Notas iniciais
Oi gente desculpem, eu fiz uma confusão e apaguei o capitulo, então estou postando novamente. sorry.

Capitulo 23

Pov Ana

Acordo com batidas na porta.

–Ana? Ana, filha acorda. Tem uma encomenda para você. Vamos lá garota... – Ray chama atrás da porta.

Encomenda? Meu celular ainda nem despertou e já tenho uma encomenda me esperando? Pego o celular e olho as horas: é extremamente cedo!

E para minha infelicidade ainda nenhuma resposta de Cristian. Levanto lentamente e abro a porta.

–Nossa! Você está bem? – pergunta Ray.

–Sim, estou ótima. É cedo demais para encomendas não acha? E eu não pedi nada... – digo andando para a sala.

–Ei! Você não vai lá na sala vestida assim, vai? – Ray segura meu braço me fazendo parar. Olho para meu short de pijama rosa de bolinha que vai quase até o joelho e a blusinha combinando.

–O que tem demais eu ir receber a porta assim? Acabei de acordar. – digo sem entender e Ray estreita os olhos.

–Isso não é roupa que se apresente Ana, ainda mais para um cara que você nem conhece. – diz com a cara fechada. – Coloque alguma coisa por cima disso.

–Um cara que nem conheço? – rio. – Porque eu conheceria um entregador? Você está sendo ciumento? – Ele balança a cabeça e me solta, com cara de desgosto.

Vou até a sala e um rapaz alto, magro e cheio de espinha está me esperando com um embrulho cumprido.

–Bom dia! – digo e ele me olha de cima a baixo e fica vermelho.

–Oh... Hum... Bom dia. Senhorita Stelle? – pergunta e eu concordo com a cabeça. – Tenho uma entrega para a senhorita, assine aqui por favor. – diz me entregando uma folha e uma caneta.

Depois que assino, Ray o acompanha até a porta e eu abro a embalagem.

Dentro está uma rosa branca solitária e nenhum bilhete. Que estranho!

–O que é? – pergunta Ray.

–Uma flor. – respondo pegando a rosa na mão.

–Nenhum cartão?

–Não nenhum. Vou colocar ela em um vasinho para não morrer, é linda. – digo indo em direção a cozinha.

–Você não sabe quem te mandou? – questiona me olhando atentamente.

–Não. Deve ter sido Kate. – falo assim que coloco a flor em um vasinho de cristal longo que era de minha mãe. – Bom, vou tomar um banho e me arrumar para o trabalho. Me espera para um chá? – pergunto.

–Com prazer. – Ray dá um sorriso aberto e eu sigo para o quarto.

Depois de tomar um banho demorado coloco uma saia cinza e uma bata creme, e prendo o cabelo em um coque. Desde a hora que entrei no quarto de novo ate agora já perdi a conta de quantas vezes verifiquei o celular e ainda nenhuma mensagem de Cristian. Ele deve ter se cansado dos vacos que dei nele e agora vai me dar uma dose do meu próprio remédio.

Ray me entrega uma xicara de chá e bebemos em silêncio, mas sei que ele quer me perguntar alguma coisa, e está enrolando.

–E ai o que vai fazer hoje? – pergunto.

–Ainda não sei, estou pensando em visitar alguns amigos. – diz.

–Amigos? – levanto uma sobrancelha. – Não sabia que tinha amigos aqui.

–Pois tenho, e vários. – responde. – E você? O que vai fazer?

–Trabalhar na parte da manha. E talvez ligar para Kate na parte da tarde.

–Certo, não pense que deve ficar em casa só porque estou aqui. Não quero te atrapalhar em nada.

–Eu sei. E eu amo o fato que você está aqui. – sorrio. Eu sei que ele está aqui para me vigiar, saber se estou realmente bem.

–E seu namorado? – pergunta.

– O que tem ele?

–Vocês se falaram ontem a noite depois que fui dormir?

Eu poderia mentir que sim, mas como sempre fui uma péssima mentirosa e minha cara sempre me entrega , opto pela verdade.

