Cidade Da Vida
2 II
Notas iniciais
Nosso mundo está morrendo. Toda vida... tudo se foi... Nosso mundo altamente desenvolvido em sua tecnologia não obteve sucesso na renovação de suas fontes naturais. E como se não bastasse, nossas próprias criações se rebelaram contra nós.
Em busca de novos patamares científicos, nós criamos os Cyborgs.
Foram muitos experimentos e tentativas. Após incontáveis anos, surgiu o primeiro Cyborg. O fizemos com uma super inteligência e com capacidades morfológicas de sua aparência idênticas ao de um humano normal. Ele seria o começo de uma tecnologia... A nova revolução mundial aconteceria. Nossa maior invenção depois da NAVE KARTTER, uma nave gigantesca com capacidade de viagem interdimensional, mas algo deu errado...
O Projeto HHM-8960, o primeiro Cyborg... se rebelou.
À disposição de muita inteligência, encontrou um modo de auto-controle, fugindo do laboratório, levando consigo uma grande quantidade de equipamentos e arquivos sobre os projetos de Cyborgs anteriores.
O plano para a aniquilação da nossa raça começou, sendo liderada por este primeiro Cyborg, o HHM-8960, que ao escapar de nosso laboratório construiu uma base secreta para si.
Dentro de sua fortaleza, construiu a primeira raça de robôs combatentes, os RC-V.1, que seria sua frota para guerrear contra nós.
– HHM-8960 era muito inteligente. Ele armou vários planos estratégicos para destruir nossas principais cidades e os pontos mais importantes do mundo, adquirindo suprimentos de energia e acumulando poder de batalha cada vez maiores.
Nosso mundo estava em ruínas... A escuridão emanava da fortaleza do Cyborg.
As poucas cidades que restaram pelo mundo resistiam às invasões dos robôs pelas suas barreiras tecnológicas.
Nossos poucos momentos de paz após essa incessante guerra eram interrompidos pelo barulho nas cavernas. As 'Fábricas De Robôs' funcionavam dia e noite, centenas deles fabricados diariamente. Era possível ver nuvens de ferrugem que vagavam por nosso mundo sem destino.
Nossas tropas de combate não podiam mais guerrear contra os robôs... não haviam esperanças. Nosso mundo estava perto da destruição... A Era Dos Humanos estava chegando ao fim.
A felicidade e esperança sumiu dos olhos dos cidadãos. Os soldados e os sobreviventes estavam exaustos, cansados de batalhas, apenas esperavam a chegada da morte.
Até que uma mensagem fora transferida globalmente. Os humanos ainda tinham uma chance de salvação: a nave Kartter. Ela estava sendo programada para uma viagem ao espaço, sem destino algum. Essa viagem poderia ser a salvação ou o caminho certo para a morte.
A nave estabeleceu um ponto de embarque na cidade principal. Ela permaneceria de portas abertas por 10 minutos; todos os habitantes deveriam entrar na nave, mas nem todos conseguiram...
Os robôs perceberam a importância da nave, fazendo com que tivessem de formar um Grupo De Batalha para a proteção da mesma, impedindo-os de destruí-la... mas era tarde demais até mesmo para os robôs fazerem algo contra ela. O mundo já sofria há muito com a escassez dos recursos naturais e constantes ataques com armas nucleares. O mundo estava ruindo.
Sobreviventes de outras cidades tentavam chegar à nave Kartter, mas os robôs já haviam cercado quaisquer possíveis locais de fuga para lá.
Todo o mundo estava em caos. Em apenas um só lugar havia desespero, confusão, pânico, medo, dor... Os robôs aumentavam a sensação de insegurança enquanto tentavam penetrar as defesas da cidade. Alguns haviam conseguido penetrar as barreiras, todos indo em direção à apenas um lugar: a Nave Kartter.
As mães desesperadas tentavam salvar suas crianças apavoradas... era uma visão tormentante.
Corpos mutilados por todos os lugares, jogados como lixo, ainda mais acumulados perto da nave.
Enfim todos entravam na nave; as suas salvações, sua única fonte de esperança depois de tanto desespero, mas em meio a tudo isso, um invasor disfarçado passara despercebido ao olhar de todos.
Ao ouvirem os barulhos de motor da nave houve paz no coração de quem havia conseguido embarcar; desespero para os que ainda não haviam chegado. A nave estava distanciando-se do solo, ganhando mais e mais altitude e potência. Os passageiros fitavam os restos de seu mundo pelas janelas da nave, os rostos mais que espantados. Os restos de seu mundo não eram nada mais do que um solo negro. A sensação de fim se instalava no coração de cada uma das pessoas ao ver aquela última imagem...
Ao se afastarem mais, o bastante para não conseguir distinguir mais nada, o mundo fora envolto em uma luz resplandescente, que surgira do centro do planeta, e então...
