Notas iniciais
Hello Babys!! :D Então com muito orgulho que digo pra vcs que passamos dos 100 acompanhamentos e estamos quase chegando nos 200 comentários. E eu estou muuuito feliz por isso, porque eu não imaginava que tanta gente assim ia ler. o/ Então estou mega feliz. Obrigadaaa pessoas lindas por lerem, acompanharem, comentarem, recomendarem e favoritarem a fic!! :D Desculpem a demora, relevem os erros e boa leitura!! bjoos!

Eu entro e fecho a porta atrás de mim.

–Sente-se Ana , por favor.-digo baixo.

–Não, eu acho melhor eu ir embora.-fala pegando sua bolsa.

Não, ela não vai embora. Não até ela me escutar.

–Por favor Ana sente-se? Eu preciso te explicar. Você precisa me ouvir. E depois se quiser ir embora eu mesmo a levarei.-peço ansioso.

Ela enfim me olha nos olhos depois suspira e senta.E um silêncio se estala na sala.

–Estou esperando Cristian.-diz impaciente.

–Não sei por onde começar.- confesso.

–Começe pelo começo.-fala me olhando ansiosa.

Será que ela vai fugir de mim quando eu começar a contar? Não posso contar tudo para ela, mas se eu não contar Elena pode contar mudando os fatos e vai ser pior. Bom, vou contar tudo, se ela resolver ir embora não poderei faazer nada. Ao menos eu tentei. Respiro fundo, me sento de frente para ela e começo.

–Eu fui adotado quando tinha 4 anos, por Grace e Carrick. Grace me encontrou em um hospital e se apaixonou por mim. Desde então eu tenho vivido com ela. Ela foi como um anjo na minha vida. Minha mãe biológica era prostituta e usuária de crack e o cafetão dela me espancava. Passei muita fome, frio e dor quando criança e quando Grace me adotou eu não falava, na verdade fiquei sem falar mais ou menos dois anos. Quando Grace adotou Mia eu amei, me apaixonei por ela de cara. Aquele ser frágil e lindo me encantou.Me apeguei à ela de tal maneira que sou capaz de entrar na frente de uma bala por ela ou até matar uma pessoa que pense em machuca-lá.- respiro fundo e continuo. Ana continua me olhando, sem falar nada.- Além de Mia, o piano também me ajudou. Começei a aprender piano, e em cada aula eu me soltava mais. Até que eu enfim falei.

Ana enfim fala.Seu olhos estão marejados como se ela estivesse segurando para não chorar.

–E sua mãe biológica não fazia nada?

–Não. Ela também apanhava, e muitas das vezes estava drogada demais para fazer alguma coisa.-digo.

–Você disse que não suportava ser tocado...?-questiona confusa.

–Sim. Eu não suporto ser tocado, principalmente no peito e nas costas.

–Por quê?- pergunta baixo. Eu respiro fundo, vou tentar ser o mais sincero que eu puder com ela.

–O cafetão da prostituta... Ele apagava seus cigarros em mim.- suspiro.

Ana coloca a mão na boca chocada.

–Meu Deus Cristian!- exclama.

Ela está chocada com a minha infância e ficará escandalizada com a minha adolescência tenho certeza. O medo da perda volta a me assombrar. Mas agora que comecei a contar, pela primeira vez estou me abrindo e contando tudo sem esconder nada, não vou parar.

–Sim. Então depois que fui adotado e começei a ter aulas de piano fui me soltando mais, porém ainda não tolerava o toque de ninguém. Quando eu tinha uns 14 anos me revoltei. Começei a brigar na escola, arrumar brigas por motivos idiotas. Eu enxergava vermelho e batia nos meninos até que alguém me segurava. Tirei sangue de vários garotos na escola, cheguei até a quebrar o nariz de um. Meus pais já não sabia o que fazerem comigo. Eu não conversava com eles, não suportava que eles me tocassem, me abraçassem ou me fizessem um cafuné que fosse.A única pessoa que podia me abraçar era Mia. Além das brigas eu começei a beber escondido. Eu não tinha limites, mas meus pais sempre ficavam do meu lado. Quando eu estava com 15 anos eu fui limpar o jardim da casa de Elena depois da aula só para ganhar um trocado para eu poder comprar bebida.


Ana fica rigida quando começo a falar de Elena mas balança a cabeça para eu continuar.

