Charlie é o Cara
39 Já ouviu falar de franquia de restaurantes fast food Mexiático?
Notas iniciais
POV-Pete
Eu estava esperando do lado de fora do meu quarto enquanto Charlie se arrumava, ficando de guarda ali para garantir que nenhum dos rapazes ia se oferecer novamente para opinar sobre o silicone. Ela estava ali a quase meia hora, o que já estava começando a me preocupar. Nunca se sabe o que os efeitos da maconha podem fazer, Charlie poderia muito bem estar saindo pela janela agora.
― Charlie, tudo bem? ― Bati na porta e encostei a orelha na mesma para ver se conseguia ouvir alguma coisa ali dentro.
― Sim, só um minuto. ― Ela respondeu normal.
Acenei positivamente e me afastei da porta. Me encostando na parede novamente, com as mãos no bolso da calça. Esperei por mais uns minutos quando a porta se abriu novamente. Me desencostei da parede e fiquei reto, olhando-a dos pés a cabeça.
― Que tal? ― Ela disse sorrindo e dando uma volta no lugar, fazendo a sua saia gode rodar.
Nos pés ela usava um salto alto vermelho camurça, uma saia gode florida em tons escuros e uma camisa social azul clara, que ela dobrou as mangas até a cotovelos e a amarrou na frente, na altura da saia. O cabelo em uma cascata de cachos naturais, escorrendo pelos ombros.
― Você está linda. ― Disse sorrindo, ainda encantado com o quão bonita ela conseguia ser.
― Obrigado. ― Ela acenou positivamente e sorriu. ― Você também está.
― Eu estou linda? Lindo, quer dizer. Oh... ― Falei sem jeito, tirando as mãos do bolso e passando-as pelo rosto. ― Obrigado.
― Estão prontos? ― Pablo apareceu no corredor, perguntando um pouco ansioso.
― Claro, eu vou só pegar minha jaqueta. Podem ir na frente. ― Passei ao lado de Charlie para entrar no quarto.
Peguei minha jaqueta de couro preta de cima da cama e depois desci correndo para alcançar Charlie e Pablo, eles já estavam no hall de entrada me esperando. Passei pela sala e encontrei Bobby, Bruce, Mike e Jon parados ali.
― Onde vocês estão indo? ― Perguntei, olhando todos muito bem vestidos. Bem demais para os quatro.
― Encontro de divorciados. ― Jon respondeu.
― Mas nenhum de vocês é divorciado. ― Olhei confuso para ele.
― É, e daí? ― Bruce perguntou.
― Mulheres divorciadas são mais propensas a carência e desesperadas por um novinho. ― Bobby explicou.
― E quanto a Mike? ― Olhei para ele, que estava em silêncio.
― Eles disseram que ia ter comida lá. ― Mike acenou positivamente.
― Ok, nos vemos depois. ― Acenei positivamente e sai dali.
Peguei minha chaves e alcancei Charlie e Pablo.
POV-Charlie.
Nós quatro estávamos no carro de Pete num silêncio que já estava me incomodando, de vez em quando alguém pigarreava para tentar iniciar um assunto ou apenas por falta de conversa mesmo. Olhei pelo retrovisor e vi Amy olhando para a janela, enquanto Pablo olhava animadamente para ela. Olhei para Peter que estava concentrado na direção. Só faltava um deles fazer um comentário sobre o tempo agora.
Apertei o botão de ligar o rádio e Get Low do Lil Jon começou a tocar, comecei a me mexer no banco no ritmo da música e bater palmas. Os três olharam para mim com curiosidade.
― Vamos lá gente! Cantem comigo! Eu digo: to the window e vocês dizem to the wall! ― Continuei dançando e o refrão chegou, então gritei, levantando as mãos para o alto. ― TO THE WINDOWWWW!!
Mas nenhum deles cantou, apenas continuaram me encarando daquele jeito.
― Eu disse TO THE WINDOWWWW!!! ― Falei animada novamente e voltei a música um pouco apenas para tentar de novo. ― Vamos lá, de novo! TO THE WINDOWWWW!!!
