Charlie é o Cara

38 Concurso de gastronomia do Paquistão.


Notas iniciais
Pessoaaaaaal, me desculpem pela demora pra postar! Esses dias foram uma loucura e aí já viu né kkkkkkkk D: Me desculpem mesmo pela demora, mas já estou de volta com o capítulo novo! Boa leitura!

POV-Charlie

― E como você se sente sobre isso? ― Katherine perguntou, soltando outra nuvem de fumaça para se juntar a atmosfera densa da sala.

Eu estava deitada no chão da sala com uma almofada do sofá apoiando a minha cabeça, já tinha tirado os sapatos e olhava para o teto fixamente. Um reggae tocava baixo ali.

― Eu não sei... ― Falei, mordendo meu lábio inferior. ― Eu não consigo pensar em outra coisa que não seja um picolé gigante. Um picote de Peter seria divertido, eu ia lamber ele todinho. ― Comecei a gargalhar novamente e Katherine riu comigo.

― Garota, você é divertida! ― Ela disse rindo.

― Picolé com pernas! ― Continuei gargalhando até perder o folego e rolei pelo chão.

― Então... só recapitulando... ― Ela fez uma pausa para dar mais um trago no boing. ― Você está se pegando com o seu colega de quarto, o qual você se sente muito atraída que é até assustador.

― Muito atraída. ― Acrescentei. ― Muito mesmo! O que é muito esquisito, porque Peter não é nem de longe o meu tipo... Ele é desleixado, ele leva tudo na brincadeira, não penteia o cabelo e nem tem tanquinho. Eu não sei o que vi nele.

― O que você não viu nos outros. ― Katherine falou acenando positivamente. ― Ele mexeu nas suas calcinhas e os caras com que você vive te diagnosticaram com calcinofobia? Mas você também não pode pegar esse cara, né? Que doideira, Charlie! ― Kat fez bolinhas de fumaça.

― É! Doideira! Sorvete! É tudo a mesma coisa! Eu quero sorvete, eu vou ligar para Peter me buscar e trazer sorvete.

Fui engatinhando pelo chão até o sofá onde a minha bolsa estava e peguei o meu celular, mandando uma mensagem de texto para Peter.

― Agora que eu já te contei os meus problemas, acho que você deveria me aconselhar. ― Falei enquanto digitava no celular.

― Te aconselhar? Pensei que a única coisa que eu tinha que fazer nesse trabalho era acenar positivamente, desenhar nos blocos de papel e perguntar: Como você se sente sobre isso? E repetir todo o circulo de novo. ― Ela disse confusa. ― Te aconselhar? Sou eu é quem precisa de conselhos, Angel está me deixando louca! Eu estou ficando com rugas, sabia?

― Angel, o que tem Angel? ― Perguntei, parando de digitar e estalando os olhos com medo do que viria a seguir. ― Porque está falando sobre ela? Eu estava falando sobre sorvete.

― Charlie, você é horrível em disfarçar como a sua mãe. Não finja que não sabe o que aconteceu. ― Ela disse e eu já estava me levantando para pegar a minha bolsa e correr. ― Você provavelmente ouviu sobre isso ontem. Não que eu esteja reclamando, Angel tem um temperamento difícil, isso ela herdou do pai e também é só um pouco de sêmen, faz bem para a pele...

Fiz uma cara de nojo quando ela disse isso e relaxei novamente.

― Pode pedir para Peter trazer uns tacos para mim também? Eu estou faminta. ― Ela deu outro trago no boing.

― É, talvez eu tenha ouvido algo sobre isso... ― Falei, dando de ombros e tentando parecer casual, mas se Katherine não estivesse tão chapada bastava olhar para a minha cara que ela ia saber. ― Então, só por curiosidade, como ela está?

