Changes in Heart
3 The comfort
Notas iniciais
Você gosta do Kise. Essa frase habitava os meus pensamentos me fazendo lembrar constantemente que ainda precisava dar uma resposta digna para o Dai-chan, afinal fechar a porta no rosto de alguêm não pode ser realmente considerada uma resposta que qualquer pessoa daria a um amigo de longa data.
Mas isso pode ser deixado de lado por hora, porque agora eu tenho que cumprir com as minhas obrigações de gerente de uma equipe de basket colegial e parar de pensar nesse assunto afinal o problema não irá se resolver simplismente por pensar nele e desejar que ele desapareça.
Fui tomar um banho descidida a esquecer os meus "assuntos pendentes" e me concentrar na partida do time que seria o nosso proximo rival. Tomei banho lentamente pensando em táticas que melhorariam o desempenho da equipe, com esses mesmos pensamentos sai do chuveiro, enrolada na minha toalha rosa em busca de roupas casuais, optei somente por usar um short jeans, uma regata verde, e um tênis branco, por fim prendi meus cabelos em um rabo de cavalo,e desci as escadas da minha casa cumprimentando os meus pais de forma rápida e monótona.
Caminhava lentamente pela rua sem pensar em absolutamente nada, ainda tinha tempo de sobra para chegar na hora do ínicio da partida. Observava as pessoas que conversavam animadamente no celular, as crianças que brincavam na calçada, casais de namorados se beijando, e essa ultima visão me fez imaginar se algum dia eu estaria junto com alguêm que eu verdadeiramente ame que me amasse de volta. Acabei me perdendo em meus próprios devaneios sendo despertada por uma visão tanto nostalgica quanto dolorosa, um grupo de garotos jogando basket em uma quadra e uma menina os observando, eles pareciam estar se divertindo, me fazendo lembrar de como a Kiseki no Sedai era antes de toda a sede de poder e vítoria.
Essas ideias foram logo afastadas para o fundo da minha mente assim que avistei o local aonde se realizaria a partida, caminhei até a entrada com passos lentos, e entreguei o meu ingresso na bilheteria e por fim entrei no estadio, olhei ao meu redor a procura de um assento em que pudesse ter uma melhor visão do jogo, encontrei um lugar perfeito, rapidamente me sentei, e começei a tirar meu caderno da bolsa para poder fazer anotações sobre os times, quando ouvi uma voz que fez o meu coração se apertar dolorosamente no meu peito.
–Momoi-san...
Ali estava ele, a pessoa que mesmo indiretamente me meteu nessa confusão sentimental, olhando pra mim com seus olhos azuis celeste e a mesma expressão estoica.
–Tetsu-kun — agradeci mentalmente por não ter gagueijado.
–Posso? — perguntou o azulado olhando para o lugar vago que estava ao meu lado.
Simplismente acenei com a cabeça não confiando na minha voz, notei ele se sentando no banco, e um silêncio muito conhecido se instalou no ambiente sendo quebrado por uma pergunta que me atormentava.
–Por que não esta com o Aomine-kun, Momoi-san?
–Eu...bom...ele...quer dizer nós brigamos, eu acho — disse meio exitante.
Ele me pareceu pensar por alguns instantes e logo depois disse uma frase que realmente me surpreendeu.
–Se a Momoi-san quiser pode conversar comigo.
E mergulhada em seus olhos frios porém gentis, foi que me lembrei do motivo por ter começado a ama-lo e a razão por tentar esquece-lo. Quando dei por mim já havia começado a falar sobre o que estava acontecendo, naquele momento não existia mais a garota que foi rejeitada e o garoto que a rejeitou, havia somente dois amigos afogando seus medos e incertezas, sendo consolados por gestos simples e palavras doces.
Não fui interrompida em nenhum momento enquanto falava, ele só prestava a atenção e de vez enquando maneava a cabeça lentamente dando sinais de que ainda me ouvia. Quando terminei o meu monologo senti uma mão fazendo carinho nos meus cabelos, como se estivesse me dizendo "tudo vai ficar bem". Prendi minha respiração ao olhar para ele, que depois de ter apenas me ouvido finalmente decidiu falar.
–Momoi-san, diga o que sente e o que pensa para o Aomine-kun, e não se esqueça que independentemente da resposta que ele der, eu sempre estare aqui pra você.
Ouvindo as suas palavras e vendo sua expressão foi que percebi algo que ele ja havia percebido a muito tempo. Eu não o amava, e essa verdade veio como um tapa na cara, e sem me importar com o que as pessoas pudessem dizer me joguei nos braços reconfortantes do garoto por quem eu tive a tola ilusão de estar apaixonada, e finalmente deixei minhas barreiras desabarem diante dele, chorando e sendo consolada pela segunda vez por pessoas distintas, porém pelo mesmo motivo.
Fui arrancada de meu torpor pelo barulho que anunciava o fim do jogo, sai desse abraço desajetado contra a minha vontade, ergui lentamente o meu rosto enquanto limpava as lagrimas com as mãos.
–Vamos Momoi-san, vou te levar pra casa — disse Tetsu-kun enquanto se levantava e segurava minha mão parando o processo de "secagem" das lagrimas.
–O...Obrigada Tetsu-kun...por tudo...e me desculpe — falava enquanto caminhavamos em direção a saida do estadio.
–Não se desculpe e tambêm não me agradeça, afinal somos amigos Momoi-san.
–Uhum — concordei alegremente, e segurei de modo mais firme a sua mão em um gesto inconciente de confiança.
–E então Tetsu-kun como esta o time da Seirin.
Conversamos descontraidamente, ou melhor eu falava e ele sorria e dizia poucas palavras, tive a impressão de que a caminhada durou menos do que normalmente dura porque quando dei por mim já estava em frente a minha casa.
–Até logo, Momoi-san — disse Tetsu-kun enquando soltava a minha mão, me fazendo corar e desejar mentalmente o seu toque novamente.
–Até, e obrigada denovo por ter me ajudado.
–Não se preocupe.
O vi se afastar aos poucos, enquanto ia em direçao a porta da minha casa com a coragem reavivada e decidida a me acertar com o Dai-chan. Subi para o meu quarto sem me importar se tivesse ou não alguêm em casa, entrei no meu local de relaxamento, peguei o meu celular, tomei uma respiração profunda e liguei para o meu melhor amigo.
–O que? — escutei uma voz rude do outro lado da linha
–Dai-chan, será que...bom...você poderia vir aqui em casa pra...- não pude terminar de falar porque ele já havia encerrado a ligação.
Me joguei na minha cama tentando não pensar no Dai-chan novamente, o que por sorte durou poucos minutos, porque alguêm tocou a campanhia e eu fui obrigada a descer e abrir a porta, sem estar preparada para o que viria a seguir
–Então Satsuki, o que você quer falar comigo?
E ele estava ali com o mesmo olhar sério me deixando em dúvida sobre estar aliviada ou preocupada com a sua aparição.
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