Cinquenta Tons de Amor
19 Capítulo 19
Notas iniciais
POV Ana
Observo Cristian ir para o elevador enquanto minha respiração volta ao normal.
Uau! Que beijo.
Essa noite tem sido cheia de surpresas. Primeiro o interrogatório na casa de Kate, depois eu mesma fiquei espantada quando convidei Cristian pra entrar, sem contar que me “abri” para ele de uma forma que eu nunca falei nem mesmo com Kate, daí depois nossos beijos e o extraordinário orgasmo, dai meu pai nos fraga dando uns amassos no sofá, interroga Cristian e no final apoia o nosso “Namoro”. É muita coisa.
Apesar de eu ter ficado em choque quando Cristian disse que erámos namorados eu gostei. Nunca tinha namorado firme antes, ou melhor, nunca namorei antes. Eu apenas dava uns amassos com algum cara na faculdade , mas já fazia muito tempo antes de Cristian que eu não beijava ninguém. Eu nunca fui muito dessas mulheres que fica só por ficar, que cada dia está pendurada na boca de um. Eu tinha que ter ao menos afeição com o cara, antes de rolar alguma coisa e ainda assim sexo quase nunca rolava e em nenhuma das vezes eu me senti tão saciada como me senti apenas com os dedos de Cristian.
Só de lembrar daqueles dedos longos me acariciando sinto uma contração abaixo do ventre. Se só com os dedos ele é capaz de me fazer ter um orgasmo alucinante, imagina se ele o usar outra parte espessa de seu corpo?
Sorrio bobamente com a imagem mental de Cristian em cima de mim nu, viro e entro de volta no apartamento.
Vou até a porta do quarto que meu pai se instalou e escuto o barulho do chuveiro. Volto para a cozinha para fazer um chá, tenho certeza que meu pai vai fazer um interrogatório profundo sobre Cristian e minhas recentes decisões. Só espero que ele não fale sobre eu estar nua nos braços de um homem tarde da noite. Isso seria constrangedor.
Meu pai sai do quarto em um conjunto de pijama de flanela cinza e se senta na banqueta da cozinha, cruzando as mãos em baixo do queixo.
–E ai?
–E ai o que? – digo terminando o chá.
–Vamos sou seu pai Ana, quero saber tudo. Além das atitudes de José o que mais te levou a querer retomar sua vida?
E lá vou eu dissertar sobre meus sentimentos profundos e meu verdadeiro tédio sobre a minha vida de auto depreciação.
–Nada demais, apenas não posso ficar nesse caminho de auto destruição pelo resto da vida. – digo.
–Eu já havia te dito isso antes, um milhão de vezes Ana. E eu te apoio nas suas decisões você sabe. – Fala me olhando com carinho.
–Sim pai eu sei. Obrigada, eu te amo! – Sorrio e estendo uma xicara de chá para ele.
–Obrigado. Então o lance com o magnata rico é sério mesmo?
–Magnata rico? – rio. – Sim, eu acho que é sério apesar de ser tudo muito recente.
Por enquanto está, quando ele souber de tudo vai fugir, como qualquer outro cara faria se fosse esperto.
–E você gosta dele? Porque tá na cara que ele gosta de você.
Está?
–Sério? Por que diz isso? – pergunto. É bom ter a visão de um homem sobre o meu relacionamento se é que se pode dizer isso.
–Ana o jeito que ele olha para você , a forma que ele ficou com raiva quando estava falando sobre José e a coragem que ele teve de me enfrentar... Se isso não é amor eu não sei o que é. Parecia que ele estava disposto a enfrentar uma bala por você. Eu olho para ele e me vejo uns anos mais novo.
Balanço a cabeça.
Uau!
–Quem diria que Ray Stelle estaria falando sobre sentimentos comigo. – brinco.
–Sim, quem diria. E ai? Você gosta dele? – pergunta se levantando para lavar a mão.
Minha tentativa de distração não deu certo.
–Não deveria, mas gosto. Nunca gostei de alguém assim. Ele me tratou diferente sabe... Desde a primeira vez que nos vimos, ele me olhou de um jeito diferente e isso me deixou mexida. E ele foi extremamente sincero comigo. Não entendo, mas quando estou com ele, é como se todo o resto desaparecesse, eu me sinto mais eu mesma.
Meu pai se vira e levanta uma sobrancelha pra mim, acho que chocado com o meu pequeno discurso.
–Você disse de mim, mas você também está muito aberta. Será que é o amor que faz isso com as pessoas?
Amor? Como posso amar alguém que acabei de conhecer? Como amar alguém que apesar de me conhecer mais profundamente que qualquer outra pessoa, não sabe do meu pior lado? Certo, uma vez lí em algum lugar que o amor acontece quando menos esperamos, que ele vem rápido como um meteoro e não tem volta como uma flecha lançada. Na definição de amor diz que amar é um verbo, que amar é olhar para dentro de si mesma e dizer eu quero, é viver intensamente sem medo do futuro, é acreditar que é capaz de seguir adiante mesmo que pisando em cacos de vidro, é encontrar no olhar da outra pessoa a paz que procuramos em um mundo devastado, é querer ficar e nunca se ausentar, é querer abraçar e sentir- se abraçada mesmo com a distancia, é sorrir simplesmente porque determinada pessoa está do nosso lado. Amar é o que sinto dentro de mim quando olho para o grande e poderoso Cristian Grey? Sim, nunca senti nada melhor na vida. É intenso e envolvente.