― Como você acha? Surtando, como sempre! ― Katherine deu de ombros. ― Eu dei uns remedinhos para ela, mas ela é tão difícil que no seu caso eu só acredito em tranquilizante de cavalo. De qualquer forma, porque você não vai visitá-la? Aposto que ela ficaria feliz em te ver, quem sabe a amizade de vocês não começa assim? Angel realmente está precisando de uma amiga.

― De todas as pessoas no mundo que Angel vai querer ver agora, eu sou a última. ― Acenei positivamente.

― Porque? ― Katherine perguntou confusa e eu percebi que tinha falado demais.

― Bom... porque... ― Gaguejei. ― Porque depois do que aconteceu com ela, aposto que uma estranha tentando forçar amizade é a última coisa que ela quer.

― Você não é uma estranha, Charlie, para com isso!

― Vou pensar sobre isso! ― Acenei e me levantei do chão, vestindo os meus sapatos. ― Agora... eu preciso ir, espero que Peter traga sorvete.

― Ok, Charlie. Bom papo, bom papo! Eu te vejo por aí! ― Ela soltou uma nuvem de fumaça. ― Vou adicionar calcinofobia no seu histórico, precisamos tratar disso também.

POV-Pete

Recebi a mensagem de Charlie quando estava saindo do treino. Ir buscá-la e levar sorvete? Tudo bem, eu não vou julgar porque é a Charlie, ela faz essas coisas mesmo. Sai do treino e passei para comprar dois picolés no quiosque próximo ao campo, depois dirigi direto até o prédio da reitoria para pegar Charlie.

Estava chupando um picolé de groselha e olhando para a porta, esperando Charlie. Ela saiu dali, andando de um jeito esquisito, lutando com o cabelo solto e bagunçado, tentando ajeitá-lo.

Sorri ainda com o sorvete na boca ao olhar para ela e mostrei o outro picolé que havia comprado para ela, ela abriu um sorriso e então começou a correr na minha direção, em poucos segundos ela estava dentro do carro.

― Morango para uma loira morango. ― Falei sorrindo e entregando o picolé para ela.

― Loira morango. ― Ela repetiu e começou a gargalhar, rindo tanto que não conseguia abrir o seu picolé.

Sorri primeiro sem entender mas depois comecei a achar confuso o fato dela não parar de rir. Ela começou a parar de rir, foi respirando fundo e relaxando, finalmente abrindo o seu sorvete. Fiquei a observando com mais atenção.

― Tá chapada? ― Perguntei, com altas suspeitas disso.

― Hã? ― Ela perguntou confusa, se virando para mim com metade do sorvete dentro da boca. ― Claro que não! ― Charlie respondeu de boca cheia e tentando não rir novamente.

― Tá chapada sim. ― Acenei positivamente, rindo da cara dela.

Ela fez silêncio por um momento e revirou os olhos, irritada por eu estar rindo dela. Então respirou fundo antes de continuar e tirou o sorvete da boca.

― É, talvez eu esteja mas não é nada demais!

― Acho que já ouvi isso em outro lugar. ― Falei, tentando parar de rir e me lembrando de uma certa situação constrangedora envolvendo Katherine e um boing rosa.

Charlie ficou parada e me olhando com um sorriso largo, ela então passou o polegar pelo canto da minha boca, limpando um pouco de sorvete que havia ali, então lambeu seu dedo e sorriu de forma maliciosa.

― Groselha. ― Ela falou.

― É, groselha. ― Concordei e acenei positivamente, passando a língua no canto da minha boca onde ela havia passado o dedo.

Charlie então se curvou no banco na minha direção e me puxou pela gola da camiseta para mais perto, me pegando de surpresa com um beijo não esperado. Estalei meus olhos confusos por aquilo mas quando vi seus olhos fechados e que isso era para valer, apenas retribui o beijo. Tocando a lateral do seu rosto com a palma da mão e acariciando a sua bochecha com o polegar.

Ela afastou seus lábios lentamente dos meus, finalizando o beijo com um selinho demorado. Abri meus olhos e sorri, percebendo que ela ainda estava com os olhos fechados.

