Cinderella

6 De Cinderela para Rapunzel


— Você fez o que!?- o loiro correu pro jardim dos fundos. Bem como sua irmã havia dito quando chegará, não estava lá. E não era uma das brincadeiras dela.

A mulher apareceu atrás de si. — Joguei fora. Está surdo por acaso? Só estava juntando lixo. Você que não viu, mas estava cheio de insetos em cima.- falou de braços cruzados assistindo o irmão.

— Nee-san, isso era importante! Era só colocar no meu quarto!- Kise se ajoelhou na grama. — Akashicchi vai me matar! E o Kurokocchi ‘tava contando com isso!- as lágrimas acumuladas começaram a escorrer livremente pela face do modelo.

Ainda observando, a mais velha considerava levar Ryota para trabalhar na TV. ‘Renderia um bom dinheiro’ analisou as possibilidades de o fazer ator de novela. Suspirou por fim, se irritando com o drama.

— Mas que coisa! Se é esse o problema eu te ajudo.

Kise levantou e agarrou os ombros da mulher. — Nee-san, que coração bondoso!- a olhou com esperança. Talvez ainda tivesse salvação.

— Mas…- sempre tinha esse ‘mas’. — Você vai ter que arrumar a casa sozinho por 2 meses, três vezes por semana.

— O que?? Isso não é justo!

— Então que tipo de flores quer no seu velório?

— Eu faço!

~.~.~

— Tetsuya.- Akashi chamou o azulado que lia deitado no sofá.

— Sim?

— É sou eu ou você também teve a sensação de que Ryota fez algo de errado?

— Todo dia sinto isso.

~.~.~

— Não! Essa cor aí não!- Kise chamou a atenção da mulher. Pareciam que nunca tinham mexido com tinta, estavam tão coloridos que um arco-íris estaria com inveja. O loiro estava coberto da cintura pra baixo, principalmente de roxo, a cor que novamente atacou. Ouviu a campainha tocar e pediu para que a mulher abrisse a porta, já sabendo quem era pela quantidade de vezes que a mesma tocou.

— Kise, você fazer suas merdas sozinhos, tudo bem. Mas não me coloque no meio!- Aomine reclamou quando entrou e viu a casa igual ao dia anterior. — Se eu soubesse que teria que vir aqui de novo teria voltado com você.

O loiro levantou a cabeça e olhou para o moreno. — Eu não fiz merda, Aominecchi. Nee-san que fez.- jogou a culpa na irmã.- E eu só quero que me ajude a pintar um papelão, não esconder um corpo.- revirou os olhos. Daiki jogou a mochila no sofá e se sentou ao lado de Ryota.

— Então, o que eu faço?

— Pega o pincel e pinta aquela parte de azul-escuro, daqui a pouco minha irmã vem e te ajuda.

— Não preciso de ajuda pra isso.- o moreno começou a fazer o que lhe foi dito, emburrando a cara.

Kise riu baixinho da reação já esperada. — Então faça sozinho, senhor independente.

— Estou fazendo isso pra te ajudar, se o Akashi descobrir ele te mata. Não quero que morra assim.- Virando a cabeça pro lado, Aomine acabou dizendo sem pensar.

Ryota soltou um som semelhante ao que fazia quando via algo fofo. — Aominecchi se preocupa comigo?

— Claro que não, seu idiota!

— Ele se importa!

— Se o Akashi não te matar, faço eu!

— Eu ajudo!- a irmã do loiro voltou pra sala com algumas cartas em mão.

— Vocês não me amam….- Kise lamentou e ouviu em ‘Não’ em resposta, vindo de ambos.

~.~.~

Aka-chin?

— Kuroko.- o azulado respondeu ao telefone. Após sair da casa de Kise, depois de muita negociação, Tetsuya acabou indo para a casa de Akashi, a gula falou mais alto que a razão. Obviamente não ia perder a chance de ter seu almoço pago durante duas semanas apenas para passar dois dias na casa do ruivo. Ele era quieto, não idiota. Com dinheiro que economizaria poderia comprar o presente de dia dos namorados, que estava chegando. Se bem que, parando para pensar, ele ia simplesmente pagar com outra coisa o dinheiro gasto pelo namorado.

Kuro-chin, pode chamar o Aka-chin?- o gigante pediu. Não era o que poderia chamar de urgente, mas seria bom dar uma conferida.

— Acabou de sair.

A linha ficou em silêncio durante um tempo.

Posso mandar por mensagem a foto? Achei a roupa que tenho que usar no teatro numa lojinha aqui perto de casa, mas…

— Não vejo problema. Depois ele olha.

Okay…. Se você for olhar, apenas não ria.

— Rir? Do que?- antes que pudesse ter uma resposta, Atsushi desligou. Suspirou e deixou o celular na escrivaninha. Assim que tirou a mão do aparelho o som irritante da caixa de mensagem tocou.

Pegou novamente o celular e abriu a mensagem. Bem mais rápido que esperava, Murasakibara mandou a imagem.

Kuroko a olhou e seguiu para a cama, deitando de barriga pra baixo, o rosto no travesseiro. Prometeu que não riria da foto, mas não dele atuando dele vestido daquele jeito na peça.

Murasakibara seria um lindo ratinho.

~.~.~

— Eis eu! Minha bela princesa, seu amado príncipe veio salvá-la das mãos dessa maligna bruxa!- Satsuki fez uma posse heroica e gritou no quarto em pleno pulmões. — Não, espera…. Bruxa? Tem isso na história?

Mesmo sendo comum ouvir a filha gritar por coisa, na maioria das vezes sendo músicas em línguas que não conhecia, a mãe da rosada subiu as escadas e invadiu o quarto, se deparando com a mais jovem de pijama, o que antes devia ser o lençol da cama caindo sobre os ombros, a tiara que sua avó tinha usado no casamento, muito cara por sinal, na cabeça, quase caindo no chão.

A rosada parou o que fazia e olhou para a porta, sua mãe estava lá, estática. Surpreendente seria reagir a essa bagunça, a filha de 17 anos carregando na cabeça algo de valor inestimável, literalmente.

— Minha querida.- a mais velha respirou fundo, cruzando os braços.- O que você pensa que está fazendo?- perguntou, mesmo não esperando resposta.- Me dê essa tiara agora.

Em pânico, Momoi apenas entregou e voltou pra cama, sem tirar o olho da mãe.

— De castigo. Sem sair de casa, somente pra ir pro colégio

— O que?! Por quanto tempo??

— Até segunda ordem. Só não tiro sua internet por não querer que fique me importunando o dia inteiro.- e saiu do quarto, fechando a porta em um baque.

— Merda. Isso é muito. Muito ruim.- ‘arrumou’ o quarto bagunçado, colocando tudo na cadeira e se deitou na cama. Pegou o celular e mandou no grupo do teatro uma mensagem, rindo da situação que tinha parado.

Pulei da história da Cinderela para a da Rapunzel”

Se virou para a parede e bocejou. Que situação tinha se metido por causa de um ensaio?