― To the wall. ― Eles cantaram baixo, ainda meio assustados comigo.
― Charlie, você está bem? ― Amy perguntou, se interessando mais por mim do que pela janela pela primeira vez na noite.
― Eu estou ótima! ― Respondi, ainda dançando e mexendo a cabeça e os quadris de um lado para o lado. ― Get low! Get low! Get low!
Amy então olhou para Peter, esperando uma resposta de verdade.
― Ela foi a uma consulta com a tia dela. ― Ele respondeu, desviando a atenção da direção e olhando Amy por cima dos ombros por um momento.
― Ela não é minha tia! ― O corrigi.
― Isso no meu país tem outro nome. ― Pablo falou e fez um sinal de apertar um.
― E esqueceu de dar o gardenal dela? ― Amy perguntou, me olhando fazer o passo do robozinho no banco.
Mudei de música já enjoada dessa e Sexy Back do Justin Timberlake começou a tocar.
― OH MEU DEUS! EU AMO ESSA MÚSICA! ― Gritei empolgada. ― Meu Deus, Peter, sua playlist são de músicas que eu ouvia na quarta série mas eu adoro! Uhuuuuuu! I'm bringin' sexy back! Vamos lá gente!
― Tem certeza que querem sair com ela em público? ― Amy perguntou.
― Olha só Pablo, o DJ vai trazer um especial só para você! ― Falei, procurando uma música que certamente não ia faltar na playlist de Peter. ― Encontrei!
Gasolina do Daddy Yankee começou a tocar e eu me virei no banco para dançar olhando para Pablo, ele ficou parado apenas me olhando.
― Charlie? ― Ele falou.
― Dança comigo! ― Disse, mexendo a cabeça no ritmo da música.
― Daddy Yankee é porto riquenho, não mexicano. ― Pablo disse, ainda sem jeito.
― E daí? Ninguém liga, vocês falam do mesmo! ― Dei de ombros e continuei dançando.
― É mesmo! ― Ele concordou e riu. ― A ella le gusta la gasolina, dame mas gasolina! ― Pablo cantou junto comigo.
― Oh Deus, não. ― Amy disse fazendo uma careta e batendo a cabeça contra a janela.
Eu e Pablo fomos nos divertindo pelo resto do caminho cantando, Peter e Amy sorriam de vez em quando para o nosso show particular. Peter parou no estacionamento em um prédio com letreiros luminosos, que primeiro me fez pensar se era o clube de stripper de Cece, mas depois eu li os letreiros: Fliperama do Gus.
― Sério? ― Olhei para Peter e ele riu. ― De todos os lugares no mundo, vocês nos trouxeram para um fliperama? Maldito seja, vocês são garotos Roar Omega Roar mesmo.
Ele e Pablo deram risadinhas.
― Eu prometo que você vai sair daqui satisfeita. ― Peter sorriu de forma charmosa e piscou para mim, então tocou meu joelho com a palma da mão antes de abrir a porta e sair do carro.
Assim que ele saiu, deu a volta correndo pelo carro e abriu a minha porta, olhei para ele com uma misto de surpresa e deboche, ele apertou os lábios para não rir também.
― Você tem ideia do quão ridículo você é? ― Disse revirando os olhos e rindo, mas ainda achando aquilo encantador.
― O que eu posso dizer? Eu sou um cara a moda antiga. ― Ele deu de ombros e ofereceu sua mão para me ajudar a descer.
― Vocês são tão bonitinhos que eu quero vomitar. ― Amy resmungou do banco de trás, fazendo Pablo rir.
Sai do carro e logo em seguida Amy e Pablo saíram também, os dois foram andando na frente enquanto Peter me esperou atrás. Ele foi caminhando ao meu lado e pegou na minha mão, entrelaçando seus dedos nos meus. Olhei para as nossas mãos e depois para ele, então ele sorriu.
― Você é sempre tão abusadinho assim nos primeiros encontros? ― Perguntei irônica e ele sorriu ainda mais.
