Cinquenta Tons de Amor
16 Capitulo 16
Notas iniciais
POV Cristian
Elliot e eu estavamos chegando na cozinha quando escutei Ana confessando para Kate que tinha sido o infeliz do José que a ofendeu e deixou as marcas em seu braço. Tive que controlar muito para não sair do apartamento e ir até Portland para ensinar uma lição pra ele. Percebi o susto que Ana levou quando viu que eu tinha escutado sua confissão, seus olhos arregalados e a palidez a denunciaram. E eu que estava me remoendo por dentro, por ter falado mais do que gostaria sobre os meus sentimentos, com medo de tê-lá espantado e empurrado-a para longe de mim, mas fui mais uma vez surpreendido.
Demorei um alguns segundo pra entender, é a segunda vez que ela me beija de surpresa, confesso que isso é uma das coisas que eu gosto nela e confesso também que desde a hora que a peguei em casa estava louco para beijar sua boca suculenta.
Assim que entendi a intenção dela, retribui o beijo com voracidade, minha língua sedenta entrando dentro de sua boca úmida e calorosa reconhecendo seu gosto delicioso.
Suas mãos puxando levemente meus cabelos na altura da nuca, com uma mão eu a puxei para mais perto — se fosse possível nos nós fundiríamos em um — e passeando a palma da outra mão pelo seu corpo perfeito, desde os ombros até sua coxa maravilhosa.
–Meu Deus Ana! — ofego quando o ar se faz necessário. — O que foi isso?
Ela me olha como se estivesse tão mexida quanto eu.
–Um beijo? — pergunta incerta.
–Que foi um beijo percebi, mas gostaria de saber o por quê desse beijo. — digo ainda ofegante.
–Desculpa, você não gostou? — questiona.
Se eu gostei?
–Ana, você está perguntando se eu gostei? Eu não gostei, eu amei. Mas só para tirar a prova... — digo e enlaço minhas mãos em sua cintura e a puxo em direção ao meu corpo, colando a boca na dela com a minha língua pedindo passagem entre seus lábios.
Ana ofega, acho que de susto, e depois começa a me beijar com a mesma paixão; Os dois necessitados, não querendo se separar.
–Uau! — digo respirando fundo e me segurando para não levá-la até a cama e fazer amor com ela até matar essa necessidade que nasce sempre que nos beijamos.
–Sim, uau! — responde.
–Então, agora que provei que gostei do beijo, você pode me dizer o porque dele? — pergunto.
–Bom, foi a única maneira que encontrei para fazer você ficar quieto. — diz sorrindo.
Sorrio para ela, me inclino e dou um beijo rápido em seus lábios.
–Sim, acho que funcionou. Mas me beijar não vai me impedir de fazer perguntas. — digo pegando suas mãos e sentando na beira da cama.
Ela respira fundo e balança a cabeça.
–Não podemos deixar isso para lá?
–Não. Eu quero que você me explique sobre José. — falo.
Quero saber de que modo ela entende a atitude de José; Será que mesmo que no passado eles já tiveram alguma coisa? Mas nem mesmo isso explica a atitude de completo panaca dele. Ele sendo amigo de Ana a anos, deveria a conhecer melhor, saber que ela jamais se aproximaria de alguém pelo status ou bem material que essa pessoa possui.
– O que sobre José? — murmura.
–Você tinha dito que entendia a atitude de José. Quero que me explique , pois até agora ainda não entendi. — peço.
Ela me olha, se levanta e encosta na parede do outro lado do quarto. Querendo espaço, talvez?
–Bom, é verdade. Eu e José nos conhecemos na faculdade, eu estava na biblioteca fazendo uma pesquisa e ele chegou, como não tinha nenhuma mesa desocupada para ele poder sentar, ofereci a minha e ele aceitou, desde então fizemos amizade. Sempre o vi como o irmão que nunca tive, só que ele não me via do mesmo modo. Ele sempre me disse que gostava de mim mais do que como irmã e que estaria sempre me esperando com esperança de que meus sentimentos em relação à ele mudassem, e eu prometi que seria sempre sincera, e quando e se eu começasse a sair com alguém eu contaria a ele. — começa a explicar.
–Continuo sem entender Ana, onde a parte dele de ofender e te machucar entra nisso tudo? — pergunto.
Ela me olha como se fosse óbvio.
–Cristian, sinceramente, como você se sentiria se fosse afim de uma garota a tempos, ficasse com ela nos momentos de dificuldades e depois ela simplesmente começasse a sair com outro cara, sem dar nenhuma explicação? — pergunta.
Eu penso por um momento. Sim, com certeza eu ficaria abalado, mas nunca a machucaria ou a ofenderia.
–Certo, porém você mesmo disse que sempre deixou claro que não tinha sentimentos de mulher por ele. — digo ainda não me dando por vencido.
–Sim, eu disse. Mas ainda assim, eu comecei a sair com você sem dar nenhuma explicação pra ele, e ele merecia. Ele é um amigo meu muito querido, Cristian e me ajudou bastante, por isso eu não o condeno e espero que vocês também não o condenem.
Balanço a cabeça, pelo jeito essa é uma batalha perdida.
–Certo. Se você está dizendo que está tudo bem, vou confiar na sua palavra...dessa vez. Na próxima eu vou atrás dele e ensinarei alguns modos pra ele , eu mesmo. — digo.
