Cinquenta Tons de Tristeza
10 Cenário para filme de exorcismo!
Notas iniciais
Fico deitada em posição fetal por horas.
Ficar deitada chorando não vai me ajudar em nada, quando era só eu que corria risco tudo bem, mas agora eles vão querer ir atrás da Kelly e isso eu não vou deixar acontecer, eu vou fazer da mesma forma como eles fazem. Eu vou pegar as pessoas que eles conhecem e matar, as pessoas que eles gostam e matar, as pessoas que eles amam e matar, a família deles e matar, e enfim e não menos emocionante eu vou matá-los.
Não é como se eu nunca tivesse matado alguém, só que desta vez não vai ser por medo, vai ser por ódio, vingança, raiva e ódio.
Vou ate a biblioteca, e ando ate a estante de madeira da esquerda, puxo o livro roxo e a prateleira se divide em duas dando passagem para uma grande porta de ferro, coloco o meu polegar em cima da base de leitura digital e as portas de ferro se abrem.
Passo por elas como um foguete e começo a descer as escadas, paro no primeiro andar do porão e olho em volta, vejo na parede opostos a min, vários dos quadros que eu pintava antigamente.
Continuo descendo as escadas que dão para o segundo andar do porão.
Paro em frente a porta em que Tom fica e respiro fundo sabendo que isso não vai ser fácil.
Tom cuida da segurança das coisas de minha mãe desde que eu me entendo por gente, e foi ele que trouxe minha mãe de volta quando eu era criança. Ele e meu padrinho e sempre me ajudou. Ele e meio grosseiro e eu sei que ele não faz por mal e que e o jeito dele, mas e queria que fosse mais fácil manipula-lo.
De repente a porta da sala dele se abre e eu entro desconfiada. Vejo-o de costas andando ate a sua mesa.
–Algum problema Lia?
– Na verdade eu preciso de um favor seu. – Eu digo decidida.
– Sim?
– Lembra quando você me ensinava aquelas artes marciais e a lutar com espadas, atiras facas e adagas, e a usar o revolver, e atirar com arco e flecha?
– Lembro... – Diz ele querendo que eu continue.
– Eu quero que você volte a me ensinar tudo isso.
– E a sua mãe sabe?
– Por que ela precisa saber, eu já tenho quase dezenove anos. Você não quer me ajudar? – Pergunto fazendo uma pequena chantagem emocional.
– Se sua mãe concordar eu adoraria voltar com o seu treinamento.
Viro-me de costas e vou andando em direção a porta.
– A propósito, seu julgamento será no dia nove de setembro. Eu gostaria que você me trouxesse o seu celular para eu utiliza-lo como prova, já que você recebeu uma ligação hoje mais cedo.
– Eu joguei meu celular na parede. – Digo e me viro para ele, que massageia a têmpora direita e volta a olhar para o notebook.
– Vou providenciar outro celular para você. E fecha a porta antes de sair.
Saio da sala dele subo as escadas fecho a porta de ferro, coloco o livro roxo de volta na estante fazendo com que ela volte ao normal e saio da biblioteca.
Vou para a cozinha e preparo um sanduíche com frango e alface e começo a comer. Não demora muito para o passa fome numero um daqui chegar e começar a latir para min.
– Lully da mamãe, você quer? – Digo e ele late para min, então e pego um pedaço do pão e jogo no chão para ele.
Termino de comer meu sanduíche e pego Lully no colo e começo a passar a mãos nos pelos dele que estão quase marrons.
– Você quer tomar banho Lully? – Pergunto e ele faz um barulinho de choro, já que ele odeia tomar banho.
– Mas você vai tomar mesmo assim seu lindo.
Pego-o no colo e o levo para a parte de trás da casa. Coloco o Lully no chão, pego uma bacia encho com água morna, pego o xampu de cachorro dele, tiro os sapatos, e esta tudo pronto para o banho do Lully, mas cadê o Lully?
– Lully! – Grito, mas não tenho resposta, como se ele fosse me responder. Reviro os olhos, solto a bacia e resolvo ir procurá-lo.
Começo a andar pelo jardim para procurá-lo, mas esse jardim é tão grande tem ate uma espécie de bosque nele. Respiro fundo e vou olhar perto da piscina, e nada dele por aqui.
– Lully! – Grito e ouço um latido, mas de onde será que veio?
– Lully! – Grito novamente e ele late de novo, e desta vez eu sei de onde vem o latido, vem daquele bosque que eu tanto tenho medo.
