Cidade Sitiada

4 Capítulo 03: Quando não se sabe o que fazer...


Notas iniciais
Finalmente as coisas começam, eu disse começam, a se aclarar.

Cinco dias haviam se passado desde o depoimento de Bella e Edward e finalmente o mandado de busca havia feito a dona do posto, que se apresentou como Lucía Bernet, entregar as fitas das câmeras de segurança, ainda que ela avisasse que eles provavelmente não fossem gostar do resultado do acontecido.


E realmente, o resultado da “sessão de cinema” investigativa não havia sido nada bom: pelo menos 90% dos policiais do departamento, incluindo Maruja, quase vomitaram o que haviam comido, pois o horror diante daquele massacre ao vivo e a cores era demais para ser descrito com somente palavras.


- Gracias a Dios que la pareja Cullen no estuve aquí para mirar eso – disse o delegado Porcel sentindo a bile subindo pela garganta.


- No me hable de eso, comisionado. Edward tenía razón cuando habló de que no iríamos querer mirar esto – disse o detetive Molina asustadoramente pálido.


- Dios mío, que mierda fue esta? – perguntou Lisandro enquanto os outros detetives se entreolhavam sentindo seus estômagos revirados.


José Armando Molina, cujo “apodo” era Pierry, olhou o amigo Lisandro pelo canto do olho como se dissesse que eles precisavam conversar sobre aquilo, pois eles haviam acabado de entender o que realmente estava acontecendo e somente Edward poderia ajudá-los a resolver aquilo sem que mais sangue fosse derramado desnecessariamente. O problema era se Cullen aceitaria, pois os policiais sabiam que ele e a esposa só ficariam uma semana em Buenos Aires e a mesma já havia acabado. Agora, dependia da sorte e eles não sabiam de que lado estava ela.


Enquanto Molina e Lisandro torciam para que os dados do destino rolassem a favor deles, Edward, na casa de Maruja, tentava arrumar as malas, porém, lhe faltava a coragem necessária para ir embora, pois os silvos de dor e agonia de Rucci ainda ecoavam em seus ouvidos e tantas outras vozes mortas imploravam por ajuda para descansarem eternamente.


- Edward, meu amor, faça o que a sua consciência mandar. Não me importa que tenhamos que ficar mais tempo. Estarei ao seu lado na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, até que a morte nos separe – Bella sorria emocionadamente para o marido.


- Eu tenho medo, muito medo. Como acha que posso encarar meu dom sem me sentir o mais estranho dos homens? Realmente tenho que fazer isso? – Edward sentia seu peito apertado.


- Como eu disse, depende da sua consciência. Eu também sinto muito medo, mas seja lá o que for que esteja acontecendo, temer e fugir não vai nos ajudar em nada. Lembra-se do que prometemos um ao outro quando começamos a namorar mesmo com a contrariedade do meu pai? – Bella olhava nos verdes olhos do amado.


- Que nem a mais forte das devastações derrubaria o nosso amor e nem um milhão de anos o desfaria – respondeu Edward, olhando nos lindos olhos chocolate, segurando as mãos da amada esposa, amante e amiga e dizendo, na ausência de palavras, que eles ficariam em Buenos Aires e fariam o que fosse preciso, mesmo que o resultado fosse incerto.


O romântico momento foi interrompido pela chegada de Maruja com um estranho pacote que a mesma encontrara na caixa do correio:


- Isso está endereçado a você, Edward. Mas eu não sei quem te mandaria um presente sem remetente. Pelo jeito é algum objeto de porte médio a pequeno, considerando que isso aqui tem cara de caixa.


O casal se olhou e Edward logo se levantou para pegar o pacote, quando a policial disse, sentindo-se triste por vê-los ir e ao mesmo tempo feliz porque eles não precisavam mais estar ali:


– Vão continuar a lua de mel onde agora? Imagino que vocês devem ter alguns muitos lugares para visitar.


- Eu não posso ir ainda, Maruja. Tenho um dever para com os mortos que não descansaram em paz. Um deles causou o massacre do posto tomado por uma força diabólica desconhecida. Se eu não fizer alguma coisa, só Deus sabe quantas pessoas inocentes ainda podem ser vitimadas – respondeu Edward sem se importar se a oficial o chamaria de louco, porém ela só o olhava, analisando-o.


- Pelo jeito você não acredita nisso, não é? – perguntou Bella tentando compreender a reação da argentina.