–Eu estava cansado e estava quase acabando quando Elena apareceu no jardim e me convidou para entrar. Quando entrei ela me ofereceu um copo de limonada que eu aceitei com gosto. Depois que bebi e agradeci, ela se inclinou me deu um beijo na boca, não encostou em nenhuma parte do meu corpo, apenas no meu rosto. Primeiro eu fiquei assustado afinal nunca tinha beijado ninguém na vida, depois eu gostei e tentei retribuir o que ela estava fazendo, então a imitei. Depois que o beijo acabou ela me olhou e me deu uma bofetada no rosto. Eu fiquei ao mesmo tempo irritado e excitado, querendo mais. Ela porém agiu como se nada tivesse acontecido e me mandou embora. A partir dai, toda semana eu voltava lá com esperança de ganhar outro beijo. Até que ela me apresentou o seu quarto de jogos.


–Quarto de jogos? -pergunta Ana curiosa.


–Sim, ela me apresentou ao mundo do BDSM. -digo, e Ana arregala os olhos.- Ela me ensinou a foder, me colocou regras, as quais se eu não cumprisse seria castigado e eu claro tinha horror em apanhar e as abodecia. Parei com as brigas, parei de beber escondido e começei a levar a sério a escola. Foi uma mudança radical. Ninguém sabia, apenas eu e ela. Meus pais amaram a minha mudança de uma hora para outra e eu pra falar a verdade gostava das fodas loucas que nós praticavamos.


Ana esta com uma expressão de pura repulsa. Parece que quer vomitar.


–Você está bem?-pergunto.


–Não. Eu estou inojada com tudo isso. Ela é uma pedófila.- Diz e se levanta. Eu a seguro pelos ombros.


–Na época eu não pensava assim. Você tem que escutar a história até o final. Por favor. — peço e ela senta novamente.


–Depois eu entrei na faculdade e nossos encontros foram diminuindo. Mas ainda assim ela me mantinha sobre redéas curtas. Ela me dominava e me ensinou a dominar também, me ensinou a ter controle e limite, a ser frio, calculista e ser o dono do meu próprio universo. Com isso eu me afastava cada vez mais dos meus pais e das pessoas que realmente me amavam. Um dia fui encontra lá, eu tinha acabado de voltar da faculdade e estava decidido à me declarar para ela. Eu pensava que a amava. Quando eu disse dos meus sentimentos ela riu e disse que sentimentos era para os tolos. Que amar não era uma opção viável, que eu estava confundindo o prazer que tinhamos um com outro quando estavamos transando com amor. Isso me confundiu, mas depois eu notei que era verdade. Eu não a amava.


–E quando isso parou? Ou vocês ainda se encontram?-pergunta Ana baixinho.

–Não. Em certo dia ela extrapolou os limites e eu decidi que não seria mais o sub dela. Ela lógico não aceitou, me seduziu e eu acabei cedendo. Mas não foi por muito tempo. Até que ela passou o meu limite rigido de novo porque ficou com ciúmes de uma amiga de Mia que estava passando uns dias na casa de Grace e consequentemente eu a via com frequência uma vez que ia para casa todos os finais de semana. Ela me espancou até eu quase desmaiar e desse dia em diante nunca mais fui seu sub.- Tremo só de lembrar da dor escruciante que senti.


Ana fica encarando um ponto fixo na chão. Sem desviar o olhar para nada. Sem expressão. Eu preciso que ela entenda que tudo isso foi passado, que eu quero apenas ela agora.


–Como eu não era mais seu sub ela se ofereceu para ser a minha sub. Mas eu recusei e começei a encontrar as minhas próprias subs, mas nós ainda erámos "amigos". Quando decidi largar a faculdade e abrir meu próprio negócio meus pais quase piraram. Ninguém apoiou a minha decisão, eu estava muito chateado porém decidido e eu sabia que não voltaria atrás com a minha decisão. Então Elena se ofereceu para me emprestar dinheiro para que eu pudesse começar meu próprio negócio. Virei noites e noites trabalhando duro para fazer a quantia que ela me emprestou dobrar e hoje estou aqui. — finalizo.

Ana enfim levanta a cabeça. Seu olhar está cheio de raiva e tristeza.


–Ela disse la na cozinha que o que Flynn disse era bobagens.Quem é Flynn?