– O mundo explodiu — o velho senhor acabou a história. O rosto sereno camuflando a tristeza existente em seus olhos astutos e vividos.
– Agora vocês devem ir. Já está tarde e andar a essa hora pela rua é perigoso — alarmou o senhor.
– Ahhh... — as crianças protestaram, um coro perfeito formado.
– Conta mais — pediu um garoto, seus olhinhos brilhando em expectativa.
– Nem pensar, crianças. Deixem o senhor trabalhar — disse a mãe de alguma das crianças. — Amanhã, se ele puder, ele com certeza terá prazer em contar mais estórias à todos vocês.
– É sério? — pergunta outro. Os olhos brilhavam com a expectativa de ouvir mais sobre nosso antigo mundo.
– Claro, claro. Eu contarei com muito prazer, crianças — o velho sorriu. — Mas agora vocês têm que ir.
Quando as outras crianças se foram, eu me aproximei.
– Como foi a coleta hoje? — perguntou alegremente.
– Não foi boa — grunhi em resposta. — Tinha muita gente atrás daqueles coelhos idiotas. Eu quase não consegui pegar suas peles hoje.
– Você sabe que isso não tem problema, certo?
– Eu não sei de nada disso — respondi. — Se continuar assim nunca vou conseguir minha própria casa e terei de continuar aqui.
– Ora! Minha companhia é assim tão ruim? — perguntou, brincalhão.
– Sabe que não quis dizer isso — murmurei fazendo beicinho.
– Sim — respondeu sorridente. — Me siga um instante, sim?
Abri a boca para protestar mas ele me interrompeu com um leve gesto negativo com a cabeça.
– Apenas venha.
Comecei a seguir o velho para fora da sua loja de poções.
Ele seguiu todo o caminho quieto, indo em direção de sua casa. Quando chegamos na frente dela, ele me segurou gentilmente nos ombros e virou-me para si, olhando nos meus olhos.
– Você acha que está pronta para morar sozinha? — perguntou seriamente.
Observei sua expressão sem entender muito bem a pergunta que ele me fazia, mas mesmo assim respondi com firmeza:
– Sim!
Ele me virou novamente, apontando para uma casa que ficava próxima à sua, e pegou minha mão, soltando uma chave nela.
– Então vá dar uma olhada na sua casa, criança — disse e sorriu, desfazendo o semblante sério.
Olhei seu rosto sorridente, minha expressão era de choque.
– Vá. É sua.
Virei-me e corri em direção à casa e destranquei a porta. Hesitei em entrar. As lembranças do tempo que eu passei com esse velho invadiam minha mente.
– O que houve? — perguntou logo atrás de mim.
– Só me recordando de algumas coisas. Imaginando uma casa sem conviver com você... — disse baixinho.
– Eu acho que você consegue viver sem a bagunça que eu faço na casa — riu. — Era o seu desejo, certo? Você não pode se importar com todos, Francys. Deve pensar em você também.
Suspirando, abri a porta e espiei dentro. Entrei e comecei a andar pela casa, identificando as salas, procurando meu quarto.
A casa não era muito grande. Era o suficiente para uma pessoa de 13 anos morar sozinha. Era perfeita para o começo da minha nova vida.
A casa tinha algumas coisas como um sofá, cama nos dois quartos, uma geladeira e um fogão. Bem, eu posso sobreviver com isso. O resto eu consigo depois.
Depois de algum tempo fui dormir, o outro dia seria longo como este foi.
~~~~~~~x~~~~~~~
Levantei da cama assim que o dia amanheceu. Era estranho acordar e não ver aquele velho me trazendo o café ou brigando comigo. Soltei uma leve risada. Fui em direção à janela. Já estava na hora da cidade entrar em "ação". Os ferreiros já estavam aquecendo os fornos para começarem mais um dia de forjas, guardas da cavalaria armada fazendo as primeiras rondas do dia, observei até as folhas das árvores caindo sobre o chão com um leve toque da brisa.
Eu precisava me arrumar... Virando-me, fui em direção à cama e peguei meu manto de pele de coelho e desci, saindo de casa para dar uma volta pela cidade antes de começar o meu "trabalho". Fui em direção à fonte principal da Cidade Da Vida e sentei em um banco, observando ao redor.
Vi algumas pessoas correndo para o lado do portão para sair da cidade. Levantei-me, indo na mesma direção, mas algo na parede me chamou a atenção. Andei calmamente até lá, lendo o anúncio.
Observei desnorteada o pequeno pedaço de papel e compreendi por que as pessoas corriam. Houve um equívoco. Eles não iam para o portão, iam para a arena. Virei e corri o mais rápido que conseguia em meio de todas as pessoas, avistando uma fila enorme ao longe. Indo para o final da fila suspirei. Como eu pudera esquecer que era hoje? As inscrições para o treinamento de aprendiz-guerreiro estava aberta. A faixa etária de inscrições dessa vez estava sendo para pessoas mais novas, dos 13 aos 16 anos, talvez por pular a admissão como aprendiz, tornando-o praticamente um guerreiro. Então era comum ver jovens mais fortes e mais velhos disputarem vagas.
