Cidade De Heróis

1 Pedras não explodem


Notas iniciais
Sinopse é bem fraca, considerando o que está por vir!

Saio de casa apressado, tentando correr para não perder a escola. Não pego o ônibus. Não dessa vez. Meu ritual é não mostrar para as pessoas que eu existo, até que nós estejamos na escola, onde mal serei percebido, afinal, todo mundo tem seus próprios problemas lá dentro.

Estou tentando apenas não me comunicar. Já tenho a cota de amigos que preciso, e essa cota é apenas Leyland.

Leyland é um garoto normal, mais para adolescente do que garoto, que todo dia tem que arrumar uma desculpa para encobrir a detenção.

Tá, eu exagerei. Não é todo dia. Mas hoje deve ser.

Chego na frente da escola. Sinto os últimos milésimos em que estou subindo o degrau transformarem nos segundos em que se passa o sino da escola. O barulho nunca foi agradável.

–Ei cara! Você tá atrasado pra merda!-diz Leyland, me vendo chegar.- Faltam cinco minutos pra gente não ter que cobrir a detenção!

E dizendo isso, num passe de mágica, ele esbarra no zelador, que curiosamente estava carregando tinta da sala de arte do andar superior. A tinta voa nos ares, e eu fico olhando e dando passos para trás, evitando a tinta que vai cair no...

Nos dois! Os dois ficam ensopados de tantas cores que parece uma parada gay. Eu estou evitando rir, mas esses casos não acontecem sempre.

Mas na maioria das vezes, o Leyland tem sorte, sim. Só que primeiros dias de aula tem seus rituais. O meu é perder o ônibus (e uma outra coisa, mas é depois da aula). O Leyland é detenção da pior maneira possível.

–Tudo bem, Zelador?-tento ser gentil.

–Depois eu é que sou cego!-ele resmunga.

Leyland se desculpa, recebe a detenção, e depois olha pasmo para o relógio.

–A gente vai se atrasar! Corre, merda!-ele corre.

Não tem jeito. Corro atrás dele, olhando os meus horários. Eles estão ensopados de tinta, mas eu ainda consigo ler. O primeiro horário é Arte. Talvez não seja tão ruim. Mas estou tentando encaixar Leyland vindo como um pote de tinta para a aula.

Esse dia pode ser bom.

–Professor?-eu pergunto. -Qual vai ser o exercício de hoje?

–Valeu por perguntar, Steggerson!-o sr. Harper diz. -Hoje nós teremos Basquete. É bem simples: Usa a mão, fique quicando, se segurar, pode arremessar na cesta ou em uma pessoa, ou pode passar para um pessoa. Se pular, tem que fazer a mesma coisa, só que no ar. Não pode sair da linha, nem encostar uma pessoa na outra, entendido, Ethan?

Ethan concorda.

–O resto eu digo durante o jogo!-ele grita. -Vamos! Pro meio! Quem vai pular?

Corro até o meio, e a outra pessoa do meu tamanho é Ethan. Ethan faz basquete comigo. Não sei dizer, mas nós temos uma certa rivalidade nos jogos, mas quem é considerado o melhor sempre vai ser Ethan, porque ele já é bem popular pelas festas que vive dando. Nunca fui em uma dessas.

A noite tenho coisas mais radicais pra fazer.

O resto do dia é aula e eu me despedindo do Leyland, afinal, ele tem detenção. E eu tenho outras coisas para fazer.

Sem carro novamente, eu vou até a casa do Edward a pé. Edward não é basicamente um amigo, mas nós nos ajudamos. E é hoje.

–Que lugar vamos atacar?-Zack, o cocapitão nas nossas operações pergunta. -Nada muito perto, né?

–Você sabe que nós sempre vamos andando. -Edward diz. -Hoje vai ser o Químicas Avançadas. O dono guarda um bom dinheiro lá.

–Químicas Avançadas? Isso não é só sobre o dinheiro, é, Edward?-eu o desafio.