–Flynn é meu psicológo. Desde pequeno meus pais sempre insistiram para que eu fosse em psicólogos e isso era a única coisa que eu poderia fazer por eles. Eu tinha muitos pesadelos e crises nervosas e nenhum psicológo até Flynn conseguiu me ajudar. Conheci Flynn assim que sai da faculdade e nele tive confiança e vontade de contar sobre a minha vida. Ele é a única pessoa, além de você. que estou me abrindo nesses anos todos.
Quando contei sobre Elena, Flynn me disse para eu tentar enchergar sobre outra perspectiva e deu certo. Eu ví que o que eu e Elena fizemos foi errado. Que o que Elena fez comigo era pedofilia, mesmo que com o meu consentindo. Percebi que ela apenas me iludia, deixando que eu pensasse que estava sempre no controle e que eu podia fazer o que eu quizesse, mas na verdade eu estava sempre sendo controlado por ela.
Quando eu contei a ela sobre a minha conversa com Flynn, ela não negou e deboxou de mim. Desse dia em dia em enxerguei a verdadeira Elena por trás de toda aquela mascara de falsidade. Eu cortei qualquer contato com ela apesar de suas tentativas. Terminei nossa sociedade e pedi para ela manter distância.

–E Leila?- pergunta.

–Leila é uma ex sub minha. Ela inventou que íamos nos casar e eu terminei com ela.

–A quanto tempo?- pergunta baixo.

–Uns seis meses atrás.-digo.

Ana não diz nada e maldito silêncio se instala na sala novamente. Quando o silêncio se torna insuportável, ela fala.


–Você ainda pratica BDSM?

–Não, minha ultima sub foi Leila.

–Todas suas relações foram com castigos, chicotes, palmatorias, vendas, algemas e brinquedinhos?

–Sim.- Ela fica quieta, como se estivesse pensando em alguma coisa.

–Você iria me apresentar sua sala de jogos algum dia? É por isso que me convidou para sair e estava sendo legal comigo?- pergunta rude. Eu me levanto e paro em frente à ela.

–Não. Nunca me passou pela cabeça te convidar para minha sala de jogos.-digo com fervor.

Ela balança a cabeça.

–Sua relações são apenas carnais?

–Sim, eram apenas relações BDSM. Não são mais.-digo.


–Desde de quando?- pergunta com cetismo.


É agora.


–Desde que conhecí você.-falo suavemente. Ela arregala os olhos.


–Está me dizendo que à menos de duas semanas decidiu deixar o BDSM?-pergunta com ironia.

–Sim.

–Conta outra Cristian. Você não é o tipo de cara que muda por causa de uma mulher. Ainda mais se essa mulher for como eu.- diz irritada.

–O que quiz dizer com "Se for como eu"?

–Olhe para mim Cristian e depois olhe pra si mesmo.

–Eu estou olhando. Eu vejo a mulher que conquistou me coração. A mulher que colocou luz no meu caminho.-digo e seguro as mãos dela.

–O que você está dizendo?- pergunta baixinho.

Como posso explicar o que ela significa pra mim? Como dizer a ela que minha vida mudou desde que a conheci. Fico em silêncio um instante e me lembro de uma música que Mia ama. Ela descreve direitinho o que sinto.

–Ana você apareceu meu coração sorriu, você se apresentou a minha dor partiu, deu luz ao meu caminho, não me deixou sozinho provocando em mim sintomas de amor.- fito ela com um olhar apaixonado e continuo.- Era tão secreto no meu coração, a emoção pulsou mais forte que a razão, e agora estou aqui tentando descrever coisas do coração.


Uma lágrima rola solitária pelo rosto de Ana. Eu a pego com o meu polegar.

–Você está brincando certo?-diz baixinho.


–Não Ana, como posso brincar com uma coisa tão séria? Você tem que acreditar em mim.Esses sentimentos são novos pra mim e eu não sei como lidar com eles. Eu nunca Ana, nunca senti isso por ninguém.- confesso.

–Cristian, você deve estar confundindo as coisas. Assim como você confundiu com Elena e ...

–Não. — eu a corto.- Não estou confundindo. Ao menos me dê a chance de provar pra você que estou falando a verdade.


–Mas nos conhecemos faz pouquíssimo tempo. Como pode dizer que gosta de mim assim? Como você pode gostar de mim? Eu não entendo.

Ela não vai acreditar. Eu a olho com todo o amor.

–Ana faz quanto tempo que você vai para o hospital ser voluntária?- pergunto.

–Algumas. Por que?

– E você se apaixonou pelas crianças assim de cara? Ou foi aos poucos?

–Foi instantaneo, a primeira vez que coloquei os olhos nelas me apaixonei. Mas o que isso tem a ver?- questiona desentendida.

–O mesmo que aconteceu com você no hospital, aconteceu comigo na igreja no dia do ensaio. Me apaixonei quando escutei sua voz. Depois do ensaio não conseguia tirar você da cabeça, e pra falar a verdade ainda não consigo tirar você da cabeça e nem quero.

Ela balança a cabeça, seguro suas mãos.

–Mas eu e você somos completamentes diferentes. O que os outros vão dizer?


