Cinderella

7 Motivos nada especiais


— Satsuki Momoi!! Explique-se!!

— Dai-chan, pare de gritar, aposto que a escola inteira ouviu.

Na sala de aula, antes do professor chegar, Aomine ‘gentilmente’ perguntava a rosada sobre a mensagem. Após mandar o que poderia chamar de enigma no grupo, a garota simplesmente desapareceu, de todas as mensagens recebidas Momoi não respondeu nenhuma.

— E daí se a escola inteira ouviu? Você não escutou, pra não ter respondido.- o moreno sentou na cadeira ao lado da mesa de Satsuki. — O que você fez dessa vez?

— Nada.- Momoi desviou o olhar para a porta, esperando sua salvação passar por ela.

— Igual ao Kise, nunca faz nada né? São os santinhos do grupo.- ironizou.

Momoi voltou o olhar para Daiki. — Kise também fez algo? O que?

— Ele não fez nada, nem você, afinal são os mais inocentes dessa escola.- cruzou os braços enquanto assistia Kuroko entrando na sala junto com Shintarou.- Dá pra vocês dois me ajudarem aqui?

O esverdeado colocou a mochila na cadeira e parou em frente a rosada. — O que você fez?

Satsuki bufou. — Eu não fiz nada.- repetiu a mesma resposta dada anteriormente ao moreno e cruzou os braços.- Minha mãe que cismou que eu fiz algo de errado e me deixou de castigo.

— Acho que usar uma tiara daquelas que passou de geração em geração pra ensaiar uma cena toda errada não é cisma.- o menor comentou olhando a tela do celular.

— A cena não ‘tava errada, eu apenas pensei em fazer um pouco diferente.

— Você não negou a primeira parte.- Midorima olhou pro azulado. — Kuroko, como você sabe o que aconteceu?

Tetsuya abriu na lista de contatos e o mostrou – Tenho o número dos pais de todos vocês, para garantir.- afastou o aparelho de Shintarou e guardou no bolso. — Não sei o por quê, mas eles me contam tudo o que vocês fazem.

— Vou começar a pensar antes de fazer o que eu faço.- Aomine sussurrou.- Então a senhorita ficou de castigo? Por quanto tempo?

— Não faço a mínima ideia, mas com o ‘bom humor’ que ela está, vai ser por um bom tempo.- a rosada suspirou e olhou pela janela. — Acho que não vou poder participar da peça.

Seijuro entrou na sala no momento em que Satsuki falou a frase. — Castigo novamente?- recebeu uma confirmação muda de Aomine. — Você vai participar sim, nem que pra isso tenhamos que te sequestrar.

~.~.~

— Por favor! Não vá!

— Preciso partir….- Kuroko brincava com a lapiseira. Mesmo possuindo o papel principal, o novo problema que surgiu o desanimou para a peça.

— Ao menos me diga seu nome!

O ensaio parou ao ouvir o telefone de Atsushi tocar. O arroxeado pegou o aparelho da mochila e atendeu.

Sim?

— Boa tarde, com quem falo?

Atsushi Murasakibara.

— Aqui quem fala é Himuro Tatsuya, da loja de fantasias. Gostaria de confirmar o aluguel da fantasia.

Um momento por favor.- O gigante virou para Akashi. — Aka-chin, pode confirmar?

O garoto de olhos heterocromáticos ergueu a sobrancelha. — Confirmar? O que?

— A roupa. Eu te mandei foto.- de longe, Tetsuya empurrou a mochila com o pé pra debaixo da mesa. Mesmo não sabendo do que se tratava, mas vendo a cara do namorado ao fundo, confirmou e assistiu o maior voltar a falar.

Sim.

— A fantasia que o senhor solicitou é uma de rato, correto?

— … Sim.

— Bem, pode buscá-la está quinta?

~.~.~

— Kurokocchi.- o loiro chamou o menor. O azulado tinha um livro em mãos e o respondeu com um simples ‘Hum?’, e mesmo esperando uma frase mais completa, Kise respirou fundo e perguntou o que o afligia:- Por que quis participar da peça?- o viu parar de ler o livro e o olhar. — Não que eu não queira que você não participe! É só que isso não é do seu tipo sabe? As pessoas raramente te notam, e você nem se preocupa com isso, só quero saber o porquê de tá concordando com tudo isso de repente.