Vou andando ate a parte em que as primeiras árvores estão e tento ver se ele esta por aqui, mas não o vejo.
– Lully! – Grito e ouço outro latido dele, já mais pra dentro das árvores, tomo coragem e vou andando devagar, entrando naquela parte do jardim que me dá arrepios, paro ao lado de uma arvore grossa e passo a mão no caule, e ele está sinistramente frio, puxo minha mão de volta com medo.
– Lully – Grito e ouço um latido que parece estar longe, dou um passo para dentro das arvores olho para trás e vejo de longe a lateral da mansão antiga, e na minha opinião essa casa seria um ótimo cenário para um filme de exorcismo.
Volto a olhar para dentro do bosque e volto a andar sentindo as folhas secas sob os meus pés descalços. Dou cada passo me tremendo até que eu chego ao ponto onde eu acho ter ouvido o latido do Lully, mas ele infelizmente não esta aqui. Merda!
– Lully! Vem cá na mamãe vem? – Grito e dou um assobio, ouço outro latido dele que parece vir da minha direita. Respiro fundo e vou andando devagar pelo bosque, e ouço um assobio horripilante de um pássaro.
– Lully! – Grito e ouço um latido, não muito longe de min, mas parece vir de baixo, que esquisito!
Volto a andar em direção ao latido e não demora muito para eu achar uma espécie de entrada escura, como uma caverna.
Lembro de que quando cheguei aqui minha mãe dizer que era uma construção antiga e que havia uma grande área verde, mas eu nunca quis vim para essa parte da casa desde que cheguei aqui.
E de repente penso em quando eu era criança e morava no Brasil em uma chácara com meus avós. Em quando eu me mudei para New York quando minha mãe se casou. Quando os problemas começaram a aparecer. O divorcio da mamãe. O começo da minha adolescência. O Cam. Nós nos mudando para Seattle. A Dalila. A Kelly. O Heath. O Kaio. O Teddy. A viagem. O termino do meu relacionamento. Quando eu e Dalila fomos capturadas. O sofrimento. Os homens que iam naquele lugar. A morte da Dalila. A fuga. A volta pra casa, para uma casa que eu não ajudei mamãe a escolher. A escola. O Lian. O entregador que pretendia me levar de volta. E agora a ligação.
E é nesse momento que eu percebo que desde que tudo começou eu não derramei uma lágrima sequer.
Balanço a cabeça e olho para dentro daquela espécie de caverna. Eu tenho que ter coragem, pois Lully pode estar preso aí dentro.
– Lully! – Grito e ouço um latido vir de dentro do local. – Vem na mamãe vem? Eu não vou dar banho em você. – Digo, e eu realmente não vou dar mais banho nele, já esta quase escurecendo mesmo.
Ouço mais alguns latidos mais ele simplesmente não aparece.
Depois de uma longa batalha interna, eu decido que vou atrás do Lully.
Dou um passo em direção a caverna e me arrependo de ter decidido, já que lá dentro é tão escuro que eu nem sequer enxergo meu pé, respiro fundo, esvazio a mente e dou vários passos pequenos e rápidos para dentro da caverna. Viro-me para trás e vejo uma luz vindo, ok pelo menos eu vou saber voltar é só seguir essa luz.
Viro meu corpo de volta para a parte totalmente escura e olho em volta tentando enxergar alguma coisa.
– Lully... – Sussurro, pois temo que se eu gritar podem aparecer morcegos e me morderem. Mas dessa vez eu não tenho resposta, Lully não late e nem faz barulho algum.
Levanto uma mão e coloco na minha frente caso alguma parede apareça. Começo a andar lentamente.
Começo a sentir um pouco de medo, e com cada passo que eu dou ele aumenta. Meu Deus por que o Lully tinha que fugir para cá?
– Lully! – Não me seguro e acabo gritando, ao invés de sussurrar. E não ouço nada alem da minha respiração ofegante.
Continuo andando com o braço em frente ao corpo, na esperança de encontrar o Lully.
Vou andando um pouco mais devagar, e a cada passo que dou eu sinto como se devesse sair daqui.
Ouço um barulho atrás de min, mas não vejo nada.
– Lully é você? – Pergunto, mas ele não late o que é estranho. Respiro fundo e volto a andar, deve ter sido apenas a minha imaginação.
Volto a olhar para frente e vejo um posto azulado brilhante, será que é uma saída? Começo andar naquela direção e o chão começa a ficar inclinado, como se fosse uma ladeira.
Ouço mais passos atrás de min, e eu vejo que não estou louca coisa nenhuma. Tem alguém me seguindo!
