Cigana
21 Capítulo 21
Notas iniciais
Vamos saber se a cigana aceitou a chantagem da velha Leah!
Quem dá mais, quem dá menos?
hihihi.....!
Cigana
Capitulo 21
O som rouco da voz envelhecida dava o tom tétrico a risada da cigana Leah que deleitava-se com a posição desconfortável em que se encontrava a grande rainha do reino Cullen. Olhos enrugados, mas, perspicazes, abriram-se repentinamente quando a rainha voltou-se com um único gesto, o que fez os cabelos, longos e marrons, girarem em torno do corpo bem feito, moldado pelo vestido branco do casamento. Isabella deu dois passos em direção a velha e contemplou a boca escancarada que mostrava dentes amarelos e saltados, ela inspirou profundamente antes de colocar suas mãos nos quadris e ergueu seu queixo antes de proferir com voz de comando.
-É lamentável notar que teu cérebro finalmente degenerou, velha! – Isabella iria se utilizar de sua única alternativa contra aquela chantagem e, torcia para que Leah fosse suscetível ao seu apelo. Consciente, sentiu o frio da lamina que se encontrava presa em sua coxa, disposta a acabar com a vida da cigana que outrora ela chamara de mãe, caso tudo fosse posto a perder. Mas, a risada de Leah, que tornou-se ainda mais alta e mais debochada, a colocou em estado de irritação fazendo com que suas mãos tremessem levemente.
-Pare, tua risada irrita-me! – ela não ergueu ao seu timbre de voz, mas o preferiu de forma profunda e ameaçadora.
-Fala como uma grande rainha, pequena Nadja! –rouca e falha a voz de Leah penetrou no corpo de Isabella fazendo com que seus pêlos se eriçassem, e o que outrora apenas era a uma leve irritação, transformou-se em raiva.
-Agora escute, pois que não pretendo me repetir, diante de teus olhos de sapo se encontra a única e verdadeira rainha de todos os reinos existentes desta terra. Ouça com sabedoria, pois talvez seja esta a ultima coisa que o faça, meu nome a partir de agora é Isabella Cullen, mas, para você, serei vossa majestade e, não admito ouvir menos do que isto de tua boca podre!
-Hi, hi, esta perdendo a posse, pequena cigana, a um segundo atrás, até parecia uma rainha de verdade falando! E o que foi isto em tua voz, pretende matar-me?
-Não pela insolência, mas é pela burrice que você irá morrer, feito a uma mula manca! Dê-me de uma vez por todas ao antídoto, pois que preciso salvar ao meu homem.
-Então temos a um acordo?
-Eu lhe direi o que temos, exatamente ... – Isabella aproximou-se da velha e inclinou-se até ela e, com um tapa, ela lançou longe as cartas do baralho antes de colocar suas mãos espalmadas no lugar, onde as mesmas estavam dispostas — ...terás direito a vida, farta e cheia de conforto, não mais do que isto e, os bons olhos de meu marido, que saberá de teu grande auxilio ao reino, neste caso.
-És uma tola, Nadja!
Feito a serpente, que dá a um bote repentino, a mão da cigana foi rápida e mortal a agarrar a goela seca da velha cigana que, tomada pelo susto engasgou com a própria saliva.
-Não tens medo de morrer? Pelo o que vejo, não! — enquanto Isabella falava, seus dedos fortes apertavam a goela que passou a fazer barulhos estranhos de estrangulamento.
-Talvez, que tenha mesmo vivido por tempo demais, o que lhe tirou o juízo, se é que já o teve alguma vez em sua vida deprimente – com a outra mão, Isabella puxou a pequena adaga e a encostou no olho arregalado de Leah que sem forças não podia respirar, tão pouco afastar a mão firme como ferro de sua goela doloridamente castigada.
-Então, que irei resolver a este pequeno inconveniente com rapidez, visto que terei eu mesma, que achar ao antídoto e, não tenha duvidas de que o encontrarei, afinal, foi você quem me criou, não é mesmo?!
O brilho nos olhos marrons reluziram mortalmente ante a face aterrorizada da velha que passou a babar, visto que sua língua, já arroxeada, encontrava-se para fora de sua boca retorcida.
