Chave Mestra
3 O garoto de olhos cinzas
Notas iniciais
Depois de atravessar, você se vira tão rápido quanto entra, coloca a chave na fechadura e fecha a porta, depois, gira a maçaneta para a esquerda novamente e tranca com a chave.
Quando se vira, dá de cara com um mundo como o de antes, mas não exatamente igual.
Era o mesmo banheiro, só que novo. Você fica sem entender, afinal, tinha atravessado a porta não tinha? Deve ter feito algo errado, pensa. Até que ouvi vozes do outro lado da porta, e é aí que o medo realmente começa a tomar conta de você.
A voz era de um homem, e ficava cada vez mais audível conforme se aproximava da porta. Olhando para a janela – que é alta demais e pequena demais para passar- você começa a cogitar planos de fuga, nos armários, não há nada que possa usar como arma, e então, só te restou uma única opção. Entrar na banheira.
Depois de entrar na banheira de ladrilhos azuis e fechar a cortina branca de bolinhas você torce para que quem quer que fosse, não resolvesse usar a banheira.
A porta se abre, alguém entra. É um garoto, mais velho do que você. Ele meche em algumas coisas no armário e fica ali, diante do espelho se encarando por longos minutos.
Impaciente, começa a se perguntar quando é que ele vai sair, e olhando pela fresta da cortina, você começa a ficar nervosa.
Será que se eu correr agora, eu consigo despista-lo e chegar até a porta da frente?
E antes de conseguir bolar outro plano maluco, ele começa a tirar a camisa, se enrola em uma toalha e tira o calção. Nervosa, você se vira para os ladrilhos azuis e brancos da parede e tenta não surtar.
Ai meu deus ai meu deus ai meu deus ai meu deus
Ele se vira em direção a banheira e passa a mão pela cortina a centímetros do seu rosto, ele vai abrir o chuveiro.
O que eu faço droga.
E antes que ele possa girar o registro, você se levanto apressada e grita. — NÃO!
...
“Olhos cinzas, pele clara e cabelos negros. Uma cicatriz no olho direito chama a atenção dela, divide o olho dele entre verde e cinza. Ele é alto, forte e esbelto, uma beleza digna de um anjo caído. A ruína em pessoa”.
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