–Não, eu mandei uma mensagem e ele não me respondeu. Deve estar chateado por tê-lo ignorado a noite toda. – digo respirando fundo.

Uau! Que namoro rápido e fracassado. Mal começamos e já estamos assim.

– Eu não acho isso. Talvez a bateria do celular dele possa ter acabado. — fala Ray me observando.

–E ainda não deu tempo dele colocar para carregar? – pergunto imaginando se ele passou a noite com Elena.

–Ou ele é igual a tua mãe, e nunca sabe onde guardou o carregador.

Olho para Ray e só balanço a cabeça, ele não entendo essa insistência dele de defender Cristian e lembrarda minha mãe me da um aperto no peito.

(...)

Depois de me despedir de Ray vou para a SIP. Comprimento todos, menos meu acalorado assistente que não vejo em lugar algum. Estranho, uma vez que ele deveria chegar meia hora mais cedo que eu. Entro na sala e mergulho no trabalho. No meio da manhã me ligam da recepção dizendo que tem uma entrega pra mim.

Mais uma?

Depois que assino a nota, pego o embrulho e volto para meu escritório. Abrindo encontro uma caixa térmica com um combo de lanche do Mc Donalds, não aguento e começo a rir. Kate e suas brincadeiras. Não é segredo para ninguém o quanto amo fest food’s. Desocupo um espaço na mesa e coloco o copo com milk shake de morango, depois como a batata, o Cheddar McMelt e quando vou pegar o guardanapo para limpar a mão, encontro uma folha de papel caro dobrada ao meio.

–Oh meu Deus! – sussurro quando leio:

“ ...E ela sabe que não há ninguém assim como você

Então deixe-me te dizer tudo o que eu ainda não disse

Eu tenho esses sentimentos por você

E não posso mais ajudar a mim mesmo

Não posso lutar contra esses sentimentos por você

Não, eu não posso mais ajudar a mim mesmo...

C.”

É uma parte da música Feelings da banda Marron 5, minha banda preferida.

Cristian! Meu coração dispara. O que será que ele está querendo me dizer com isso?

Que ele tem sentimentos por mim? Que Elena sabe desses sentimentos?

Meu Deus, depois da agonia de pensar que ele tinha simplesmente desistido do nosso “namoro”, ele me manda isso. E tenho certeza que a rosa de hoje cedo também foi ele. Não teria sentido Kate me mandar uma flor em casa. Meus olhos enchem de lágrimas. Não sei porque estou chorando, não sei se é emoção por ele ter entrado em contato comigo e por ter lembrado que eu amo Mc Donalds, aflição por ele possivelmente ter sentimentos por mim, de medo que ele me deixe quando souber tudo da minha vida ou apenas felicidade de amar e ser amada.

Respiro fundo para me controlar, antes que alguém do escritório me veja, termino de comer e guardo o bilhete na minha bolsa.

Só não entendo porque ele não me mandou uma mensagem apenas? Ou, porque simplesmente não me telefonou? Apesar de eu ter ficado magoada a noite passada e demorado para responder as mensagens, no final eu respondi, não foi?!

Será que devo mandar outra mensagem para ele ou esperar? Decido por esperar, se por fim ele não me ligar, eu ligarei para ele. Mergulho no trabalho, ainda sem nenhuma noticia do meu assistente. Por um lado fico até aliviada, ele é muito espontâneo para o meu gosto, mas também fico encucada, é obrigação dele avisar quando vai faltar. Hanna, a menina da portaria disse que ele não entrou em contato e que já tentou localizar ele , mas o telefone só da fora de área. Muito estranho.

Quando enfim termino de ler um manuscrito e revisar o relatório do financeiro sobre um novo lançamento, já se passam das três da tarde. Não sei como Ray ainda não me ligou, ou Jack não veio falar que havíamos combinado de eu trabalhar apenas meio período. Com certeza, nenhum dos dois sonham que ainda estou na SIP. Junto minhas coisas rapidamente, me despeço e saio.

Assim que chego no estacionamento vejo um cartão dobrado no para brisa do carro:

“Nem tudo é o que parece, às vezes nosso medo não nos permite ser realmente sinceros. O medo de falar é grande, mas o medo de perder algo importante é maior ainda.