-Mas, como hoje é o dia do meu casamento, serei benevolente e lhe concederei o direito de escolher novamente, entre continuar a viver entre nós, ou as chamas do inferno, que é para onde você vai com certeza se eu apertar mais um pouco ao seu pescoço e quebrá-lo como se fosse a um graveto seco. Então o que vai ser?
-Gasp! – a velha mexeu os olhos e sentiu com alivio o afrouxar dos dedos duros.
-Parece que voltou a pensar com inteligência. Agora, me diga onde esta o antídoto?
Ainda alerta, Isabella manteve a adaga em posição de ataque e seus olhos vidrados na face amarelada da velha cigana que foi ao chão de forma pouco harmoniosa, para depois, erguer-se cambaleante. E, assim que ela julgou ter a uma distancia razoável do corpo enfurecido da rainha, encontrou forças para se rebelar.
-Não sairá viva daqui! Morrerá tu e teu homem, eu te amaldi...
A adaga voou e o grito da velha ecoou aterrorizado. Isabella viu com frieza a orelha se desprender em duas e a parte que mantinha ao pesado brinco, ir ao chão. A velha acompanhou a tudo com olhos esbugalhados e, quando jogou-se ao chão para pegar o que outrora fizera parte de seu corpo por tantos anos, ela viu o pé pequeno, envolto na sandália, pisotear o pequeno pedaço de carne velha e enrugada.
-Vai mesmo, me amaldiçoar? – foi a frieza na voz de Isabella que fez a velha recuar, não somente em seus atos, mas também em seu verbo. Sua ganância a fizera cair em sua própria armadilha. Seus instintos se recusavam a aceitar a frieza da mulher determinada a sua frente.
-Não! O que você se tornou?
-O seu pior sonho! Já o teve, velha? Aquele que de tão ruim, lhe consumiu as entranhas, a fazendo desejar nunca mais sonhar novamente? Ele, sou eu personificado!
-Vai-te embora, sumaaaa!
-Ficarei a lhe fazer companhia, iremos nos divertir, muito! Não queres ao meu bebê, pois que terás a mim, também!
-Nãoooo!
A grande rainha gingou sua anca e riu, pela primeira vez desde que botara seus pés dentro daquela tenda.
-O quê?! Parece que não gostou muito desta idéia?! Mas, foi você quem a sugeriu quando desejou ter posse do meu bebê! — ela deu dois passos em direção a velha cigana que se rastejou para trás, apavorada. Um sorriso cínico fulgurou em sua face e uma voz suave, quase dócil saiu de seus lábios carnudos.
-Diga-me, foi tu que orquestrou a tudo isto? Com qual intuito, o de me ter de volta?
-Eu, eu vi nas cartas, teu reino, teu poder e tua filha, eu desejei isto para mim, eu...!
-Parece que você se esqueceu...
-Do que?!
-Que não se deve desejar aquilo que não nos pertence e que tudo tem ao seu preço!
-Eu te criei com amor!
-Me criou com medo de me perder, pois que verdadeiramente, meu destino nunca foi o de estar ao teu lado. Nosso carma se cumpriu a muito tempo, não devemos iniciar a outro.
-Nós fazemos o nosso destino, Nadja!
-A que preço?!
-Você se esqueceu da força em teu sangue! Você não vê?! Podes ter tudo o que desejar, este é teu caminho, o de conquistar...
-Já o tenho, com Edward!
-Porque ter um se pode ter a todos...
-Toda ambição deve ter um limite e o meu já o encontrei. Vamos Leah, não devemos forçar a natureza, que não desejo ficar presa a ti por ódio, isto irá se arrastar além desta vida. Devemos dar um ponto final agora. Eu também vi as cartas...
-Então você viu?
-Vi!
Elas olharam-se em mutuo entendimento. Leah abaixou a sua cabeça antes de erguer-se, ela caminhou até um canto da tenda e abriu a um baú retirando dele a um frasco pequeno, fazendo o rosto de Isabella resplandecer em um sorriso. Passara-se meia hora e o líder do acampamento decidiu interferir, pois que um silencio sepulcral vinha da cabana da velha feiticeira. Com passadas largas ele se aproximou da tenda no momento exato em que ela saia, Isabella.
-Nadja!
-Rainha Cullen, para você!
O riso do cigano foi forte e encorpado.
-De qual reino, o que esta para ser destruído, assim que teu homem fechar os olhos para a morte?
