Challenge Of Passion
6 Capítulo VI - O Carro Azul
Notas iniciais
comentem
CAPÍTULO VI
— Não se esqueça do celular... Hermione, que diabos é isso?
Hermione, prestes a empurrar os óculos escuros para cima no nariz, parou e olhou para Draco por cima deles, vendo-o fitá-la de cara amarrada.
Ele não se referia aos óculos escuros nem à camiseta branca e à saia que usava com sandálias rasteirinhas, então só podia ser...
— É um boné de beisebol, naturalmente — ela respondeu ríspida. — Um tipo de chapéu originado no país de sua mãe, creio eu. — ela acrescentou secamente.
— O chapéu de caubói também foi originado lá, mas nem por isso eu uso um. — Draco retrucou.
Os três tinham passado quase a manhã inteira na piscina, até Draco sugerir que fossem comprar suprimentos no supermercado local. Lily então acrescentou sua própria sugestão: que depois de levassem as compras para a vila, fossem almoçar em Grasse e depois fossem a uma das praias do litoral.
Uma sugestão que Draco ficou feliz em aceitar, o que significava que ele, mais uma vez, levara a melhor.
Mas isso não significava que ela estava disposta a sair sem o disfarce do boné de beisebol.
— Tenho uma tendência a ficar com muitas sardas se pegar sol — ela mentiu.
A boca de Draco se retorceu.
— E não podemos deixar uma sarda destruir essa pele perfeita, podemos?
Ela estreitou os olhos.
— Draco, por que você não...
— Na verdade, tio Draco, titia Hermione é famosa — Lily informou-o alegremente. — Ela usa o boné porque não quer ser reconhecida.
— Não sou, nem de longe, tão famosa quanto seu tio Draco, Lily — ela disse levemente, ajustando os óculos no nariz.
— Vamos, princesa Lily — Draco passou os dedos pelos cabelos vermelhos dela. — Vamos esperar lá fora no carro enquanto sua titia Hermione acaba de se disfarçar.
— Muito engraçado, Draco — disse Hermione em voz arrastada, caminhando com eles. — Não se esqueça de trazer uma bolsa mais tarde, Lily... Seu tio é um símbolo sexual, e talvez tenhamos de enxotar suas fãs antes do fim do dia — ela avisou.
— Agora, quem está sendo engraçada? — Draco ergueu as sobrancelhas loiras ao abrir a porta traseira do carro para Lily entrar.
Hermione deu-lhe um sorriso docemente gozador.
— Só estou afirmando o óbvio, Draco — ela zombou.
Draco fez uma careta.
— Símbolo sexual?
Ela deu de ombros ao passar para o lado do carona.
— Lembro-me de ter lido em algum lugar que foi eleito o homem mais sexy da América no ano passado.
Não era um título de que Draco se orgulhasse muito.
Como, sem dúvida, Hermione bem sabia.
— Surpreende-me que, com tudo que acontecia em sua vida no ano passado, tivesse tempo de ler sobre mim — ele ironizou.
O sorriso provocante sumiu dos lábios dela.
— Era até uma mudança agradável daquele outro lixo que estava sendo publicado na época.
Draco aproximou-se rapidamente dela.
— Hermione...
— Realmente devemos ir, Draco — ela disse irritada, abrindo a porta do carro para entrar e depois fechou-a com firmeza deixando Draco lá fora, sentindo-se um cafajeste. Tinham declarado uma trégua na véspera pelo bem de Lily e durante quase toda a manhã tinham respeitado essa trégua. A falha atual dele devia-se, ele sabia, ao fato de não ter dormido nada bem na véspera.
Mas como poderia dormir, sabendo que Hermione estava numa outra cama bem perto dali? Provavelmente acordada também, embora por outro motivo.
Ele não conseguia esquecer como tinha sido bom tocá-la, mas Hermione estaria preocupada com Gina, algo que Draco não havia considerado durante sua conversa. Mas, ora, Harry tinha acabado de pedir-lhe que ficasse ali e tomasse conta de Lily e Hermione. Um pedido que, pelo bem de Lily, Draco sabia ser impossível recusar.
Porém, não significava que tinha de gostar de estar ali com Hermione.
Assim como Hermione não tinha de gostar de estar com ele.
— Sinto muito — Draco resmungou, sentando ao seu lado no carro e ligando o motor.