–Obrigada. — agradece ela.
Um sorriso de derreter corações.
–Melhor nós voltarmos antes que eles pensem que está acontecendo algo. — falo estendendo a mão para ela.
Já me basta Elliot me pressionando enquanto Ana e Kate estavam na cozinha.
– Flash Back On -
–E então? — pergunta Elliot sentado do outro lado do sofá.
–Então? — questiono desentendido.
–Ah, o que ta rolando entre vocês dois? Nunca ti vi assim com mulher nenhuma Cristian. — fala ele com os olhos espantados.
–Assim como?
–Com esse olhar, esses modos, esse seu jeito carinhoso e protetor. Parece que você está disposto a entrar na frente de uma bala por ela.
Pareço?
–Você está imaginando coisas Elliot. Eu e a Ana somos amigos. — digo e ele levanta uma sobrancelha pra mim.
–Amigos? Apenas amigos? Me conta outra Cristian. Está rolando algo mais. Desde o ensaio na igreja você mudou.
Mudei?!
–Você pode não querer me contar o que esta acontecendo e vou respeitar isso, mas na minha opinião você está caidinho por ela, assim como eu fiquei quando conheci Kate. E por mais que você negue, no fundo você sabe que estou falando a verdade. — continua ele. — Eu gosto de te ver assim Cristian, e quero muito te ver feliz, assim como eu estou.
Eu caidinho por ela? Certo, eu gosto dela e já aceitei isso. Mas agora amar não. Eu não amo, não sei amar.
–Elliot, não há nada para eu falar, eu apenas gosto da companhia dela, assim como ela gosta de minha. Somos amigos e estamos nos conhecendo, se é isso que você quer saber. Eu gosto dela, não vou negar, mas o que sinto por ela não é nem de longe o que você sente por Kate. — falo.
–Que você gosta dela está na cara, qualquer um que olhe para vocês dois percebe. — ri ele. — Olha não quero te pressionar, você tem que perceber que ama ela por sí mesmo. Quando estiver pronto para isso. No dia que sentir que sem ela você não consegue nem respirar, que sem ela você não pode andar porque suas pernas travam, que sem ela você não é você e sim uma pequena casca do homem que era, ai sim você vai entender e saber que a ama.
Uau!
–Bom, obrigada pelo conselho, mas eu sinceramente não ache que isso vai acontecer comigo um dia.
Passo as mãos pelo cabelo. Será que um dia isso vai acontecer comigo? Como diz Flynn não devemos por os carros na frente dos bois, se tiver que acontecer com certeza acontecerá. Por mim posso ficar como estou mesmo, mas para falar a verdade eu adoraria poder dizer que a Ana é minha.
Possessão não é amor, é?
–Não me agradeça, acho que esse é o primeira vez que te dou um conselho que presta. — sorri Elliot e eu concordo. — Eu vou torcer para vocês ficarem juntos, vocês dois merecem serem feliz.
Essa é a primeira vez que eu e Elliot conversamos sobre algo que não seja o trabalho ou jogo.
–Obrigada Elliot. — agradeço sem saber o que falar.
–Você com tudo que passou quando criança tem o direito mais do que qualquer pessoa de conhecer o verdadeiro amor. E a Ana, apesar dessa mania que ela tem de dizer que não merece ser feliz por causa do que aconteceu, você sabe, o acidente em que a mãe dela morreu. Ela se sente muito culpada e ... — Elliot para percebendo o que acabou de dizer.
–Se sente culpada? — pergunto agora interessado e curioso.
Por quê ela se sente culpada pela morte da mãe? Apesar de eu não saber os detalhes, sei que ela morreu em um acidente de carro, foi uma fatalidade.
–Olha, isso não importa. O que quero dizer é que quero ver vocês dois felizes e vocês combinam.
A Ana e seus segredos. Já estou começando a me irritar com esses segredos todos. Alguém tem que me contar, não tem?
–Huum, mais uma vez obrigada. Mas por quê a Ana se sente culpada pela morte da mãe dela? Isso foi uma fatalidade não foi? Pessoas morrem de acidente de carro o tempo todo pelo mundo. Ela não pode se sentir culpada por isso. — digo.
Elliot balança a cabeça, respira fundo como que se estivesse tomando uma decisão e depois fala:
–Era a Ana dirigindo o carro Cristian.
Eu gelo, então é isso. Não sei o que falar.
–Olha, não me pergunte mais nada sobre isso, se alguém tem que te contar isso, esse alguém não sou eu. E prometi que não falaria sobre a vida dela, quero manter minha promessa. Mas acho que com o tempo talvez ela mesma lhe conte.
–Tudo bem, não irei perguntar.
– Flash Back Off -
Além da imaginação fértil de Elliot achando eu amo Ana, tem isso de Ana se sentir culpada pelo acidente que matou a mãe dela.
Culpa.
Não é só porque ela estava dirigindo que ela é a culpada, pode muito bem ter acontecido inúmeras coisas para ter causado o acidente. Óleo na pista, um motorista na contra-mão, um motorista embriagado por exemplo.
Estou queimando de curiosidade, mas quero que a própria Ana me conte, vou conquistar a confiança dela para que ela se sinta confortável para se abrir comigo, assim como me abri com ela.
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