Querido diário sei que uma garota ‘’boa” demais como eu estrategicamente falando não deveria mais ter diários, mas você foi minha última e lastima alternativa, ontem meu primeiro dia de aula não foi um dos melhores da minha vida, um mauricinho metido a rico derrubou atum, e seu irmão gêmeo me deu carona, espero que me entendas, mas infelizmente não estou à procura de um Romeu. Hoje me acordei novamente no horário de sempre, a diferença é que hoje está dando mais preguiça do que ontem. A-d-e-u-s”.

06 de agosto, Terça feira desestimulante. – Roniara Maia

Levantei e tomei uma banho rápido, saí já com uma roupa simples, deixei o cabelo solto e nem me importei com maquiagem, desci correndo peguei uma maçã, saí de casa, a parada estava lotada o céu nublado dando indício de chuva hoje, quando o ônibus finalmente chegou a metade das pessoas da parada entraram junto, o aperto foi tão grande que a minha travessia do cobrador até a porta de saída no fim do ônibus, foi o tempo que durou para chegar na parada da escola mais uns mil e um pedidos de licença, mas com toda a certeza iria chegar atrasada porque o motorista fez o favor de queimar a parada, desci e xinguei o motorista de todos os palavrões possíveis mentalmente, estava prestes a atravessar a rua quando ouvi alguém buzinando e levei um susto, procurei mas não achei nenhum carro que eu conhecesse, acho que não era comigo e eu nem deveria estar procurando, então ouvi a buzina outra vez e logo depois vi o tal do Peter Schneider da marca registrada saindo de um carro totalmente diferente do último em que eu havia entrado, olhei pra ele incrédula quando percebi que ele estava se aproximando de mim, em câmera lenta o que pareceu uma eternidade.

— Pelo visto alguém também acordou atrasada, quer carona? — chegou perto de mim, até demais com um sorrisinho branco sínico no rosto.

— Não, acho que não marca registrada, infelizmente hoje não é o seu dia de sorte, mas coincidentemente hoje também não é o meu e como dá para perceber você está bem acompanhado — falei vendo que havia alguém no carro.

— É a minha irmã, você vem ou não? — ele perguntou de novo. – bom primeiro você vai ter que ir pra detenção, depois passar o dia fazendo trabalhos de todas as matérias das quais você vai faltar hoje...

—Tá bom, tá bom, já me convenceu. — detestava ficar na detenção era um inferno entediante ou sete infernos para ser exata, ele riu enquanto ia em direção a ele e fomos andando até o carro, entrei e fiquei na parte de trás, a irmã dele estava na frente e eu sinceramente agradeci por não haver mais ninguém no carro.

— Peter, não vai me apresentar sua amiga?

— Bem essa pessoa ainda não me disse o nome. — falou olhando pra mim.

— Prazer, meu nome é Roniara.

— Oi meu nome é Alana, e o prazer é todo meu. – ela sorriu, tão abertamente que tive de resistir ao impacto de fechar os olhos por excesso de clareamento nos dentes, em vez disso dei um sorriso amigável.

— Você. — ele olhou pra mim com cara de incrédulo que me deu vontade de rir — Você quase fez uma terceira guerra mundial ontem e não me disse nem seu nome.

— Bem, ontem eu não estava afim, e só falo meu nome com pessoas que não esteja se aproximando de mim por algum interesse mútuo. — Vi a irmã dele rir, e comecei a rir também.

— Gostei dela Peter.

Eu e Alana ficamos conversamos como se fossemos duas velhas amigas, mas logo chegamos na escola, agradeci a Peter pela carona e me despedi da Alana, saí do carro e andei apressadamente pra não ter que falar com o Peter coisas desnecessárias dizendo que tinha umas coisas a fazer, mas ele não me deixa em paz infelizmente era tarde demais, quando olhei para trás, com uma noção que tinha de parar com essa mania, Alana foi falar com as amigas e Peter estava correndo na minha direção tentando me alcançar, revirei os olhos e continuei a andar, só que agora mais rápido, quando olhei para frente, lá estava a cabeleira loira ambulante, o irmão gêmeo de Peter me vendo chegar, definitivamente joguei pedra na cruz, agora eu precisaria cavar um buraco no chão e me jogar dentro, olhei pra trás e pra frente, sem saber para onde correr e tentei dar meia volta e ir até Alana, mas Peter Schneider já estava na minha frente, e sorriu.

— Por que não me esperou? — ele falou ofegante.

— Por que estou com pressa? Acho que estou atrasada e como disse preciso resolver algumas coisas.

