Christmas Carols
1 Castor e Pollux
Notas iniciais
XOXO
Nenhum dos dois gostava de neve. Deixava tudo muito frio e os obrigava a usar aqueles suéteres ridículos que ganhavam de sua avó. Como se não bastasse, os suéteres eram idênticos. Muito engraçado. A piada dos gêmeos idênticos já perdera graça fazia tempo.
Mas o bom da neve era que com ela vinha o Natal. Era época de ganhar presentes e ficar perto da família. Pelo menos a família mortal. Fazia tempo que eles não passavam o feriado no acampamento. Não tinham motivos para isso. Eram os únicos na cabine de Dionísio.
Por isso, quando a mãe dos gêmeos interrompeu o jogo de video game para pedir que saíssem para comprar leite, eles não ficaram tão chateados. Ao menos poderiam comprar algumas balas também.
Agora estavam ali, andando na rua, encasacados como dois doentes. Claro que tiveram que usar os dois suéteres idênticos.
— Você vai ver quando chegarmos em casa. Eu acabo aquele jogo ainda hoje. — disse Pollux.
— God of War é uma grande piada, só você para gostar daquilo. — Castor disse com uma careta entediada.
— Você joga também. — o irmão rebateu.
— Só pra rir. Como se houvesse um chalé no acampamento para o Kratos. — ele revirou os olhos e Pollux riu.
— Ele não é um deus, idiota. É meio-sangue como a gente.
— Legal. Um jogo em que somos um semideus e lutamos contra monstros. É tão real, não é? — ele falou com sarcasmo beirando a seriedade.
Isso fez o irmão diminuir o seu sorriso. De fato, a vida de um semideus não é algo que valha a pena fazer piadas sobre. É difícil. Nunca sabiam se voltariam para casa vivos.
— Ok, desculpa. Quando voltarmos podemos jogar outra coisa. Algum daqueles jogos de nerd seus.
— Não, vamos assistir filmes. Cansei de jogos por hoje. — Castor disse arrumando seu cachecol.
Assim eram algumas conversas dos irmãos. Eram momentos que eles usavam para fingir ser pessoas normais. Algo que definitivamente estava longe de ser verdade.
Agora já estava escurecendo. Havia várias pessoas na rua ainda. As lojas estavam enfeitadas, luzes coloridas por todos os lados e tudo cheirava a chocolate. O interior da Califórnia era um ótimo lugar para aproveitar as festas.
Eles entraram em uma loja de conveniência pequena. Era mais quente do que lá fora e, dessa forma, mais aconchegante. Alguma música temática estava tocando nas caixas de som. No único caixa um velho gordo estava sentado lendo um jornal, sem dar a mínima atenção para os clientes.
— Eu pego os doces. Você pega o leite. — Castor disse assim que entrou. Pollux apenas concordou e eles se separaram.
O loiro seguiu para o corredor das guloseimas, ao mesmo tempo em que tirava as luvas e as colocava em um bolso. Olhando para todos aqueles chocolates, balas, quebra-queixos e biscoitos Castor teve vontade de encher uma cesta inteira. Mas eles só tinham cinco dólares, então ele teria que selecionar bem.
Após escolher uns três tipos diferentes de doces baratos ele se virou para voltar ao único caixa da loja.
Encostado no balcão estava Pollux com um galão de leite nas mãos.
— Espero que não tenha pegado aqueles bombons com amendoim. — ele disse dando uma olhada nos doces que o irmão havia pegado.
— Não, fresco. Cadê o homem do caixa? — ele perguntou vendo que o velho não estava mais ali.
— Não sei, deve estar lá dentro. — Pollux disse apontando para uma porta atrás do balcão. Ele olhou para o relógio de pulso apressado.
— Não podemos deixar o dinheiro aqui e ir embora?
— Não, não podem. — ouviram uma voz grossa de trás da porta.