Hermione o olhou, espantada.
— O quê?
Draco respirou forte.
— Disse que sinto muito — ele repetiu mais claramente. — Foi um golpe baixo.
— Foi mesmo. — ela concordou roucamente, embora um pedido de desculpas fosse o que menos esperava.
Ele sorriu pesarosamente.
— Acho que mereci isso.
— Também acho. — Draco franziu a cara.
— Você sempre foi tão... Teimosa?
— Provavelmente, não. — admitiu Hermione baixinho. — Acho que todos nós mudamos com o tempo. E nem sempre para melhor. — deu de ombros.
Hermione sabia que havia mudado nos últimos oito anos, que sua vida com Ronald provocara diferenças sutis nela. Por exemplo, já não confiava nem em afeição e muito menos em homens sensualmente atraentes como Draco Malfoy.
Draco olhou Hermione de soslaio várias vezes ao levá-la até a aldeia, com Lily apontando vários de seus lugares favoritos de outras férias lá.
Houve um tempo em que Hermione teria se sentido quase tão feliz quanto Lily com um passeio às lojas e depois à cidade para almoçar. Porém agora não, Draco percebeu. Não era tanto por ter se tornado cínica e sim porque suas emoções ficavam escondidas por trás de um muro de indiferença, quase impenetrável.
Ou talvez estivesse apenas entediada, Draco admitiu tristemente. Afinal, essas férias com uma menina de seis anos provavelmente eram bastante sem graça, depois da vida exótica que ela levara em Hollywood, com Ronald Weasley.
O tipo de vida que Draco costumava evitar.
Oh, às vezes era obrigado a comparecer a algumas festas e cerimônias de premiação — como a de Cannes nesta semana. Porém, tendo opção, Draco preferia ficar em sua casa na praia, bem longe do ambiente de Hollywood.
Mas era uma vida que Hermione, fotografada em numerosas festas grã-finas no decorrer dos anos, obviamente apreciava.
(...)
— Que tal irmos almoçar em Saint Moritz, em vez de Grasse? — ele sugeriu, quando acabaram as compras no supermercado local e esperavam ao lado do carro, enquanto Lily devolvia o carrinho de compras.
— Saint Moritz? — Hermione repetiu cautelosamente.
Ele confirmou com a cabeça.
— Podemos ir de carro pela costa ou tomar um barco...
— Sei como ir Draco, já estive lá antes. — ela o interrompeu, antes de sacudir a cabeça. — Não acho que seria atraente para uma garotinha de seis anos.
Claro que ela já havia estado lá antes, Draco reconheceu zombando de si mesmo. Sem dúvida, tinha ido a todos os lugares da moda durante o seu casamento.
— Só achei que uma mulher de vinte e oito anos estaria com saudades das lojas de Rodeo Drive. — ele disse em voz arrastada. (N.A* É o nome de um famoso e longo quarteirão em Beverly Hills onde são encontradas várias lojas de grife).
Um rubor delicado invadiu o rosto de Hermione com esse insulto deliberado. Pouco depois de sua chegada a Los Angeles, Ronald tinha aberto contas para ela em todas as lojas exclusivas de Rodeo Drive e Hermione tinha de admitir que nos primeiros meses de seu casamento, foi divertido ir para aquelas lojas e comprar tudo o que quisesse.
Porém a novidade das compras, assim como o brilho de seu casamento já fracassado logo tinha se dissipado, e se sentira aliviada por voltar ao trabalho.
— Não sinto falta de nada da minha vida em Los Angeles — ela disse em voz inexpressiva.
— Nada? — Draco escarneceu.
— Absolutamente nada — ela repetiu friamente.
— Acho isso muito difícil de acreditar — ele comentou. — Lembro-me de que não se passava uma semana sem aparecer uma foto sua nos jornais ou em alguma revista como uma das pessoas elegantes em uma festa ou estreia.
— Que eu odiava — Hermione disse firmemente. — Era o tipo de vida de Ronald, não o meu. — ela acrescentou quando Draco ergueu as sobrancelhas loiras céticas.
— Não?
— Não... O que é? — ela perguntou, ao ver que Draco parecia distraído por alguma coisa, ou alguém, do outro lado do estacionamento.
Virou-se para seguir o seu olhar, mas só viu um homem destrancando o carro e entrando nele, com uma bisnaga fresca debaixo do braço.
