Cinquenta Tons de Tristeza
28 Dia em que eu deveria estar feliz.
Notas iniciais
Capítulo passado:
Christian anda até ficar parado em minha frente e se senta no sofá olhando para mim.
– Então, por que saiu se devia ficar de repouso? – Ele pergunta.
Agora:
– Eu estava me sentindo bem, então sai. – Eu digo.
– Ah, você saiu? Simples assim? – Ele diz de forma irônica jogando os braços para cima e então passa a mão no cabelo.
– É, simples assim. – Eu digo e o olho decidida.
– Ah, e você simplesmente esqueceu que está sendo perseguida? – Ele pergunta.
– Não. Eu não esqueci, até porque sou eu que estou sendo perseguida. – Eu digo e me levanto do sofá. – E eu não saí sozinha e não fui ao centro da cidade. Você não sabe o que é ter que ficar preso em um lugar.... É impossível. – Eu digo e subo as escadas correndo, feliz por não estar usando salto e ter caído. Ouço Christian dizer algo porém não entendo.
Dou passos largos em direção ao meu quarto e entro tentando me sentir um tanto melhor, porém é em vão. Talvez eu deva arranjar outro lugar....
Saio de minhas sapatilhas e me jogo na cama de bruços e encaro a cabeceira da cama. Isso é terrível, tenho certeza de que o motivo de ele ter vindo perguntar porque eu saí é porque ele sabe que eu estava com Nik.
Se ele está pensando que isso vai ser da mesma forma que ele fez com Robert está extremamente enganado.
Puxo o cobertor que está sob o meu corpo e o coloco por cima de mim. Saio da cama e vou desligar as luzes, ouço passos pelo cobertor e cada vez estão mais próximos a porta. Olho para o vão de debaixo da porta vendo uma sombra e os passos param ali na frente.
Oh não. Se Christian bater na porta...
Solto a minha respiração quando a sombra some de minha vista e ouço passos se distanciando da porta.
Apago as luzes e corro para a cama, me deito embaixo das cobertas e fecho os meus olhos me preparando para dormir.
**********
O resto da semana se passa rapidamente. Não troquei mais de duas palavras com Christian e ninguém percebeu o que é muito bom, pois Teddy sendo do jeito que é traria o assunto a tona.
Olho para o teto do quarto e encaro a janela. Sinto saudades de mamãe e de Lian. Não tenho ido para a escola, aliás desde a pequena discussão eu mal saio do quarto. Apenas tive uma pequena conversa com Kelly e desmarquei com Nik.
Pego o celular e olho o calendário. Merda! Eu tinha me esquecido, mas infelizmente não adiantará fingir que me esqueci, mais hora menos hora alguém iria me lembrar mesmo. E eu simplesmente odeio quando as pessoas fazem coisas que eu não peço.
Respiro fundo e levanto da cama. Arrumo a mesma delicadamente e vagarosamente. Ando até o banheiro e retiro a minha blusa de pijama.
Olho meu reflexo no espelho, eu pareço fraca e pálida, de uma forma que eu nunca estive antes, meu cabelo está mais bagunçado que o normal e cheio de pontas duplas. Eu preciso parecer melhor se hoje for como todos os anos tem sido, a não ser ano passado...
Tiro esses pensamentos de minha cabeça e tiro o short de meu pijama. Entro embaixo do chuveiro e lavo os cabelos. Saio do banho e me enxugo.
Enrolo a toalha em volta de meu corpo e pego o secador de cabelo na gaveta. Não, eu não vou ficar aqui. Guardo o secador e passo creme de pentear jogo os cabelos para o lado e saio do banheiro.
Dentro do Closet coloco um jeans comum azul e uma regata branca transparente. Coloco sandálias rasteirinhas e pego uma pequena bolsa de lado. Ligo para mamãe e ela atende imediatamente, provavelmente estava indo me ligar.
– Lia querida.... – Mas antes que ela possa responder eu a interrompo.
– Mãe, não! Eu quero ir no Salão de Beleza, Spa, sei lá. A Senhora quer ir? – Eu pergunto.
– Quero, já até sei aonde podemos ir. Vou pedir para Tom ir te buscar. – Ela diz.
– Não, eu vou de táxi. – Eu digo.
– Lia... – Mamãe começa.
– Por favor. – Eu digo antes que ela brigue comigo, sei que ela não me negara nada hoje.
– Está bem. – Ela diz.
– Ta legal, até mais. – Eu digo e desligo.
Saio do quarto e desço as escadas correndo e não encontro ninguém na sala, mas ouço vozes vindo da sala de jantar. Saio da casa em silêncio e ligo para o número de táxi. Espero por dez minutos até que o táxi chegue, e ninguém percebe que eu saí.
Entro no táxi e encosto a cabeça no vidro enquanto ele segue normalmente pelas vias até a casa de mamãe. Já se faz uma semana desde que eu a vi, e sinto falta dela. Mas hoje não é um dia bom para vê-la.
Esse deveria ser o dia que eu fico mais feliz no ano, deveria ser o dia em que tudo é perfeito, deveria ser o dia em que eu posso tomar conta de mim mesma e fazer tudo o que eu tenho vontade. Mas não.... Nunca é assim. E se eu falar a verdade estaria sendo indelicada.
Então tudo o que tenho que fazer é abrir um sorriso e dizer que não estou me sentindo muito bem. Sei que Kelly não falou muito comigo ontem pois estava com Jéssica e minha mãe.
Tomara que esse ano as coisas não sejam tão loucas como sempre são, espero que nada saia de controle e que esse dia acabe rápido.
Olho pela janela para o carro e vejo uma garotinha cantando uma música infantil em sua cadeirinha e seu pai canta junto a ela no volante. Respiro fundo e desvio o meu olhar, isso não me ajudou em nada.
Saber quem era meu pai.... Eu ainda não sou feliz, eu ainda não estou feliz comigo mesma. Respiro fundo e vejo que estamos quase chegando na casa da mamãe.
O taxista para o carro ao lado da casa e eu lhe entrego o dinheiro e em seguida desço do táxi. Coloco um pequeno sorriso no rosto e tento esquecer tudo para poder fingir felicidade.
Toco a campainha duas vezes, e mamãe aparece na porta, e em seguida me puxa para os seus braços, me apertando mais do que o necessário.
– Oh Lia, parabéns pelo seu aniversário. Ano passado não comemoramos, mas esse ano comemoraremos em dobro. – Ela diz e eu continuo com meu pequeno sorriso no rosto, mas por dentro estou apavorada.
Como assim comemorar em dobro?
Não basta comemorar?
Em dobro?
O que esse em dobro significa?
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