Cinquenta Tons de Amor
14 Capitulo 14
Notas iniciais
Pov Ana
Kate me arrastou para cozinha com a desculpa que precisa de ajuda, tenho certeza que o que ela quer mesmo é me interrogar sobre Cristian e minhas recentes decisões. Fazem quase quatro minutos que estamos aqui, no maior silêncio. Ela não diz nada e eu também não, se ela quer saber vai ter que perguntar. Já está mais do que na hora de todos pararem de me tratar como criança e acatarem as minhas decisões sobre a minha vida. Kate está mechendo uma panela no fogo, tomara que ela não tenho cozinhado ou Cristian, eu e Elliot vamos pular pela janela.
–Então, foi você quem cozinhou? — pergunto e ela me lança um olhar de medo.
–Não! Se eu me atrever a cozinhar de novo, Elliot jura que pede o divórcio. — fala e eu gargalho. -Não ria Ana, é triste não saber cozinhar nem um ovo para o meu próprio marido.
Tento me controlar, mas a cara de chateação que ela faz é muito engraçada.
–Oh, mas eu tenho certeza que você pode resolver esse pequeno detalhe no quarto... — digo brincalhona.
–Meu Deus Ana! O que aconteceu com você? Você já foi mais puritana, porém é verdade. Eu o compenso no quarto. — sorri e eu balanço a cabeça e rio novamente.
–Viu... Eu sabia. — falo. — Então quem foi que cozinhou?
–Darlene. — responde ela desligando o fogo e abrindo a geladeira.
–Darlene?
–Sim, minha cozinheira. Ela deixou tudo pronto, só tenho que aquecer. — explica.
–Certo, você quer ajuda com alguma coisa? — pergunto.
–Sim, você pode colocar a mesa por favor? Os pratos estão no armário da esquerda e os talheres e taças no da direita. — pede e eu aceno com a cabeça indo em direção aos armários que ela indicou. — Então Ana, o que tá rolando?
E que começe o interrogatório.
–Rolando...? — pergunto evasiva.
–A Ana qual é? Você está diferente desde a última vez que nos falamos.
–Estou?
–Sim e stá sendo absolutamente evasiva agora.
Reviro os olhos, pego alguns pratos e coloco no mesa. Ela para de arrumar a bandeja com salada e me olha.
–Não está rolando nada Kate. Somente o que eu já disse na sala: estou tentando retomar a minha vida. — ela me olha por uns segundos e depois volta a arrumar a salada.
–Certo, essa parte já entendi. Mas o Grey? O que tá acontecendo entre vocês? E não me venha com isso de que não está acontecendo nada porque não vou acreditar.
–Somos amigos. — respondo.
–Só isso? "Somos amigos?" Que raio Ana, eu sei que você está me escondendo alguma coisa, pode ir abrindo o bico. Nunca tivemos segredos uma com a outra.
De fato estou escondendo que somos amigos com vantagens, apenas isso. Mas é claro que não vou revelar.
–Mas é só isso. Pode acreditar. — falo.
–E como foi que você e meu cunhado ficaram íntimos a ponto dele te oferecer carona? — pergunta me encarando.
Será que ela não quer que eu tenha contato com a familia de Elliot?
–Tem algum problema pra você, eu ser amiga de Cristian? — pergunto magoada.
Ela arregala os olhos.
–Lógico que não Ana. Só estou tentando entender isso tudo. Todo esse tempo que estive com Elliot eu não o escutei dizer nada sobre o Cristian, a não ser que ele é fechado. E agora vocês chegam juntos, ele te proteje lá na sala, pega suas mãos, cochicha com você e te oferece carona...?! É estranho, concorda?
Balanço a cabeça, não tem jeito. Se eu não contar ela vai ficar me pertubando a noite toda. Respiro fundo, pego o resto das coisas no armário e termino de arrumar a mesa. Kate pega a salada e as vasilhas com o resto das comidas e coloca no balcão para acabar de arrumar.
–Okey, você venceu! No dia do seu casamento eu fui pegar um pouco de ar puro do lado de fora e o Cristian foi comigo, nós estavamos conversando , ai conversa vai, conversa vem...
–Vocês se beijaram? — pergunta eufórica.
–Não, nada disso. Antes tivesse sido isso, mas não foi. — respondo.
Chorar na frente dele e depois dormir no carro foi vergonhoso.
–Mas você queria, certo? — pergunta novamente.
–Você vai deixar eu contar ou vai ficar me interrompendo? — pergunto evitando responder.
Ela levanta as mãos pro ar, em sinal de rendição e volta a mecher nas panelas, que por sinal estão com um cheiro ótimo.