— Draco? — ela insistiu, com a testa franzida ao virar-se para ele.
Ele sacudiu a cabeça.
— Desculpe. Do que falávamos?
De nada importante, Hermione reconheceu tristemente, sabendo que Draco não tinha o menor motivo para acreditar nela. E por que isso seria importante para ela? Só que era...
— De nada importante — Hermione perscrutou-o mais uma vez antes de se virar para sorrir para Lily que voltava e entrava no carro. — Ponha o cinto de segurança, boneca. — disse carinhosamente, sentando-se no banco do carona.
Draco continuava distraído ao voltarem para a vila, checando ocasionalmente no retrovisor para ver se via aquele carro azul e seu motorista.
Não viu, mas isso não significava que não estivesse lá...
Tinha notado o carro pela primeira vez no caminho da vila até o supermercado. Reparou que os seguira para o estacionamento, mas achou que era apenas coincidência quando o motorista saltou do carro para comprar pão fresco numa banca.
Mas eles tinham ficado no supermercado por quase meia hora e o homem ainda estava por ali quando saíram, aparentemente lendo um jornal, embora tivesse andado até seu carro enquanto eles guardavam as compras no porta-malas.
Estava ficando paranoico, Draco decidiu ao subir o caminho até a vila sem ver o carro azul atrás deles.
Paranoico ou hipersensível, depois de se reencontrar inesperadamente com Hermione após evitá-la durante anos. Hermione tinha razão quando disse que ele não havia levado uma vida de monge nos últimos oito anos e aqueles anos o tinham feito acreditar que se esquecera dela. Mas, depois de beijá-la e acariciá-la na véspera, sabia que, absolutamente, não a esquecera.
Sem dúvida, Hermione estava diferente agora, elegante, vestindo só roupas de grife, tudo nela mais sofisticado e mais autoconfiante do que na jovem de vinte anos que conheceu quando filmavam no Caribe.
Porém estaria mentindo se declarasse que a atração, aquele desejo violento de fazer amor com ela ainda não ardia sob aquele verniz fino de civilidade.
Extremamente perigoso.
E era um perigo do qual Draco precisava se afastar, pelo menos durante algumas horas.
(...)
— Por motivos óbvios, preciso ir a Cannes esta noite — ele disse a Hermione quando guardavam as compras enquanto Lily pegava o maiô no quarto.
— Ótimo. — Hermione concordou, desinteressada, continuando a guardar as compras.
— Você e Lily podem ir comigo, se quiserem — Draco ouviu-se oferecer, contrariando inteiramente sua decisão anterior.
Sua única desculpa era que o desinteresse absoluto de Hermione irritara-o profundamente.
Hermione enrijeceu-se ao voltar-se lentamente para Draco.
— Por que diabos eu quereria fazer isso? — ela perguntou incrédula, enquanto, no íntimo, não queria nem pensar em se aproximar daquela artificialidade glamorosa depois do prazer de passar dez meses longe disso.
Como Draco dissera mais cedo, ela assistira inúmeras premiações com Ronald no decorrer dos anos, como atriz e como esposa de Ronald. Tinha até recebido um Oscar três anos atrás.
O que significava que Hermione sabia exatamente como seria a festa em Cannes, todos lá só para verem e serem vistos, e não para se divertirem.
Draco recostou-se numa bancada para examiná-la por baixo das pálpebras semicerradas.
— Você não trabalha há mais de um ano, Hermione.
Ela pestanejou.
— Como?
— Não fez nenhum filme, em mais de dez meses.
— E daí?
— Daí, como salientei ontem, o mundo teatral é volúvel — ele deu de ombros. — Muito tempo longe dos refletores e a indústria, assim como o público, esquecem que você existe.
— E isso significa o quê?
— Que você precisa voltar a trabalhar — ele disse de testa franzida.
Hermione riu sem humor.
— Como lhe disse ontem, não acho que isso seja de sua conta...
— Não pode se esconder pelo resto da vida, Hermione — ele salientou.
Ela arregalou os olhos.
— Não estou me escondendo...
— Como você chama isso? — ele retrucou impacientemente. — Está numa vila a quilômetros de qualquer lugar, usa óculos escuros e um boné de beisebol para se disfarçar quando sai. Eu chamaria isso de se esconder. E você, Hermione?