— Roniara, o sinal ainda nem tocou. – falou me olhando com cara de cansado — olha meu irmão está vindo, vou te apresentar a ele – parou de rir e fez aquelas caras de que queria aprontar algo, espero que não porque matar seria pouco para a pena que eu estava guardando para ele se ousasse.

— Peter, não precisa... — já era tarde.

— Oi maninho — eles fizeram cumprimento coreografado ridículo.

— Oi Peter, pelo visto já conhece a esquentadinha aqui. — ele falou olhando pra mim e sorrindo sarcasticamente.

— Esquentadinha é a senhora sua...

— Calma, tá vendo? – ele estava me provocando.

— Bom Roniara esse é o Jonathan, Jonathan essa é Roniara.

— Prazer Roniara.

— O prazer é todo seu, agora me deêm licença que eu tenho mais o que fazer, tipo o trabalho de física.

Saí dali praticamente correndo, já estava de mau humor logo a essa hora da manhã, já queria entrar de férias. Andei depressa até a sala, entrei e me sentei, passaram-se as aulas, uma a uma e não consegui me concentrar, não consegui achar rumo para meus pensamentos e as horas voaram para o intervalo, os gêmeos estavam conversando e ambos estavam na minha última aula de física, tentei ignorar o tempo foi passando e preferi passar o intervalo na sala, larguei e voltei pra casa tranquilamente, ninguém parece querer me pertubar hoje, o que é um alívio quando se quer ficar sozinha mais do que tudo, à noite vi que minha mãe estava em casa isso sim é que é estranho, entrei e tudo estava quieto demais, subi as escadas, e pensei por um momento que ela havia saído, porém o rádio de casa estava ligado, continuei andano sentindo uma sensação estranha e fui em direção a porta do quarto, enquanto chegava perto, a porta está se abrindo minha mãe está pelada e vi alguém de relance dar um pulo da cama, não tô acreditando.

— Mãe?

— Fi-filha? — ela falou ficando vermelha – Filha, achei que você iria chegar mais tarde. – demorei um pouco para responder, aquilo sim era o cúmulo do meu dia.

— É, já percebi que você e seus amigos estão amigos bem íntimos.

— Roniara, não foi essa a educação que te dei.

—Tenham uma boa noite. — falei dando as costas.

Subi as escadas o mais rápido possível, entrei no quarto e tranquei a porta com a chave, deixei minha mochila em algum canto por ali e fui ao banheiro tinha clichê mais adolescente do que esse, pegar sua mãe num rala e rola ridículo com um estranho.

Fui na mochila e peguei o diário e coloquei de volta no criado mudo enquanto pensava se a minha vida poderia ficar pior do que está, agora minha mãe tem um namorado enquanto o corpo do meu pai nem esfriou direito, desabei na cama pensando em como posso me sentir tão vazia, tão ridícula, mas eu não sinto mais nada, só há vazio, nem triste consigo estar mais, porque eu não sinto, só vivo em um modo automático, como se a vida passasse e eu não conseguisse acompanhar, estou tão cansada de me tornar essa pessoa triste, não era isso o que eu queria ser antes de me tornar alguma coisa.

No próximo dia infelizmenteme ocorreu queera quarta feira, e assim que acordei pude perceber que não estava a fim de ir a escola, como se fosse alguma novidade, isso duraria o resto do ano e essa massacrante semana está sendo muito desgastante, a irmã do Peter ontem a noite disse paraqueme convencer a ir para a escola que passaria aqui para me buscar, incrível como ela gosta mesmo de fazer amizades até com pessoas esquisitas, ela me mandou um torpedo de madrugada avisando, simplesmente. Mas hoje não estou querendo olhar para a cara do outro Q da questão da casa, tomei um banho e coloquei a minha farda e a jaqueta de couro preta que demorei três meses para juntar 100 reaisparacomprar na promoção, e a amável jaqueta estava dando indícios de encolhimento, estava sem humor hoje e não queria discutir com a minha mãe, olhei para o portão de casa e havia um carro cor-de-rosa a cara da Alana, percebo que tenho simplesmente de parar com as minhas crises existenciais e arrumar um modo de ser rica,olha só que luxo de carro,mas a sociedade hipócrita querem que todos os sonhos se baseiem nisso, sonhos, porque é o que se espera de nós.

— Bom dia Alana, gostei do carro.

— Obrigada, mas pela sua cara não está me parecendo um bom dia para você. – ela é até simpática.

— São apenas problemas pessoais.

— Sei como é, meus irmãos não paravam de falar de você ontem sabia? Só você vendo, estava um saco e sinceramente estou com pena de você. – não, não queria saber mesmo.

— Valeu, pelo aviso, mas eu sei me virar.

— Tudo bem, entra aí.

