Notas iniciais
Obrigadaaa a todos que estão acompanhando :D

– Só não lhe expulso agora em consideração ao seu pai Rebeca.


Rebeca mantinha a mão cobrindo a bochecha direita. Seus olhos se encherem involuntariamente de lágrimas enquanto olhava Bernardo de forma agressiva, com todo o ódio que uma mulher podia sentir. Bernardo nunca a agrediu uma vez sequer em todos esses anos, e agora, fez isso por uma estranha qualquer? Não, ela não iria admitir isso.


– Como pode? Como você pode me agredir e defender essa cadela miserável?


Essa pergunta o atingiu mais que o esperado. Por que Bernardo a defendia? Nem ele mesmo sabia. A única coisa que importava, e que nada nem ninguém tiraria de sua cabeça, é que não suportava ideia de alguém ter mais poder sobre ela se não ele. Não suportava o fato de alguém machucá-la, ou simplesmente a ferir de alguma forma, pois desde que Bernardo provou seu beijo e tocou seu corpo pela primeira vez, tinha uma certeza: Jazmim seria apenas dele.


Não tinha que explicar a ninguém porque pensava assim, Não tinha que dar satisfações nem para seu próprio egoísmo ou questionamento, era assim que queria e pronto. Naquele país, sua palavra era como a de um rei.


– Cale a boca e me espere aqui.


Rebeca se levantou e foi para a cozinha, que ficava passando pela sala.


Jazmim em nenhum momento disse nada, ou se atreveu a olhar nos olhos de Bernardo naquele momento, a única coisa que fez, foi segui-lo quando este lhe puxou pelo braço. Abriu as portas da enorme mansão e desceu as escadas com ela, onde seu carro já estava esperando. O segurança saiu, Bernardo gostava de dirigir e dificilmente pedia para um motorista fazê-lo. Abriu a porta ao lado e colocou Jazmim, prendendo o cinto sobre seu corpo, enquanto se dirigiu a outra e arrancou o carro.


Nas estradas vazias Bernardo sempre corria, chegava a ser viciado em adrenalina e adorava qualquer coisa que o colocasse em risco, gostava de desafios ditos impossíveis. A cigana, pelo contrário, apertava forte o couro do banco, fechando os olhos nas curvas. Bernardo achava aquilo engraçado, ela era tão inocente que mal sabia que dez aviões podiam cair, mas não ele com seu carro.


– Por que está nervosa? – Perguntou com um sorriso debochado na face.


– Não estou.


Ele deu uma leve gargalhada, porém não maldosa, mas aconchegante.


– Relaxa Jazmim, estamos quase chegando.


Sim, ela achou completamente estranho ele a chamar pelo nome, embora Bernardo nem ter percebido. Uma pontinha de felicidade invadiu seu coração, e ela sem querer, sorriu. Bernardo a fitou várias e várias vezes tentando entender o motivo daquele sorriso...


– Por que está tão feliz?


– Você me chamou de Jazmim.


Suas pupilas se dilataram, e ele de certa forma ficou constrangido. Tossiu levemente e voltou a ficar sério, com a pose superior que sempre tinha que manter. Jazmim ainda tentava descobrir que bicho o havia mordido para essa mudança de humor tão brusca, mal sabia ela que Bernardo era como um vulcão, às vezes calmo, e às vezes prestes a explodir.


O carro parou em frente a casa de Ana fazendo Jazmim tirar o cinto, mas antes que pudesse abrir a porta, o corpo de Bernardo foi em direção ao seu, a prensando no banco macio. Seus lábios se tornaram fonte de desejo, e ele queria senti-los como dá última vez. O que eu vou contar é de certa forma curioso e ao mesmo tempo incompreensível. Muitos irão ver como a prova de que Bernardo estava se entregando, mudando... Pois apesar de ser improvável não é impossível. E outros, mais céticos, irão enxergar um jogo que parece não ter fim. Certo ou errado, aquele gesto libertino aconteceu, e foi proposital.


Seus lábios iam se tocar, e a cigana não conseguia desviar daquela prisão de olhos azuis, aquele homem apesar de cruel tinha uma beleza que dava medo. Jazmim desviou o rosto, e com ele completamente frio e sem expressão, abriu a porta do carro e saiu. Bernardo recuou, e não fez nada, apenas observou a garota sair como bem quisesse. Estúpido, idiota... – Se xingava de todas as formas.


