Cinquenta Tons de Amor
15 Capitulo 15
Notas iniciais
Capitulo 15
–Então foi esse desgraçado que fez isso nos seus braços e te chamou de interesseira? — uma voz completamente irada e raivosa diz atrás de mim.
Ele escutou!
Respiro fundo e me viro lentamente para encarar os olhos cinzentos cheios de ódio que estão me fitando.
–O quê? José te chamou de interesseira? — pergunta Kate com raiva. Elliot a abraça por trás e diz algo em seu ouvido.
–Sim, ele me chamou de interesseira e sim, foi ele que deixou essa marca no meu braço. — respondo olhando para Cristian. — Mas tenho certeza que ele se arrepende e não teve a intenção de me ofender.
–Não teve a intenção de te ofender Ana? — Cristian quase grita. — Uma pessoa não chama a outra de interesseira sem querer, não é possivel que você seja tão ingênua assim.
Eu balanço a cabeça já cansada, desde a hora em que chegamos eu tenho sido o tópico principal de todas as conversas.
–Sim, eu sei. Mas ele estava apenas nervoso e no fundo eu o entendo. — digo e três pares de olhos me encaram perplexos.
–Então você está dizendo que não se importa? Que tudo bem ele ter te acusado de caça dotes? Tudo bem ele ter deixado um hematoma enorme nos seus braços? — questiona Cristian vindo ficar ao meu lado.
Reviro os olhos.
–Não é isso. Você não entende.
–Então por favor me explica. Porque o que me parece é que esse cara não tem nem um pingo de modos e com certeza não aprendeu como se deve tratar uma mulher. — fala com raiva fervilhando nos olhos.
–Cristian, se acalme. Você está exagerando. A Ana que foi a parte ofendida não está tão irritada como você. Não estou te entendendo, parece que você está a ponto de explodir a qualquer momento. — Elliot que estava quieto, enfim fala; Cristian vira a cabeça e encara Elliot.
–Eu estou a ponto de explodir mesmo. Minha vontade é ir até Portland e socar esse desgraçado até a merda sair de dentro dele, até ele se arrepender de cada palavra que disse. — responde por entre os dentes.
– O que? Não! Você não precisa fazer nada disso. Meu Deus! É por isso que eu não contei nada para vocês. Essas reações exageradas e extremamentes protetoras me irritam. — falo e antes que Cristian tenha a chance de retrucar, me viro para Kate. — Se importa eu der uma palavrinha em particular com Cristian antes de nós jantarmos?
Se eu não der um jeito de acalmar ele, com certeza a inquisição vai continuar e vamos jantar, talvez amanhã.
–Claro Ana, vocês podem usar o meu escritório ou o quarto de hóspedes. Enquanto vocês conversam Kate e eu vamos terminar de arrumar a mesa para a gente poder jantar. — responde Elliot, quando Kate continua a me encarar sem falar nada.
Eu sei que não tem mais nada para arrumar na mesa, até porque foi eu mesma que arrumei.
–Obrigada. — respondo, pego na mão de Cristian e o puxo em direção ao quarto de hóspedes.
Eu mal fecho a porta atrás de mim e Cristian já começa a falar.
–Eu estou louco de raiva, minha vontade é dar uma surra nesse seu amiguinho infeliz, por ele ter te marcado e ter te ofendido. Minha raiva é tanta que eu poderia derrubar um touro só com o pensamento.
–Eu sei, olha, não precisa ficar com tanta raiva assim, meu braço não dói e se vocês não tiverem visto o hematoma eu nem saberia. Você não precisa se preocupado.
–Ana. — diz como se estivesse falando com uma criança. — Não é apenas preocupação que me toma, antes fosse, mas não é. Vai muito além disso. Eu estou com raiva e principalmente com medo.
Medo?
–Medo? — pergunto perdida. — Medo do quê?
–Medo que em algum momento você se canse dessas insinuações e resolva se afastar de mim. Medo que o que eu sou e o que eu tenho atrapalhe a nossa... amizade.
Ana, nesse anos todos eu quis afastar as emoções e sentimentos de mim, ser frio, ser distante era sempre o melhor, a opção mais plaúsivel. Mas ai você apareceu, e desde então a cada dia , a cada momento ao seu lado eu me vejo gostando, aceitando e querendo cada vez mais me sentir como me sinto ao seu lado. Eu tenho medo de perder isso, entende? Tenho medo de você perceber que estar comigo e ser minha amiga, ou mais ... — fala sorrindo e pegando minhas mãos entre as dele. — é muito exaustivo. E acabar desistindo.
–Cristian... — começo mas ele me corta.
–Meu Deus Ana! Medo! Eu nunca tive tanto medo como tenho agora, a única vez em que eu me lembro que senti tamanho medo, eram nos momentos em que o cafetão da prostituta chegava e eu me escondia mesmo sabendo que ele me encontraria. Mas lá, quando eu era criança, eu sabia, sabia que depois da surra ele iria embora e eu poderia respirar de novo. Então era um medo digamos que passageiro. — respira fundo e continua. — Mas com você não, eu nunca sei o que você vai falar, o que vai fazer. Tenho vontade de pegar você e sumir, acho que só assim consigo ter controle, e controle faz parte de mim. E o medo me controla, mesmo sem eu querer. Ver o seu braço, esses roxos enormes me dá vontade de matar seu amigo desgraçado, dá vontade de bater nele até que ele se arrependa de ter nascido, ainda mais agora que sei que ele disse todas essas merdas pra você. Eu...
Meu olhar fica fixo no de Cristian, a cada palavra que ele diz meu coração parece querer saltar do peito. Tenho que confessar, sim eu gosto dele. Talvez não com a intensidade que ele merece, mas gosto, e gosto muito. Nunca nenhum namorado ou ficante que tive, me olhou com tamanho carinho e apresso, ou se abriu comigo assim, me deixou entrar por baixo de sua armadura. Nenhum. Nunca. Claro, eles algum tinham carinho por mim e eu por eles. Mas do mesmo jeito que eu nunca os amei, eles também nunca me amaram. Foi apenas afinidade. Nada mais.
Saber tudo o que Cristian já passou, tudo que aconteceu com ele desde de pequeno até agora, o jeito que ele se abre comigo, faz com que eu me sinta especial e querida. Me dá vontade de retribuir o calor que sinto no meu peito, tenho vontade de fazer com que ele se senta bem também, fazer com que o seu medo suma. É estranho, até porque desde o acidente eu nunca me senti tão bem como me sinto com Cristian.
Seu sorriso, o modo como ele passa as mãos pelo cabelo quando está nervoso, o jeito que ele me abraça, faz meu coração bater mais forte no peito a cada batida.
Minha mente se desliga do que ele está falando, e começo a imaginar suas mãos em mim, sua boca na minha, seu braço ao meu redor... Instintivamente me inclino e começo a beijá-lo, cortando o que ele estava falando e o pegando de surpresa.
Fale com o autor