Chegamos à escola sem conversar sobre muita coisa, mas Alana me chamou para o grupinho dela e me apresentar as Fatalistas, confesso que já fui uma Fatalista bem dramática no ensino fundamental, mas isso mudou e agradeço a todos os céus por ela não saber disso já que só entrou no ensino médio recentemente e as pessoas agora me ignoravam sem qualquer motivo, recusei a apresentação mas acenei para as meninas e fui em direção a biblioteca, sou uma adolescente nerd que não se acha nerd, amo livros de ficção científica, romance e história. O sinal havia tocado e fui correndo pelo o corredor, fiquei tão distraída que acabei esbarrando em alguém e Jonathan estava bem na minha frente.

— Você de novo? — falo olhando nos seus olhos e por um segundo ele olha nos meus, franze a sobrancelha e pisca espantando algo.

— Bom dia também, seu humor é tentador, e admito que desta vez foi proposital.

—Que seja, Schneider, não estou numa manhã muito boa.

—Você tá legal?

— Oi? E agora você se importa? Ninguém está olhando pode parar com o teatrinho. — tento sair, mas ele me segura.

— Eu não estou fazendo teatrinho.


— Tá bom, tenho que ir, por que eu tenho o pressentimento, na verdade a certeza que o sinal da escola tocou, só acho.


— Quer ajuda?- ele pegou minhas coisas e olhou para o livro que peguei no outro dia na biblioteca. — Espera aí, você gosta de Jogos Vorazes?


— Não, mas eu tenho uma paixonite por Peeta no filme, o Josh do Abc do Amor e resolvi ler, então dá para me devolver.


— Dá pra você fingir ser educada?


— Desculpe! É instinto — falei debochada.


— Instinto?

— O que? Nunca ouviu falar em sexto sentido?

— Não me incomodo com essas coisas, eu prefiro viver o presente.

— Pois é, o presente está me avisando que tenho que dar adeus, tenho mais o que fazer do que ficar aqui batendo um papo com você, eu vou dizer ao Peeta que você mandou lembranças. – tirei os livros das mãos dele e saí tropeçando por causa do peso.

Aquele garoto era sufocantemente irritante e não estava me dando uma sensação muito boa, estava me dando frio na barriga, e sabe o que realmente isso significa, que meu cocô acabou de parar no meu intestino, o que não consideraria uma coisa boa não.

Na hora do intervalo vi a Alana na fila do lanche fui até ela.

— Oi Alana, vou me sentar aqui, você está bem?- perguntei.


— Sim melhor impossível, soube que topou com meu maninho de novo. – a fofoca daqui brota.


— Infelizmente sim.


— Para com isso, milhares de garotas queriam estar no seu lugar, os irmãos gêmeos Schneider estão de olho em você.


— Em mim? Está brincando, não é? — perguntei entre risos.


— Para com isso eu estou falando sério, já vou logo avisando que é perigoso ficar no meio desses dois, são que nem água e fogo.


— Que seja, eu não me importo, não penso em ninguém no momento, não tenho tempo de pensar nisso, vamos pegar algo para comer.

Pegamos nosso respectivos lanches e sentamos numa mesa, nós duas, mas não demorou muito e os outros chegaram, a mesa logo lotou num piscar de olhos, tratei de terminar minha comida rápido e sairdali nem que seja me espremendo entre as pessoascom a desculpa de jogar a comida no lixo.

Como o sinal ainda não havia tocado fuinapiscinado ginásio que ficava na parte de trás da escola, ainda tinha uns 15 minutos mesmo e claro queeraproibido, mas foi o único lugar que achei para ficar só com o refeitório entupido de gente e casais se pegando no corredor,a piscina felizmente estava vaziafiquei olhando a água por um longo tempo e imaginando como seria nadar, meu outro trauma clichê era que tinha medo de nadar, já me afoguei umas cinco vezes,ponho aminha mochila no chão, tiro o all star e dobro a calçame sento na beira da piscina eponho os pés na água, encosto meu cotovelo na perna e olho a água escutando gale song na tracklist de Jogos Vorazes no alto falante do celular,ultimamente tenho tido a mania de baixar músicas das trilhas sonoras dos filmes que assistia.