— Não. — ela disse ríspida. — Chamaria de tirar umas férias merecidas depois de anos de trabalho constante — ela parou para respirar. — Nem me lembro da última vez em que pude apenas relaxar e deitar-me ao sol.
— Vai ficar com sardas, lembra? — ele provocou.
— Eu me arrisco. — ela disse em tom breve. — E realmente não vejo o que isso tem com a minha recusa em ir a uma festa em Cannes hoje à noite, com você.
— Haverá diretores lá. Produtores, também. As pessoas que lhe darão seu próximo trabalho, Hermione — Draco explicou pacientemente.
— Não preciso que ninguém me dê meu próximo trabalho, Draco — ela garantiu.
Ele a examinou cuidadosamente.
— Já sabe qual será seu próximo trabalho, não é? — Hermione inclinou a cabeça.
— Sim, Draco, já sei.
— E qual é?
— Não é de sua conta!
— Vocês dois estão brigando? — perguntou Lily da porta da cozinha, curiosa porém não preocupada.
— Claro que não, boneca — Hermione garantiu. — Tio Draco e eu estávamos apenas falando sobre algo sem importância. — lançou um olhar de advertência para Draco.
— Oh. — disse Lily. — Porque mamãe e papai sempre se beijam e fazem as pazes quando brigam.
Hermione bufou ao pensar nela e Draco "beijando-se e fazendo as pazes". Havia passado tempo demais entre eles para que pudessem fazer isso.
Um sentimento compartilhado por Draco, quando respondeu a Lily:
— Como titia Hermione disse, não estávamos brigando. — o loiro falou para a adorada sobrinha. — Então, quem está com fome? —
— Euuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!!!! — o grito de Lily encobriu completamente o fato de que Hermione não disse nada.
Estava irritada demais com Draco para falar!
Tinha passado anos sendo persuadida, adulada e pressionada por Ronald para aceitar um papel atrás do outro, em geral para a produtora dele, naturalmente, e agora não estava disposta a ser forçada por ninguém — e muito menos pelo arrogante Draco Malfoy — a fazer algo, ou ir a algum lugar, se não quisesse.
Certamente não permitiria que Draco a obrigasse a ir para Cannes com ele esta noite.
(...)
Draco não parecia mais interessado no assunto enquanto procuravam um lugar para estacionar em Grasse antes de passearem pelas lojas e restaurantes. Na verdade — felizmente! — Draco parecia distraído de novo, deixando Hermione se deleitar com os aromas e o ambiente da cidade cuja principal indústria produzia perfumes maravilhosos.
O carro azul e seu motorista não tinham sido paranoia de Draco.
Ele tinha quase certeza disso agora, pois o carrinho azul havia surgido de uma estrada lateral quando Draco desceu da vila e entrou na estrada principal. Tinha ficado a uma distância de dois carros deles no caminho para Grasse e os seguiu para o mesmo estacionamento quando chegaram à cidade. Porém o motorista, o mesmo homem de antes, tinha notado que Draco o olhava do outro lado do estacionamento e trancou rapidamente o carro e desapareceu na direção oposta de Draco, Hermione e Lily.
Draco não tinha mais visto o homem, mas um sexto sentido, uma comichão na nuca, dizia-lhe que o homem ainda estava por ali, em algum lugar.
Seria apenas um fã ávido que talvez tivesse reconhecido Draco quando o viu no supermercado?
Ou pior! Um repórter?
Várias pessoas olharam para Draco enquanto os três passeavam pelas ruas animadas de Grasse como se o tivessem reconhecido, mas depois viam Lily e Hermione e decidiam que estavam enganadas; Draco Malfoy não era casado, e muito menos pai de uma menina de seis anos.
Mas o homem no carro azul parecia mais obstinado e obviamente estava esperando no final da estrada de acesso na esperança de conseguir segui-lo, na próxima vez em que Draco saísse da vila.
Ou que Hermione saísse...
Draco olhou-a, preocupado. Ela ainda usava o boné e os óculos escuros, mas parecia relaxada e obviamente estava se divertindo enquanto escolhia com Lily velas perfumadas para presentearem Gina.
Mas não poderia se divertir se o homem que os seguia fosse um repórter atrás dela.
— Está tudo bem, Draco? — perguntou Hermione, depois de se sentarem a uma mesa na praça onde resolveram almoçar.