- Na verdade... acredito sim. Minha madrinha é paranormal também. Eu passei a acreditar quando ela conseguiu trazer meu pai, em espírito, para... – ela se emocionava ao falar: — Que ele pudesse me dar os parabéns pelos meus quinze anos. Não quis crer no começo, mas quando minha madrinha pegou minha mão e pude ouvi-lo cantar a minha canção favorita, “Frente al mar”, da Susy Leiva, eu soube que era ele. Eu chorei muito nesse dia e sei que apesar de distância que nos separa, ele está comigo, me protegendo.


O casal abraçou Maruja, emocionado, e os dois disseram que mesmo após a morte, os que realmente amavam seus entes queridos jamais realmente os abandonavam.


Entretanto, Edward precisava saber o que havia no pacote e Maruja queria entender de fato o que o amigo dissera sobre um espírito assassino e assim aconteceu: ao abrir o pacote, Cullen encontrou um medalhão com uma grande e brilhante pedra escarlate incrustada ao que Bella e a policial se perguntaram o que era aquilo. Foi quando ele encontrou um bilhete:



“Señor Cullen...


Yo sé que tienes una capacidad especial e te envié esta joya para que pueda usarla e así no que te quedares débil después de contactar algunos espíritus que necesitan de ayuda para libertarse de este mundo e irse al otro. Tengas mucho cuidado, pues habrá amenazas a tu vida por lo que puedes hacer. Como supe de eso? No me cuestiones por ahora, en la hora cierta tú sabrás quién soy. Te protegeré de todos los peligros. Continúa a ser el hombre bueno e honrado que eres. Esta joya se llama “Rubí Escarlata” e es capaz de absorber la energía que los espíritus liberan e que causan la debilidad de los paranormales en algunos casos. En otros no vas a sentir más que un viento helado.


También, ella es capaz de hacer un vampiro andar por el día sin quedarse afectado por los rayos del sol, pues su lapidación, hecha por peritos especializados, hace con que la estructura pueda absorber la luz solar o la energía de los espíritus, pero tanto en este como en el otro caso, la piedra tiene que ser resfriada para hacer efecto siempre. No sé se crees en eso, pero, estoy diciéndolo porque puedes quedarse delante a un de ellos e ni siempre son amistosos.


Con consideración, L.


PS: Cuidas bien de Isabella, pues pueden amenazarla también.”


- Mas o que…? Quem será que sabe disso?! – Maruja se perguntava espantada ao passo que Edward sentia um arrepio correndo seu corpo todo e Bella se agarrava instintivamente ao marido.


- Nunca pensei que essa lenda fosse real! – exclamou Cullen.


- Me lembro de quando Carlisle falava sobre a provável existência do que muitos consideram a pedra preciosa mais rara do mundo! E olha que oficialmente quem leva o título é o amolite – disse Isabella com espanto.


- Ouvi falar uma vez, por um amigo joalheiro da minha madrinha, que a lenda do Rubi Escarlate dizia que só um grama dele vale em dinheiro o equivalente a 10 quilos de diamante – a policial parecia não crer na própria visão.


- Seja quem for que me mandou essa pedra, fez isso na hora certa, pois sinto que o que vamos enfrentar vai ser muito mais do que possamos aguentar, porém, não podemos... – dizia Edward quando Bella o interrompeu: — Não era essa a pedra que estava no anel daquele Leopoldo na festa da senhora Sosa?


A pergunta sem aviso de Bella fez com que ela, seu marido e sua agora amiga, de repente, se dessem conta de uma verdade que o tempo todo, durante aquela festa, estava diante deles.


- Não pode ser – a jovem disse em pensamento e de repente, se lembrou do incômodo pesadelo que a afligira dias atrás e engoliu em seco ao perceber outra verdade mais terrível ainda.



– Edward, como assim um espírito assassinou aqueles vinte homens no posto de gasolina? – perguntou a oficial de polícia na tentativa de afastar o impacto que a descoberta fizera neles.


— Imagino que você tenha visto o meu depoimento depois, sim? – disse Edward ao que Maruja confirmou.


Assim, Cullen explicou que o espírito, em razão de seu desespero pelo descanso eterno, apareceu a ele para contar que estava sendo manipulado por uma diabólica e desconhecida força que ele não sabia de onde vinha e Edward disse que sabia pelo menos duas coisas sobre isso: o espírito era movido a sentimentos extremamente ruins e sua aparência se alternava entre a original e o macabro manequim, o mesmo acontecendo com a voz, que ora era normal ora demoníaca.


