Cinquenta Tons de Tristeza
29 Don't Cry.
Notas iniciais
– Pois é né mãe, obrigado pelos parabéns. – Eu digo e saio de seu abraço. – Então vamos? – Pergunto.
– Claro, eu só vou buscar a minha bolsa. – Ela diz, sobe as escadas e vira o corredor sumindo de minha vista.
– Então vai ao SPA com a sua mãe? – Pergunta Tom enquanto entra na sala.
– Pois é, eu tenho que ir treinar o meu melhor sorriso falso para mais tarde. – Eu digo enquanto Tom vai até o bar e coloca Uísque em dois copos.
– Tomara que tenha briga, eu adoro assistir a discussão e depois os tapas. – Ele diz e me entrega um copo.
– Aos tapas. – Eu digo e brindamos.
Mamãe aparece com sua bolsa e revira os olhos quando vê que eu e Tom estamos bebendo, ela simplesmente odeia isso, sempre odiou.
– Vamos? – Mamãe pergunta e eu apenas aceno para Tom antes de sair pela porta.
*********
Olho para mamãe e antes que ela comece a opinar no que eu deveria fazer me desfaço dela e vou atrás de algum cabelereiro. Não quero cortar, as estou cansada de andar para todos os lados parecendo um leão, e ultimamente é apenas isso que tem acontecido.
– O que você vai querer querida? – Pergunta uma mulher com a lateral da cabeça raspada e a outra parte pintada de rosa, e de repente sinto uma falta gigantesca do meu cabelo colorido, nessa ocasião eu sempre me escondia atrás do mesmo.
– Escovar. – Eu digo e ela sorri me indicando aonde devo sentar.
*********
– Obrigado, ficou ótimo. – Eu digo para a mulher e saio em busca de minha mãe.
A encontro fazendo as unhas e conversando cos outras mulheres a algumas manicures.
– Mãe, eu já vou. – Eu digo.
– Mas já? – Ela pergunta.
– Sim, estou com fome. – Eu digo sabendo que esse é o único modo de ela não me prender aqui.
– Está bem, pega o meu carro, eu peço para o Tom me buscar depois. – Ela diz e me entrega as chaves.
– Até mais. – Eu digo.
– Até mais tarde. – Ela diz e acena com as mãos.
**********
Paro o carro em frente à casa dos Greys e respiro fundo. Talvez eu tenha a sorte de não encontrar ninguém. Desço do carro e ando até a porta. A abro e não vejo ninguém. Ok, isso é....
E antes que eu possa terminar a minha comemoração sinto a minha respiração falhar pela conta do abraço de urso de Teddy.
– Ta legal, já pode me soltar. – Eu digo e Teddy dá risada.
– Achou mesmo que eu fosse esquecer? – Ele pergunta.
– Eu tinha esperanças, mas pelo visto.... – Eu digo e ele ri mais ainda e eu acabo sendo obrigada a rir junto.
– Ta legal Teddy, eu vou subir. – Eu digo já me virando, porém ele me impede.
– Qual é Lia? Hoje é o seu dia, você não vai ficar trancada escondida, você sempre faz isso. Mas esse ano eu estou aqui para impedir. – Ele diz e me puxa em direção a sala de jantar.
– Olha quem eu achei. – Diz Teddy entrando na sala e vejo que todos os Greys estão ali. E quando eu digo todos são todos mesmo, não apenas Christian, Ana e Phoebe.
– Parabé.... – Começa Phoebe, mas eu a interrompo.
– Por favor não. Mais tarde eu vou ter que ouvir isso, eu ainda não me preparei psicologicamente. Deixa para mais tarde? – Eu pergunto e vejo a expressão de Phoebe murchar.
– Mas é claro que Phoebe deixa. – Diz Ana me socorrendo. – Você quer almoçar? – Ela pergunta e eu aceno me sentando na única cadeira vazia ao lado de Teddy.
Começo a comer calada, e fico o resto do almoço assim. Olho de relance para Christian e me lembro da discussão. Ele provavelmente não vai me dar parabéns.
**********
Olho para o espelho e encaro o meu próprio reflexo. Olhos grandes e penetrantes, nariz pequeno e lábios fartos. Uma maquiagem preta nos olhos, blush dourado, e batom rosa beterraba. Nos meus fones de ouvido tocam Don’t Cry – Guns N’ Rolses, e tento segurar as minhas futuras lágrimas. Sinto os meus olhos marejarem e passo um pouco de pó de arroz embaixo dos olhos e pisco várias vezes até conseguir que a vontade passe.
Olho se o espartilho preto não está tão decotado e pego a saia longa preta com duas fendas até o joelho de cada lado e a visto.
É isso, agora tenho que ir com os Greys para a casa de minha mãe, colocar um sorriso no rosto e suportar pessoas falando de mim como se eu não estivesse presente.
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Saio do carro e olho para trás e vejo uma quantidade terrível de carros, isso está no mínimo lotado. Talvez eu consiga fugir e ninguém perceba, pela quantidade de pessoas.
– Lia, era para você vir se arrumar aqui. Eu a teria te impedido de vir toda de preto, parece um corvo. – Diz Jéssica andando em minha direção.
– Hoje não. Hoje não ta legal? – Eu digo e ela acena com a cabeça, e em seguida oferece seu braço a mim e eu o seguro, com o meu outro braço livre eu enlaço Phoebe e entramos.