Ele ergueu as sobrancelhas loiras.
— Por que não estaria? — Hermione franziu a testa.
— Parece... Preocupado.
— Fico assim quando estou com fome — ele respondeu voltando a atenção para o cardápio.
Hermione continuou a olhá-lo por mais alguns segundos antes de pegar seu próprio cardápio. Afinal, não podia se queixar enquanto Draco continuasse ajudando a manter Lily distraída.
Além disso, ele provavelmente estava tão preocupado com Gina quanto ela.
Hermione tinha falado rapidamente com Harry naquela manhã e o cunhado prometeu telefonar mais tarde, assim que tivesse notícias de Gina e dos bebês. O celular de Hermione estava na bolsa justamente por isso.
Era muito agradável estar sentada ali ao sol, Hermione resolveu, recostando-se na cadeira, enquanto Draco e Lily comparavam os méritos das praias da região que, pelo visto, ambos conheciam bem.
Hermione observava-os por trás dos óculos escuros, apreciando como Draco era bom com Lily, falando com ela como se fosse adulta, levando em conta as sugestões dela. Lily obviamente também estava encantada por ele.
Mais uma vez, Hermione perguntou-se por que ele nunca tinha se casado e tido filhos.
Draco tinha 30 anos agora, estava no auge de sua profissão, um diretor de sucesso e também um dos atores mais procurados — e mais sexy — do mundo: o mais sexy, segundo uma pesquisa de opinião americana no ano anterior.
Muitas mulheres haviam passado pela vida de Draco nos últimos anos, também. Fotos dele com aquelas mulheres lindas apareciam frequentemente nas revistas da moda que ela às vezes lia.
No entanto, ele nunca se casara, continuando a ser um dos solteiros mais cobiçados e mais esquivos do mundo... E um homem de quem Hermione estava muito cônscia fisicamente.
Seria inútil dizer o contrário quando estava sensível a tudo nele, desde o cabelo sedoso e loiro que chegava à gola da camisa até os pés elegantes calçando top-siders pretos.
Ele era sexy como o diabo, Hermione reconheceu dolorosamente. Mais ainda do que oito anos atrás, a maturidade acrescentando outra dimensão à sua personalidade já multifacetada, linhas de experiência em torno dos olhos de um azul profundo e um sorriso raro, desafiador e irônico.
— Ela é uma grande garota, não é? — Draco disse, quando Lily pediu licença para ir ao toalete dentro do restaurante.
— Hã... É sim — Hermione concordou abruptamente, arrancando o olhar da boca perfeita e sensual de Draco e seus pensamentos da lembrança de como aquela boca havia se apossado da sua ontem à tarde.
O olhar de Draco se concentrou nas faces ruborizadas dela.
— Alguma vez já imaginou que se tivéssemos ficado juntos, poderíamos ter uma filha da idade de Lily agora? Ou talvez até mais de uma?
— Claro que não. — ela negou firmemente.
Draco deu de ombros.
— Apenas uma ideia.
Porém ela não podia negar que houve um tempo em que ingenuamente, no íntimo, deliciava-se com a ideia de ser mãe dos filhos de Draco...
— Acho que vou tentar ligar para Harry enquanto Lily não está perto. — Pegou o celular e ligou para o cunhado, dando fim àquela conversa.
Porém isso tinha servido como um lembrete para Hermione de que não fora suficiente para Draco oito anos atrás e a despeito de achá-lo maravilhoso com Lily — e de achar que seria um ótimo pai — sabia que ela não seria suficiente para ele agora, também.
Draco aproveitou a preocupação de Hermione para se recostar na cadeira e correr os olhos pela praça movimentada, ainda com aquela comichão desagradável na nuca, como se estivesse sendo vigiado.
Não que tivesse visto novamente o motorista do carro azul.
Isso talvez não fosse surpreendente, depois de Draco ter mostrado tão claramente que havia notado o interesse do homem.
Ou talvez Draco estivesse enganado e fosse realmente uma coincidência ter visto aquele homem e aquele carro duas vezes no mesmo dia.
Talvez...
Só que ele não acreditava muito em coincidências.
— Maldição! — Draco rosnou ao se levantar furioso e virar-se para ir a passos largos para onde tinha visto Lily saindo do toalete.
Para onde o homem do carro azul tinha abordado Lily, puxando conversa com ela...
(...)
Notas finais
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