–Eu não me importo com o que os outros dizem. É apenas eu e você Ana.Eu só quero você Ana e nada mais.

–E o BDSM?

–O que tem?

–Você pretende me incluir nesse estilo de vida?

O que? Eu nunca pensei nela nesse sentido.

–Não Ana, eu nunca te imaginei no quarto de jogos. Eu quero ter um relacionamento sério pela primeira vez na vida.

–E se você sentir saudades do relacionamento Dom/ Sub ? Eu não sub Cristian.

–Eu não sentirei Ana e se por acaso eu sentir, lidarei com isso.

Ela solta as minhas mãos e anda pela sala.

–Ana, eu juro pela minha vida que não vou te fazer sofrer.

Ela pára e me olha balançando a cabeça.

–Eu... Não sei o que dizer disso tudo. Acho que é muita informação.-diz sentando no sofá e colocando a cabeça entre as mãos. Me sento ao lado dela.

–Eu sei, mas não estou pedindo que cai de joelhos e diga que também se apaixonou por mim. Quero apenas que me de a chance de mostrar o quanto eu estou apaixonado por você. É só isso.-falo.

–Eu tenho medo. -murmura.

Medo?

–Medo? Eu prometo não te machucar Ana.

–Não é isso. Eu tenho medo de tudo acabar mal. Eu tenho medo de que tudo isso fique sério.

É o que eu quero, que tudo fique sério entre nós dois.

–E por que isso acabaria mal? Eu não entendo.

–Cristian, todos vão pensar que sou uma interesseira, você será motivo de piada, eu serei motivo de piada.

–Ana, não estou te pedindo em casamento, eu quero apenas uma chance de nós nos conhecermos melhor. Isso é tudo. Não tem nada demais nisso. As pessoas se conhecem e se apaixonam. E eu já te disse que não me importo com o que os outros falam.

Ela respira fundo e depois me olha.

–Tudo bem, porém não diga que não avisei depois quando você sair machucado.

Ela aceitou? Ela me aceitou?

–Não vejo como eu sair machucado. Você está me dando uma chance?-pergunto esperançoso.

–Nós podemos ser amigos.

–Amigos?-pergunto desgostoso.

–Sim, sair juntos, conversar , rir essas coisas. Deixar os dados rolarem sem pressão. O que acha?

Amigos? Não quero ser só amigo dela. Mas eu posso persuadila depois. Por agora já estou feliz apenas em saber que ela não me dispenseou logo de cara.

–Tudo bem amigos. — estendo a mão em direção à ela. Ela rí e pega na minha mão. — Só lamento que amigos não se beijam. -murmuro.

Ana ri mais ainda, depois se inclina e me dá um selinho.

–Bom podemos ser amigos com vantagens, afinal seu beijo não é tão ruim assim. — fala gracejando.

–O seu também não é nada mal. -digo segurando no rosto dela. — Mas tenho que experimentar de novo pra ter certeza.

Me inclino e a beijo com adoração, paixão. Minha lingua invade sua boca e começa uma dança sensual com a lingua dela. Quando nos separamos estamos os dois sem ar.

–Agora tenho certeza.-digo.

–Certeza? Do que?- pergunta.

–Que seu beijo não é nada mal. Na verdade é viciante. — Me inclino e a beijo de novo.

–Certo. Vou ser sincera seu beijo de uma escala de 0 à 10 digamos que fica no 7. — fala e gargalha quando vê minha cara de espanto.

Amigos com vantagens, eu gosto disso. Mas será que ela tem outros amigos que também tem vantagens?

–Você tem outros amigos com vantagens?- pergunto sério.

–Oh não, você é o primeiro que eu concedo essa liberdade. -diz sorrindo.

–Bom, eu espero ser o único também.-digo baixinho.

–E você?

– O que tem eu?

–Você tem outras amigas com vantagens?- pergunta também séria.

–Não, eu não tenho amigas. -digo e ela balança a cabeça confirmando e meio aliviada.

As coisas não terminaram do jeito que eu gostaria , mas pelo menos ela me entendeu e aceitou a minha amizade e isso já é um passo a mais.

Notas finais
Então o que acharam? Espero vcs nos comentários, certo? A música que o Cristian fala chama Posso ser feliz da cantora Bruna Karla, pra quem quiser escutar. Vou tentar postar o próximo logo logo.. Me perdoem por eu demorar tanto, é que vou começar a estudar para o Enem e dai vocês já sabem né!! Mas vou tentar sempre postar ao menos dois capitulos por semana! Leitoras novas sejam bem vindas!! Até o próximo!! ;)