Cinquenta Tons de Amor
8 Capitulo 8
Notas iniciais
Acordo com Ana deitada no peito ressoando baixinho.Droga! Acabei dormindo junto com ela. Tento me afastar mas ela me segura.
–Não, fique aqui comigo por favor.
Congelo! Por um instante pensei que ela estivesse acordada, mas não, ela está apenas sonhando.
–Está tudo bem Ana.-murmuro alisando carinhosamente os cabelos dela.
Depois de alguns minutos consigo me levantar, abro a porta e vou para o meu quarto. O que está havendo comigo? Nunca dormi com ninguém antes — ainda mais sem sexo- , não suporto que me toquem -imagina que deitem no peito e justo no peito, mas não me importei e não senti vontade de me afastar dela, pelo contrario, eu gostei. Acho que preciso de uma consulta com Flynn o mais rápido o possível. Eu não sou eu. Não é possível que em tão pouco tempo essa mulher já tenha me mudado assim. Faço consultas com psicólogos faz tempo, desde que Grace me adotou e nenhum surdiu efeito, apenas quando comecei a conversar com John que fui capaz de entender algumas coisas, mas ainda assim eu estava meio que acuado.
Entro no meu quarto e vou direto para o banheiro. Tomo banho, faço a barba, escovo os dentes e vou para o closet. Pego uma calça Jeans e uma camiseta preta com gola em V, calço meu But, pego meu celular, carteira e chaves e vou para a cozinha.
–Bom dia Gail.-digo.
–Bom dia Senhor Grey. Café?-pergunta sorrindo. Gail está trabalhando comigo faz uns quatro anos, ela já decorou meus cardápios e horários, ela como alguém da família.
–Sim, o de sempre por favor.-respondo.- Gail , a Ana está dormindo no quarto de hóspedes, não a acorde, se ela acordar diga lhe que estou no escritório, sim?
–Sim senhor. O senhor vai tomar o café agora?- pergunta quando vê que me levantei.
–Sim, só vou fazer uma ligação rápida.Pode ir arrumando.-digo e vou para o escritório já discando o número de Flynn.
Chama três vezes antes dele atender.
–Alô?- fala com voz sonolenta.
–John é Grey, você poderia ir para o seu consultório em... -consulto o relógio- trinta minutos?
–Claro, aconteceu alguma coisa?-pergunta já em estado de alerta.
–Não, eu só preciso conversar, estou confuso.- respondo.
–Okey, nos encontramos em trinta minutos.-fala desligando.
Quando estou fazendo meu caminho de volta para a cozinha vejo Ana parada no patamar da escada olhando para os dois lados, parecendo meio perdida. Ela está descalça, com a sandália em uma mão e a bolsa em outra.
–Perdida?-me aproximo.Ela se vira e me olha com os olhos arregalados.
–Sim e muito, como vim parar aqui?-pergunta assustada.
–Não acredito que você não lembra da noite passada?-digo fazendo cara de escandalizado.- Poxa, isso doeu. Depois da noite maravilhosa que passamos e você diz não se lembrar? Acabou com minha auto-estima.-brinco.
Ela abre mais ainda os olhos e me encara de queixo caído, depois suspira e senta na escada.
–Me desculpe, eu não fiz por mal...é que eu realmente não lembro, só lembro de nós dois conversando no carro e..- fala balançando a cabeça e suspirando.
Subo os degraus e sento do lado dela.
–Olha eu estava brinco, é por esse motivo que você não lembra, não aconteceu nada. -falo passando a mão nos cabelos dela.
Ela levanta a cabeça e me encara séria.
–Isso não teve graça.-diz ficando de pé e começando a descer a escada.Vou atrás dela.
–Ei me desculpe, foi só uma brincadeira, não aconteceu nada. Você dormiu no carro antes que de me dizer seu endereço, então te trouxe para o meu apartamento.Você acha que eu abusaria de uma mulher praticamente desmaiada?-pergunto segurando o braço dela e fazendo-a parar.
Ela me encara por um momento então balança a cabeça.
–Me desculpe, estou confusa, ultimamente eu ando me esquecendo das coisas, então por favor me desculpe, sim? Eu só consigo me lembrar que entramos no carro e nada mais depois disso.
