Cinquenta Tons de Amor
10 Capitulo 10
Notas iniciais
Meu corpo todo está radiando tensão. O que elas querem aqui? Viro de frente para Ana e aperto sua mão.
–Me desculpe por isso? Por favor, eu não sei o que elas querem.- murmuro agoniado.
Ela me olha espantada.
–Está tudo bem Cristian, relaxe. Você prefere que eu te espere na sala de tv? Assim vocês terão mais privacidade?-pergunta Ana.
–Não, fique aqui por favor. -Continuo apertando sua mão.
–Por que você está assim tão angústiado? Quem são elas?-pergunta. E nesse exato momento Elena e Leila entram na cozinha. Elena está vestido toda de preto com um salto agulha e Leila está com um vestido colado no corpo e uma sandália um pouco mais baixa que a de Elena.
–Quem somos nós?- fala Elena se aproximando.- Eu sou Elena. Eu ensinei a ele tudo o que ele sabe. -diz soberba e estica a mão para Ana. Que à olha cética.
–E eu sou Leila. A noiva largada no altar.- fala Leila que agora está do lado de Elena, que continua com a mão esticada em direção a Ana.
Eu não encontro minha voz, não consigo articular uma só palavra. Ana encara as duas com um rosto sem expressões, até que Elena desiste e abaixa a mão.
–Não sabia que você já havia arrumado outra sub Cristian.- fala Leila olhando Ana de cima a baixo e depois completa. — Ainda mais uma tão sem sal como essa.
Ana arregala os olhos e me olha. Será que ela sabe o que significa sub?
–Leila não se vanglorie tanto, você nunca chegará aos meus pés.-diz Elena alto e sorridente.
Ana tenta soltar a sua mão da minha, mas eu não deixo.
–O que vocês querem aqui? -pergunto friamente, enfim encontrando minha voz. — Acho que já deixei bem claro com vocês duas que não temos mais nada a conversar.
–Sim, você deixou bem claro. Mas você não pode simplesmente esquecer tudo que já aconteceu entre nós dois, meu querido. E você sabe que sente falta de mim. Está apenas sendo orgulhoso em me manter afastado. E eu trouxe Leila aqui, porque ela te devia um pedido de desculpas pelas mentiras que ela disse à seu respeito.-diz Elena no modo que eu conheço bem, modo dominante.
Leila abaixa a cabeça e não diz nada. Ana está encarando Elena friamente. Eu olho para Leila primeiro.
–Se é esse o motivo que te trouxe aqui, pode ir. Não me interessa seu pedido de desculpas e nem nada que seja relacionado à você. Você deveria saber isso. O que passou, passou. Não guardo máguas e na verdade sou eu quem te deve um pedido de desculpas. — digo fazendo tanto Leila quanto Elena me olharem espantadas.
–Não mestre...digo... Cristian. Você não tem culpa. Foi eu quem inventou aquilo tudo. Você sempre deixou claro a sua posição. Eu que me iludi.-diz Leila.
–Ainda assim Leila, só agora eu entendo como estava se sentindo. Sinto muito por tudo. Espero sinceramente que possa encontrar alguém e ser feliz. -digo realmente sincero.
Agora que encontrei Ana , desejo a todos o mesmo que estou sentindo.
Leila me olha e sorri.
–Obrigada Cristian. Eu sinceramente sinto muito por tudo que falei e fiz. Eu estava nervosa e me sentindo um lixo. Eu também desejo o mesmo para você.- fala ela, mas eu não confio que suas palavras sejam verdadeiras. -Eu vou indo. Até mais Elena. Tchau Cristian.- diz e sai da cozinha.
Apesar de eu achar que ela está sendo falsa em cada palavra que ela disse, me sinto mais leve por ela ter ido embora. Agora eu vejo que o jeito que a tratei no dia em que coloquei fim no nosso relacionamento Dom/Sub foi muito grosseiro. Ela pode não estar sendo sincera, mas eu estou. E isso me deixa com a consciência limpa e leve, ao menos sobre o assunto Leila.