― Acha que eu segurar sua mão é demais? O que eu posso dizer sobre ontem então? Você parecia bem confortável com suas mãos em mim. ― Ele disse debochado.
― Cala a boca! ― Chutei a sua bunda por trás e ele riu.
― Au! ― Ele gemeu quando o chutei e balançou para o lado por um momento.
― Nem bati tão forte assim, vai!
Ele apenas sorriu debochado e puxou a porta para eu passar na frente, entrei primeiro e ele me seguiu. Amy e Pablo estavam parados ali nos esperando. A mistura de conversa, música e sons de jogos enchia o ambiente, luzes coloridas fortes e pessoas. Jogos de mesa, jogos de controle, mesas de sinuca, boliche nos fundos, pista de patinação e um playground gigante em forma de castelo, que ganhou minha atenção de primeira.
― Ai meu Deus! ― Falei, olhando encantada para o castelo. ― Peter! ― Puxei sua mão, tentando chamar a sua atenção. ― É um castelo, um castelo de princesa!
― Sim, é um castelo, Charlie. ― Ele disse sem dar muita importância, conversando sobre alguma coisa com Pablo.
Soltei sua mão e comecei a me afastar dele, andando em direção ao castelo. Tirando os sapatos pelo caminho e os deixando ali, correndo em direção a entrada do brinquedo.
POV-Pete
― Como assim você quer jogar pinball primeiro, o que tem de errado com você? ― Falei sem acreditar para Pablo.
― Pinball é divertido, hockey de mesa não! ― Ele retrucou, cruzando os braços de mal humor.
― Você não sabe de nada!
― Com licença? ― Amy disse depois de pigarrear, nos interrompendo. ― Por mais que essa discussão esteja super interessante, vocês deveriam observarem o que acontecendo ao redor. Com isso eu quero dizer Charlie entrando no playground. ― Ela apontou na direção do brinquedo.
Nós nos viramos para olhar para lá e Charlie realmente estava entrando no brinquedo destinado a crianças.
― Oh essa não, Charlie não! ― Me apressei correndo naquela direção, me abaixando para pegar os seus sapatos no meio do caminho. Nem sei porque ela ainda usa essas coisas, eu sempre acabo carregando mesmo.
Charlie passou pelas crianças na fila e pela a garota que trabalhava ali e entrou direto no brinquedo sem olhar para trás, mesmo enquanto eu gritava o seu nome.
― Me desculpe. Me desculpe. Com licença. ― Fui falando ao passar entre a fila de crianças e mães ainda indignados e confusos com o comportamento de Charlie.
A garota que trabalhava ali ainda olhava confusa e sem saber o que fazer, eu fui tentar passar por ela para entrar mas ela me impediu de passar com os braços.
― Hei! Qual é o problema de vocês? Eu vou chamar a segurança! ― Ela disse, realmente irritada.
― Não! Não! Me desculpe, eu sinto muito mesmo! ― Dei um passo para trás, me afastando dela e levantando as mãos para o alto, segurando os sapatos de Charlie, um em cada. Apontando os saltos para a garota de forma ameaçadora e percebi que foi uma péssima ideia, os abaixei imediatamente. ― Desculpe. ― Disse me referindo aos sapatos agora e ela me olhou confusa.
― Eu... eu... eu vou chamar a segurança. ― Ela gaguejou, meio insegura sobre isso.
Olhei com um pouco mais de atenção para o seu rosto, eu a conhecia de algum lugar, procurei na minha cabeça com um pouco mais de vontade e então me lembrei.
― Não! Não, Shelley! ― Ela me olhou confusa. ― Bayley? ― Tentei novamente e ela me olhou de forma pior. ― Kelley?
― Haley! ― A garota disse ofendida.
― Haley! Haley! Você se lembra de mim? Meu nome é Pete, eu fiz um semestre de arquitetura com você há um tempo atrás. Você se lembra?
― Sim, eu sei quem é você. ― Haley disse com certa arrogância. ― Ted expulsou você do curso.