― Porque fez isso? ― Perguntei, ainda tocando seu rosto.

― Bom... ― Ela começou e abriu os olhos, junto com um sorriso. ― Você é horrível em muitas coisas, especialmente em cantadas. Mas não posso dizer o mesmo sobre sua boca e eu realmente queria fazer isso. Você é um KitKat.

― Eu sou um o que? ― Perguntei rindo.

― Um KitKat! ― Ela riu também, enquanto deslizava a ponta dos dedos por um dos meus braços. ― Eu, Cece e Amy estávamos falando sobre isso outro dia e decidimos que você é um KitKat.

― Bom saber disso. ― Sorri orgulhoso e pisquei para ela, enquanto ela chupava o picolé.

― Pode ir até a casa da Kappa Sigma? Eu realmente queria falar com Angel. ― Ela disse quando liguei o carro.

― Com Angel? Porque? ― Perguntei confuso. ― Pensei que tivesse deixado ela para lá.

― Eu deixei, eu só... queria ser legal sabe. ― Ela acenou positivamente e ficou olhando para o nada.

― Hum... ― Murmurei, esperando ela continuar a falar.

― Não, é só isso mesmo. Agora deixa eu me afundar aqui. ― Charlie fechou os olhos e se encolheu no banco, chupando o sorvete.

Fiz uma observação mentalmente para não deixar mais que Charlie usasse maconha, ela tem a tendência a fazer coisas esquisitas e ter péssimas escolhas.

Dirigi até a casa da Kappa com Charlie em silêncio ao meu lado, se focando completamente em seu sorvete. Quando parei o carro na frente da casa da Kappa, Charlie a olhou encantada.

― É como a casa da Barbie de verdade.

― É, a casa da Barbie em sua profissão de demônio. ― Charlie me olhou assustada, segurando o palito do sorvete. ― Eu só to brincando. Quer mesmo fazer isso?

― Uhum. Katherine disse que ela está meio doidinha. ― Ela acenou positivamente.

― Meio doidinha? Que gentil ela foi em dizer isso, tudo bem então. Mas eu vou com você, não vou deixar você entrar sozinha na casa de doces da bruxa.

― Onde tem doce? ― Ela perguntou animada.

― Foi só uma expressão, Charlie. ― Expliquei.

― Oh, entendi. Então compramos doce no caminho de volta. ― Ela falou saindo do carro primeiro.

Novamente, não deixá-la mais usar nada. Sai do carro e a segui de perto até a porta, onde eu bati, esperando eles atenderem com Charlie parada do meu lado. A porta se abriu completamente com Willa para nos receber, mas quando ela viu quem era perdeu o sorriso do rosto.

― Oie! ― Charlie disse animada e simpática, acenando freneticamente para ela.

― Charlie. ― Segurei sua mão, abaixando-a. Tentando mostrar para ela que Willa não parecia tão contente em nos ver.

Willa simplesmente empurrou a porta para fechá-la na nossa cara, mas eu a segurei com a mão, impedindo-a de bater e a abrindo novamente. Sorri educadamente para Willa.

― Willa, é bom ver você também.

― Tanto faz. ― Ela falou e se virou. ― Os perdedores estão aqui! ― Willa gritou no hall de entrada e saiu, nos deixando ali.

― Acho que isso é um bem vindos. ― Falei para Charlie e ela sorriu, entrando na frente correndo.

Fechei a porta com o pé e corri para dentro, para alcançar Charlie e garantir que ela não quebrasse nada caro. A encontrei parada no meio da sala de entrada, olhando tudo em volta encantada.

― Olha só o tamanho dessa casa. ― Charlie falou. ― Porque nossa casa não é tão grande assim?

― Porque nosso ego não é tão grande assim. ― Falei, apontando em volta.

― Fora! ― Ouvi a voz irritante vindo do alto da escada e revirei os olhos quando vi Johnny no topo da mesma.