Houve um clique na porta da frente. Era uma daquelas automáticas, e que pelo visto agora estava trancada. Aquilo foi um sinal de alerta para os dois que se afastaram do balcão.
Da porta saiu o mesmo velho de antes. Só que agora eles podiam ver que não era apenas um velho, era um ciclope. Alto, gordo, com os óculos ridiculamente postos sobre o nariz enquanto o único olho na testa observava a tudo com grande atenção. Nas mãos tinha uma grande clava de madeira.
— Eu senti um cheiro diferente quando vocês entraram, só não acreditei que pudessem ser dois. — o monstro falou.
Sem cortar o contato visual Castor disse:
— Pollux, a porta.
O loiro virou-se e tentou abrir a porta. Empurrou, puxou e até chutou o vidro. Nada aconteceu.
— Isso aqui é blindado?! — ele exclamou olhando para a estrutura.
Com uma gargalhada de escárnio o ciclope saiu de trás do balcão, se aproximando dos semideuses.
— O melhor vidro dos mortais. Valeu a pena juntar as economias. Agora terei uma ceia de Natal muito boa. — Aquilo pareceu ser muito engraçado, pois o ciclope começou a gargalhar sem parar.
Os dois irmãos trocaram um olhar. Castor tinha um plano. Ou o projeto de um. Puxou o outro pelo braço e os dois correram até os fundos da loja. No caminho deixaram cair as compras que fizeram.
— Você trouxe alguma arma? — perguntou Castor.
— Eu pensei que você tivesse uma arma, idiota. — respondeu Pollux.
— Ah, inferno! — ele amaldiçoou.
— Voltem aqui! — grunhiu o monstro que vinha a passadas pesadas e lentas.
Eles chegaram até o setor dos frios, onde tudo cheirava a peixe.
— Acho que aquela porta do balcão leva a uma saída para fora. — falou Castor — Se chegarmos lá podemos ir embora.
— E por que você nos fez correr até aqui?! — perguntou Pollux gesticulando e mostrando todo o percurso que fizeram.
— Precisamos distraí-lo, estúpido! — respondeu sentindo suas bochechas corarem de raiva.
Houve um barulho de coisas caindo. Eles levantaram o olhar a tempo de ver uma gôndola de enlatados vindo em direção a eles.
Os dois saíram da mira e foram correndo até a entrada por outro caminho. Depararam-se com uma placa de "piso molhado" e Pollux escorregou, caindo com tudo no chão.
— Olha por onde anda. — falou o outro irmão enquanto o ajudava a levantar.
Ele bufou. Por que até em uma situação de vida ou morte Castor tinha que bancar o irmão mais velho? Pelos deuses, ele era o mais velho.
Seus pensamentos foram interrompidos pelo som de metal encontrando concreto. O ciclope estava derrubando as estantes com sua clava para chegar mais rápido aos filhos de Dionísio. Ainda cambaleantes os dois correram até chegar ao balcão e entraram pela porta. Era uma sala escura, abafada e cheirava a bolor. Pollux acidentalmente esbarrou em um vaso com uma planta, que espatifou-se no chão.
- Vê alguma saída? – perguntou Castor.
O gêmeo rondou os olhos pela sala, mas não viu nenhuma porta. Mas algo lá em cima chamou sua atenção.
- A janela!
Era um buraco na parede, provavelmente para colocar um ar-condicionado. Agora estava coberto com madeira prensada. Subindo em algumas caixas Castor foi o primeiro a chegar lá em cima e retirar a peça, quando o ciclope entrou derrubando a porta.
- Pollux! – o mais novo chamou pronto para pular para fora.
- Vai logo! – foi o que ele respondeu, virando-se para encarar o ciclope.
- Meu bonsai! – o monstro exclamou ao ver a planta que o loiro havia derrubado quando entrou.
Espere. Planta?
Desviou de um golpe da clava e esfregou as mãos enluvadas. Concentrando-se fez com que os pequenos galhos e raízes enroscassem nos pés do inimigo, fazendo com que tropeçasse e caísse por cima das diversas caixas, levantando poeira.