― É, pois é! Longa história, ele está melhor agora. ― Tentei usar o bom humor e sorrir de forma charmosa, mas com ela não parecia funcionar com tanta facilidade, já que ela continuava me olhando daquela forma carrancuda. ― Por favor, não chame a segurança. Eu garanto que ela não é uma ameça para as crianças que estão lá dentro. ― Disse tentando convencê-la da melhor forma. ― Só me dê um minuto e eu prometo tirá-la de lá.
― Nem pensar! Se eu quiser ser demitida, eu simplesmente chuto uma criança! ― Ela disse irritada. ― E tem um monte delas por aí, oportunidade não vai faltar.
― Por favor? Quebra essa para mim, eu fico te devendo, eu faço o que você quiser. Ela só está meio... ― Fiz uma pausa. ― chapada, mas ela é inofensiva, eu juro!
― Está dizendo que tem uma drogada lá dentro com o meu filho? ― Uma senhora gritou ao meu lado.
― Ela é vacinada, senhora. ― Falei, acenando positivamente para a senhora e ela me acertou uma bolsada.
― Au! Meu Deus, qual é o seu problema? ― Olhei furioso para ela.
― Eu vou chamar a segurança! ― Ela saiu dali, pisando duro.
― Senhora, por favor! ― Haley falou e mesmo assim ela se afastou. Ela então se virou para mim e me olhou irritada. ― Obrigado por isso, idiota!
― Oh meu Deus! ― Olhei a senhora se afastar sem acreditar e vi Pablo e Amy parados ali, assistindo a cena e se divertindo. ― Será que vocês poderiam fazer alguma coisa além de assistir?
― Sério? Eu estava prestes a pegar a pipoca e o refrigerante. ― Amy disse cruzando os braços.
― Enrolem ela! ― Apontei para a mulher que continuava andando.
― Como? ― Pablo perguntou.
― Eu não sei, vendam bíblias a ela, ofereçam cupons para hidratação de bigode, digam que estão abrindo uma franquia de fast-food de comida mexicana e asiática.
Quando a mulher foi passar ao dos dois, eles entraram em seu caminho e sorriram para ela.
― A senhora já ouviu falar de franquia de restaurantes fast food Mexiático? ― Amy disse a ela, abrindo um sorriso largo e diabólico.
Me virei para Haley novamente e a olhei com cara de cachorro pidão.
― Eu ajudei você, agora me ajude.
― Me ajudar? Você me colocou nisso! ― Ela disse irritada e sem acreditar.
― E eu posso te tirar, me dê só um minuto para eu entrar lá e buscá-la, por favor. ― Pedi e ela me olhou ainda em dúvida, então revirou os olhos. ― Um minuto, só um minuto!
― Tudo bem, um minuto! ― Ela disse. ― Tire ela de lá.
― Muito obrigado! ― A puxei para um abraço apertado e lhe dei um beijo rápido na testa. ― Estou te devendo uma!
Corri para dentro do brinquedo, sem nem tirar os sapatos e ainda segurando os de Charlie na mão. Pulei de mergulho para dentro da piscina de bolinhas e havia um garotinho parado no canto, ele estava olhando diretamente para mim de forma assustada por trás dos seus óculos. Provavelmente imaginando porque havia alguém do meu tamanho ali dentro.
― Eu comi legumes demais. ― Falei, acenando positivamente e encolhendo os ombros. A boca do garoto se abriu em um perfeito O. ― Coma os seus!
Pisquei para ele e continuei me arrastando pela piscina, até entrar em um túnel, tendo que me espremer para passar por ali. Tive que subir por uma parede de corda, depois passar por uma passarela, chegando em um escorregador, onde deslizei pelo mesmo, caindo em um lugar acolchoado. Havia uma grande cama elástica na frente, onde encontrei Charlie pulando ali com mais um monte de crianças. Ela estava usando uma coroa de princesa na cabeça e sorriu ao me ver, então acenou no ar.
― Olha só Pete, eles me elegeram a Princesa do Playground! ― Ela disse pulando cada vez mais alto e me fazendo rir.