C.”

Releio o bilhete várias vezes antes de entrar no carro. Pego o celular para mandar uma mensagem mas desisto. Não sei o que escrever na mensagem. O que vou falar? Que me sinto da mesma maneira? Que também tenho? Com certeza que não.

Ligo para Ray e aviso que vou no hospital , já estou com saudades das crianças. Ele me avisa que irá a um jogo de Pôquer com alguns amigos e não tem hora para voltar.

(...)

Como sempre as crianças acabam com as minhas energias, depois de brincar de boneca, jogar bola, brincar de pique, ler histórias e dançar com elas, enfim me despedi prometendo voltar logo.

Chego em casa exausta, mas paro na porta quando percebo uma música suave tocando e um cheiro maravilhoso entra pelas minhas narinas. Ray não gosta desse tipo de música e não sabe cozinhar. Entro, deixo a bolsa no sofá e vou em direção ao cheiro. Cristian está no balcão picando o que parece ser tomates em rodelas, com as costas virada para mim, a mesa está posta perfeitamente com dois lugares e um buquê de flores silvestres no centro.

Como ele entrou aqui? Ele se virá para pegar algo na geladeira e para ao me ver.

–Oi, que bom que chegou. –diz.

–Hum.. Oi. O que faz aqui?

–Acho que está obvio, não? – sorri, se inclinando e pegando uma bandeja com legumes picados na geladeira. – Espero que esteja com fome.

–Como você conseguiu entrar?

–Ray. – responde simplesmente.

Ray o deixou entrar aqui e fazer isso tudo? Ao mesmo tempo em que estou feliz por vê-lo , também estou receosa. Não sei como agir, depois de todos os recados que ele me mandou durante o dia, tenho medo de dizer algo errado e o espantar, ou ele simplesmente mudar de ideia, ou tudo ser apenas uma brincadeira, ou ...

Meu Deus! Estou perdendo o controle.

–Você pode ir e tomar um banho, assim depois nós poderemos jantar e conversar. – fala quando percebe o meu silêncio. – Em vinte minutos a comida estará pronta.

–Oh! Ok. – respondo confusa e vou em direção ao quarto.

Estou sentada na frente de Cristian e um silencio estranho está entre a gente, apesar da comida estar maravilhosa eu ainda estou confusa. Quando termino de comer a deliciosa mousse que ele colocou na minha frente, me inclino na cadeira, esperando que ele fale alguma coisa. Durante nosso jantar só conversamos sobre a comida, ele me contou que pediu para Gail deixar tudo pré-pronto, para ele ter apenas que dar o retoques finais, fora isso não conversamos sobre mais nada.

–Uau! Estava tudo uma delicia.Obrigada. – digo.

–Sim, Gail é uma ótima cozinheira. – ele começa a tirar a louça da mesa e colocar na pia.

–Pode deixar que depois eu arrumo tudo, você já cozinhou, agora eu limpo.

–Tudo bem... Hmn... Acho que agora é a hora que começo a me explicar então, certo?

–Eu admito que estou confusa.

–Podemos sentar na sala? Tenho muita coisa para falar, e espero que você tenha vontade de me escutar. – eu apenas levanto e sigo para o sofá.

É estranho, toda essa situação é nova para mim em vários níveis. O mais estranho de tudo é Ray ter dado a chave a ele.

–Você quer que eu comece por onde? — pergunta sentando no sofá oposto ao meu.

–Pode começar pela parte que Ray sai e deixa você aqui. – respondo.

Ele sorri de lado e balança a cabeça concordando.

–Sim. Bom eu liguei para o seu pai hoje cedo e perguntei se ele poderia me ajudar, pois eu não sabia se você aceitaria sair para jantar comigo para que a gente pudesse conversar, então ele muito gentilmente me ofereceu a chave do apartamento e disse que com toda certeza, não importasse sobre o que fossemos conversar você não gostaria de ter essa conversa em algum lugar publico. Espero que você não tenha se importado. Eu precisava falar com você.