Lembro-me hoje mais cedo da ligação, provavelmente é alguém querendo me pegar.
Vou andando mais rápido, e quanto mais eu ando mais passos eu ouço. Olho para frente e vejo que o pontinho azul esta bem maior agora. Tomara que seja uma saída, ou um lugar mais claro em que eu possa me proteger.
Começo a correr em direção do que agora parece ser uma porta com uma luz azul forte.
Passo por ela e paro. Meu Deus! Isso é lindo!
O teto da caverna é azulado, por causa de varias pedrinhas azuis que tem nele, e abaixo dele tem um lago subterrâneo, e tudo aqui é incrivelmente azul.
Vou andando até o lago, mas antes eu olho para trás e não ouço mais barulhos nem passos atras de min. Graças a Deus.
Sento na margem do lago e coloco meus pés descalços dentro d'água, e começo a xaqualhá-los na água, e é bastante divertido poís a água é morna.
De repente eu me lembro da ligação, e agora piorou eles estão ameaçando a Kelly, eu não posso deixar isso acontecer, não com a Kelly.
De repente me lembro de como nós nos conhecemos.
Lembrança on
– Que merda Cam, saí da minha frente! – Digo olhando para cima, e me deparo com olhos verdes intensos e cabelos encaracolados caindo pelo rosto dele.
– Lia, pare de ser tão burra, é óbvio que essa tal de Kelly não está te ameaçando! – Ele segura meus ombros com força, me fazendo olhá-lo. – Isso deve ser algum tipo de armação, é o primeiro dia da garota aqui, como é que ela iria entrar na escola e sair falando mal de você para todo mundo? – Olho para ele e penso um pouco, provavelmente ele está certo.
– Tá, pode me soltar, eu não vou bater nela. – Eu digo cruzando os braços na frente do corpo.
– Ótimo, mas não vamos nos esquecer que você foi para cima dela, e já bateu nela. Então eu quero que você entre nessa sala e peça desculpas para ela.
– Vai se fuder Cam. – Digo, e ele ainda quer que eu peça desculpas para ela.
– Lia, eu vou ficar com raiva de você. – Ele diz e me olha sério, merda! Eu vou ter que pedir desculpas. Paro na frente dele e espero ele me dar passagem para eu entrar na sala, mas um segundo antes de entrar na sala, eu levanto meu braço e dou um murro forte no meio de suas pernas.
Entro na sala, e olho para agarota loira. Ela é mais alta do que eu, e mais forte também. Mas não deve fazer mal a uma formiga.
– Olha, desculpa pelo tapa ta? – Digo e ela levanta o rosto que está banhado em lágrimas, ela tira a mão do rosto e agarra a mochila com força. E vejo que o rosto dela tem um grande vermelho, aonde eu bati.
– O que você quer? Eu já disse, eu não falei nada de você para ninguém, alias eu não falei com ninguém. – Ela diz e me olha, ela parece um anjinho, de repente, eu não consigo sentir ódio dessa garota.
– Eu sei. – Digo e estendo minha mão para ela, que me lha desconfiada. – Vem eu vou colocar gelo no teu rosto.
Ela pega minha mão e eu a levo em direção a cantina. E por todo o caminho converso com ela.
Lembrança off
Passo o polegar na bochecha limpando uma lagrima que escapou.
Levanto-me devagar e olho em volta certificando-me de que Lully não está aqui dentro.
Vou andando até a porta da caverna, quando eu vejo uma silhueta se formando. Dou um passo para trás e olho em volta procurando algo corta. Vejo uma pedra de ponta fina e a pego, volto a olhar para a porta e tomo o maior susto da minha vida.
Tem um homem sem blusa, apenas com uma calça jeans rasgada, cabelos negros e olhos negros. E ele tem uma cara de mal, e a expressão é mais maligna ainda.
De repente ele olha para min e da um sorriso de lado e vem em minha direção.
Ele me pega pelos braços e me levanta sem dificuldade em frente ao seu corpo. Levanto o braço e enfio a pedra sem cerimônia em seu peito esquerdo, ele urra e vejo asas negras se abrirem atrás do corpo dele. Ele me atira longe de modo que eu bato a cabeça na parede e fico totalmente tonta. Tento levantar meu rosto para enxerga-lo mas é inútil, eu bati a cabeça com muita força.
No meu campo de vis~~ao entram dois pés descalços, eu consigo levantar o rosto, mas não os enxergo pois minha visão está embaçada.
De repente sinto uma dor forte em meus pés, e quando tento gritar tudo fica escuro.
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