Desviando o olhar de Kise, Tetsuya voltou a ler. — Eu não disse?- tentou lembrar se já havia dito o motivo e a única coisa que lhe veio a mente foi do dia que o amigo veio com essa ideia. Não, ele não disse.

— Se tivesse dito eu perguntaria?- Ryota tirou o livro das mãos de Kuroko.- Pode ao menos responder? Se te incomodar não precisa.- mesmo estando curioso o loiro não insistiria, mas estava insistindo de maneira indireta só para garantir.

— Eu quero participar, só isso.- Kuroko respondeu, realmente não tinha nenhum motivo em especial.

Por outro lado, Kise se sentiu decepcionado. Seu amigo tinha todo o direito de apenas querer, mas não era de um amigo qualquer que ele estava falando e sim de Tetsuya Kuroko, o fantasma do grupo. Nas poucas vezes que aparecia para alguém além de seu grupo – sendo que as vezes assustava eles também — era por um motivo muito, mas muito importante mesmo, tipo quando Daiki ameaçou sair do time de basquete.

Colocou a mão na testa, logo depois notando que o livro que tinha pego do azulado desapareceu. — Isso não me parece uma resposta fixa, Kurokocchi.- olhou para o menor que novamente lia. — é a mesma coisa de “Quer namorar comigo” e a pessoa responder ‘Ok’.

— Ele me respondeu assim.- Akashi apareceu do lado do loiro com a mochila, se preparando para ir embora. Colocando a mão que antes estava na testa no peito, Ryota fez o que fazia de melhor.

— Akashicchi!- gritou enquanto ajoelhava.- Quando você apareceu? Quase me mata de susto!

— Eu cheguei faz um tempo. O que queria saber?- o ruivo levantou uma sobrancelha e colocou a bolsa na mesa.

— Nada não, esquece.- se levantando do chão, Kise balançou as mãos desesperadamente. -Você disse que o Kurokocchi respondeu um pedido de namoro respondendo ‘Ok’? Verdade isso?- e abandonando a antiga questão perguntou sobre o que o que o capitão tinha dito anteriormente.

Seijuuro balançou a cabeça positivamente.- Quase isso. Parando para pensar, eu e Tetsuya namoramos desde pequenos, apenas não era oficial. Então eu acabei pedindo e ele aceitou.- explicou para sanar a curiosidade do loiro.

Kise virou o olhar para a janela. Por algum motivo, ao olhar de Akashi e Kuroko que tinha parado de ler, a cena pareceu as de filmes quando o personagem principal olha pro pôr do sol durante um momento de reflexão; que era o que o loiro estava fazendo por sinal, relembrando de 9 anos atrás, quando Momoi os explicou o que era Akakuro.

— Akashicchi tomou a iniciativa, novamente.- lágrimas surgiram nos cantos dos olhos de Kise. — Isso é tão lindo…

Decidindo ignorar, Kuroko guardou o material que ainda estava em cima da mesa e saiu da sala com o garoto de olhos heterocromáticos. Ryota saiu de seu pequeno mundo e olhou para o lugar vazio, pegando a mochila e saindo correndo a fim de alcançar os dois.

— Kurokocchi, tá com vergonha de estarmos falando do seu relacionamento?- ao conseguir encurtar a distância entre eles, perguntou. Realmente, ele estava fazendo muitas perguntas, mas continuaria.

— Não.

— Então quando vocês tiveram sua primeira vez? E quem ficou por cima? Foi que nem os mangás yaoi hard da Momocchi?

— Ryota, -Seijuuro parou de andar e olhou para o maior.- Se quiser viver até a peça pare com essas perguntas.- ameaçou.

— Calei.- e o ruivo voltou a andar junto com Tetsuya, que havia parado para ver a quase morte do loiro.- Mas isso quer dizer que vocês já fizeram?

Se Ryota Kise conseguiu voltar para casa inteiro, foi graças ao fantasma sem motivos especiais para aparecer na frente de um colégio.