–Se você queria tanto falar comigo. Por que simplesmente não me ligou ou me mandou uma mensagem? – pergunto olhando para ele cética.

–Por que o que tenho para falar com você , deve ser falado cara a cara e não por telefone. Eu queria estar olhando para você quando falasse.

Meu coração acelera.

–Tudo bem, eu entendo. – digo tentando parecer indiferente e falhando miseravelmente.

–Entende? – sorri, mal disfarçando sua felicidade. – Pensei que ficaria chateada ou que levaria um bom tempo para convencê-la a me desculpar.

–Não sou esse tipo de pessoa. Mas acho que não havia necessidade de você preparar todo aquele jantar, me mandar o combo na SIP e a flor hoje cedo. Um simples “não vai dar certo” ou “desculpa eu não estou mais afim” já resolveria tudo. –digo irritada comigo mesma por ter tido esperança. Se ele não quer nada comigo, não serei eu a ficar implorando.

Ao menos sairei com a cabeça erguida, eu jamais me colocaria ao nível de Leila ou Elena. Lembro-me do papel deplorável delas ao implorar para Cristian uma nova chance. Principalmente Elena, falando aquele tanto de barbaridades sobre a vida sexual dos dois e sobre sentimentos. Lembro-me também da bofetada que dei nela. Nunca fui uma pessoa agressiva, mas aquele dia eu senti uma vontade enorme de esbofeteá-la até ela virar homem.

–Eu não entendo o que está falando. Acho que me perdi. – Cristian diz me olhando ansioso. – Do que está falando?

–Você me mandou a flor hoje cedo não mandou? – ele assente. – Me mandou também o combo do Mc Donalds, não foi?

–Sim, mandei. Inclusive coloquei um bilhete junto ao combo para você...

–É eu vi o bilhete. – o corto. – Apesar, que agora percebi que entendi errado o sentido do bilhete.

–Errado? Eu achei que te mandando aquele bilhete junto com o combo você entenderia, que você perceberia o que eu quis dizer. Olha, eu não sou muito bom com palavras e sentimentos, não sei lidar com uma mulher como você. Mas acho que dei boas dicas para você. Ainda mais depois que você me viu com Elena e tudo mais.

–Você está certo, eu havia interpretado errado o bilhete. Eu entendo, você reconsiderou seus sentimentos por Elena e...

–O que? – me olha espantado. –Não. Você com certeza entendeu tudo errado. Por favor clareie a minha mente e diga por que acha que te mandei a flor, o combo com o bilhete e fiz esse jantar?

Eu o olho. Meus olhos começam a arder. Não vou chorar, nunca chorei por causa de algum homem, não vai ser agora. Engulo e respiro fundo antes de conseguir falar.

–Você percebeu que não é isso que você quer não é?

–Isso? – levanta uma sobrancelha questionando. – Isso o que?

–O nosso suposto namoro. Vamos acabar com isso logo, não tem necessidade de ficar se martirizando e se preocupando com os meus sentimentos. Não vou guardar magoa. – Meu coração se comprime no peito.

–Fica quieta! Suposto namoro? Para mim não é suposto, é verdadeiro. Para mim nosso namoro é um fato verídico. Lógico que me preocupo com seus sentimentos, para dar certo os dois tem que querer jogar esse jogo.

–Mas... Eu pensei...

–Você pensou errado Ana. – ele se aproxima e pega minhas mãos. – Não te fiz esse jantar para dizer que não quero mais nada com você, pelo contrario. Fiz para pedir perdão por não ter te ligado, por ter saído para jantar com Elena e para pedir a chance de me explicar.

–Se explicar?

–Sim. Quero contar tudo que aconteceu para eu ter agido como agi. Quero que você saiba como me sinto.

Se ele não quer terminar... Ai meu Deus!

–Tudo bem. Pode falar.

–Olha depois que sai daqui naquela noite que conheci seu pai, Taylor me avisou que havia ocorrido um incêndio em um das minhas filiais, então eu fui direto para Nova York para resolver tudo. Quando sai de lá já havia amanhecido então segui direto para o Escala, para Taylor e eu descansarmos um pouco, uma vez que tínhamos virado a noite na base do café.