–Está tudo bem, você não poderia lembrar de algo que não aconteceu,você dormiu no carro e eu não quis te acordar, então te carreguei e te coloquei no quarto de hóspedes.Foi só isso.
–Nem se você tentasse me acordar eu acordaria.- fala suspirando.- E então de onde vem esse cheiro maravilhoso?
Eu a encaro por um momento, assustado com a sua mudança de humor e depois respondo.
–Da cozinha, Gail esta preparando o nosso café.
–Gail?-pergunta.
–Minha governanta.-respondo, pego a mão dela e a puxo até a cozinha.
–Gail está é Ana.Ana está é Gail.-faço as apresentações.
–Prazer Ana.-diz Gail sorrindo.
–Prazer Gail.-responde Ana também sorrindo.-E então o que é esse cheiro maravilhoso?
–São panquecas, ovos mexidos e bacon. Aceita?-pergunta Gail colocando um prato na minha frente e outro na frente de Ana.
–Claro.-responde pegando um pedaço de Bacon e colocando na boca.
–O que você quer beber Ana?- pergunto assim que Gail coloca uma xícara de café na minha frente.- Temos café, leite, suco..?
–Chá. Eu gostaria de uma xícara de chá se não tiver problema.
Chá?
–Chá saindo.- fala Gail indo em direção ao armário e pegando uma caixinha de chá.Nem sabia que aqui tinha chá.
–Não gosta de café?
–Não.-diz pegando um sachê de chá no caixinha que Gail à entregou colocando rapidamente dentro da água e tirando.- Gosto de chá fraco e puro.
Gail saiu da cozinha para nos dar privacidade. Eu começo a comer e a tomar meu café.
–Droga! — Murmura Ana, ao olhar para o relógio.
–Algum problema?-pergunto.
–Sim, estou atrasada.
–Atrasada? Hoje é sábado.-falo.
Que compromisso ela pode ter em pleno sábado?
–Eu sei, tenho que ir para o hospital. -fala.- Duas vezes droga! José deve estar preocupado comigo.-finaliza terminando em tempo recorde de comer e se levantando.
–Ei calma. Eu avisei José que você está aqui e que está bem. Não se preocupe.E eu tenho certeza que não vão se importar em você chegar um pouco atrasada no hospital.-falo fazendo-a sentar de novo.
Ela senta, se abaixa para calçar as sandálias e passa a mão nos cabelos tentando ajeita-los.Eu termino o meu café e levanto.
–Venha, eu posso te dar uma carona até sua casa,-digo.
–Posso usar o banheiro antes?
–Claro.- ela sobe as escadas e vai em direção o quarto que ela dormiu.Dois minutos depois ela volta sem maquiagem e com os cabelos presos em um rabo de cavalo.
–Pronto.-diz quando chega perto de mim.
Pego na mão dela e entramos no elevador.
–Então, o que você vai fazer hoje?-pergunto.
–Vou passar em casa, tomar uma banho depois vou para o hospital e fico lá até as quatro horas.-responde.- Ah, e obrigada por tudo.
–Tudo?
–Sim, por ter aguentado meu choro e depois ter me trago para o seu apartamento e pelo café da manha.- fala olhando nos meus olhos.
–Bom, você poderia me agradecer aceitando jantar comigo hoje, o que acha?-pergunto.
Ela fica em silêncio por um tempo e depois responde:
–Será um prazer.
Sorrio e ela me retribui o sorriso.O elevador chega no Terreo, saimos e andamos até o Suv. Taylor abre a porta traseira e eu e Ana entramos. Ana passa o endereço do seu apartamento pra Taylor e senta no banco novamente.
–E você, o que vai fazer hoje?-pergunta
–Apenas resolver alguns problemas da empresa.- Ela não precisa saber que vou encontrar Flynn daqui a pouco.
–Você trabalha até nos finais de semana?-diz espantada.
–Só quando é realmente necessário.
–Entendo, e o que você faz quando não está trabalhando nos finais de semana?--pergunta me olhando.
–Isso depende.-respondo sorrindo.Nos finais de semana eu trepo de tudo quanto é jeito minha querida!
–Depende? Do que?
–De inúmeras coisas e você? O que faz nos finais de semana além de ser voluntária no hospital?-me esquivo da pergunta.
