Cigarret - Nova Vida

3 Trancada na Vida Passada


Acordei um pouco mais cedo do que o planejado, na verdade de madrugada umas 4 horas mais ou menos, e aproveitando que não escrevi no meu diário no dia anterior resolvi escrever agora que tenho bastante tempo [...]

"My Dear Diaries, tá bom parei com a minha tentativa de escrever em inglês mas, diário ontem o dia foi legal e divertido, bom além de Peter ter me derrubado na piscina e eu quase ter me afogado, foi um tédio, pois ele ficou o tempo todo pedindo desculpas, acho que dormi depois disso e ainda me sinto meia grogue, ele me acordou e vim para casa, e claro depois de eu ficar toda molhada ele me deu uma camisa de esportes e por incrível que pareça era do irmão gêmeo querido dele, sarcasmo total logo essa hora da madrugada me perguntando se ele não tinha reparado que a camisa era do Jonathan, minha cara deve estar muito inchada e horrorosa além do meu hálito que não deve está uma das melhores coisas do dia, acho que já vou me arrumar, mas ainda estou com preguiça e sem coragem de ir para escola, não deve ser nenhuma novidade aparentemente."

— Roniara Maia – 07 agosto, madrugada fria.

Levantei-me e fui direto ao banheiro, tomei banho e fiz tudo que precisava, percebi que até me arrumei um pouco e fiquei surpresa com isso, aonde estou com a cabeça? Algum tempo depois descobrir que minha mãe havia trancado a porta de casa e fui procurar desesperadamente minhas chaves que eu quase nunca usava pois ela sempre deixava a porta destrancada, começei sondar toda a casa e uma hora se passou e eu não achei as chaves, o resultado é que estava trancada e pelo visto ficaria o dia inteiro, o nível de maré de azar está batendo seu recorde, estou muito azarada ultimamente.

Mais tarde daquele mesmo dia.

Já são cinco horas da tarde e eu aqui em casa, bom já fiz muita coisa para quem ficou trancada dentro de casa, arrumei os quartos, lavei os pratos, limpei privada e lavei o banheiro enfim, fiz uma faxina mais do que perfeita e das boas, nunca me imaginei fazendo faxina ao som da Taylor Swift e perder calorias cantando e dançando pela casa que nem louca, We are never getting back togheter.

`Depois de um banho vi que já eram umas nove horas da noite e eu decidi continuar a maratonar asaga Crepúsculo inteira, e se você ainda duvida do quão entediada eu estou já estava vendo o Eclipse pela terceira vez, e pelo amor de Deus que essa Bella não se decide mesmo com que macho ela quer ficar,e em meu pensamento interno imagino como ela não fica logo cons os dois, de repente escutei meu celular tocando,só que não sabia onde o mesmo estava, porque obliteradamente na faxina tinha tanto poeira que talvez ela tenha levado o celular junto com ela, parou de tocar e começou novamente quando finalmente encontrei de baixo do sofá, na tela mostrava que o número era desconhecido, que estranho.

— Alô? — perguntei duvidosa.

— Roniara?

— A própria, quem deseja?

— Quem deseja? Será que você merece ter a honra de saber quem está te ligando? — quem era esse idiota?

— Você tem 3 segundos para falar senão faço o humilde favor de desligar na cara de vossa senhoria — bem hoje estava inspirada para sarcasmos.

— Sou eu, Peter. — Como assim Peter?

— Como você consegui meu número? — perguntei incrédula.

— Bom, estava preocupado com você e peguei seu número emprestado na ficha de matrícula da escola, ser filho do diretor tem suas vantagens, espero que não se importe. — que filho da mãe.

— Sabia que isso é crime, eu posso muito bem te denunciar por perseguição, bom exclua imediatamente meu número do seu celular e só vou pra escola amanhã.

— Já percebi, mas por quê você faltou? — que interesse é esse na minha vida.

— Não te interessa garoto, você pega meu telefone ilegalmente e ainda vem saber o porquê de eu não ter ido ao colégio poupe-me de suas curiosidades, eu estou muito ocupada. — tava na cena da conchinha com o Jabob Black.

— Calma, só estava preocupado.

— Tá bom, agora já sabe que estou viva, até amanhã Peter.

— Mas...

Desliguei a chamada, que safado, pegou meu celular na minha ficha de matrícula. Será que ele viu mais do que deveria? Bom isso só vou poder saber amanhã, pensamento positivo, nunca que fui uma patricinha medíocre e popular, esqueça isso Roniara, e era isso que eu era ano passado, porém as coisas mudaram de configuração e eu com a minha mania de falar só. Pensei se teria sido falta de educação desligar a chamada do Peter, mas deixei para lá, terminei o filme e fui dormir, mas não antes de pegar meu diário e coloquei observações do dia:

"Obs:continuo trancada..."

No próximo dia acordei-me e vi que ainda estava escuro, resolvi ver as horas e ainda eram 12:30 da noite pós dia em que passei trancada, talvez esteja ficando com muita insônia, desci as escadas e vi minha mãe chegar com uma cara cansada e muito abatida, ela me viu e falou:

— Acordada? — ela perguntou espantada, como se tivesse aprontado alguma coisa.

— Estou, mas a senhora sabe, me deixou trancada hoje. — falei secamente

— E a sua chave, onde está?

— Não sei, boa noite! – ai não quero papo com ela.

— Roni. precisamos conversar. — isso é um milagre, ela querer conversa.

