem. Só não faça de novo. E é pra isso que eu estou Lia, para te aconselhar. Até mais. – Ela diz.
– Até mais mamãe. – Eu digo e desligo.
Ok, conseguir voltar a falar com mamãe, mas e agora? O que eu faço com Nik? Tenho total consciência de que eu estou errada, mas eu não o quero com raiva de mim. Sou tirada de meus devaneios por leves batidinhas na porta do quarto. Abro e vejo Gail em pé do outro lado.
– Tem um homem chamado Nik lá embaixo. Ele pode entrar? – Ela pergunta.
– Não precisa, eu vou sair. – Eu digo e ela me olha de forma preocupada. – Mas dessa vez não vou me meter em encrencas. – Eu digo e ela me lança um sorriso.
Paro ao lado da porta e me viro para Gail.
– Então como eu estou? – Eu pergunto.
– Linda Srta. Hertness. – Ela diz.
– Pode me chamar de Lia. Até mais. – Eu digo e saio da casa.
Vejo o carro de Nik parado ao lado do portão e me lembro que agora pouco ele desligou o telefone na minha cara.
Apenas não sei se eu o mato, ou se o abraço.
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