–E então Elena?- questiono. Ela apenas fica olhando de mim para a Ana.
–Então?-fala com cinismo e senta na banqueta que Ana sentou ontem.
Ana continua à encarando, sem falar nada, mal escuto sua respiração e sua mão está gelada. Só espero que ela me entenda quando eu explicar tudo. Não quero perder a única pessoa que conseguiu esquentar meu coração gelada.
–Quero saber o que você quer aqui?- Não faça joguinhos comigo porque você sabe que não suporto joguinhos.-digo me irritando. Ela abre um sorriso malicioso.
–Que eu me lembre você ama um joguinho ainda mais se for pelado e de preferência comigo.-fala e sorri ainda mais.
Ana puxa a mão com um solavanco e não consigo segura-lá. Quando ela dá um passo em direção a sala, Elena se levanta e à segura pelo braço.
–Nossa, acho que essa sub-zinha que você arrumou não está gostando do nosso papinho Cristian. -fala Elena olhando para Ana com desdém.- Do buraco de onde você saiu não te ensinaram que é falta de educação sair no meio da conversa sem se desperdir?
Ana puxa o braço, se vira e acerta um tapa em cheio na cara de Elena que cambaleia para trás quase caindo.
–De onde eu sai eu aprendi a não seu uma mulherzinha baixa e vulgar.- Ana gospe as palavras para Elena.
Quando Elena levanta o braço em direção a Ana, me coloco na frente e seguro seu braço com força.
–Não se atreva à encostar um dedo na Ana, se você pensar em machuca-la ou fazer qualquer coisa com ela, eu não responderei por mim mesmo.-digo irado.
Só de imaginar alguém cogitando a possibilidade de fazer mal a Ana eu já enchergo tudo vermelho.
–Você está preferindo uma mulherzinha qualquer a mim?- rosna ela. Ana dá de andar mas eu a seguro.
–Sim Elena. Será que eu preciso desenhar pra você entender? EU NÃO QUERO MAIS NADA COM VOCÊ E NÃO A CHAME DE MULHERZINHA, NÃO SE ATREVA A MENOSPREZÁ-LA, ELA É MUITO MELHOR DO QUE VOCÊ!-grito.
–Você não pode me dispensar assim. Depois de tudo que passamos. Eu pensei que você estivesse irritado mas que logo ia se acalmar. Tudo que Flynn te disse foi um punhado de baboseira. Foi eu que te ajudei, foi eu que te ensinei a ser o cara controlado que você é hoje, foi eu que te dei atenção. Você está cuspindo no prato que comeu Cristian. Se você tem tudo isso — abana a mão mostrando o Escala- é graças a mim. Se não fosse eu você seria mais um mulequinho mimado e brigão nesse mundo. Você não teria nada do que tem hoje, nem mesmo essa sub ridicula que você está defendendo agora. — fala me fuzilando com o olhar.
Eu puxo Ana mais perto ainda de mim.
–Você está completamente enganada Elena. Ana não é minha sub e eu trocaria toda a porcaria que tivemos antes e todo o meu dinheiro pelo que tenho agora. Você me emprestou sim o dinheiro para começar, mas o trabalho duro foi todo meu, foi eu que virei noites e noites trabalhando, foi eu que coloquei a mão na massa. A única coisa que você fez foi me ensinar a foder e a ser o cara frio e oco que eu era, isso você me ensinou muito bem. Me ensinou que sentimentos são para os tolos, me ensinou que ser frio com as pessoas que realmente me amavam era o certo à fazer. Você me ensinou à construir barreiras entre eu e meus pais. Grace! Você se diz amiga de Grace, você via todo o sofrimento dela com o meu afastamento e ainda assim você continuava a me manipular dizendo que me afastar deles era o melhor. Você não consegue ser feliz e não quer que ninguém seja também. Tenho nojo do nosso passado, tenho nojo de tudo que passamos juntos, tenho nojo do cara que eu era antes.- digo em tom controlado e enojado.