Ele desceu uns degraus lentamente, se apoiando no corrimão da escada e nos olhando com desprezo.

― Quem é você, a empregada? ― Disse com desprezo. ― Estamos aqui para ver Angel, isso não soa divertido? ― Sorri para ele.

― Sabe como soa divertido? Te esfaquear na cara com um garfo. ― Ele desceu mais um degrau.

― Não é esfaquear se não é usado uma faca na ação. ― Charlie o corrigiu, ainda distraída com a decoração da sala.

― Essa é a minha garota! ― Sorri orgulhoso para ela e depois olhei para Johnny. ― Podemos vê-la?

― Angel não quer ver ninguém. ― Ele falou sério, colocando as mãos no bolso da calça e ainda meio sem graça com Charlie ter o corrigido.

― Diga a ela que a mãe dela me mandou. ― Charlie falou, finalmente olhando para ele.

― Porque ela faria isso? ― Ele continuou, sendo o mala que sempre é.

― Eu não sei. Se eu começar a questionar tudo o que Katherine faz, vou acabar ficando doida. ― Charlie deu de ombros, sem tempo para mais conversa, ela começou a andar na direção da escada.

Corri para alcançá-la e andar ao seu lado.

― Adoro quando você diz coisas inteligentes. ― Sussurrei sorrindo para ela enquanto subíamos as escadas.

Charlie sorriu orgulhosa de si mesma e exibiu um sorriso debochado para Johnny quando passou ao seu lado, assim que ela deu as costas para ele, Johnny baixou os olhos para a sua bunda. Parei de andar e o olhei sem acreditar, então lhe dei um esbarrão com o ombro.

― Mantenha esses olhos no alto. ― O ameacei com uma cabeçada e ele se esquivou.

― Esquisito. ― Johnny murmurou quando sai andando atrás de Charlie.

― Estou de olho em você. ― O ameacei uma última vez antes de alcançá-la.

POV-Charlie

Johnny nos levou até o quarto de Angel, onde nós três paramos diante da porta fechada. Johnny pousou sua mão sobre a maçaneta e olhou para mim.

― Ela tomou umas coisinhas, então... ela não está sendo ela mesma no momento.

― Bom saber, a mãe dela também me deu umas coisinhas e eu não estou sendo eu mesma no momento. ― Falei, acenando positivamente e olhando para Pete.

― Vou estar bem aqui, se precisar de ajuda é só gritar. ― Ele falou, me dando um tapinha no ombro de encorajamento.

― Uhum! E se vocês ouvirem uns barulhos esquisitos, não se preocupem, somos apenas nós duas nos estapeando e puxando o cabelo uma da outra.

― Vocês podiam esperar para fazer isso em uma banheira cheia de gelatina. ― Peter disse com um sorriso malicioso e Johnny sorriu também, concordando com ele pela primeira vez.

― Gelatinas me assustam. ― Confessei. ― Elas são tão... moles e coloridas.

Johnny abriu a porta e deu um passo para o lado para que eu passasse, olhei para Peter e fiz um aceno positivo para ele, indicando que estava tudo bem e entrei. Passei pela a porta e Johnny fechou-a atrás de mim.

Uau! Isso é muito rosa e muita Angel para o meu gosto! O quarto era todo rosa, em uma mistura de tons de rosa que faziam meus olhos doerem, com fotos de Angel espalhadas por todo ele. Ela estava sentada diante do espelho da sua penteadeira e não se virou quando eu entrei, continuou encarando o seu reflexo.

― Hei Angel, sou eu. Charlie. ― Falei meio sem jeito, apertando os lábios e ainda olhando tudo a minha volta com certa curiosidade.

― O que você está fazendo aqui? ― Ela se virou e me olhou confusa.

― Eu... ― Gaguejei por um momento e fiz uma pausa, dando um passo desajeitado para o lado. ― Bom, eu queria saber como você estava depois do que aconteceu, sua mãe me contou sobre você. Pensei que uma visita te faria bem.