–Bom, fico em casa assistindo filmes ou lendo.- responde.
–Você gosta de ler?-pergunto.
–Não.Eu amo ler. Não imagino minha vida sem livros.-diz sorrindo abertamente.
–Que tipo de livros são os seus preferidos?-pergunto realmente interessado.
–Romances.
Ela é uma mulher de coração e flores.
–Interessante.Qual o seu favorito?
–É difícil escolher apenas um. É como se você estivesse pedindo para a mãe de dez crianças escolhesse apenas uma, entende?
Uau, ela tem resposta pra tudo na ponta da língua.
–E depende do momento também, do meu humor e do meu estado de espírito.-continua.
–Então hoje qual o seu livro preferido?-pergunto completamente fascinado.
–Bom, se for pelo o meu estado emocional acho que O morro dos Ventos Uivantes.
–Que interessante. Por que escolheria esse?
–Bom, acho que porque tem ódio, amor e culpa, principalmente culpa, tudo envolvido. Além da perda.
–Entendo, então o que você faz no hospital?
–Converso com as crianças, conto histórias, essas coisas.-diz.
–Isso é muito bonito da sua parte.-falo.
–Não faço isso por eles, faço por mim.-diz.
Taylor estaciona o carro em frente a um prédio de 7 andares pintado de rosa claro, eu desço e seguro a mão para Ana sair do carro.
–Gostaria de entrar?- pergunta.
–Não, eu tenho um compromisso agora, obrigado. Posso te pegar as sete?
–Ah, sim, as sete.-diz sorrindo.-Até lá.
Me inclino e dou um beijo na bochecha dela e volto para o carro. Ela me olha ainda sorrindo e acena um tchau.Depois se vira e anda até a portaria do prédio. Não sei o que deu em mim para beijar alguém-mesmo que seja um beijo de amigos- em um lugar público, correndo o risco de ter algum paparazzo.
–Para o consultório do Dr. Flynn ,Taylor, por favor.-peço.
–Sim senhor.
Chegamos no consultório com cinco minuto de atraso.Entro na sala de espera e bato na porta do consultório. Flynn abre a porta e faz sinal pra eu entrar.
–Oi Cristian. O que devo a honra?-pergunta sorrindo.
Sento em um sofá na frente dele, respiro fundo e começo.
–Eu estou confuso John.Eu nunca me senti assim antes.-digo frustado.
–Confuso? Em que sentido?-pergunta digitando algo no tablet.
–Bom eu conheci uma mulher faz mais ou menos uma semana, não consigo tirar ela da cabeça, eu fico imaginando o que ela está fazendo, com quem, na onde. Fico querendo ficar com ela o tempo todo, escutando sua voz, assistindo aqueles lábios se mexerem quando ela fala. Eu dormi com ela essa noite...
–Dormiu com ela?-fala sorrindo.
–Sim, mas não do jeito que você está imaginando.Ela tomou um remédio pra dor de cabeça ontem na festa e quando entrou no carro para eu leva-la pra casa, ela praticamente desmaiou e como eu não sabia o endereço dela a levei para o Escala, eu fiquei observando ela dormir e acabei dormindo na cama junto com ela no quarto de hóspedes.-paro para tomar fôlego e olho para Flynn que está sorrindo e continua anotando algo no tablet.- E quando eu acordei ela estava deitada no meu peito, e eu não senti vontade de empurra-la nem nada. Eu gostei e não é a primeira vez que ela me toca e eu não me afasto.
Enfim ele desvia os olhos do tablet e olha para mim.
–Ela te tocou duas vezes e você não sentiu repulsa nem vontade de se afastar?- questiona.
–Não, eu gostei. Na primeira vez eu fiquei um pouco assustado mas consegui relaxar e hoje cedo eu nem me assustei. Eu gostei daquele contato.- murmuro.- Não sei o que está acontecendo comigo! Apesar de eu estar seis meses sem sexo eu estou bem sabe, não que eu não pense em leva-la para cama, é claro que penso. Mas não é uma vontade louca , entende?
–Você não sentiu vontade de leva-la para seu quarto de jogos?-pergunta chocado.
–Não. Não senti.- respondo também chocado. Eu nem tinha percebido isso.- Não à imaginei nenhuma vez no meu quarto vermelho, apenas na minha cama e no meu quarto.