― Tudo bem, princesa. ― Deixei seus sapatos ali e fui engatinhando até a cama elástica, onde tive que começar a pular também para ficar de pé ali. ― Você precisa sair.
― Porque? Aqui é o meu reino! ― Charlie continuou rindo e pulando.
― Bom, porque tem uma grande chance de sermos retirados do seu reino por seguranças grandalhões e no fim do nosso primeiro encontro, eu acabar na delegacia pagando a sua fiança para te tirar da cadeia. ― Tentei explicar da melhor forma possível, para que mesmo até ela naquela situação conseguisse ver a gravidade do problema.
― Que saco. ― Ela disse, entortando os lábios para o lado, descontente.
Então tirou a corou de plástico que ela usava e olhou para mim desapontada.
― Bom, você pode ser a princesa do nosso quarto, porque eu aposto que eu não ficaria muito bem de tiara de brilhante. ― Acenei positivamente, apontando para a tiara que ela segurava e ela então gargalhou.
― Funciona para mim. ― Charlie abriu um largo e animado sorriso.
― Ok, então vamos dar o fora daqui! ― Fiz um sinal com a cabeça para a saída para ela.
Quando virei de costas para sair, foi então que Charlie pegou impulso com um último pulo e pulou nas minhas costas, envolvendo as pernas e os braços em torno de mim, cambaleei pelo lado por um momento quase perdendo o equilíbrio.
― Oh meu Deus, Charlie! O que é isso? ― Perguntei, enquanto ela se agarrava em mim feito uma aranha.
― Você é minha carruagem de abobora. ― Ela explicou. ― Que nem em Cinderela.
― Cinderela? ― Fiz uma careta. ― Porque você não é um princesa mais legal? Tipo A Pequena Sereia, ela é tipo uma mulher peixe. Isso sim é legal!
― Mulher peixe? ― Ela repetiu.
― Mulher peixe!
― Ok então, mulher peixe. ― Charlie acenou positivamente e me deu um tapinha no ombro. ― Vamos lá!
Ela então encaixou a tiara de plástico na minha cabeça, enquanto eu apoiava as suas pernas com os meus braços para ela se manter nas minhas costas.
― Olha para mim! ― Ela disse, já virando meu rosto com uma das mãos e quase quebrando o meu pescoço. Charlie virou sua cabeça para um lado, para o outro, como se tentando me ver de outro angulo e fez uma careta. ― Não. Não, você realmente não fica bem de tiara brilhante!
― Eu disse! Provavelmente é o meu corte de cabelo. ― Dei de ombros e ela riu. ― Onde é que você arranjou essa tiara? ― Perguntei quando comecei a andar com ela nas costas para sair dali.
― Eles me deram. ― Charlie respondeu, acenando positivamente.
― Hei! Aquela vadia está roubando a minha tiara!
Ouvimos uma criança gritar e nós dois nos viramos para ver uma garotinha loira parada no meio da cama elástica, apontando o dedo de forma acusadora para nós dois.
― Pensei que tivesse ganhado. ― Sussurrei para Charlie.
― Ok, eu roubei, tá? Mas ficou melhor em mim do que nela. ― Charlie disse, dando de ombros. ― O que eu posso fazer se eu sou uma princesa melhor que ela? ― Ela tirou a tiara da minha cabeça e jogou na direção da menina. ― Aceita que dói menos ou então se corta no recalque, vadia! Se eu tivesse um microfone agora, eu o derrubava. ― Fez a mimica de soltar um microfone como os rappers. ― Agora vamos, abobora do mar.
Foi impossível não rir disso enquanto a carregava de volta para fora, só parei para pegar os seus sapatos e fomos direto para lá. As mães ainda olhavam com curiosidade lá da entrada e pareciam ter ficado mais tensas ainda quando me viram carregar Charlie para fora nas costas e depois ajudá-la vestir os sapatos. Haley ainda nos esperava, com os braços cruzados sobre o peito e a má atitude no rosto. Nenhum sinal de seguranças ainda, o que só podia significar que Amy e Pablo haviam conseguido enrolar a mulher até agora.