–Não pode ser assim. Se ela não é sua sub o que ela faz aqui? Você não pode esquecer o que passamos, só eu posso te fazer feliz, ninguém mais pode. Sentimentos são sim para os tolos. Não tem como você saber como se sente em relação à eles porque você nunca...- então ela arregala os olhos quando a ficha cai.
–Você...Isso não pode ser sério.-gagueja olhando para Ana.
–Sim é muito sério. Mas sério do que você imagina. -digo e olho para Ana com carinho. Ela continua quieta com uma expressão de desentendimento no rosto. Ela ainda não percebeu que eu gosto dela? Até Elena já percebeu e ela não.
–Você à conhece não faz nem um mês. Logo você enjuara dela, assim como se enjoou das outras quinze antes dela...-começa ela, mas balanço a cabeça negando.- Eu te conheço melhor do que ninguém meu menino. Eu sei o que você sente. Sei que você só está nervoso e que logo tudo vai voltar ao normal.- completa baixo.
–Não Elena, eu já disse que não. Eu já disse que o que passou, passou. São quase sete meses e você ainda está achando que tudo vai voltar ao normal? Pelo amor de Deus! Se passado fosse bom seria presente. Entenda isso. Você já está com outro sub, siga sua vida e deixe eu seguir com a minha. — eu digo quase que implorando.
Ela balança a cabeça e se senta novamente na banqueta.
–Não Cristian, você não pode fazer isso comigo. Com a gente. Ninguém pode te amar como eu te amo.
–Você mesma disse que sentimentos são inúteis Elena. E agora diz que me ama? Você nunca me amou, você apenas gostava de foder comigo de tudo quanto é maneira. Nunca existiu sentimento ali, agora eu percebo. Aquilo que nós fazíamos não passava de sexo sem sentido.- digo.
Ana tenta se soltar e eu olho para ela.
–Me solta Cristian, eu vou sair daqui. Não sou obrigada à escutar sobre a vida sexual de vocês dois.- diz com o olhar magoado e com uma expressão de nojo no rosto.
Não! Ela se maguou. Eu não queria isso! Ela é a última pessoa no mundo que eu quero magoar. Ela está com nojo de mim. Eu tenho que explicar para ela tudo, dizer que foi ela quem mudou o meu pensamento e tocou meu coração. Não posso deixa-la sair assim.
Elena fica de pé e recupera a compostura.
–Deixe ela ir Cristian, nossa conversa está longe de terminar.- diz com voz sedutora e pisca pra mim.
Eu sei o que ela pretende.Ela sempre fazia isso quando eu dizia que não queria mais ser seu sub. Ela me seduzia e me dava prazer sem medidas, até que eu mudava de idéia, mas dessa vez não vai adiantar. Coloco a minha postura fria e distante e olho para ela.
–A única pessoa que eu quero que vá é você Elena. Você é a única que está sobrando aqui. Por favor tenha um pingo de dignidade e saia?- falo e gesticulo com mão em direção a porta.- Você já falou mais do que era necessário. Isso aqui está ridiculo. Por favor Elena saia e não me procure mais. Ou eu vou tomar providências.
–Você vai se arrepender de se meter entre eu e o meu menino, garota!-fala olhando para Anastasia com ódio e depois olha pra mim. — Se você não ficar comigo, não ficará com mais ninguém. Eu nunca vou deixar.
Elena sai e se instala um silêncio na cozinha. Estou com vergonha de olhar para Ana. Ela estava com nojo de mim. Eu lentamente à solto, vou até o bar, pego um copo, encho de whisk e viro de uma só vez. Ana continua parada olhando para as mãos. Eu volto para perto dela, pego sua mão e ando em direção a sala de tv.
É agora ou nunca. Não Posso perder o bem mais precioso que consegui em toda a minha vida miserável!
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