–Ela teve mais progresso com você em pouco tempo do que eu tive nesse tempo todo. Incrível.- fala sorrindo.
–John você acha que estou assim só por causa da minha privação de sexo?-pergunto. — Porque antes com Leila e com as outras eu não me senti assim. Eu sinto uma vontade enorme de protege-la, abraça-la, andar de mãos dadas com ela, assistir a um filme bobo na sala, essas coisas triviais.
–Eu acho que você está apaixonado. Acho não, eu tenho certeza que você está apaixonado por ela.- fala ele sorrindo abertamente agora.
Eu olhei incrédulo para o Flynn, ele deve ter esquecido de tomar o remédio de sanidade mental. Só pode.
–Você está louco não é? Eu apaixonado Flynn? Você bebeu?- passo as mãos pelo cabelo.
–Cristian, você me descreveu os sintomas de amor. Não sou eu quem está falando, é você mesmo. Você conseguiria se distanciar dela?- pergunta.
Será que eu estou apaixonado? Eu não acredito em sentimentos, eu sou frio, sem alma e escuro. Amor é para tolos. Não foi isso que Elena me disse quando achei estar apaixonado por ela?
"A mesma mulher que disse na sua cara que te manipulava, esqueceu?"– a vozinha dando o ar da sua graça.
–Não, eu não conseguiria. Eu a convidei para jantar hoje justamente por isso. -enfim respondo.
Eu apaixonado pela Ana!
Flynn assente com a cabeça e sorri descaradamente pra mim.
–O que devo fazer? — pergunto.
–Porque você acha que deve fazer alguma coisa Cristian?-questiona.
–Não sei, mas como posso ter me apaixonado por ela em tão pouco tempo?- faço outra pergunta.
John coloca o tablet em cima da mesinha entre nós e me olha.
–Cristian para o coração não existe tempo, não importa se você a conhece faz tempo ou se só se conhecem a dez minutos.-fala calmamente.
–Ela vai achar que sou louco e vai fugir de mim Flynn, eu não sou homem para ela.-falo abaixando a cabeça.
–Todos nós temos a opção escolha, deixe que ela diga se você é ou não homem para ela. Ela é maior de idade e responde por seus atos. Tenha confiança em si mesmo. Diga para ela como se sente e deixe que ela responda o que pensa sobre o assunto.Sem pressiona-la e sem pressionar a si mesmo.
Ok! Acho que sou capaz de fazer isso. E vou tentar. Se John que é uma das poucas pessoas em quem confio está dizendo, vou seguir.
–Cristian estou vendo no seu rosto que você ainda está com dúvidas. Olhe, deixe que eu lhe fale uma coisa como amigo. Esqueça que eu sou seu psicólogo e que você me paga uma pequena fortuna para te ouvir e dar conselhos. Um conselho de amigo para amigo.-fala e eu aceno para que ele continue.- Você é muito fácil de amar, você merece amar e ser amado. Está visivel para qualquer um que olhe para você ver que você está com sentimentos fortes ai dentro e os está reprimindo. Se não acredita em mim e acha que está assim somente por causa da sua privação de sexo, vá até um desse clubes e transe com alguém ou melhor, leve a Ana para cama e depois me diga se você voltou a ser aquele Cristian antes de Ana ou se continua sendo o Cristian depois de Ana.
Olho para ele chocado.
–Não posso fazer isso. Brincar com os sentimentos da Ana desse jeito. Não posso faze-la sofrer. Doeria em mim. -falo me chocando ainda mais com as minhas próprias palavras.
–Viu? Você não suportaria te-la longe, não suportaria ve-la sofrer, tem vontade de ficar com ela o tempo todo apenas para desfrutar de sua companhia e ainda assim quer teimar que não está apaixonado por ela?
Ponto pra você Flynn.
–Ok. Acho que você tem razão. -digo me levantando.
–Sempre tenho- diz e gargalha.- Te mando a fatura dessa consulta de emergência ou você vai acertar agora?- pergunta ainda rindo.
Eu sorrio e balanço a cabeça. Tenho certeza que essa consulta estará inclusa quando eu for assinar o contra-cheque dele.
–Até mais Flynn.-digo já da porta.
–Tchau Cristian e boa sorte!
Fale com o autor