–Nossa, eu não sabia... –

– Mas não se preocupe com isso. Assim que chegamos ao Escala eu fui dormir um pouco e Elena me ligou. Ela queria conversar comigo , e como não atendi suas ligações, ela foi atrás de Mia, e a usou para conseguir falar comigo. Assim não tive outra opção a não ser aceitar falar com ela. Foi por isso que você viu me jantando com ela no restaurante. Ela está me chantageando Ana.

Arregalo os olhos. Chantageando?

–Chantageando? Com o quê? – pergunto.

Cristian levanta e se ajoelha na minha frente.

–Antes quero saiba que nada, nem ninguém pode me obrigar fazer qualquer coisa que eu não queira. Eu não sei como te explicar sem parecer um maluco.

–Tente, eu estou ficando perdida Cristian.

–Elena foi a única mulher que um dia me declarei. Na época eu achava que a amava e que ela era a mulher que eu ia querer passar o resto dos meus dias, mas agora sei que na verdade nunca a amei e nunca amei mulher nenhuma... Até você.

–Eu... O que você disse? – meu coração está acelerado novamente, minhas mãos estão suando.

– Eu disse que nunca amei mulher nenhuma até conhecer você Anastasia Stelle. Quando te conheci achei que sentia por você apenas uma atração e nada mais. Mas ai não conseguia tirar você da cabeça de jeito nenhum. Eu ficava ansioso para te ver, escutar sua voz.

–Cristian nós nos conhecemos a pouco tempo, você com certeza está confundindo tudo. – digo com medo.

– Nunca tive tanta certeza de algo na minha vida Ana. Flynn concorda comigo. Não é apenas atração, não é apenas desejo é bem mais que isso. Eu sei que é rápido demais, eu sei que pode parecer loucura, mas é a verdade Ana. No começo depois que percebi que não era apenas atração, eu achei que fosse paixão, que eu estivesse apaixonado por você, afinal paixão dura pouco não é. Eu estava esperando o dia em que eu simplesmente me cansasse de você, porque era isso que sempre acontecia comigo. Eu me fartava da companhia das minhas submissas. Mas com você não foi assim. Eu nunca me farto, pelo contrario, eu anseio por mais de você a cada minuto.

E então eu comecei a chorar.

–Não... Eu... Desculpe. – não conseguia formar uma frase coerente, as lágrimas rolavam pelo meu rosto e eu não conseguia parar.

–Não chore Ana. – Cristian se sentou ao meu lado e começou a passar a mão ritmicamente em meus cabelos tentando me acalmar.

Como posso não chorar escutando tudo isso?

–Você não entende, tem coisas sobre mim que você não sabe. Coisas que quando souber vai querer se afastar de mim na hora, vai perceber que sou um estorvo na vida de qualquer um. – digo quando consigo parar de chorar.

–Não Ana. Nada que eu descubra sobre você vai me fazer mudar o que sinto. Eu... – ele respira fundo. – Eu te amo Anastasia.

Eu levanto, precisando de distancia.

–Não.

–Sim. Eu te amo e vou fazer de tudo para conquistar o seu coração. Acho que te amei quando coloquei meus olhos em você pela primeira vez na igreja e o irônico é que Elliot havia me alertado sobre você.

–Alertado? O que você quer dizer? – Será que Elliot contou para ele tudo que ele sabe sobre mim?

–Sim, ele me disse para tomar cuidado e não cair de quatro por você. – ri Cristian e eu dou um sorriso triste.

–Cristian, eu...

–Não. Você não precisa me falar nada. Eu não espero que você se declare para mim ou que me conte o que aconteceu com você no passado. Só peço que me dê a oportunidade de te conquistar, eu sei que vou fazer coisas erradas, eu sei que vou pisar na bola, mas por favor não desista de mim sem me dar uma chance, ok?

Eu balancei a cabeça concordando. Eu estou além de feliz, mas com medo. Muito medo.