Charlie saiu na frente e Haley abriu espaço para ela passar, olhando-a dos pés a cabeça quando ela passou, então seu olhar se voltou para mim quando me aproximei.
― Muito obrigado. ― Agradeci novamente, coçando a nuca sem jeito. ― As crianças estão bem.
― Espero que sim! ― Ela disse, cruzando os braços e me observando sair. ― Da próxima vez, tente manter sua namorada na linha.
― Ela não é... ― Gaguejei para falar, vendo que Charlie já estava longe. ― Eu tenho que ir, obrigado novamente.
Eu tive que me apressar para alcançar Charlie e não deixá-la fora da minha vista novamente, ela estava indo na direção de Pablo e Amy.
― Abortar missão! ― Fiz um sinal para Pablo assim que ele me viu e ele entendeu o recado.
― Muito obrigado pelo seu tempo e atenção, senhora! Nós vamos te enviar as primeiras amostras pelo correio, é muito bom ter clientes em potencial como você! ― Ele disse, piscando para ela de forma simpática.
A mulher abriu um largo sorriso e falou algo que eu não consegui entender e então se virou, voltando-se na nossa direção e indo de volta para a fila do brinquedo. Amy cruzou os braços na altura do peito e olhou para Charlie.
― Hora, hora... Acho que esse é o momento para fazermos uma votação e colocar uma coleira de cachorro nela, aquelas que você pode ajustar quando eles se afastam, sabe?
― Vamos conversar seriamente sobre a coleira enquanto comemos. ― Falei para Charlie, enquanto segurava em seu pulso para garantir que ela não fugisse de novo.
POV-Charlie
Nós comemos hambúrgers, batata frita e milk-shake no restaurante do fliperama, que mais parecia um restaurante típico dos anos setenta. Com mesas coladas nas paredes e sofás no lugar das cadeiras. Eu e Pete nos sentamos de um lado e Amy e Pablo do outro, enquanto comíamos, eles discutiam sobre colocar uma coleira em mim e Pablo e Peter contavam histórias de confusões que eles se meteram juntos, que por sinal, eram bem divertidas e agora eu entendia porque todas essas coisas vinham acontecendo comigo ultimamente, era provavelmente só uma efeito colateral por andar com esses caras.
― Então... ― Comecei a falar depois de algum tempo em silêncio, com a boca ocupada com as batatas fritas que peguei de Peter. Eu realmente estava com fome, Peter me disse que era só um efeito da maconha. ― semana que vem é seu aniversário, Pablo. O que vocês tem em mente? Uma festa á lá Roar Omega Roar?
Peter e Pablo trocaram um olhar malicioso e deram risadinhas. Eu olhei para Amy e ela deu de ombros, tomando um pouco do seu milk-shake.
― Melhor do que isso! ― Peter se virou para mim e sorriu. ― Nós já fazemos planos para o aniversário de vinte e um de Pablo já tem algum tempo, como ele estará se tornando oficial um homem, pensamos em algo mais... sofisticado.
― Como o quê? ― Amy perguntou.
― Rufem os tambores! ― Peter começou a batucar na mesa com a mão.
― Nós vamos passar um fim de semana em Las Vegas, com tudo do melhor que três noites em Vegas podem garantir! ― Pablo disse, abrindo um largo e empolgado sorriso. ― Vocês estão vindo com a gente, certo?
Meu queixo caiu com a ideia de um fim de semana em Vegas com os garotos, se já era perigoso um fim de semana comum na faculdade com eles, passar três dias em Vegas com eles seria como Se beber, não case!
― Sério? ― Amy perguntou empolgada, com um sorriso largo.
― Vegas, baby! ― Peter piscou para ela e olhou para mim, esperando a minha reação. ― Vocês estão vindo, né?
Os três agora me olhavam, esperando a minha reação de festeira ROR dar o ar da vida. Acenei positivamente e apertei os lábios.
― Vegas! Vai ser um fim de semana do caralho!
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