–Pois é, Ed. Além de lá ser protegido 24h, não tem jeito de você conseguir essa informação sobre o dono dessa empresa.

–Não importa! Alguém quer algo de lá, e nós vamos conseguir.

–Não vai me dizer o que é, né?-eu pergunto, olhando para o mapa sobre a mesa.

–Não.- ele diz. -Essa parte fica comigo.

Nós chegamos perto e mais perto da empresa. Estamos ansiosos. Sendo cinco pessoas no total, talvez tenhamos chance. Mas ninguém diz uma palavra.

Estou armado de uma faca. Nunca precisei de coisas muito espalhafatosas, com um AK-47. Eu me viro bem até com uma faca de cozinha.

Mas o resto das pessoas carregam uma pistola. Edward, por mais incrível que pareça, carrega uma desert eagle. Ele mal usa, porque deve ser um dos únicos na nossa cidade que possui uma, então um tiro e ele já seria um dos suspeitos.

Chegamos na fábrica. Ela é meio escura e afastada da cidade, por isso viemos pela floresta que se abrange ao lado da cidade. A fábrica já tem três pessoas na entrada e duas no teto, observando.

Edward sussurra:-Jack cuida nos do teto, enquanto o resto parte pros três e entra na fábrica. Em 3, 2 , 1!

Corremos para a fábrica, vindo do lado direito da entrada, onde não tem cidade nem luz. Eu escalo facilmente os canos da fábrica, indo pra cima a cada um. Não olho para baixo, concentrado nos dois homens em cima.

Ataco correndo, um chute brutal nas costelas de um, e o outro parte para cima de mim, mas eu me esquivo, e dou uma cotovelada no pescoço, desacordando-o.

O outro não tem forças que restaram, então eu só dou um chute na parte de cima da sua cabeça enquanto ele tenta levantar, e bate a cabeça fortemente no chão.

Há um alçapão de metal na parte de cima. Eu o abro, e desço diretamente no encontro de outro guarda, que ataco com um soco. O seu grito é muito feminino.

Não tenho problema com mulheres de vigia, mas não se encontra sempre.

Ela ainda está acordada, e ela deve saber jiu-jitsu, porque mal consigo socá-la. Cada movimento dela é preciso: necessito me esquivar de cada golpe, e evitar as milhares de caixas que são mantidas em baixo.

Tento um movimento com a perna, mas a garota agarra a perna no meio do chute e puxa para si, me desequilibrando e me fazendo cair.

–Não teve muita sorte, dessa vez, não é, bandidinho?-ela me provoca.

Mas Edward chega por trás, e antes que ela perceba, joga ela pra fora.

Nós corremos juntos, atravessando as passarelas de caixas que devem estar cheias de coisas desconhecidas. Eu pergunto para Edward:

–Achou o que procurava?

–Não.- Ele responde.

–E o dinheiro?- pergunto novamente.

–Zack e Christian foram procurar!

–Ainda falta o Flint!

–Não sei onde ele está!- justifica-se Edward.

Não paramos de correr. Edward me diz para nos separarmos para procurar a sua caixa, que diferente das outras, é de metal. O metal é escuro, a caixa é pequena, talvez magnetizada. Então me viro e corro para outro caminho.

Esse caminho contém uma porta preta. Quebro ela com um golpe, quebrando a tranca. Entro silenciosamente, e as luzes ligam de modo automático.

Uma coisa aguarda no centro: a caixa preta.

Abro-a, e pego o tecido nylon que esconde o que está dentro. Curioso, me pergunto o que é.

É uma pedra roxa, que brilha sozinha. Ou deve ser a luz.

–Pare o que você está fazendo agora ou eu atiro!-uma voz feminina diz.

É a guarda. Agora, na luz, consigo vê-la melhor: ela tem olhos azuis e um cabelo moreno e longo.

Me viro brutalmente para desacordá-la, mas ela atira, e a bala atinge a pedra.

E a pedra brilha. A luz explode.

Notas finais
Bem, esse capítulo foi grande.