O jardim da mamãe está lotado, pessoas que eu conheço, e pessoas que eu não conheço. Pessoas que eu gosto e que eu não gosto, colegas da escola, colegas de Lian. Pessoas até demais, mas isso não deve ser tão ruim, pois eles não se viraram para mim e começaram a bater palmas como em meu aniversário de 18 anos.
Passo pelas pessoas e algumas acenam para mim, e outras me chamam, mas eu não vou apenas uso Phoebe e Jéssica como desculpas.
– Isso está bem cheio Lia. – Diz Phoebe no meu ouvido.
– Eu sei, minha mãe não tem controle. – Eu digo e suspiro.
Olho a mesa escrito Greys no centro e me sento nela mesmo assim, qualquer coisa eu digo para mamãe que não achei o sobrenome Hertness, mas eu sei aonde está a mesa, mas ninguém virá me procurar aqui, mas lá...
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Não demora muito para eu ser descoberta, e para a minha completa infelicidade fui dedurada por minha própria mãe, ela adora essas festas, essas paparicações, os parabéns, abrir as caixas de presente, mas esse é o meu dia, eu deveria fazer o que eu quisesse, mas não faço, sei que ela não se oporia, mas isso partiria o coração.
– Com licença. – Ouço uma voz rouca e olho pela primeira vez atenta para alguém.
– Sim? – Eu dou um mínimo sorriso ao ver Nik parado em minha frente com se sorriso-covinhas.
– Vim entrega-lo pessoalmente. – Ele diz e me oferece um embrulho baixo porém retangular e grande, e ao invés de mandar ele entregar para mamãe eu o pego.
– Agora você não me vê. – Resmunga Tom atrás de Nik e eu rio me lembrando que eu costumava persegui-lo.
– Oi Tom. – Eu digo e ele me entrega uma garrafa de Uísque com uma fita vermelha.
– Terminamos antes da meia-noite. Como nos velhos tempos. – Ele diz e eu sinto meus olhos marejarem, isso é melhor que um parabéns, é perfeito. Tom com o seu jeito bruto sempre sabe o que dizer e antes que uma lágrima termine de descer pela minha bochecha eu a limpo.
– Como nos velhos tempos. – Eu digo e abraço a garrafa. Tom vai embora antes que eu possa falar mais alguma coisa e eu sorrio.
– Legal, eu compro um presente super legal, e o Tom sai com todos os créditos? – Pergunta Nik fazendo drama.
– Eu não abri seu presente, ele pode ser uma porcaria. – Eu digo e dou risada.
– Parabéns minha querida, não se preocupe, as coisas vão melhorar, mas você também tem que se ajudar, as coisas que aconteceram com você vão ser justificadas, e tudo vai melhorar. – Diz uma mulher da empresa de mamãe com uma grande caixa rosa.
E o meu momento de diversão acaba.
********
Estou em pé e olho para as velas 1 e 9. Dezenove anos e nenhum controle sobre a minha vida, todos terminam de cantar e eu as apago. Antes que mamãe pergunte para quem é o primeiro pedaço de bolo dou um jeito de ir ao banheiro.
Quando volto vejo que o bolo já foi servido, pelo menos estou livre disso. Olho para a mesa dos Greys e vejo que Christian está sentado na mesma sozinho. Não sei porque, mas ando até a mesma e puxo uma cadeira.
– Posso sentar? – Pergunto.
– Claro. – Ele diz. Vejo que Ana está sentada conversando com uma mulher em uma outra mesa.
– Não está aproveitando a festa? – Pergunto intrigada e arqueio uma sobrancelha para Christian.
– O aniversário é seu e está mais desanimada que os garçons. – Ele devolve arqueando a sobrancelha.
– Essa gente toda me assusta, e me irrita. – Eu digo e olho em volta me certificando de que ninguém está chegando perto.
– É mais ou menos isso comigo também. – Ele diz e eu assinto. Christian coloca a mão de dentro do terno e tira uma caixa preta aveludada.
– Ah, não precisava.... – Eu digo e pego a caixa, pois eu realmente fiquei curiosa.
A abro e vejo um colar prateado escrito Coragem com letras pequenas, é bonito, nada exagerado e combina comigo, eu gostei.
– Depois que você me respondeu percebi que era certo para você. Muitos não teriam coragem para tal feito. – Ele diz e eu sorrio.
– Obrigado, é bonito e eu vou usar. – Eu digo e por costume e força de abito dou-lhe um abraço. Sinto Christian se assustar e o solto devagar.
– Desculpe. – Eu sussurro.
– Sem problemas. – Ele diz e eu sorrio concordando. Olho por cima de seu ombro e vejo uma silhueta em meio as sombras ao longe. E de repente ela vem um pouco mais para frente eu vejo, eu o reconheço.
Cam
– Me desculpe, mas eu tenho que ir. – Eu digo e me levanto correndo.
Ando atrás dele que desta vez não sai caminhando, ele fica parado, e quando eu estou perto dele ele entra para as árvores, e eu só entro por que elas estão com pisca-pisca em volta dos caules.
– Vai se foder, eu não vou andar mais que isso. – Eu digo e ele para. Se vira devagar e me lança um sorriso convencido e em seguida seus olhos verde-esmeralda me olham com sarcasmo.
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