Cidade Dos Corvos
7 Cidade Dos Corvos: Capítulo Sete: Preciso que você fique calmo.
CAPÍTULO SETE:
Ferro Velho:
– Três guerras, nenhum soldado morreu, mas quando acabou e eles voltaram para casa, acontece algo com cinco crianças da cidade. Explique isso. – Falou Mykaella para mim.
– Se você estiver certa, não deveríamos estar mortos junto com Ellen? – Perguntei.
– Acho que sim. – Falou ela.
– Você está viva, não fique tão desapontada. – Falei.
– Talvez todos deveríamos morrer, mas não morremos.
– Mas por que não?
– Talvez o universo tenha deixado passar. Às vezes você recebe uma pizza errada, não acha que o universo pisa na bola de vez em quando?
– Acho que estou vendo seu carro. – Falei apontando.
– É ela. Pobre Rhoda.
– Rhoda?
– Rhoda, a guerreira da estrada. O que? Você não da nomes aos seus carros?
– Não. Gosto de manter uma relação só de negócios. – Falei indo em direção ao carro. Ao chegar perto eu noto uma coisa. – Sem chance de abrir as portas. Vou procurar algo para quebrar o para brisas. – Falei isso e Mykaella fez uma cara de espanto pra mim. – Relaxa. Ela não sentirá dor. – Falei saindo e Mykaella vai até a janela que estava aberta e põe metade do corpo pra dentro tentando pegar a bolsa no banco de trás, mas alguma coisa ligou o rádio e apertou o botão de subir o vidro.
– Socorro! – Ela começou a gritar. – Dyêgo! – Chamava ela, mas eu não conseguia ouvir e a mesma força superior que ligou o rádio e apertou o botão abriu a porta do outro carro liberando o cachorro. Eu consigo achar um martelo e imediatamente eu a ouço me chamando e corro até ela.
– Feche os olhos. – Falei pra ela e depois dou uma martelada no vidro o quebrando. Ela consegue pegar a bolsa e sai. – Peguei você. – Antes que pudéssemos nos mexer vemos o cachorro correndo em nossa direção. Nós começamos a correr até a grade e eu comecei a subir nela, mas Mykaella tropeça e cai e eu volto para ajuda-la. – Mykaella! – Gritei.
– Afaste-se! – Gritou Heleno surgindo do nada. Ele enrola seu casaco no braço e para na frente do cão o fazendo morder seu braço protegido. – Vão! – Gritou ele e eu ajudo Mykaella a pular a grade e depois pulo. Depois Heleno corre e pula também.
– Obrigado. – Falei estendendo a mão para Heleno, mas ele me da um soco no rosto.
– Heleno! – Gritou Mykaella.
– Está tentando matar minha namorada também?! – Perguntou Heleno gritando e pegando a bolsa da mão de Mykaella. – Aqui. É o que você quer? Toma. – Ele me entrega. – Vamos. – Falou ele saindo com Mykaella.
– Não devia falar da amiga dele. A culpa não é... – Falou Mykaella, mas Heleno a interrompe.
– Você esteve com ele duas vezes e quase morreu. Não quero correr mais nenhum risco, beleza? – Ele coloca Mykaella dentro do carro e vai embora.
Escola.
– Vivi, junto com a mensagem estava uma foto de você beijando ele. – Falou Eduarda andando.
– Aquilo foi um erro. – Falou Vivi
– Beijá-lo ou ter colocado uma foto no celular?
– Se não estivesse no celular, você não veria.
– E mesmo assim você o beijaria. O Rafael me odeia. Odeia toda minha família.
– Eu já gostava dele antes dele começar a te odiar. E ainda gosto certo? Ele não é o Dillon, mas é um grande 8.
– Você só se importa com isso? – Perguntou Eduarda. – A posição dele na pirâmide dos namorados?
– Não seja egoísta, Duda. Consegui a coroa para você, deixe-me usufruir também.
Eduarda fica calada, mas logo fala.
– Heleno estava certo.
– Sobre oque?
– Aqui... – Falou ela tirando a coroa e entregando a Vivi. – Fica melhor em você. – Eduarda falou isso e saiu deixando Vivi sozinha.
Residência dos Collins.
Eu estava lá em baixo na funerária olhando um vestido branco o qual Ellen usaria para ser velada e enterrada, o vestido era lindo, eu ainda não acredito que ela se foi. Fiquei olhando por mais um instante até que a porta se abriu e o Sr. Raymond entrou.
– O que está fazendo aqui? – Perguntou ele para mim.