Observou a garota entrar na casa, e após isso bateu com tanta força na direção que a buzina quase estragou. Bernardo arrancou o carro e seguiu para resolver assuntos do trabalho, enquanto Ana aguardava Jazmim na sala de estar.


...


Ana tinha expressão mais séria que Jazmim vira na vida, enquanto suas unhas longas batiam sobre a mesa de vidro.


– Como foi a noite?


A cigana chegou a perder a respiração. Será que Bernardo havia contato tudo pra ela? Sentiu-se envergonhada, triste, traiu suas próprias crenças e nada poderia mudar isso.


– Ana eu...


– Sente-se. – Cortou-a bruscamente e bateu no sofá ao lado para a morena sentar. Jazmim se aproximou e se sentou cautelosamente, a olhando nos olhos.


– A única coisa que eu quero saber Jazmim, é se vocês dormiram juntos!?


– Não, eu dormi no quarto de hospedes.


Respondeu com a maior naturalidade do mundo. Mas não era isso que Ana queria saber.


– Não querida, o que eu quero saber é o que aconteceu enquanto vocês estavam lá. Vocês transaram?


Jazmim ergueu o olhar e entortou a boca de forma pensativa. Na verdade, nunca havia ouvido aquela tipo de expressão, porém suspeitou quando lembrou-se da noite, onde o a voz de Bernardo invadira seus ouvidos enquanto sua mão percorria seu copo. No lugar onde vivia ciganos só faziam amor, e se fosse assim, só depois do casamento, como poderia ela pensar algo assim?


– Ande menina! Responda! – Ana aumentou a voz.


– Quer saber se... Fizemos amor?


Ana abaixou a cabeça, e após respirar fundo, soltou uma leve gargalhada.


– Isso Jazmim.


– Não senhora Ana, isso só se faz depois do casamento.


Ana arregalou os olhos com aquelas palavras. Na verdade não deu muito atenção, pensou que era apenas uma brincadeira. Bom, só o fato de saber que sua virgindade estava intacta, a mulher já estava feliz, continuaria com seus planos.


– Fico feliz. – Ana sorriu e antes que Jazmim pudesse subir, interrompeu. – Mas Jazmim?


– Sim?


– Bernardo não tentou nada?


Precisava perguntar aquilo. Para Ana, era a maior novidade do mundo um homem como aquele ter ficado tão perto da menina mais linda que ela já vira e não ter tentado nada. Chegava a ser irônico.


– Sim.


– E então?


– Só um beijo...


Jazmim subiu correndo antes que Ana a castigasse por isso. Se soubesse o que a mulher pensou iria rir para si desta atitude ingênua.


Ana achou aquilo fantástico e ao mesmo tempo perigoso. Era como ver um leão domado por um esquilo, e nenhuma noticia poderia ser melhor do que aquela. O que irá acontecer mais tarde, vai colocar a prova tudo o que está desconfiando todo esse tempo... Parecia saber o fim da história antes mesmo de ela ter um enredo. Ana se levantou e caminhou em direção ao seu escritório, fazendo ligações importantes.


...


Já eram cinco horas da tarde quando Camila chegou na casa. Subiu as escadas apressada, procurando em todos os lugares a nova amiga. Até chegar na cozinha, onde Jazmim estava sentado, mexendo no café sem ao menos o provar. Balançava a xícara de chá de forma deprimente, fazendo Camila se aproximar com um sorriso e tampar seus olhos.


– Adivinha quem é?


Jazmim abriu um sorriso fraco ao ouvir aquela voz. De certa forma, tinha saudade de Camila e de o quanto ela o incentivava. Começou a se tornar a amiga que ela nunca teve.


– Camila.


– Que desânimo é esse garota? – Camila sentou ao lado de Jazmim, abrindo um pacote de leite e o tomando.


– Estou pensando.


– Que forma chata de pensar não acha?


Jazmim sorriu enquanto Camila levantou-se e foi em direção ao velho rádio, aumentando o volume no último. A música era tocada por saxofone, tinha um ritmo calmo e apesar de não entender aquela melodia Francesa era sem dúvida uma das coisas mais lindas que já escutou.


Camila puxou Jazmim para o meio da cozinha, onde as duas começaram a dançar. Era de certa forma engraçado, pois entre as risadas de Camila, os pensamentos de Jazmim se encontravam longe, muito longe.


