Chave Mestra

4 Conhecendo o inimigo


Aí está você, parada observando os olhos cinzas dele sob a luz branca do banheiro, com o coração prestes a sair pela boca.

Você não faz a mínima ideia de onde foi se meter, muito menos como. Bem, mais ou menos, atravessou uma porta, mas é toda informação que tem.

Por um longo tempo, se observam, analisando a expressão um do outro, até que ele percebe a sua inquietação. Ele desvia o olhar rapidamente, da outro nó na toalha na cintura e tranca a porta atrás de si.

Droga.

— Quem é você? Ele diz quebrando o silencio.

— Eu me sentiria melhor se essa porta não estivesse fechada.

Espero do fundo do meu coração que ele não seja um psicopata.

— Ainda não sei quem é você. Então, EU prefiro essa porta do jeito que está.

Vai se fazer de difícil é?

— Ok espertinho. Meu nome é Estrela.

— De onde você é Estrela?

— Não sou exatamente daqui. Aliás, onde é aqui?

— Estamos em Portland. E por que estava na minha banheira?

Isso virou algum tipo de interrogatório por acaso?

— Eu não sei. Vim parar aqui.

Eu não estava mentindo de certa forma.

Antes que ele conseguisse fazer outra pergunta se quer, alguém bate à porta.

É o pai dele. Pergunta por que a demora e ameaça quebra-la se não sair logo. – Ele parece o tipo de pai carrasco que todos odiariam ter -.

Sem outra opção, ele te pega pelo pulso e escuta através da porta. Espera alguns segundos e então a abre, te levando até outra porta no final de um curto corredor com outras três portas brancas desbotadas.

Você não protesta, está com mais medo do pai dele do que dele propriamente dito. E enquanto é levada até a porta, bola um plano de fuga analisando cada detalhe em seu caminho.

Paredes bege, um papel de parede que está começando a manchar, vários quadros com fotos de paisagens aleatórias e a de um garotinho tristonho. A alguns metros, está escada, você está no segundo andar – pular por uma janela seria suicídio, pensa -, outras três portas estão dispostas no final do corredor, todas brancas.

Antes que consiga acrescentar mais detalhes mentais sobre o ambiente, vocês passam por uma das portas e ele a fecha depressa.

...

“Os olhos dele vacilavam na escuridão, cintilando com os poucos lampejos dos faróis dos carros que passavam na rua lá fora. Ela se sentia diferente, talvez perdida. Ali, naquele quarto escuro e quente, foi como um coelho entrando na toca de um lobo. ”

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.