“Ana, A vida é muito curta para você ficar pensando nos pros e contras. Um dia quando você encontrar alguém que te queira da mesma forma que você o quer, ai então você deve se permitir sentir, viver e amar. Não se preocupe com nada, apenas viva um dia de cada vez.”

O conselho da minha mãe me vem a cabeça, eu suspiro. Viver um dia de cada vez? Não é isso que estou fazendo desde o acidente?

–Agora que você já sabe como me sinto, vou te explicar o que aconteceu no restaurante. – Cristian diz diante do meu silêncio.

Me aproximo dele, pego suas mãos e puxo. Ele se levanta ficando em pé na minha frente. Me inclino e o beijo.

O Beijo com paixão, tentando transmitir todo o meu medo, toda a minha vontade e todo o meu amor. E ele corresponde. Me abraçando pela cintura e me puxando mais para perto do seu corpo.

–Esse beijo foi... – Cristian respira.

–Foi a minha forma de dizer que apesar de saber que você vai correr quando souber tudo, eu estou disposta e batalhar pelo nosso amor, assim como você. Porque tudo que você descreveu que sente, eu também sinto. Então estamos no mesmo barco. – Digo o abraçando apertado. – Mas estou com medo Cristian, não vou negar, eu estou apavorada de medo.

–Eu também minha querida, mas nós vamos vencer esse medo juntos.

Concordo com a cabeça e me sento, tudo isso é alucinante.

–Como estava dizendo antes desse maravilhoso beijo, Eu aceitei me encontrar com Elena, assim eu poderia colocar um ponto final em tudo isso. Só que não foi assim. Quando chegamos no restaurante Elena começou a falar que sentia muito por tudo que havia se passado entre nós e que queria retomar no relação. Eu , claro não aceitei, ela percebeu meus sentimentos por você e viu que nem que chovesse no inferno eu voltaria a ter algum tipo de relacionamento com ela, assim ela ameaçou contar tudo para Grace.

–Oh meu Deus!

–Ela disse que se eu não terminar tudo com você em até vinte quatro horas ela vai até Grace e dizer sobre todos esses anos em que nos relacionamos. Claro que eu não cedi a chantagem dela e nem cederei.

–Mas Cristian, sua mãe vai ficar arrasa. Você acha que vale a pena?

Nunca, nem em um milhão de anos eu imaginaria que era esse o motivo daquele jantar.

–O que você está falando Ana? Depois de tudo que te disse sobre como me sinto em relação a você, como você pode pensar que eu iria preferir terminar tudo com você e deixar Elena vencer? Isso não é se quer uma opção.

–Mas então... O que você vai fazer? Você não pode deixar ela contar tudo para Grace.

–Eu não sei... Não quero magoar Grace, mas também não quero te perder. Estou em uma encruzilhada.

Nós dois ficamos em silêncio pensando. Não posso o fazer escolher entre sua mãe e eu. Mãe é mãe.

Depois do que pareceu uma eternidade Cristian fala novamente.

–Olha, eu não posso ceder a chantagem de Elena, porque chantagem é ciclo sem fim, e o que ela mais quer é ter o controle da minha vida novamente, e isso não vou permitir acontecer.

–Então o que você vai fazer? – pergunto.

– Eu mesmo vou contar para Grace.

–Você está falando sério?

–Sim, muito sério. Eu vou contar tudo, assim quando Elena for conta, ela caíra do cavalo.

–Tem certeza?

–Certeza eu não tenho, mas é a única opção. Vou contar que o que tínhamos acabou faz tempo e que eu te amo. Vou pedir perdão e torcer para que ela me perdoe.

Eu o abraço.

–Isso é muito corajoso da sua parte. –digo.

– Só assim poderei dar a fase Elena Lincon como encerrada de vez, e então poderei seguir em frente com você.

Nós ficamos abraçados nos sofá, saber que Cristian me ama já é bom, mas saber que ele está disposto a contar tudo para Grace só para não me perder é ótimo!

Notas finais
O que acharam? Por favor comentem, recomendem, favoritem e compartilhem que eu vou amar!