– Hey! Francys! O que está fazendo aqui? — olhei para o lado, assustada. Meu primo gritara a poucos passos de distância de mim.
– Arqueirinho... — olhei para ele, a expressão pouco amigável. — Você deveria parar de fazer isso, você me assustou — disse com a voz falhando.
– Você vai participar dos testes?
– Sim. Já que esse ano a idade mínima é 13 anos eu decidi tentar, mas estou um pouco receosa — admiti.
– Você vai se dar bem! — disse com um sorriso gentil no rosto. — Venha! Saia dessa fila. Vou te levar direto lá para dentro.
Segui ele enquanto observava as pessoas na fila me fitarem com expressões furiosas. Sorri de canto, disfarçando parte da alegria em não precisar ficar ali.
Nós entramos na arena. As filas lá eram bem menores. Hmmm... Parece que eles realmente faziam um quiz sobre as classes, impedindo a passagem de alguém que não conhecia sobre o seu próprio futuro como membro de alguma daquelas corporações.
– Francys, venha — Arqueirinho me chamou já longe. — Se demorar demais todas as vagas serão preenchidas!
Isso bastou para me fazer correr atrás dele, alcançando-o quando chegou à mesa de inscrição para o primeiro teste.
Parei em frente ao instrutor que tinha o livros de inscrição em mãos. Ele me fitava ceticamente. A mistura de diversão e dúvida em seus olhos me irritava.
– Eu quero me inscrever para o teste de aprendiz-guerreiro — falei convicta.
Ele virou o rosto e tossiu tentando disfarçar uma risada.
– É só assinar o seu nome e ir para aquela mesa ali — falou, pigarreando e apontou para o lado.
Peguei a caneta e assinei meu nome no caderno, seguindo para a mesa indicada pelo instrutor.
– Você sabe como é o teste, criança? — questionou o instrutor da outra mesa, me encarando com crescente curiosidade.
– Sei que é dividido em 3 partes — falei. — Nunca ouvi mais do que isso.
– Está certa. A primeira parte é um teste de força — disse enquanto pegava uma urna e colocava meu número de inscrição dentro. — Faremos grupos de 5 pessoas. Cada grupo terá o seu tipo de teste. E não se engane, não é por que vocês estão separados em grupos que significa que vocês trabalharão juntos — alertou. — Isso é apenas o modo dos testes serem iguais e diferentes ao mesmo tempo.
"Vocês do grupo farão o mesmo teste, mas o farão separadamente. Um outro grupo fará outro teste — diferente do seu -, cada um sozinho, do mesmo modo como você fará."
"O segundo teste é um teste de resistência. Ele será efetuado com o restante dos participantes do teste anterior."
"Nesta etapa cada um fará um teste diferente, que será escolhido por um sorteio de dificuldade. O nível máximo de dificuldade é o Nível 7."
"A terceira etapa é a mais simples de todas, mas não creio que seja a mais fácil. Novamente, faremos grupos, mas dessa vez serão de 10 pessoas. Dessas 10 pessoas serão feito duplas para lutarem. Os 5 vencedores de cada grupo de 10 terão o direito de se tornarem aprendizes-guerreiros."
– Você pode ir lá dentro treinar se quiser — ele disse. — Quando seu nome for chamado seu teste terá início.
– OK. Então irei praticar um pouco.
Fui andando em direção à um corredor. Ao meu lado, em cima da entrada, algumas palavras diziam:
"O guerreiro enfrenta a morte em esperança à vida."
Refleti um pouco sobre essas palavras enquanto seguia pelo corredor. Logo cheguei à um campo que se localizava atrás da arena. O sol clareou levemente meu rosto quando eu saí.
– Hey! Você vai praticar? — perguntou um guarda que ficava na entrada do campo.
– Sim. Vou treinar um pouco antes do meu teste começar — dei de ombros.
– Então pegue — disse e me entregou uma espada de madeira.
Caminhei até o centro do campo, observando alguns guerreiros atacando os bonecos de areia. Me aproximei um pouco receosa do boneco de areia.
Com um olhar nervoso, levantei a espada e o ataquei, um golpe direto na cabeça.
Fiquei encarando o boneco, insatisfeita. Ele nem sequer havia se mexido.
Alguns Minutos Depois
Um guarda se aproximou de mim e disse:
– Seu teste vai começar em 5 minutos. É melhor você se apressar.
– OK.
Fui até a sala onde os participantes para o primeiro teste aguardavam.
– Participante Francys. Você está no Grupo 3 e seu teste vai começar agora — anunciou uma voz pelo auto-falante.
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