As duas se afastaram e a cigana rodou no braço da amiga com um sorriso, que foi desmanchado a ela olhar a face de quem segurava sua mão. A ilusão havia virado realidade, ou talvez o pesadelo havia virado real. Não importava, pois naquele momento, ela enxergava a face de Bernardo.


Tão fácil e rápido quanto aconteceu, terminou, com as palmas de Camila em frente aos seus olhos. Jazmim piscou os olhos várias vezes, e sentindo-se idiota se afastou, voltou a sentar com o mesmo ânimo de sempre. Camila respirou fundo e se aproximou.


– Tudo bem eu desisto. O que aconteceu?


Jazmim balançou a cabeça negativamente. Camila sabia que ela não ia falar, mas detestava vê-la daquela maneira... O que fazer?

Camila se levantou a cutucou Jazmim com um sorriso.


– Já que não vai falar, vamos dar uma voltinha?


– Eu não posso sair esqueceu... ? – Disse Jazmim com o rosto entre os braços, apoiado sobre a mesa.


– Eu tenho certeza que ninguém vai perceber se fomos até a praça.


Camila piscou de forma marota fazendo Jazmim girar os olhos e concordar. O ânimo de Camila subiu tanto que ela chegou a dar um pulo fazendo a morena cair na risada. Era tão curioso a forma como Camila vivia e a forma como ela era tão feliz. Suspeitou que fosse apenas uma forma de ela ficar bem consigo mesma, mas aquele riso era quase contagiante. Talvez não fosse ruim Jazmim se abrir com ela.


...


Chegaram na praça, não estava tão cheia, mas vazia o suficiente para elas passarem um tempo ali. O ranger do balanço era alto no silêncio, mas sentir o vento batendo na face transmitia uma sensação tão pura de liberdade para Jazmim que daria tudo para ficar daquela maneira. O sol não estava tão forte e isso dava uma sensação de frio mas isso não impediu Camila de começar a dançar no meio da praça.


– Como vocês dançam?


De uma forma desengonçada ela começava a dançar, fazendo várias gargalhadas sair da boca de Jazmim. Ela se levantou indo em direção a Camila.


Dizem que a dança cigana representa beleza, liberdade, suavidade e alegria, pois permite a expressão livre do seu ser, uma forma única de expressar seu próprio eu, flutuando de uma maneira única e incomparável. É vista também como a dança da sensualidade, da beleza descomunal e da sedução... Dependendo dos olhos de quem a vê.


O que começou com uma aula se transformou em um espetáculo. Lentamente Camila foi se afastou, e fechando os olhos Jazmim começou a dançar, atraindo a atenção de muitas pessoas que se passavam. Ela dançava como uma mulher, embora parecesse apenas uma menina, cada gesto de seu corpo era como uma onda de desejo e posse, transmitindo para cada olhar uma forma única de se sentir especial. Jazmim dançava com o corpo e a alma enquanto palmas a saldavam transmitindo uma volta ao passado. Era como se ela sentisse o cheiro de terra molhada e o assovio dos pássaros, tudo parecia tão perfeito.


Quando ela finalmente parou de dançar as pessoas continuaram com suas atividades diárias e a praça voltou a ficar vazia, ela sorriu se aproximando de Camila que a fitava com um sorriso simples e encantador. Por um segundo, sentiu que alguém as observava mais não deu bola, se aproximou da amiga com uma felicidade diferente das outras. Quando Jazmim dançou na praça, sentiu como se todos a aceitassem como ela era, e uma sensação assim não havia explicação.


Foram as palmas atrasadas que chamaram a atenção das garotas. Ao olharem para trás, uma figura de vestes negras, e um chapéu que cobria o rosto se aproximou. Parecia ser simpático, mas com alguma coisa a mais que fazia aquela situação se tornar amedrontadora. Camila parecia o conhecer, e sinceramente não gostava nada daquilo.


– Fantástico, nunca vi tal coisa.


A cigana reparou em cada gesto daquele homem. Cabelos levemente grisalhos, um chapéu cobrindo os olhos negros, e as vestes que iam até a bota preta. O caminhar era rápido e confiante, chegando até a ser diferente... Não se importava onde pisara.


Jazmim agradeceu aquele comentário e nem prestou atenção nos gestos de Camila que diziam para ela se afastar. Lembrou-se de quem ele era: Um ladrão, trambiqueiro que vendia pedras e objetos de valor para comerciantes. Era perigoso, pois Camila se lembrava do dia em que invadiu a casa de luxo, roubando várias joias de Ana. Seu nome é Ramom, o sobrenome Camila nunca soube, assim como ele não se lembrava da existência da garota que estava na casa na noite do crime. Ele fugiu dos seguranças e nunca foi encontrado... Para Camila, era o homem mais nojento que já vira na vida.