― Uma visita? Acha mesmo que uma visita sua me faria bem? Dá o fora do meu quarto, perdedora! ― A voz e a arrogância era a de Angel, mas enquanto a verdadeira ficou calada ainda me olhando confusa, uma das suas fotos na parede deixou sua opinião bem clara sobre a minha visita.

― O que está fazendo aqui ainda, idiota? ― Outra foto zombou de mim.

― Olhem só para a cara dela, garotas. Ela parece confusa. ― Outra foto se juntou ao grupo e logo em seguidas todas estavam zombando e rindo de mim.

― Obrigado. ― A voz da verdadeira Angel falou.

― O quê você disse? ― Perguntei confusa e sem acreditar, finalmente me livrando de todas aquelas Angels. ― Ouvi você dizer obrigado ou isso é outro efeito da maconha?

― Fumou maconha para vir falar comigo?

― Não, sua mãe fumou. Bom, na verdade, mais ou menos... Porque eu estava na mesma sala então... ― Parei de falar quando vi que Angel estava me olhando assustada. ― Bom, falando sobre sua mãe, ela te contou alguma coisa sobre mim?

― Não. ― Angel acenou negativamente com a cabeça. ― Porque?

― Ótimo, isso é ótimo! ― Falei aliviada por ainda estar em vantagem. Mas eu sabia que isso viria a tona em algum momento, então porque não aproveitar esse momento em que Angel está assustadoramente gentil? ― Como eu começo a dizer isso? ― Cocei a minha cabeça sem jeito. ― Nossas mães eram melhores amigas na faculdade e achavam que nós íamos ser melhores amigas na faculdade, então, meio desapontante para elas...

Angel apenas me olhou, acenando positivamente e entendendo tudo lentamente, graças aos remedinhos que ela havia tomado eu quase ouvia as engrenagens do seu cérebro trabalhando para funcionar.

― Isso é... Uau!

― Eu tive exatamente a mesma reação quando descobri! ― Falei aliviada por não estar sozinha. ― Minha nossa, que loucura, né?

― Pois é! ― Angel soltou uma risada nervosa e meio grogue. ― Mal posso esperar para ver a cara de decepção da minha mãe, já que agradá-la não é lá uma das minhas prioridades.

― É, vamos garantir que nossa próxima briga seja na frente delas. ― Disse brincando e sorrindo, fazendo Angel rir também.

Eu estava me sentindo completamente culpada pelo o que fiz com Angel, olhando-a ali daquela forma. Meio sonolenta e tonta, dizendo palavras como obrigado e sorrindo verdadeiramente, era fácil ver que ela também era humana. Angel era tudo o que eu era e todo esse ódio só vinha de um lugar, ela se sentia ameaçada.

A sala caiu em um silêncio constrangedor e eu olhei por cima dos ombros, onde a porta ainda permanecia fechada e eu me perguntava se Pete e Johnny também estavam nessa situação desconfortável.

― Então, acho que é melhor eu ir... ― Falei, sem jeito, apertando os lábios e estalando os dedos.

― É claro! ― Ela falou, sorrindo gentilmente.

― Tchau! ― Acenei sem jeito e dei um passo para trás, tateando a porta com a mão a procura da maçaneta.

― Charlie? ― Ela me chamou, antes que eu pudesse sair.

― Hum? ― Parei e olhei para ela.

― Me desculpe por ser uma vadia com você mas, eu tenho uma reputação a manter. ― Ela sorriu sem jeito.

― É, tudo bem. Eu entendo. ― Acenei positivamente e fazendo sinal positivo com o dedo. ― É uma das leis da vida.

Ela riu sem jeito e eu finalmente encontrei a maçaneta da porta, abrindo-a ainda de costas.

― Tchau. ― Falei uma última vez sem jeito antes de sair e Angel apenas acenou.

POV-Pete

Depois da visita a Angel sem nenhum incidente agressivo com Charlie, nós voltamos para a casa. Já era quase noite e os rapazes estavam em casa. Charlie continuava sob os efeitos da sua consulta, o que estava divertindo muito os rapazes.