— Sobre? — cruzei os braços sob o peito

— O seu comportamento ultimamente, você tinha amigos, ou pelo menos fazia amizades rápido e se arrumava, hoje você nem liga mais pra você mesma.

— Boa noite, eu vou dormir, não sei como isso pode ter haver com a senhora. – me virei.

— Desce aqui que eu ainda não terminei senhorita Roniara.

Desci as escadas com a pior cara possível e muito arrependida de ter descido as escadas aquela hora, se arrependimento matasse já estaria dura no chão e trancada no quarto.

— Eu estou preocupada filha.

— Agora você se preocupa? Você praticamente me largou quando o papai morreu e eu nem sei por quê? Quando ele morreu fiquei tão chocada que não conseguia chorar, você virou para mim e me disse que eu era fria. A senhora não para de trabalhar, qual foi a última vez que a senhora me deu mísero abraço não é Dona Elena?

— Dá para você falar direito, eu ainda sou sua mãe, olhe como fala Roniara. — é sempre assim, eu falo o que eu sinto, e é desrespeito.

— Mãe eu estou cansada tá bem? Boa noite.

— Mas eu quero falar agora. Volte aqui agora. — disse gritando.

— Então tá. — falei elevando um pouco a voz, vi ela ficar com raiva e quando ela ficava com raiva nao dava bom.

— Por que você não falou que precisava de mim em filha?

— Bom eu acho que para uma garota de 15 anos que perdeu um pai estava bem na cara não?

— Eu sei que eu tenho andado meio longe de você esses meses, mas é porque eu tenho que trabalhar para te sustentar.

— Tanta mãe ai trabalha muito mais que a senhora e dá 10X mais atenção a seus filhos do que a senhora dá a mim.

— Vamos fazer um acordo? — ri com aquilo.

— Um acordo? Que tipo de acordo?

— Sei lá se você me respeitar um pouco mais eu penso sobre o assunto, mas filha eu tinha medo de não aguentar ver você sofrer e tentei me afastar só para não passar o que você passou, mas também sei que estava errada e vou tentar consertar as coisas, eu prometo. — nesse momento estava chorando e minha mãe me deu um abraço aquele que só mãe possa dar, mas instintivamente me sentia estranha com aquele abraço, aquela mulher nem parecia uma mãe de verdade, que tipo de mãe faz um acordo de atenção com um filho, talvez quando tiver mais velha eu entenda.

[…]

Acordei no mesmo dia de novo e estava com a maior dor de cabeça da minha vida, mas não sabia se era pela conversa com minha mãe ou se era pela noite maldormida. Me levantei e fui direto ao banheiro e por incrível que pareça achei a minha chave que estava do lado da privada no chão, fugindo de mim, falei umas palavras muito feias, muitas na verdade, fiquei com raiva por ter perdido um dia inteiro de aula além de ter que arrumar a casa inteira.

Saí do banheiro já pronta e de mau humor é claro, desci e minha mãe ainda estava em casa, e não creio no que vejo que ela está fazendo o café da manhã, isso era um milagre, ela é o tipo de mãe, se vire e vá estudar, deve estar se sentindo culpada.

— Bom dia filha dormiu bem? — estava literalmente voando.

— Mãe, você não deveria estar no trabalho? — perguntei automaticamente.

— Hoje avisei que chegaria um pouco tarde, sente-se e tome seu café.

— Mas mãe eu estava saindo. — falei querendo sair dali.

— Tem tempo suficiente até o ônibus chegar. — nossa, ela checou meu horário.

—Tudo bem, fazer o que?

Comi tudo o que tinha direito? Sim. Nem tinha percebido pois ontem nem jantei terminei dei um beijo na minha mãe e saí correndo pois demorei demais e o ônibus já estava buzinando na parada, sai correndo de casa e entrei no ônibus e tipo todo mundo estava olhando pra minha cara, deve ter sido pelo o que aconteceu antes de ontem, meu plano de ficar invisível deve ter ido por água abaixo, me sentei em uma poltrona e fiquei ouvindo Linkin Park. Chegando na escola eu vi a Alana e acenei, ela veio dando pulinhos em minha direção comecei a rir e logo ela pulou em meu pescoço e me abraçou, sufocada perguntei:

— Por que toda essa felicidade? — perguntei sorrindo

— Eu vou organizar o baile da escola, ai como eu estou feliz. — nossa como ela pode estar feliz com tanta responsabilidade e pressão.

— Parabéns. — disse sorrindo amarelo.

— Vou precisar de ajuda. — ela olhou suplicando pra mim com aquela carinha de gato do Shrek. São os piores.

— Por que tem que ser eu? — perguntei já tirando meu riso do rosto.

— Porque você é a única pessoa que é o oposto de mim, além de ter sido uma ótima líder de torcida e organizadora das festas do passado. — Peter me paga.

— Como você soube? — perguntei como não soubesse.

—Isso não vem ao caso agora, vamos o sinal já tocou, tudo bem né, você aceita?

—Tudo bem. — iria ajudar no mínimo possível eu sei que ela sabe se virar.

Ela começou a pular e dar gritinhos, logicamente comecei a rir e fui para a sala de aula, pelo visto dia iria ser bem longo, mas não tanto quanto a noite passada.

Ainda me pergunto por que aceitei fazer esse acordo maluco com a Alana se queria ficar longe dos holofotes e minha mãe sendo uma mãe normal hoje pela manhã. Pensando pelo lado bom, isso iria me manter super ocupada e isso séria bom para me distrair e ao que tudo indica ainda estou trancada nessa minha vida passada, o que não parece ser tão ruim assim.

….

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.