Isabella caminhou decidida até o alto e forte cigano e o olhou com intensidade nos olhos, o fazendo desejá-la, pois verdadeiramente, Baltazar vira poucas mulheres em sua vida com aquela fibra e determinação.
-Baltazar... — a voz soou baixa e rouca, o fazendo vibrar intensamente e, ele se questionou como ela poderia dominá-lo assim, apenas pronunciando ao seu nome-...meu reino jamais cairá e meu homem, o grande rei Edward Cullen, será levado desta vida pela velhice, guarde as minhas palavras, meu irmão!
-Apesar de tuas vestes e de teu titulo, ainda é uma mulher cigana! – ele a tomou pelos ombros com suas mãos largas e fortes os apertando- -Largue a esta sandice, volte para nós, para mim! Levantaremos o acampamento e seguiremos para outras terras, outros países. Seremos felizes Nadja!
-Carrego em meu ventre o filho de outro homem!
Mesmo pego de surpresa, ele não titubeou.
-Será criado como meu!
Isabella riu, alto e ruidosamente!
-Vejo que de fato me ama, cigano!
-Mais do que a mim mesmo!
-Então me siga! Seja meu aliado contra o reino Volturi e ganhe o seu direito de ter para si a um reino.
-E a rainha, serás tu?
-Pertenço a outro, de corpo e alma!
Eles olharam-se por um minuto apenas, mas tão intensamente que foram capazes de verem suas vidas refletidas no brilho de suas iris.
-Baltazar, deixe esta vida nômade e torne-se nosso aliado, serás recompensado com o reino que derrubaremos, pois seus homens e os soldados de Edward serão a força ofensiva mais letal que estas terras já viram.
-Lutarei por ti, Nadja!
-Sou Isabella Cullen! A grande rainha do reino do sol, do reino do grande rei, Edward Cullen! Lute por você, pelo povo cigano, lute pela honra e pela oportunidade de fazer história, meu irmão.
Baltazar viu com fascínio o brilho nos olhos marrons e incomuns, ele a cobiçou ainda mais por isto, por vê-la diante de si, autoritária e quente, resplandecendo em paixão e coragem.
-É isto o que oferece a mim, um reino?
-Sim, e o apoio do reino Cullen!
-Você faz tratado com muita liberdade, sendo que mal assumiu ao titulo de rainha, pois que ainda nem foi coroada...
-Baltazar, ninguém duvida de minha soberania nas terras de Edward!
-Mas, e os reinos vizinhos?
-Eles saberão do poder do reino do meu marido...
-Que está a beira da morte! – Baltazar deu um passo atrás e sondou o futuro.
-Edward vivera longos anos ao meu lado, teremos filhos fortes e, eu vejo que no futuro, nossos destinos estarão ligados, o do meu reino e o teu!
Ele ergueu seus olhos negros para o céu escuro e sem estrelas a franzir seu cenho. Isabella sorriu levemente, ela sempre soube que teria algo com o sangue daquele homem, que ele não iria desaparecer de sua vida como uma brisa passageira.
-Nossos destinos andaram em linhas paralelas, mas muito próximas...
Dentes brancos reluziram diante dos olhos ansiosos de Isabella e, ela sentiu-se agitar com a risada forte que veio seguida da voz rouca e firme.
-Espero que não tenha esquecido de como se maneja a uma espada com decência, mulher!
Eles olharam-se em mutuo entendimento e, quase duas horas depois, os olhos dos aldeões viram atônitos o regresso da grande rainha, ladeada de seu soldado Withlock e pelo homem alto e moreno, envergando vestes ciganas. Logo atrás, vinha mais homens ciganos, todos montados em cavalos fortes e armados com espadas.
-A rainha voltou!
O alarde se propagou por toda a aldeia até o campo. Pessoas corriam em direção ao palácio, vozes questionavam o que acontecia, mulheres choravam, pois viam que ciganos tomavam o centro da cidade com seus cavalos e seus olhos negros e misteriosos. Isabella continuava seu percurso sem se abater com as vozes perdidas e os choros e, assim que adentrou os muros do palácio, seguiu imediatamente para os aposentos reais.