Pulando por cima do gigante Pollux rapidamente subiu até a janela, sentindo-se aliviado ao respirar o ar frio das ruas. A altura até o chão devia ser de uns dois metros, amortecidos por uma caçamba de lixo. Que ótimo.
- Eu ia te avisar... – Castor falou já em pé.
- Vamos! – ele se recompôs e os dois saíram correndo pelas ruas.
Eles não sabiam ao certo o quanto correram, ou para onde correram. Eles definitivamente não queriam ver aquele ciclope novamente, então precisavam manter a menor distância possível do lugar. Sem falar que os mortais devem ter ouvido o tumulto.
Após o que pareceu meia-hora de corrida, os dois pararam no estacionamento de um Wal-Mart para tomar fôlego. Ambos tinham a garganta seca e o rosto avermelhado pelo frio.
- Está tudo bem...Ele não vai seguir a gente até aqui... – disse Pollux encostando-se a um carrinho de compras.
- Assim espero... – falou Castor sentando-se no chão – Na próxima vez trazemos armas...
- Claro, claro. Porque é super normal levar uma arma de guerra quando vai comprar leite na conveniência da esquina... – ele falou com sarcasmo claro na voz. Só então se deu conta do que disse – Ah, cara, o leite...
- Ainda tem o dinheiro, não é? – o irmão perguntou esperançoso. Se voltassem sem o leite a mãe iria perguntar o que acontecera, então teriam que contar a verdade e ela ficaria preocupada. Não queriam estragar o clima de festas, iriam receber parentes ainda hoje.
Pollux revirou os bolsos e achou a nota de cinco dólares. Os dois suspiraram aliviados.
- Vem, vamos comprar a droga do leite. – disse estendendo a mão para o outro se levantar.
A sorte é que eles já estavam próximos a um mercado. Nem se importaram com os olhares tortos que as pessoas lhe davam. Pareciam dois meliantes. Roupa e cabelos desarrumados, caras queimadas pelo frio. Rotina para os semideuses. Estavam tão focados em comprar o leite que até se esqueceram dos doces.
A volta pra casa foi silenciosa. Eles nem sabiam que horas eram, mas sua mãe com certeza iria dar uma bela bronca.
- Vamos dizer que estávamos escolhendo presentes. – sugeriu Pollux.
Castor apenas assentiu e continuou andando. Após um tempo o mesmo perguntou:
- O que vai querer de Natal?
Ele pensou um pouco antes de responder. Deu de ombros e chutou uma pedra na calçada.
- Natal perde a graça depois de um tempo. O que vier está bom. Além do mais, tenho tudo que preciso aqui comigo. – ele sorriu um pouco – Isso inclui você, maninho. – dito isso ele bagunçou os cabelos do mais novo, fazendo-o rir também.
- Que coisa melosa, Pollux. Vai declamar um poema também?
- Nah, o Solace é melhor nisso do que eu. Ei, que tal abrirmos a adega quando chegarmos em casa? Todo mundo vai estar pra lá de bêbado, ninguém vai perceber.
O garoto arqueou as sobrancelhas, em claro sinal de descontentamento.
- Ah, Cas, vamos! – ele insistiu mais um pouco. O irmão nunca o deixava fazer as coisas sozinho, de uma forma ou outra ele ia participar também.
- Está bem. Mas só uma garrafa. – ele advertiu com um sorriso.
Notas finais
Sinceramente, eu jogo meus ships favoritos no fogo por mais fanfics desses dois. HELLO O POLLUX FICOU SOZINHO E TEVE QUE SE RECUPERAR A TEMPO DE LUTAR NA BATALHA DE MANHATTAN POR QUE NINGUÉM OLHA MAIS PRA ESSE BEBÊ?!
Não, não, não estou histérica por personagens fictícios. Não :)
XOXO
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