–Então como estava dizendo nós começamos a conversar e no meio da conversa eu lembrei da minha mãe e chorei. Ele me abraçou até que eu acalmasse e ofereceu para me levar pra casa, já que eu não queria tirar José da festa tão cedo e nem preocupar vocês.
–Você deveria ter me chamado Ana, eu... — começou ela , mas a cortei.
–De jeito nenhum, era o seu dia. Você tinha que aproveitar. Continuando... Assim eu aceitei a carona, quando estavamos indo para o carro eu senti uma pontada forte na cabeça, acho que foi por conta do choro, e quase cai, ele me segurou e queria me levar para o hospital, e lógico eu recusei e disse que tinha um rémedio na bolsa e que ia tomar.
Kate termina de arrumar mais um travessa e a ajeita na mesa.
–E você foi no médico depois disso? — pergunta preocupada.
–Não, ainda não tive tempo. — suspiro — Bom, ai eu tomei o rémedio e você sabe que o rémedio me deixa praticamente dopada, assim que entrei no carro eu dormi antes de passar a ele o endereço do apartamento. Ele gentilmente me levou para o Escala e deixou que eu dormisse no quarto de hóspedes dele. — Kate arregala os olhos para mim e balança a cabeça para que eu continue. — Resumindo a obra: eu acordei no outro dia, meio desorientada e envergonha, e como agradecimento aceitei ir jantar com ele e assim nos tornamos amigos. — finalizo.
Kate limpa a mão em um pano de prato, me olhando com o cenho franzido.
–Entendi, bom e José? O que ele acha disso tudo. — pergunta e arruma outra travessa na mesa. Ela realmente caprichou nesse jantar, mesmo que não tenho sido ela a preparar.
–José não gostou da minha amizade com Cristian. — digo, me lembrando de suas palavras.
–O que você quer dizer com não gostou? — questiona desconfiada.
–Ele não gostou, até insinuar que eu e ele tínhamos um relação além da amizade ele insinuou, para fazer Cristian pensar que eu fosse uma mulher fácil que sai com um transando com outro. — digo.
–Como assim?
Suspiro e sento em uma cadeira, essa conversa toda está me cansando.
–Ele autorizou a entrada do Cristian no apartamento, até ai tudo bem. Mas ele estava apenas com uma toalha enrolada na cintura e dando a entender que eu e ele tinhamos...você sabe..! Que nós éramos tão íntimos que ele se sentia livre para andar apenas de toalha.
–Que cretino! — Kate ronrona. — E o Cristian acreditou?
–Não, claro que não! Eu expliquei que era mentira e depois que voltei para casa eu pedi para José retomar a vida dele em Portland pois estava cansada da intromissão constante dele na minha vida e não queria que ele perdesse as provas e acabasse reprovado. Eu disse a ele que pretendia voltar a trabalhar e ia tentar seguir com a minha vida, você sabe, tentar se feliz apesar de tudo, ai ele pirou.
Não contei a ela que eu dormi no apartamento de Cristian outro dia e que passamos o domingo todo junto, ela ia imaginar coisas e o que eu menos preciso agora é de munição para seu interrogatório.
–Pirou? Então foi ele que fez isso no seu braço? — Kate quase grita.
Fecho a cara para ela, Cristian e Elliot estão na sala.
–Sim e fale baixo por favor. Ele me disse que eu estava sendo iludida por Cristian e que estava saindo com ele apenas porque ele é rico. Disse também que quando o Grey enjoa-se de mim, ele ia me chutar. Me usar e jogar fora. Eu fiquei com raiva e disse que ele não sabia de nada, e que ele era um ótimo amigo pensando aquelas coisas a meu respeito.
Ele ficou furioso e quis saber se eu e o Cristian tínhamos transado e como me neguei a contar — porque afinal isso não é dá conta dele — ele me pegou pelos braços e me sacudiu Mandando eu confessar logo que nós dois havíamos dormido juntos. Por fim, quando já estava doendo o seu aperto no meu braço eu falei que nós não tínhamos feito nada demais e ele me soltou. Eu me afastei, pedi para ele ir embora e fiquei no quarto até que tive certeza de que estava sozinha. Não queria escutar mais insultos e nem falar com ele. Ele me deixou um bilhete pedindo desculpas e foi embora. Eu não havia visto que tinha ficado essas marcas no meu braço, senão teria vestido algo mais fechado. — explico e vejo Kate empalidecer olhando por cima do meu ombro.
Droga!
–Então foi esse desgraçado que fez isso nos seus braços e te chamou de interesseira? — uma voz completamente irada e raivosa diz atrás de mim.
Ele escutou!
Respiro fundo e me viro lentamente para encarar os olhos cinzentos cheios de ódio que estão me fitando.
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