— Mas como é possível alguém manipular espíritos para que eles causem terror? – perguntou Maruja.


— É isso que eu preciso descobrir. Se descobrirmos e destruirmos a fonte ou o que for que seja o responsável por isso, vamos libertar esses espíritos desse jugo terrível – disse Cullen apreensivo.


— Primeiramente, nós temos que descobrir quem mandou essa joia a você, afinal, esse alguém pode saber mais sobre o que está acontecendo e provavelmente quer nos ajudar. Só que, parando e pensando um pouco, se essa pessoa enviou esse presente ao Edward, mas não se revelou é porque prefere se manter escondida, mas não entendo a razão. Até onde sei, quem não deve não teme – Maruja pensava sobre aquilo, porém, nenhuma resposta vinha.


— O bilhete diz que essa pedra pode ajudar vampiros a andarem pelo dia sem serem afetados. Então, se esse presente é de remetente anônimo, é porque foi um deles que nos enviou e advinha quem é o único... vampiro que conhecemos cuja inicial é L? – disse Edward retomando o assunto da perturbadora descoberta.


— Leopoldo – Maruja suspirou pesadamente e depois disse: — Isso é loucura.


— Eu acho que deveríamos procurá-lo e conversar com ele sobre isso. Ficar se escondendo não vai ser de muita ajuda. Se ele quer nos ajudar, que pelo menos tenha a coragem de se mostrar – disse Edward dando uma apertada na pedra escarlate, que fez com que ele visse uma série de imagens antigas e modernas com algo em comum: um rosto quase desconhecido deles, mas que já havia sido visto antes: — Maruja, você conhece uma pessoa chamada Lisandro de la Torre?


— Sim, ele era político e morreu em 1939. Por que? – a policial estranhava.


— Estranhamente, ele se parece com o seu colega da polícia que tem como parceiro o rapaz de óculos grandes, chamado Molina. Não faz sentido isso – Edward não conseguia compreender o que estava acontecendo com ele.


— Edward, o seu dom sofreu uma melhoria – disse a oficial com espanto e continuando: — Além de você poder falar com espíritos, você agora pode enxergar coisas que os outros não podem ver, imagens de passado e presente que pessoas comuns não notam. Ou seja, você pode saber quem uma pessoa é ou ver seus ancestrais somente observando isso. Só que o que exatamente esse Lisandro e o que eu conheço têm a ver um com o outro?


— Eu não sei dizer. Será que eles são parentes? – Cullen coçava uma têmpora.


— Não conheço nenhum parente desse político e também Lisandro de la Torre nunca se casou ou teve filhos até onde eu sei, mas... Quem sabe alguma mulher da vida de antigamente ou algo parecido pode ter gerado um filho dele e assim o Lisandro descenda dessa parte desconhecida, mas, de verdade, não tenho ideia – Maruja não sabia exatamente o que falar sobre aquilo.


Edward Cullen se via espantado com a inesperada evolução de sua capacidade paranormal e simplesmente não entendia o que aquela pedra preciosa escarlate e o detetive Lisandro tinham a ver. Eram perguntas demais para ele naquele momento, porém, decidiu ignorar isso por enquanto, pois precisava logo pôr um fim na horrenda situação que ocorria e qualquer ajuda serviria, mesmo que ele não soubesse quais eram as reais intenções de Leopoldo.


...


— Você conseguiu? – perguntou alguém para outro.


— Sim, a encomenda foi colocada como você disse, mas, por que você está fazendo isso? – perguntou o outro.


— Edward Cullen é um bom homem, ele merece nossa ajuda, mas, ele vai precisar mais ainda porque logo a vida dele vai começar a ser ameaçada. Você sabe como aquele monstro é cruel, não? Ele não vai pensar duas vezes em impedi-lo quando souber que aquele americano é o único que pode realmente fazer algo, pois os outros já não são mais capazes como antes. Entende isso? – dizia o alguém.


— Mas é claro que sim. Acha mesmo que vou permitir que aquela coisa consiga o que quer? – exclamou o outro.


— Eu sei, então chega de conversa e vamos continuar nosso trabalho. Esses cadáveres precisam estar prontos para serem entregues às famílias e de preferência precisam parecer apresentáveis – disse o alguém costurando um braço.


O alguém e o outro se olharam pensativos e torciam para que tudo desse certo.

...


Já era noite novamente na capital argentina e Edward parecia agora um pouco mais confiante depois de usar a boa e velha ferramenta chamada internet para pesquisar sobre o que estava acontecendo enquanto o rubi escarlate permanecia ao seu lado...