E a realização cai sobre mim. Eu não posso ama-lo. Não. Nunca!
Mas sim, eu o amo. Eu o amo de uma maneira perigosa e até mesmo doentia. Mas como posso me privar de me sentir tão bem como me sinto agora? Estou sendo egoísta eu sei, mas é mais forte que eu. Talvez haja uma maneira de isso no final acabar bem? Talvez Deus seja misericordioso e me dê uma segunda chance. Talvez como dizem se meus pensamentos e desejos forem fortes o suficiente o universo conspire ao meu favor e tudo de certo no final. Talvez por algum milagre Cristian se sinta da mesma forma que eu e pense que vale a pena o nosso relacionamento... ou não!
Ele acha que ele é fodido, imagina se ele souber de mim. Se ele souber de tudo. Eu não o mereço, eu sou pior do que ele. Ele perto de mim é um anjo.
–Ana, você está bem? Você está pálida. – meu pai me segura pela cintura e me leva até o sofá. –Você está passando mal? Onde está o seu remédio.
Eu apenas balancei a cabeça. Eu não era merecedora, eu não deveria ser feliz, me sentir bem como me sinto com Cristian, tudo isso é errado!
–Ana! Por favor o que você tem? – meu pai segura meu rosto em suas mãos e me olha preocupado.
–Eu...eu não posso pai.
–Não pode o quê?
Respiro fundo e olho para ele.
–Eu não posso ser feliz pai! Não depois de tudo. Eu só vou magoa-lo. Ninguém é feliz do meu lado.
–Ana, pare com isso! Você não sabe o que está falando. Você não teve culpa de nada, essas coisas acontecem. Você precisa parar de se culpar, não está certo. E sua...
–Não. Por favor, não fale isso. Vocês não intendem. Nem você, nem José, nem Kate, nem Elliot, ninguém. EU NÃO POSSO SER FELIZ OU FAZER ALGUÉM FELIZ ENQUANTO MINHA MÃE ESTÁ MORTA POR MINHA CULPA. – grito chorando.
Meu pai me olha sem dizer nada.
–Que tipo de filha eu sou? Minha mãe era a razão dos meus sorrisos, era ela que me abraçava quando estava com medo, que me acalmava quando eu estava nervosa, ela era tudo. E agora... Ela não está mais aqui. E tudo por culpa minha. Pelo amor de Deus, como vocês acham que posso ser feliz assim? Foi tudo culpa minha, tudo.
–Sim. Você pode Ana. Todos nós podemos. E a culpa não é sua, você não tem culpa de nada, tudo que aconteceu foi uma infeliz coincidência e pronto. Você é jovem e deve continuar sua vida, é isso que sua mãe iria querer, ela não gostaria de te ver infeliz, sofrendo e deprimida. Não é isso que ela gostaria e não é isso que nós queremos também.
Eu abaixo a cabeça e fico olhando para o chão.
Como posso ser feliz, ou melhor, quem vai querer ficar ao meu lado quando souber das coisas? Nem Cristian e nem ninguém vai querer conviver comigo.
–Pai, ele vai me odiar.
–Não vai não. Ele não é trouxa. Você tem que contar tudo para ele, antes que alguém o faça. Se ele descobrir pela boca de outra pessoa ficará muito chateado e ai sim você terá motivos para sofrer. Ele vai pensar que você não confia nele o suficiente, quando ele como você me disse foi extremamente sincero com você.
Eu sei que tenho que contar para o Cristian o que aconteceu no dia da morte da minha mãe, mas por mais que eu queira, não consigo. Não consigo falar com ninguém sobre isso. E pedi pra Kate e Elliot não contarem a ele também por conta do meu medo.
Medo de ser apedrejada, julgada, e me sentir ainda mais culpada.
–Mas e se ele...
–Chega Ana. Tenha fé. Ele assim como todos nós vai te amar mais ainda quando você contar, se não quer contar tudo, conte apenas sobre a sua suposta culpa. Deixe que ele escolha se você é culpada ou não. Se ele quer ou não continuar do seu lado.
Meu pai me abraça quando eu balanço a cabeça concordando.
Se Cristian me odiar tudo bem, mas ao menos serei honesta com ele da mesma forma que ele foi comigo.
Essas semanas que passamos juntas tem sido mágica, parece que no meu peito nunca houve a dor da perda da minha mãe. Foi ele que me deu força pra continuar a viver, meu medo tem que ser menor do que a vontade de dizer a verdade. Minha mãe sempre me ensinou que é melhor perder sendo honesta do que ganhar fingindo.
É isso! Amanhã vou abrir meu coração para ele, mesmo que eu o assuste e o faça pensar que sou uma maluca alucinada.
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