– Obrigada, mas nós temos que ir agora.


Camila se apressou e se colocou de costas pra ele, e na frente de Jazmim, fez sinais para ambas irem embora. A cigana entendeu, embora não entendesse o porquê da fuga repentina.


Jazmim recolheu as coisas, mas antes disto, Ramom pegou seu casaco, onde estava guardada as joias de sua mãe.


– Por que vai tão rápido?


Jazmim ignorou a pergunta, estendendo a mão para ele lhe dar o casaco. Um sorriso traiçoeiro e maldoso surgiu naqueles lábios secos, e embora soubesse que era perigoso arriscar com ela, não havia ninguém por perto, de certa forma, valia a pena o risco.


Ramom estendeu o casaco, mas não o suficiente para o mesmo atingir sua mão. Demorou para Camila entender o porque de Jazmim ainda insistir em ter o casaco de volta, mas só quando observou as lindas pulseiras de ouro que quase caiam para fora do bolso do casaco, que finalmente entendeu.


Cada passo de tornava mais difícil e até angustiante, ele parecia estar brincando com ela. Quando a cigana se irritou e puxou o casaco de sua mão, o mesmo foi em direção ao chão. A mão áspera e seca que antes tocava o casaco, puxou a garota por trás, agarrando sua cintura com força enquanto a outra lhe cobria a boca.


– LARGA ELA!


Camila gritou, e após tropeçar em uma pedra se abaixou e a pegou. Mirou em direção a sua cabeça e jogou com força, passando poucos centímetros de seu olho.

O sangue que sairá de sua testa escorrera até as vestes de Jazmim, que com um chute conseguiu se libertar. Segurou o casaco rapidamente e correu em direção a Camila.


– SUA PIRANHA! VOLTE AQUI!


A faca que Ramom tirara da cintura tinha o tamanho mediano da palma de sua mão. Afiada, chegava a brilhar sobre o sol que aparecia de vez em quando escondido sobre as nuvens. Tinha tanta raiva que iria torturar as duas e depois matar, o que fez virar uma perseguição de uma quadra. As poucas pessoas presentes não tiverem nem sequer chance de interferir, pois eram mulheres sentadas tomando chá, e um velho que mal conseguia ficar de pé diante de sua bengala.


Os cabelos negros da cigana voavam à medida que ela corria, e com Ramom perto só sentiu uma mecha de seu cabelo ser cortada após a afiada navalha o atingir. Camila a puxou para ir mais depressa, já estavam chegando... Mas antes que pudessem atravessar a rua em meio aos carros, alguém inesperado e conveniente atravessou-as por cima. Jazmim e Camila só puderam sentir o vento e ver a sombra do cavalo negro que pulara por cima das duas e se colocava em sua frente.


Em cima dele, com a bota presa ao estribo da sela, uniforme militar com cinco estrelas cravadas sobre seu ombro e uma boina que escondia seus cabelos louros, estava o homem mais poderoso do país. Aproximou-se mais dois generais com ele, que deixaram tudo acontecer de imediato.


O chicote grosso atingira a mão de Ramom, fazendo a navalha voar longe e o cavalo negro, Mustang, se aproximar marchando, lentamente pronto para pisar na cabeça daquele traste, se seu dono assim desejasse. Bernardo encarou com tanto ódio aquele homem, que Ramom se ajoelhar e implorar por sua vida não foi nem de perto o suficiente. Bernardo só iria se mostrar satisfeito, quando a cabeça daquele verme inútil e desprezível virasse apenas mais uma parte da decoração da praça. Jazmim não desviava os olhos nem sequer um minuto daquela face angustiante, e quando Bernardo se aproximou para cortar-lhe a cabeça do homem, algo muito mais doloroso lhe chamou a atenção.


Era Jazmim, e ela chorava...


Notas finais
Gentee provavelmente o próximo capitulo saia só domingo. Mas ele vai ser bem tenso porque é nele que a Jazmim vai ser anunciada como a "cigana virgem" ... Pois é, ela vai ser colocada a venda. O que Bernardo vai fazer diante disso? Será que alguma coisa em seu "eu" vai mudar?
SHAUSHUAHSUAHSUA
Bom, espero que gostem :)