Depois de algum tempo ouço porta batendo atrás de mim e travo jáme preparando para a bronca que ia levar se fosse algum supervisor, quando olhei para trás levei um susto pois a pessoa estava bem atrás de mim, me desequilibreiescorregando para frente,na hora só senti o impacto da água me engolindo e comecei a me debater na água gélida da piscina,estava entrando água no meu nariz e boca,parecia que uma eternidadehavia passado e meu coração começou a acelerar, só queria conseguir pôr meus pés no chão, meu pulmão estava doendo por falta de oxigênio e só havia se passado alguns minutos até que senti braços segurando minha cintura e me puxando para cima, finalmente a superfície, mas o ar agora era inimigo, pois me fazia tossir muito e não conseguia respirar direito, die por mim e fui apoiada em um lugar sólidomasnão consegui abrir os meus olhos só queria respirar, entrei em pânico pelo desespero e estava tentando acalmar meu corpo pois estava me tremendo, senti alguémtentandopressionar o meu peito e tentei empurrar os braços desse estranho, então abri um pouco os olho e vi lábios se aproximando dos meus e três dedos tampando meu nariz, a consciência daquilo foi o estopim e de choque cuspi o resto da água,tentandorespirar todo o oxigênio do mundo até normalizar minha respiração. Estava em frangalhos.

— Desculpa, eu não sabia, não era pra você ter caído na água, me perdoa, você não sabe nadar?


— Está maluco garoto? Estou com vontade de te matar, será que não é assim tão óbvio que eu não sei nadar? – Espirrei muito depois de tentar terminar a frase e isso continuou, estava tendo uma crise.

— Você precisa de roupas secas vem. — ele falou me levantando.

Ele me ajudou a levantar, mas os espirros não sessavam, ele me levou nos armários do time e pegou umas roupas estranhas que deveria ser a do time de futebol, ele me levou a parte de trás e me pediu para trocar de roupa, tinha um espelho, me olhei de relance e estava horrível, com a maquiagem borrada, a cara vermelha e o cabelo pingando, ri daquela visão.

— Porque essa cara? – perguntei enquanto saia do vestiário a um Peter nervoso do lado de fora.


— Você não vai me matar?


— Você está preocupado com isso? — e espirrei.


— É melhor eu te levar pra casa e eu peguei sua mochila e seu celular, enquanto trocava de roupa, já falei com a minha mãe e ela te liberou para ir para casa.


— Não precisa se preocupar, eu vou para casa a pé, você já fez demais por hoje. – outro espirro.


— Com minha roupa? — ele falou rindo um pouco, olhei para baixo, claro que era a roupa dele.


— Não tenho o que fazer, pelada é que não vou.


— Está chovendo – olhe para ele e realmente não podia ir para casa assim, todos iam achar que algo estava rolando entre a gente.


— Está bem, já me convenceu, mas isso não irá se repetir.


— Sim, senhora.


— Pare com isso, ainda posso te matar.

Sai andando na na frente por capricho, mas não sabia qual era seu carro, o amostrado ia com um diferente a cada dia, realmente isso é humilhante, deve ser um castigo o que estou passando hoje, eu paro e Peter chega atrás de mim, com perfume cheirando a baunilha, tão perto que cheguei a me arrepiar, provavelmente o frio.


— É aquele ali — falou rindo no meu ouvido, como se estivesse lendo meus pensamentos e apontou a direção. Exibido.

Entrei no carona, ele ligou a rádio, encostei minha cabeça no vidro e Peter estava estranhamente silencioso, olhei de relance para ele,ele estava com o mesmo boné que o meu, com a cara de preocupado, prestando atenção na estrada, ele estava franzindo o centro das sombrancelhas e com um semblante sério, as bochechas vermelhas e suspirando como se estivesse revoltado com alguma coisa, ele não percebeu que analisava ele, e também estava em silêncio, era um silêncio bom, confortável, bem vindo e solícito, isso me fez me distrair e sem perceber a adrenalina foi embora e dormi, e acabei sonhando com sorvete de baunilha, ar livre e Peter.

Notas finais
Capítulo 2.1 – Acordada e Revoltada (Bônus) Abri os olhos e me deparei com olhos incompreensíveis me encarando com preocupação. — Onde eu estou? - perguntei bocejando. — Na frente de sua casa, você não quer ir ao hospital? — Ah, certo, acho que ainda vou preparar sua sentença de morte. — Ok, eu espero. — Eu estou falando sério – falo rindo, faz muito tempo que não durmo bem assim. — Eu sei, boa noite Roniara. - ele falou sorrindo, será que ele só sabia sorrir com aquele sorriso de derreter geleiria? Cruzes. — Até nunca mais também, Peter. Entrei em casa, e agradeci que minha mãe ainda não havia chegado, fui ao meu quarto troquei de roupa de jogador numero 10 JONATHAN, ah mas só podia ser brincadeira né, Peter me passar a roupa suada de Jonathan, joguei na maquina de lavar, coloquei o pijama e fui dormir, hoje nem me importei muito com o diário pois estava exausta, deitei na cama olhei pela janela e a lua estava estonteante, fechei os olhos e mergulhei no mundo dos sonhos.