— Não tem muitas páginas sobre esse tipo de coisa, mas o pouco que encontrei já esclarece um bocado sobre o que estou enfrentando. Não será nem um pouco fácil, mas essa pedra vai facilitar, ao menos eu assim espero.


Edward descobrira, pela pesquisa, que o fato acontecido era uma antiga lenda chamada “As Expressões”, que consistia em criaturas criadas pela dor e desespero de quem morria em função de algo que realmente amava, por conta disso sentindo-se incompleto e querendo “joder con el destino”, como dizia uma página que ele acessara. As “Expressões” podem, se surgirem, ser manipuladas por um amuleto maligno criado através de feitiçaria negra usando sangue de uma pessoa de coração puro, preferencialmente de uma criança, que segundo os ditos populares proibidos às bocas de bom grado, possuía potencialmente o poder de prender os espíritos sem paz a uma parte do mundo material e pó de acônito, que envenenava o espírito contra o mundo apodrecido e em decadência. Também elas podiam andar livremente pelo mundo sem controle a não ser que alguém as envie para o plano espiritual.


A aparência dos seres consistia exatamente no que Bella conseguira ver e lhe descrevera e seus atos costumavam ultrapassar o limite do horrível, as mãos finas e brancas sendo capazes de despedaçar qualquer criatura que estivesse ao alcance se eles estivessem extremamente furiosos, o que acontecia com certa frequência dependendo de quantas coisas ruins eles vissem no mundo onde permaneciam presos.


— Mas quem seria capaz de fazer tal monstruosidade e por que? Isso não pode fazer sentido!


— Pode sim, Edward.


— Quem está aí? – o jovem tremia ao perceber que alguém tinha entrado no quarto: — Eu deveria ter fechado a janela e ligado o ar!


— Sou eu, L. Não tenha medo – disse a pessoa, cuja voz era evidentemente disfarçada por uma cobertura eletrônica, que depois continuou: — E, por favor, não acenda a luz.


— O que você quer? Por que me ajuda? – Edward não sabia o que fazer, pois não tinha uma arma e provavelmente ela não causaria um arranhão sequer.


— A única coisa que desejo é que esse país e o resto do mundo não caiam em mãos erradas. E só você pode realmente fazer algo, embora nós noturnos estejamos fazendo, mas, efetivamente, somente você é plenamente capaz. Mas não irá demorar muito para que o culpado disso tudo saiba quem você é e atente contra sua vida, porém, tentarei ao máximo não permitir isso – disse L cuja expressão ou rosto não podiam ser vistos, mas sua voz mostrava determinação.


— Essa pedra faz o que além de conter a energia dos espíritos e permitir que vampiros andem de dia? – perguntou Cullen.


— Ela o torna mais resistente caso você contate um espírito com energia intensa. E evita que algum deles queira entrar no seu corpo. E isso acontece com mais frequência do que você imagina – L parecia observar atentamente Edward.


— L é a inicial do seu nome ou um pseudônimo? Ainda, é verdade que existe um amuleto capaz de controlar esses espíritos? – Edward estava curioso.


Cullen recebeu a resposta de que L era somente um pseudônimo para que ele escondesse sua identidade e assim pudesse permanecer oculto nas sombras, podendo investigar casos impossíveis sem correr riscos e que caso o americano estivesse pensando que ele era Belmondo, estava enganado, embora o vampiro também estivesse ajudando naquela horrível situação. Ainda, o oculto respondera que quem estava planejando isso tinha pelo menos uma dúzia desses amuletos e que eles precisavam ser destruídos para interromper o plano, mas que ainda não sabia a localização dos mesmos. E Edward se perguntava quem realmente era L enquanto dizia:


– Obrigado, seja quem você for. E boa sorte, L.


Após despedir-se, o misterioso ser fora embora, deixando Edward um tanto aliviado, mas ainda sim apreensivo, pois agora sabia que havia alguém muito perverso por trás do que ocorria e que essa pessoa, se é que podia ser considerada como tal, estava disposta a tudo para que seu plano, fosse qual fosse, desse certo.


— Eu vou descobrir qual é o seu plano, criatura maligna. Não permitirei seu sucesso nem que eu morra tentando! Desistir não está nos meus planos!


Desistência realmente não estava nos planos de Edward, entretanto, ele não sabia qual seria o preço de sua vontade de lutar.

Notas finais
Ainda terá mais pra acontecer, rsrsrsrs!