Todos os rapazes tinham planos para hoje a noite, então não seria um problema sair com Charlie, já que todos estariam ocupados consigo mesmos para questionar isso. Ela estava no chuveiro enquanto eu terminava de me arrumar no nosso quarto. Estava sentado na beirada da cama, terminando de amarrar os sapatos, quando Mike apareceu na porta e ficou parado, me olhando com suspeita.

― Porque tá usando os seus sapatos chiques? ― Ele cerrou os olhos, me olhando com curiosidade e parado, com medo de se fazer algum movimento brusco eu fosse atacá-lo.

― Ham... ― Abri a boca para responder mas não consegui formular resposta alguma, apenas continuei parado. Curvado e segurando os cardaços do meu coturno social.

― E o que é isso? ― Ele fungou, sem acreditar. Então entrou no quarto, se aproximando de mim e veio me cheirar. ― Tá usando perfume?

― Sai daqui, mano! ― Empurrei ele para longe quando ele veio cheirar o meu pescoço.

― Tá cheiroso! Onde é que você tá indo, cachorrão? ― Ele abriu um sorriso malicioso. ― Vai pentear o cabelo também?

― Ih, me deixa ou! ― Falei, me levantando e mão a mão pelo cabelo.

― Onde é que você vai? ― Ele perguntou, interessado e debochado. ― Gente, vem ver esse boneco de perfume aqui.

― Fica quieto! ― Dei um soquinho nele e ele riu.

― Dios mío, muñeca! ― Pablo apareceu na porta e falou rindo, dando um beijinho na ponta dos dedos. ― Deixa eu ver você.

Ele entrou no quarto e ficou ao lado de Mike, me analisando dos pés a cabeça e passou o indicador e o polegar sobre o bigode ralo.

― Você também tá bonitão, hein! ― Mike falou olhando para Pablo agora.

― Eu sou bonitão! ― Ele disse orgulhoso de si mesmo.

― Onde é que vocês estão indo? Porque olha, eu quero ir também...

― Palestra sobre alcoolismo. ― Eu falei.

― Concurso de gastronomia do Paquistão. ― Pablo falou ao mesmo tempo que eu.

Nós olhamos um para o outro sem acreditar e Mike continuou com o olhar suspeito.

― Concurso de gastronomia do Paquistão. ― Eu falei agora.

― Palestra sobre alcoolismo. ― Pablo falou.

Eu quis bater nele naquele momento. Mike ficou parado, apenas olhando do nosso rosto um para o outro.

― Se vocês estão indo em um encontro um com o outro, está tudo bem por mim. Vocês sabem o que eu acho disso né? O mundo ama os gays! ― Ele sorriu.

― Vocês acham que eu deveria colegar silicone? ― Charlie falou entrando no quarto, enrolada apenas uma toalha. ― Porque hoje eu parei para observar os meus peitos do chuveiro e eles parecem duas uvas ou duas picadas de pernilongo. Olhem só...

Ela foi abrir a toalha e eu pulei como se estivesse em câmera lenta para cima dela, a abraçando inteira e a apertando contra o peito, impedindo ela de tirar a toalha.

― Charlie! ― Falei indignado.

― O quê? ― Ela perguntou ainda meio confusa. ― Eu já vi os peitos de vocês.

― Claro, super justo! ― Mike falou, acenando positivamente. ― Sai daí, Pete, deixa a gente averiguar.

― Isso aí, blanca! ― Pablo riu.

― Sai daqui vocês dois! ― Empurrei eles com o pé em direção a porta. ― Meu Deus!

Notas finais
Gostaram? E aí, como acham que vai correr o encontro duplo de Pharlie e Pamy? Se preparem, porque vai ser um encontro épico!!! kkkkkkkkkk Obrigado a todo mundo que comentou no capítulo anterior, beijoss!