A alvorada se anunciou lentamente no deserto, perto de uma fonte de águas escuras e geladas, uma salamandra colorida se escondeu entre as frestas das pedras que recobriam a gruta, local pouco visível que por muitas vezes, serviu de refugio para ela, que estava montada em seu corcel negro a olhar com firmeza para o horizonte que se estendia com uma linha tênue conforme o sol se pronunciava no céu. Isabella espero pelos carniceiros no decorrer de dois dias, seu duque de guerra suspeitava que eles cairiam sobre o reino na calada da noite a tirar proveito da fragilidade do reino.
-Não, pois que já sabem de nossa aliança com os ciganos! Eles virão pelo deserto com grande alarde.
Suas palavras se cumpriram, os cavalos que a rodeavam se agitavam com o trepidar que vinha do horizonte a levantar a uma nuvem de poeira. Olhos estreitos passaram a enxergar dentro da nuvem as siluetas dos cavalos e seus soldados e, logo, os ouvidos passaram a ouvir os bramidos de guerra e ódio. Mas, eles se mantiveram imóveis, mãos fortes seguravam as rédeas dos animais que pressentiam através de seus espíritos pobres a proximidade da morte. Mesmo assim, ela não se moveu, nem mesmo para piscar. E os bons e leais soldados do reino Cullen olharam admirados para a rainha que naquele dia fazia historia, a posicionar-se no campo de batalha, suas mentes lhes traziam a recordação do discurso de guerra daquela mulher de fibra.
-Homens! Soldados valentes, soldados de Edward! Eis-me aqui entre vos, a pedir que lutem ao raiar do dia, não pelo reino do sol, mas pela vida daqueles que lhes são mais preciosos, pela liberdade e pela justiça! Todos temos obrigações e, eu não irei entregar o palácio, as terras e tão pouco o meu povo sem lutar com todas as forças que me restarem no corpo. Saibam que as paredes do palácio não poderão protegê-los, tão pouco a mim! Por isto, vou ao deserto e direi ao rei Volturi que dê meia volta, pois que este reino não foi forjado embaixo da perfídia e traição e, que cada homem, cada mulher e criança lutara até o ultimo fôlego. E todos nesta terra saberão do que somos capazes! Não prometo paz, não agora, pois ela será conquistada mais uma vez na ponta da espada de cada um. Lutem!
Até mesmo o soldado mais raso se rendeu e, se antes duvidas tinha, as enterrou com a vergonha por sentir que a força daquela mulher pequena era maior do que a do próprio duque de guerra. Que ela não se acovardara e se escondera a chorar ou rezar diante do trono do altíssimo, não, ela estava ali, junto a eles, fazendo o seu futuro tornar-se realidade.
A linha do horizonte tornou-se escura, eram os soldados Volturi e, dentre eles, muitos riram ao ver adiante a mulher que empunhava a espada e a armadura. Felix acenou com a mão, a pedir silencio e ergueu a um lenço branco. Ele seguiu até um ponto neutro sem perder de suas vistas a figura dela que vinha ao seu encontro. Ele procurou por Edward e teve a certeza de que os rumores sobre a morte do rei se confirmaram.
-Então que nos encontramos novamente, cigana!
Os dentes alvíssimos de Isabella cintilaram assim que ela abriu aos seus lábios para falar.
-Rainha!
-Sim, que ouvi sobre teu casamento mal engendrado! Aproveite para aceitar aos meus pêsames!
-Use-os para ti e teus homens!
Felix curvou sua cabeça para o lado e sorriu de um jeito zombeteiro.
-Você é muito bonita “rainha”, mas não é inteligente! Escute, entregue tuas armas e teus homens e serei benevolente com as mulheres, velhos e crianças de teu reino.
Isabella ergueu ao seu queixo e proferiu de forma firme.
-E eu, rainha Isabella Cullen, lhe digo para bater em retirada com teus homens, pois que não terei misericórdia de ninguém que se orgulhe vir da nação Volturi. Utilize um pouco da sabedoria de teu pai e salve aos teus soldados, permita que eles voltem para suas mulheres e criem seus filhos. Mas, se assim mesmo persistir, saiba que cairemos sobre tuas cabeças feito a um enxame de abelhas e, que não haverá consolo neste mundo para aqueles que sobrarem em teu reino.
Continua...
Notas finais
Se não estiverem muito brabas comigo, por favor me mandem reviews!
Bjus!
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