– É uma boa pergunta. – Respondi.
– Não pode ficar rondando por aqui. Esse é um lugar de negócios. Com produtos químicos perigosos envolvidos no processo. – Falou ele pra mim.
– Percebi isso. – Falei vendo uma garrafa de uísque e um copo, ele pega ambos e guarda. – Quando será o funeral?
– Depois de amanhã. Eu queria dar uma chance para a família adotiva dela para mudar o pensamento sobre vir.
– Acha que eles virão?
– Não.
Olhei pro vestido mais uma vez e fiz um sinal negativo com a cabeça.
– Você pode ficar no quarto de hóspedes. Até o funeral. Se você quiser.
– Eu quero. Obrigado. – Eu ia saindo, mas parei e virei-me pra ele. – Sinto muito pela sua perda. – Falei.
– Obrigado. – Ele falou.
Residência dos Beaumonts.
Sonho de Mykaella.
Mykaella! – Sua mãe gritou enquanto um carro vinha em sua direção. – Mykaella! – Ela gritou novamente e o carro para bem em frente a ela. Sua mãe e seu pai correram até ela. – Meu Deus Mykaella. – Falou a mãe abraçando-a.
– Mãe? – Mykaella a abraçou de volta percebendo que estava sonambulando.
– Você está bem. Estava sonambula de novo. Meu Deus. – Falou sua mãe entrando com ela.
Residência dos Mathersons.
A Sra. Emma Matherson lia uma carta quando Eduarda entra em casa.
– Você está linda. – Falou Emma para Eduarda.
– A rainha estava tirando uma foto. – Falou Eduarda.
– Gostaria que seu pai pudesse vê-la. – Falou Emma.
– Eu também. – Falou Eduarda. – Mãe. Você e o papai vão se divorciar?
– Quem te disse isso?
– É verdade?
– Não vou mentir, estamos tendo problemas. Mas, Eduarda, nós nos amamos.
– Tem outra pessoa?
– O que te faz pensar...
– Tem outra pessoa?
– Você devia dormir, está tarde. – Falou Emma virando-se.
Residência dos Collins.
Eu estava no quarto olhando os pertences de Ellen que a polícia tinha devolvido até que achei a carta da sua mãe. A carta também dizia.
O mundo pode ser assustador e você precisa tomar cuidado, mas não quero que tenha medo. Você gostará de algumas coisas quando chegar, como a chuva, as maçãs. Venha logo Ellen, para eu amá-la ainda mais.
–Sua Mãe.
– Preciso que você fique bem, mas bem calmo. – Olhei para o lado e era Ellen falando comigo, eu me assustei e sai de perto dela. – Não, não, não, tá tudo bem, tudo bem. – Ela falava pra mim. – Funcionou.
– O que funcionou?! – Perguntei gritando assustado.
– Te ouvi lendo a carta. A carta da minha mãe. Eu segui sua voz. Estava difícil, então ficou fácil.
– Os policiais sabem? E o seu tio? – Perguntei.
– Que você voltou. – Falei.
– Dyêgo... Eu não voltei. Eu estou morta.
– O quê? Isso é loucura.
– Eu era um pouco ateia antes disso tudo, então imagine como eu me senti.
– O que está tentando me dizer?
– Eu morri na água. Mais especificamente na ambulância, mas...
– Não, estavam cuidando de você no hospital.
– Já estava longe nessa hora.
– Como?
– Talvez seja essa casa. É como se pudéssemos ir e vir aqui.
– Ellen, se você está morta, por que ainda está aqui?
– Eu não sei.
– Desculpa.
– Pelo quê?
– Não pude salva-la.
– Você tentou. Muito obrigada. – Falou ela começando a chorar. – Dyêgo, posso ficar aqui com você? Eu estou presa. Toda vez que tento ir a algum lugar sempre acabo de volta nessa casa e... É assustador lá fora. Eu ouço e vejo coisas, acho que tem alguém lá fora comigo.
– Claro que pode ficar aqui.
– Obrigada.
– Qual é a sensação?
– De frio. Como... Se estivesse nadando no oceano, e você entra numa frente fria. É como uma parede. Tento tocar as coisas, mas não consigo. O frio é entre todo o resto e eu.
– Tive um sonho com você.
– Não foi um sonho. Talvez não existam sonhos. Talvez sejam só pessoas como eu. Tentando voltar.
– Quando me mostrou aquilo na ponte... O que era aquilo?
– Eu não sei. Mas é real. E acho que está esperando há um bom tempo.
– Esperando pelo oque?
– Todos nós.
Fale com o autor